segunda-feira, 30 de maio de 2011

As Portas do paraíso

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

Deus, aquele absoluto, e infinitamente grandioso, além dos limites de quatro letras ou de uma palavrinha limitada para designar a inteligência que equilibra o universo infinito, aquele que nos conforta na medida em que respeitamos, veneramos e agradecemos sua presença disponível e generosa para cada pessoa que o acolhe no coração, mostra para os que têm os olhos abertos, verdades absolutas e chaves para as portas naturais voltadas para o bem comum.

No premio à persistência de um estudante que atinge a meta após anos de dedicação e disciplina; na presença de uma fêmea que alimenta a cria amorosamente; no olhar agradecido entre pessoas; na mão que ajuda a superar uma dificuldade; no sabor dos alimentos; nos sons inesperados da natureza ou nos cânticos e orquestrações instrumentais humanas; na beleza de uma árvore carregada de frutos maduros ou de um jardim florido, na placidez dos lagos, no movimento dos mares, no trovão, no relâmpago ou no sabor da água pura que lava o suor e reconstitui o equilíbrio celular.

A natureza reconhecida e aceita por grandes mestres como continente, ou “hiper-mercado” para a coleta do saber, multiplica a vida e direciona sempre para o exercício de atitudes que conduzem ás portas do paraíso, elevando o espírito dos que cultivam virtudes que dignificam e destacam os indivíduos do rebanho, afirmando os movimentos harmônicos e construtivos, diferentes da agressividade que se tem imposta como rotina para convívio humano.

Contraditoriamente, em raros momentos da história conhecida, os sábios estiveram à frente, na liderança e condução dos homens. Destacam-se os que perseguem a destruição das crenças, dos costumes, da tradição apreendida como positiva e construtiva, destruição da vida e da natureza em todos os seus aspectos. Destacam-se os que querem “vencer”, “dominar”, “transformar” a natureza e as funções dos seus elementos sistêmicos. Os que são escravos da matéria acreditando-a tudo quanto existe.

A insensibilidade conduz à insensatez, ao desperdício de energias, à insegurança dos que desconhecem a própria força interior, capaz de “mover montanhas”, reconhecer no outro a imagem e semelhança da criação, milagre que se repete continuamente garantindo a sobrevivência da espécie, ato cuja responsabilidade foi desprezada e virada em vício que empobrece o espírito, ignorado o sentimento amoroso e a dignidade do ato, que mesmo sem ser voltado para a concepção, merece a fidelidade, o companheirismo, a intimidade e a confiança dos participantes que constroem e descobrem a vida em parceria e ajuda mutua.

Fora disto, espalham-se as doenças, algumas criadas em laboratório, como a aids ou então a disseminação das drogas amparada por estados e investidores poderosos, visando a redução das populações. Fora disto são os fármacos, os abortos, o jogo perigoso da promiscuidade, que infesta a vida e é ensinada desde os bancos escolares. No ambiente anárquico e irresponsável do “tudo para o momento presente”, a reflexão e os sentimentos mais nobres estão ausentes. As conseqüências são trágicas.

Teríamos tudo para “separar o joio do trigo”. Teríamos tudo para mobilizar as vontades jovens e maduras para a construção de comunidades exemplares, se a educação fosse livre e se os professores fossem formados como mestres, dignificados em seu ofício, livres das peias e limitações ideológicas que os transformam em disseminadores da mentira imposta pelos poderosos.

Teríamos tudo se as religiões coexistissem respeitosamente, afastadas das estruturas apodrecidas e comprometidas com políticas do extermínio. Hoje, todas parecem estar contaminadas pelo catecismo marxista, começando pela religião católica. Atuam como grandes empresas, valendo o esforço de uns poucos líderes, que buscam preservar a tradição conservadora e a moral dos Evangelhos, cujos melhores seguidores foram responsáveis pela construção desta civilização dita cristã e cada vez mais afastada dos fundamentos.

Os caminhos, as chaves do “paraíso”, parecem perdidas e as pessoas nem sabem como encontrá-las para construir suas próprias vidas, agora e cada dia mais, em mãos do poder persuasivo que forma mentes idiotizadas, que aterroriza e distancia as pessoas da intimidade com a própria natureza humana, magnificando os conflitos e contradições, promovendo a irresponsabilidade sem limites, ambiente propício para o controle justificado pela necessidade de segurança. Quando os mesmos poderosos são os responsáveis pela insegurança, são os promotores do caos.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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