domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os direitos e deveres de cada um

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por João Bosco Leal

As vendas cada vez maiores das industrias automobilísticas, e o crédito abundante e com maiores prazos para o financiamento de carros e motos, provoca o imediato crescimento do volume destes circulando pela ruas, e uma das mais visíveis e imediatas consequencias, e de mais fácil constatação, é que estacionar um veículo em cidades brasileiras está se tornando uma verdadeira proeza.

Sem montar estrutura suficiente para esse aumento de fluxo de veículos pelas ruas brasileiras, o governo, que já cobra um volume enorme de taxas e impostos por cada veículo ou moto vendido, aproveita para arrecadar ainda mais, criando outra fonte de arrecadação com a cobrança do estacionamento nas vias públicas, através dos chamados parquímetros.

Dizem alguns políticos que essa cobrança é uma tentativa de inibir o uso de transporte individual, e incentivar o uso do coletivo. Parece bonito mas não é a verdade. A grande maioria dos políticos responsáveis por essas cobranças, não está sequer pensando em que tipo de transporte a população usa.

Pelo que vemos fartamente divulgado atualmente pela imprensa em geral, o interesse destes é, cada vez mais, criar possibilidades de encherem os próprios bolsos, e receber dinheiro das empresas de transporte público para suas campanhas, em troca da facilitação da aprovação do aumento do preço das passagens é só uma delas.

Acordos políticos com essa finalidade, e gordas comissões para a aprovação da empresa que explorará os parquímetros na cidade, certamente é outra das muitas maneiras utilizadas por políticos mau caráter e corruptos, que hoje são a maioria dos que aí estão, esparramados pelos diversos governos, municipais, estaduais, e federal.

O brasileiro que pretende estacionar seu veículo em uma via pública tem de, além de pagar o estacionamento para o governo, para abastecer essa máquina de corrupção, pagar ainda os chamados "flanelinhas", ou "guardadores de carro" que quando não pagos marcam seu carro e, numa próxima oportunidade o riscam todo. Ou já fazem a ameaça velada quando estacionamos, ao dizer que cuidarão para que "ninguém" risque o veículo.

Soube ontem que um prefeito determinou a retirada de todos estes "trabalhadores" do centro da cidade por ele administrada. Imediatamente foi cobrado por aqueles "defensores dos direitos humanos", hoje infiltrados em praticamente todas as esferas governamentais, principalmente do Poder Judiciário. Não seria justo, segundo estes membros de entidades privadas, ONGs, e do Ministério Público, retirar o trabalhador da rua, pois todos tem o "direito" de estar em uma via pública, e de "pedir ajuda" ou "esmolas".

Concordo plenamente, mas pergunto aos mesmos, principalmente os membros do Ministério Público, sejam os da esfera municipal, estadual ou federal, onde está o "meu" direito? O direito do cidadão que comprou seu veículo, pagou todos os impostos dessa aquisição, paga anualmente o IPVA sobre o mesmo, paga o estacionamento público no parquímetro, e ainda é obrigado a se submeter a esse verdadeiro assalto promovido pelos chamados "flanelinhas"? Que "direito humano" é esse? Onde está a "obrigação" humana?

Quando foi que qualquer uma destas "entidades", ONGs, ou o Ministérios Público, saíram em defesa desses cidadãos extorquidos vergonhosamente nas vias públicas brasileiras? Ou eles não tem "direitos" de serem protegidos contra os roubos ou depredação ocorridas em seus veículos estacionados em estacionamentos "pagos", mesmo que em via pública? Como brasileiro também não tem "direitos"?

Não pode haver direitos sem obrigações, ou obrigações sem direitos. Todos devem ser iguais perante a lei, assim como previsto em nossa Constituição. Se sou cobrado devo ser protegido. O resto é pouca vergonha.

João Bosco Leal é Produtor Rural www.joboscoleal.com.br

5 comentários:

Ronald disse...

Prezado João Bosco,
Seu texto é muito interessante e para mim um tema recorrente quando me encontro "travado" no trânsito de RJ ou SP.
Tendo ganho meu primeiro carro com 15 anos ( e dirigido sem habilitação até os 18, com anuência de meus pais) , hoje não tenho paciência de ir na esquina comprar um picolé...
Ocorre que as razões elencadas em seu texto são pertinentes mas não todas, ainda faltam algumas.

É um despautério, um absurdo e uma ignomínia o que o governo faz com o automóvel no Brasil.

Na sanha de arrecadar os impostos sobre venda, propriedade, combustível e etc, a máquina do governo fecha os olhos para a massiva venda de carros no Brasil e suas consequência em razão da arrecadação dos impostos aviltantes.
A solução aplicada em Paris na década de 50 e em Nova York nos anos 60 já está atrasada em 50 anos para chegar no Brasil, o que é estranho dado o grau de imitações que aplicamos no Brasil copiadas de outras nações.
É um absurdo que o pobre, a classe C ou D sejam proprietários de veículos no Brasil. Em qualquer país sério, carro é um bem de luxo e que só pode ser possuído por alguém que tenha reais condições de pagar os custos de manutenção.
No Brasil, os governos canalhas enchem a boca para se vangloriar em relação à venda de carros e usam o povinho burro e canalha para dar bom dia com chapéu alheio.
Curiosamente, nenhum governante desgraçado é questionado pela mídia vagabunda e amestrada como as ruas serão "esticadas" ou alargadas para caber mais veículos. A exploração maldosa da vaidade e do egoísmo de um povo escroque como brasileiro acarreta o êxito desta política imbecil dos governos.

