quinta-feira, 14 de abril de 2011

O comércio de facas, lâmpadas e tacos de beisebol deve ser proibido no Brasil?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

O Jornal Nacional da TV Globo de ontem transmitiu três matérias atinentes à violência, assunto diário e alimentador de programas específicos de longa duração, que não exigem muita preparação intelectual para exibi-los, sem desmerecer os seus autores e sem considerar o árduo e meticuloso trabalho técnico de buscar e transmitir a informação em tempo real, contribuindo também para alertar de forma constante o problema da insegurança pública, ferida aberta em todo o país.

Um desses apresentadores culpa os políticos constantemente, pois que não fazem as leis adequadas a reduzir os índices de criminalidade. Eu não diria políticos de forma genérica, a diluir a responsabilidade, mas, governo e no caso da lei federal e presentemente, o conduzido pelo PT, que tem a maioria para mudar a lei com muita facilidade.

Mas... Uma das violências abordadas se refere a gestos sem razão aparente do mendigo que ataca e fere a facadas alguns transeuntes. Quantos gestos iguais a este não repetem por tantos lugares com e sem motivação?

A seguir se transmite o caso do rapaz bem vestido — já não é o abandonado pela sorte — quem sabe, sem perturbações mentais, estudante, trabalhador, a agredir a cabeça do rapaz com lâmpada florescente, que sabidamente vai se quebrar, ferir o rosto do seu semelhante. Por quê? Todos nos perguntamos estupefatos. Falta de disciplina, educação, civilidade, ordem, autoridade nas autoridades (alvos de tantos desvios de conduta), lei e justiça. Impunidade. Qual a causa? Ou, vamos fechar o comércio de lâmpadas e facas.

No terceiro fato, a arma agressora foi um taco de beisebol a atingir a cabeça do jovem estudante, que agachado e absorto se dedicava à leitura de algo do seu interesse em uma livraria. Não estava na periferia, na boate, nem na zona. O autor é formado em Educação Física, especializado em atendimento pessoal.

Em continuidade, se aborda a questão do desarmamento, vinculando a desgraça, o assassinato sem causas aparentes com o comercio de arma.

Daí em diante a orientação é essa.

Vozes do governo e a ele ligados se levantam em prol de um novo referendo ou como deseja o presidente do Senado, José Sarney, um plebiscito para agilizar o processo, já estabelecendo com os líderes partidários a apresentação de um projeto de decreto legislativo convocando um plebiscito favorável ao desarmamento já no primeiro domingo de outubro.

Não ficou valendo de nada, nem a vultosa verba gasta no referendo de 2005 (quer na administração da votação, quer na maciça propaganda) nem a vontade de 64% dos votos contrários ao que pregava o mesmo governo do PT, contrário ao comércio de armas legais no País.

A esperteza ganha espaço em detrimento da sabedoria, da ética e da justiça. Aproveitam a dor dos que perdem os seus entes queridos e a revolta da sociedade clamando por segurança e melhor atendimento na área da saúde, para mudar o fogo do debate.

Cerra-se o palco da tragédia, do sofrimento e se abre o palanque para a discussão sobre o referendo ou plebiscito.

Governo e Congresso que não desejam a redução da maioridade penal, nem penas mais severas para delinqüentes contumazes.

Como os meios justificam os fins para essa gente, o texto mais revoltante fica por conta deste abaixo transcrito, dito por um representante do Viva Rio:

“Estamos muito felizes - tristes pela tragédia -, mas felizes em poder colaborar com a campanha que vai ser melhor que a de 2004. Ninguém pode ser contra uma campanha voluntária. Estamos felizes com essa atitude e confiantes em uma campanha ainda maior. Estamos otimistas que esta tragédia não foi em vão. Ela vai nos ajudar a construir um país sem armas”.g1.globo.com

Sem armas nas mãos de quem?

Dos bandidos? Que se tome essa providência sem o tal plebiscito, perfeitamente dispensável.

A proibição de comercialização de armas e munições, além de não impedir o bandido de usá-las como tem feito, vai facilitar a sua ação na certeza de que não encontrará resistência.

Vai gerar mais desemprego, com reflexo na atividade produtiva face ao desnível da capacidade industrial do Brasil em relação aos países mais desenvolvidos, e pior, enfraquecimento do item básico na área de defesa, na esperança de que um dia se possa inventar novamente a pólvora.

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB.

Um comentário:

Anônimo disse...

Serrão;

Sobre o artigo em questão, em minhas "andanças" na Net encontrei um comentário muito oportuno:

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14 de Abril de 2011
SARNEY QUER QUE A GENTE SE DANE!


"Creanças, quando victimas, são serio motivo à reflexão, pois illusorio
se torna o Amor christão num cemiterio."
(Glauco Mattoso in O Massacre de Realengo)

Imagine esta cena: você não é um astro da Globo, mora em bairro distante com mulher e dois filhos numa rua mal iluminada. É tarde da noite e alguém força a porta da cozinha. Usa ferramentas, vai arrombar a porta e entrar. Você sabe disso. Você não vai escapar do bandido, ou bandidos, porque podem ser dois ou até mais. Seu telefone não funciona desde a véspera; o celular está descarregado. É a Lei de Murphy.

Os bandidos estão, evidentemente, armados. E é impossível chamar a polícia. Se você tivesse um revólver, botaria todos para correr mesmo sem a pontaria de um pistoleiro do faroeste americano. Uns dois tiros, dados no chão, assustariam os bandidos, pois estes nunca estão a fim de trabalho difícil.

(Espero, considerado leitor, que você não passe por um susto igual a este que Janistraquis imaginou; mas a morte das famílias, com o inevitável estupro das mulheres da casa, são o que deseja o presidente do Senado, José Sarney, nessa absurda decisão de fazer novo plebiscito para tentar "desarmar" os cidadãos de bem.)
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Sempre atrasado
Fernando Lyra, ex-ministro da Justiça do maior presidente que o Brasil já teve (antes, é óbvio, do reinado do honoris causa), disse certa vez a respeito de seu chefe:"Sarney é a vanguarda do atraso".
Isso faz tempo; hoje, o ex-presidente da República pode ser comparado ao Homem de Neandertal.

Fonte: Site "Velhos Amigos" - link "A Palavra è Sua"

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Com um fraterno abraço, do seu amigo amazônida

Roberto Santiago