sábado, 28 de maio de 2011

Temos capacidade, infra e logística para a Copa?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcos Bueno

Exatamente um ano atrás publiquei o artigo Infra-estrutura, logística e capacidade de organização de uma Copa do Mundo que pode ser acessado no link http://www.fiquealerta.net/2010/05/infra-estrutura-logistica-e-capacidade.html.

Se o caro leitor ler este artigo e compará-lo com as últimas notícias, vai perceber que nada mudou. Ou piorou, pois o tempo passa.

Aeroportos

Para a deficitária estrutura aeroportuária, a saída encontrada foi iniciar um plano de privatização de alguns aeroportos. Apesar de o governo tentar apressar a concessão de aeroportos a fim de acelerar as obras de ampliação dos terminais que receberão turistas estrangeiros na Copa do Mundo de 2014, o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, disse que a privatização dos terminais de Brasília, Guarulhos e Campinas precisam esperar um estudo que ficará pronto só entre 30 e 60 dias. Isto quer dizer que a pouco menos de três anos da abertura da copa ainda estamos discutindo privatização de aeroportos?

A questão é que somente terminais com maior fluxo de passageiros geram lucro. Sob o argumento de que só 10 dos 67 terminais brasileiros são lucrativos, a alternativa prevista pelo governo é a de abertura de capital da Infraero.

Mas a deficiência da estrutura aeroportuária não se limita aos terminais de passageiros. Recentemente o estacionamento do aeroporto de Guarulhos – Cumbica ultrapassou seu limite. Este estacionamento recebe 12 mil carros por dia para suas 3.280 vagas. O deficit nas horas de pico chega a atingir 500 vagas.

Estádios

Em Natal, a Arena das Dunas é o mais atrasado entre todos estádios brasileiros que deverão sediar a Copa do Mundo. A falta de interesse das empresas em formarem parcerias público-privadas (PPP) acabaram adiando a definição do processo licitatório referente às obras dos locais dos jogos do Mundial de 2014. A expectativa é que dois grupos habilitados disputem a concorrência da obra, orçada em R$ 400 milhões.

Em São Paulo, depois de muito imbróglio na definição do Estádio do Corinthians em Itaquera como sede da abertura da Copa, até hoje não se encontra um alicerce sequer como sinal de início das obras. O acordo entre Corinthians, Ministério Público e Prefeitura de São Paulo para viabilizar o início das obras do estádio em Itaquera só foi assinado agora em maio de 2011.

Mas o caso mais intrigante é o do estádio de Pituaçu, em Salvador, Bahia. Fora da Copa do Mundo, o estádio foi reformado pela Secretaria de Esportes da Bahia para atender as necessidades do Esporte Clube Bahia ou de qualquer outro clube baiano que precisar. As obras de ampliação da capacidade de 16000 para os atuais 34000 lugares, incluindo obras de ampliação viária e de estacionamentos custaram a “bagatela” de R$ 22 milhões. É bom deixar claro que não se trata de um mero ajuste no estádio, pois foi feita toda uma obra de reestruturação urbana no entorno, incluindo troca do gramado e reforma dos vestiários. Eu fico imaginando quanto custaria esta obra caso a mesma passasse por um processo licitatório.

Metrô de São Paulo

A malha metroviária paulistana já se encontra em níveis de superlotação superiores ao de Tóquio, colocando-a como uma das mais lotadas do mundo.

O nível considerado aceitável de lotação é de até 6 passageiros para cada m². Já em 2006 a linha vermelha, que serve principalmente a zona leste, superou esse limite, tendo 7,5 passageiros por m². No início deste ano, já eram 9 pessoas por m².

Mas como tudo que está ruim pode piorar (a máxima da Lei de Murphy), este problema não se limita mais a São Paulo. O metrô de Belo Horizonte já circula com a capacidade máxima de 196000 pessoas em média por dia e não há previsão de expansão pela CBTU.

Rede Hoteleira

Um recente artigo do jornalista James Akel, publicado na Folha de São Paulo, apresenta claramente a dificuldade que a cidade terá em sediar os jogos da Copa do Mundo. O jornalista informa que a rede hoteleira paulistana está fortemente estruturada para atender ao seu consistente turismo de negócios, que funciona praticamente 24 horas por dia, 365 dias por ano. A média mínima mensal é de 62% de ocupação da capacidade e a média máxima mensal é de 74%.

Vale lembrar que a cidade de São Paulo possui uma disponibilidade de 41000 leitos, sendo assim a única que atende as recomendações da FIFA como sede de abertura da Copa. Porém, a rede hoteleira deveria expandir-se apenas a fim de atender a uma demanda sazonal e localizada, expansão esta que não se mostra atrativa economicamente para uma rede que já está devidamente estruturada para o turismo de negócios que, como dito anteriormente, já funciona 365 dias por ano.

Por enquanto é só. Se eu tiver que escrever um artigo igual a este em 05/05/2012, tenham certeza de que a tragédia é iminente.

Marcos José Corrêa Bueno, formado em Economia e mestre em Engenharia de Produção e especialista em Logística, é Professor universitário. Artigo originalmente publicado no site Fique Alerta – www.fiquealerta.net em 15 de maio de 2011.

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