terça-feira, 5 de julho de 2011

A arte de furtar permanentemente

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

No dia 1 de agosto de 2005, uma segunda-feira, o deputado federal Valdemar Costa Neto, então presidente do PL, renunciou ao mandato em discurso no plenário da Câmara, para evitar processo de cassação que iria lhe causar maior prejuízo, tal como a suspensão dos direitos políticos.

Como o Brasil é um país de faz-de-conta, infestado de bandidos dos mais variados naipes facilmente identificáveis e transformado no paraíso da roubalheira oficializada, ficou tudo por isso mesmo. Como aqui nada acontece nunca, ninguém foi punido e os desvios dos recursos públicos continuaram normalmente.

À época, Costa Neto vinha sendo pressionado por conta de acusação disparada pelo presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que dizia ser ele um dos principais artífices e operadores do mensalão, aquele que Dom Luiz Inácio confessou desconhecer ao emendar que tinha sido “traído” pelos seus mais próximos.

Conversa vai, conversa vem, no país que soltou Cacciola, Roger Abdelmassih e tantas outras figuras de maior e menor porte (a quantidade é tão significativa e aumenta com tamanha frequência que seria indispensável a impressão de vários volumes contando história e detalhes), eis Costa Neto deputado federal de novo, reincidindo.

Sua excelência, presidente de “honra” do PR (nome atual do antigo PL), agora é apontado em reportagem da Veja como articulador de esquema de superfaturamento, propinas e consultorias mal explicadas. Resumindo: o furto de sempre.

O caso já rendeu a demissão dos principais assessores do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), e deverá derrubar em curto espaço de tempo o próprio titular da Pasta. Sua cotação em Brasília vale menos que um tostão de mel coado.

Alfredo Nascimento, conhecido como “Buchada”, no estado do Amazonas, foi alçado à condição de titular do Ministério dos Transportes por negociação efetuada pelo então presidente da República, Dom Luiz Inácio (PT), em promessa efetuada antes mesmo da eleição senatorial (2006).

Tinha-se como certa a eleição de Buchada, digo, Nascimento, o que de fato ocorreu. Daí, que fez Dom Luiz Inácio? Colocou como primeiro suplente do candidato o seu amigo João Pedro, filiado ao PT. E numa atitude típica de compadrio, prometeu o Ministério a Nascimento e cumpriu, puxando o amigo para titular no Senado.

Com relação ao diretor-geral do Dnit, Luiz Pagot, demitido agora do Ministério, é conhecido o caso em que pediu em juízo a prisão da blogueira Adriana Vandoni, do Mato Grosso, por conta de denúncias por ela efetuadas, mostrando crimes por ele cometidos. Alegou difamação e injúria.

Pagot é muito bem articulado em seu estado e protegido do ex-governador e atual senador Blairo Maggi (PR). O seu desejo de servir ao país, à frente do Dnit, era tão grande que até mesmo renunciou à primeira suplência de Jaime Campos, no Senado, quando este tirou licença de 130 dias.

Quando o presidente Dom Luiz Inácio indicou Pagot para o Dnit, o senador Mário Couto (PSDB-PA) contestou a nomeação lembrando que ele responde a processo por ter acumulado cargos públicos, à época em que ocupou cargo comissionado no Senado. O paraense apelou ao presidente para que retirasse a indicação. Em vão!

O fato é que Dom Luiz Inácio falou tanto em “herança maldita”, referindo-se à gestão de seu antecessor, FHC, que o feitiço virou contra o feiticeiro e a tal maldição parece mesmo é ter sido herdada por Dilma. Cada governo é pior do que o outro.

O Brasil está ficando a cada dia mais e mais parecido com o México. Lá, havia o PRI, que se perpetuou no poder. Depois, restaram a corrupção, o analfabetismo e a bandalheira. Agora, são mortes, roubo e droga. Aqui, todos os partidos se assemelham.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os partidos podem ser semelhantes entre si, mas o mal maior é o descaso do povo brasileiro para o correto.