domingo, 13 de fevereiro de 2011

Aerus – Cinco anos de tergiversações

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por José Carlos Bolognese

Nos debates do segundo turno da eleição passada, uma das advertências mas repetidas pela candidata eleita ao seu oponente era: - Sem tergiversações.....por favor, sem tergiversações! (Esse por favor é uma concessão minha. Não sei se de fato houve.)

tergiversação s.f. Ato ou efeito de tergiversar; hesitação, vacilação; dubiedade, evasiva.

Pois é, a palavra tem tantas sílabas e caracteres e foi repetida tantas vezes, que se por mágica, transformada no dinheiro que pagamos ao Aerus, talvez resolvesse o problema dos ex trabalhadores e aposentados da Varig. Mas infelizmente, o que não foi criado para expressar o bem não tem como corrigir o erro. É apenas usado para admoestar, quando é o próprio acusador fazendo um uso inadvertido da expressão.

Os quatro significados referidos no dicionário para tergiversação, com forte ênfase para os dois últimos, "dubiedade, evasiva", estiveram e ainda estão presentes na forma como o caso Aerus é tratado pelos que têm poder & o dever de resolvê-lo.

Enquanto contida num debate ou artigo de opinião, qualquer expressão maligna não passa de palavra falada ou escrita. Mas quando é materialmente transformada em atos pelos que, até contra nossa vontade, atuam sobre nossas vidas, os danos podem ser irreparáveis.

O que é que não foi hesitação e vacilação e depois, mais intensamente, dubiedade e evasivas quando o assunto Aerus foi tratado pelas autoridades executivas e judiciárias? Quando foi que alguém entre os que decidem, se deu conta dos danos causados a milhares de trabalhadores honestos ao se deixar prevalecer livremente o significado de tergiversação sobre os interesses dessas pessoas?

A grande verdade é que esta malsinada expressão é uma ferramenta muito útil para os que não querem enfrentar os problemas reais dos trabalhadores, pelos quais são muito bem pagos. Na república do "não sei, não fui eu", é muito perigoso ser um cidadão comum e sem compadres no poder ou na sua periferia. Sendo apenas honesto e produtivo, o trabalhador não se protege do perigo de perder tudo o que construiu em uma vida de trabalho. Aparece alguém dizendo que seu contrato nada vale, o governo diz tudo bem. Do lado fraco começa a desgraça, e do forte, a indiferença.

Por tudo o que custam aos cidadãos, principalmente os que trabalham, trabalharam e contribuem, nenhuma autoridade, de qualquer poder, pode colocar-se acima da lei. E não consta que a mesma lei obrigue pessoas decentes, numa fase da vida em que não podem senão viver do que construíram no passado, a afundar na penúria. É mesmo o Brasil "Um País de Todos" ou de "Uns Poucos" e todo o resto, "Uns Tolos?"

Hesitação e vacilação, dubiedade e evasivas estão há cinco anos literalmente matando pessoas, corroendo seu patrimônio conseguido com trabalho e contribuições, impedindo seu acesso à saúde e legitimando o dolo. Autoridades que cultuam esses conceitos sob o pretexto de seguirem os ritos do ofício, deveriam se colocar no lugar dos que sofrem as consequências. Só assim mereceriam respeito. Quando uma ministra muito importante do judiciário diz.....

Que todos os cidadãos tenham acesso fácil a um juiz que lhes dê resposta pronta é o ideal a ser buscado. Que o enfrentamento das questões de mérito não seja obstaculizado por bizantino formalismo, nem se admita o uso de manobras procrastinatórias...

Será que ela acredita no que diz ou já viu isso acontecer? No nosso caso certamente que não! Por enquanto, o bizantino formalismo e as manobras procrastinatórias, estão valendo mais do que vidas humanas e direitos fundamentais.

A quem ficou ofendido é bom lembrar - Não existe ofensa maior do que a situação que nos é imposta, já por cinco anos, contra nossa vontade. O que faço com convicção é chamar as coisas pelo nome que elas têm. E não é assim só porque eu quero. Infelizmente, é assim porque é, e ninguém faz..... nem informa nada!

Ou alguém, autoridade, formador de opinião, sindicalista etc., ousaria dizer que não resolver o problema dos ex trabalhadores da Varig, do Aerus que se arrasta há tanto tempo, não é condená-los permanecer nesse estado de penúria, que a cada dia gera mais mortes e perdas irreparáveis?

Há muitos parasitas nesta nação. Certamente nenhum deles entre os ex- trabalhadores da Varig.

JC Bolognese é Comissário de Voo aposentado.

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