Existe uma solução ideal que só esbarra no já conhecido mau-caratismo dos políticos. Esta englobaria as seguintes medidas :
Aumento dos IPVA entre 600% e 800%; aumento do DPVAT entre 1.000% e 1.500%; aumento dos impostos sobre o combustível; um litro de gasolina deveria custar entre R$ 5,00 e R$ 6,00; aumento da alíquotas de impostos de todos os estacionamentos particulares da cidade, fazendo com que a primeira hora de uso naquele espaço gire em torno dos R$ 30,00 ou R$ 40,00 para o consumidor; proibição de financiamento de veículos em mais do que 12 meses; obrigatoriedade de contratação de seguros adicionais os quais também devem possuir um valor bem alto para assustar e afastar a maioria falida que sonha em ter um carro;

Até onde me consta, o rodízio em SP só beneficiou as montadoras que passaram a vender mais carros para aqueles que não abrem mão do conforto de ter seu próprio meio de locomoção. Assim, estes felizardos colocam um veículo diariamente nas ruas, só precisando respeitar o final das placas e o rodízio vigente no dia.
Em discussão sobre este tema alguns meses atrás, ouvi de um boçal petralha que minha idéia era a de um tirano. Eu prontamente o respondi dizendo que possuir um carro não é para quem quer, é para quem PODE, quem tem dinheiro.

cont

Ronald disse...

continuação

Ademais hoje a frota é cada vez maior e os inadiplentes idem. Carros novos circulam nas grandes cidades brasileiras com um ou mais IPVA'a atrasados, isso quando não estão para serem retomados pelas financeiras por inadimplência dos clientes.
Mas acho que boa parte desta confusão tem a raiz no governo do maior vendilhão brasileiro de todos os tempos, aquele energúmeno que tirou do papel isso que conhecemos como DETRITO FEDERAL e aquela capital da putaria e do descalabro. Europa e América do Norte possuem estradas de ferro em profusão e o transporte particular existe mas dentro dos moldes acima citados, ou seja, carro não é para qualquer um.
O único e grande problema da solução apresentada é o destino desses recursos que muito provavelmente NÃO seriam investidos em transporte público de massa ( metrô, bonde, ònibus etc). Como aliás já acontece atualmente : os recursos arrecadados pelos Detrans estaduais são em muitas das vezes usados para outros fins que não o determinado.
Não faz mal que morram 50 mil brasileiros todos anos vítimas do trânsito caótico e violento das grandes cidades, enquanto o dinheiro tiver entrando, tudo bem, que morram então esses desgraçados, devem pensar os governantes.
E voltamos sempre a velha estória do pão e circo. O carro aqui é o pão e o financiamento a perder de vista dá ao povão escroque esta falsa sensação de que o país está crescendo e se desenvolvendo.
Sds

Anônimo disse...

Prezado João Bosco;

Pelos comentários em sequência, ambos do mesmo autor - RONALD(?) - depreende-se que o mesmo é um feliz participante da chamada "classe A". É um dos 3% desta nação tupiniquim. Assim sendo, tomo a liberdade de, digamos, lembrar a ele um velho "ditado" popular, dos tempos da minha avó! Ela dizia: "Fortuna não chega aos netos!". E, como ele afirma que ganhou o primeiro carro com 15 anos, presumo que os pais dele é que foram ricos, ele apenas se beneficia, e os filhos dele é que vão dilapidar a "grana" da família, isto é, a grana dos avós, portanto, seus filhos serão fortes candidatos a andar de "busão" lotado ou de trens caindo aos pedaços. Será que ele aplaudirá a "idéia"??

Esse Ronald(?) me parece muito "mauricinho" e, sem qualquer dúvida, é profundamente egoista!

By the way, Serrão, receba um fraterno abraço deste seu amigo amazônida!

Ronald disse...

Ao Anônimo da Amazônia,
Talvez você não tenha entendido mas em momento algum teci qualquer comentário em defesa do transporte individual. Ao contrário, minha tese contempla o transporte coletivo em primeiro lugar.

Infelizmente no Brasil as verdades são desconsideradas. Só cego para não ver que esta política de crédito do governo é totalmente absurda pois beneficia o transporte individual criando uma falsa sensação entre aqueles "beneficiados" que compram um (01) carro mas pagam o valor de dois e meio carros...E o governo vai empurrando com a barriga sua obrigação de prover transporte público de massa com qualidade.
Os juros escorchantes do crédito fazem a festa dos banqueiros e o povão trouxa que o é nem liga para isso, o que importa é desfilar de carro zero mesmo que para isso ele não pague os IPVA's não faça manutenção, não pague as multas e em muitos casos não paguem outras despesas do orçamento familiar só pelo prazer da ostentação de possuir um carro.

Repito. Carro é um bem de LUXO e que portanto só deveria ser possuído por quem tem as devidas condições financeiras. Assim é em outros países civilizados onde o governo faz a sua parte (provendo transporte público de qualidade e eficiência) e o sociedade dá ao carro o seu valoór devido: só possui um quem pode, não quem quer como vemos no Brasil.
Sds

Ronald disse...

Concluindo, ontem foi publicado um post no Reinaldo Azevedo intitulado "Os vigaristas riem da cara dos brasileiros: "Como é fácil enganá-los"". É mais ou menos a linha de minha réplica, o povo trouxa é manipulado e nem percebe.