domingo, 29 de maio de 2011

Bancos adotam o “se colar, colou” contra correntistas

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Lourenço Prado

R$ 10,00 e 90 dias de prisão em regime fechado — Wilrobson Pereira foi denunciado por furto qualificado porque, sem ser percebido, abriu a bolsa da vítima em uma estação do Metrô de São Paulo e furtou R$ 10,00. Foi flagrado por um segurança e preso em flagrante. Passou três meses na prisão em regime fechado. Só foi solto porque a ministra Laurita Vaz, da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, concedeu liminar em Habeas Corpus para ele.

Santander e Itaú subtraem R$ 430 milhões dos clientes — O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) enviou recomendações aos bancos Santander e Itaú-Unibanco para que devolvam aos clientes cerca de R$ 430 milhões obtidos com tarifas cobradas indevidamente entre 2008 e 2010.

De acordo com o MPF, o Santander deve ressarcir aproximadamente R$ 265 milhões pelo repasse de encargos de operações de crédito (Reoc) - custos do banco em operações de crédito e arrendamento mercantil eram repassados ao cliente.

O Itaú-Unibanco deve devolver mais de R$ 165 milhões cobrados a título de Comissão sobre Operações Ativas (COA) e multas por devoluções de cheques. A COA era cobrada quando concedido crédito rotativo ou refinanciamento de operações no cartão de crédito (nesses casos, operações de cartão de crédito transformam-se em operações de crédito).

A lição que fica para os correntistas e cidadãos é a famosa atitude do “se colar, colou” adotada por alguns bancos brasileiros, ao se aproveitarem dos pesos diferenciados da aplicação imediata da Justiça. A diferença é radical no tratamento dos pequenos batedores de carteira, que são punidos com o rigor da lei, ao avançarem sobre a bolsa de suas vitimas e furtar R$ 10,00. Não tem conversa. A policia é chamada e o ladrão é mantido em cárcere privado ao longo de 90 dias.

Enquanto que o Santander e o Itaú Unibanco recebem “recomendações” do MPF para “que devolvam aos clientes cerca de R$ 430 milhões obtidos com tarifas cobradas indevidamente entre 2008 e 2010”.

Claro, nenhum banqueiro será preso. E muitos correntistas que tiveram valores subtraídos das suas contas correntes, por certo superiores a R$ 10,00, vão se dar por satisfeitos se recuperarem os valores retirados indevidamente de suas contas correntes, sem a devida correção do valor.

Lourenço Prado é presidente da Contec — Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito.

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