sábado, 9 de julho de 2011

Brasil futuro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Orlando Sabka

Lembro desde criança que meus pais e avós diziam que o Brasil é o país do futuro. Já se passaram mais de 50 anos que estamos à espera desse “milagre” e não vislumbramos nada de futuro promissor.

É bem verdade que muita coisa mudou, algumas para melhor, mas outras para bem pior do que estava naquela época, a exemplo do respeito aos professores e aos mais velhos, como também era ponto de honra a obediência aos pais. Drogas não existiam. Hoje está por toda parte, viciando e matando nossos jovens.

Nas lojas (denominadas vendas) lá do interior, nos vilarejos, as compras eram anotadas em cadernetas e na data certa o pagamento era sagrado. Havia confiança, pois a palavra era dada com responsabilidade. O mesmo procedimento nas cidades, principalmente nas padarias, casas de ferragens e farmácias.
Hoje em dia isso é coisa do passado. Os pagamentos são com cheques, mas antes se consulta se o cheque está bom, se tem procedência ou com cartão de crédito. Desconfia-se até da própria sombra. A confiança, a palavra e a assinatura foram pro espaço para muita gente. Em quase tudo existe esperteza, levar vantagem como se isso fosse normal, fato que outrora nem em sonho.

Naquela época era bem mais difícil, a começar que a maioria dos brasileiros morava no campo. As casas geralmente eram de madeira na região sul do país.. Produziam praticamente de tudo. Fome ninguém passava, apesar da rusticidade do campo. O serviço começava ao clarear do dia, quando havia a ordenha das vacas e o preparo dos alimentos e devido trato aos demais animais e somente depois dessas tarefas cumpridas é que tomavam café com leite, pão caseiro, manteiga, geléias, salame, algum tipo de defumado e queijos.

Isso, na verdade, acontecia nos estados sulinos. Cada região tinha as suas próprias características. Refeição reforçada, pois a jornada era pesada e partia-se para a roça para os diversos afazeres. As crianças iam normalmente a pé para a escola e somente retornavam ao meio dia, quando almoçavam. Feijão, arroz, macarrão caseiro e carne assada no forno do fogão à lenha, acompanhado de uma salada verde. Era tido como normal, duas vezes na semana, polenta feita em panela de ferro e servida com frango frito ao molho. Uma delícia de dar água na boca.

Em muitas dessas residências do interior não podia faltar vinho tinto às refeições. De modo geral comia-se bem naquela época, apesar das dificuldades em produzir os alimentos, de modo que nos dias atuais muitas pessoas passam fome nas cidades, vivendo em favelas ou nas calçadas, debaixo de pontes e viadutos. Um triste contraste, cuja qualidade de vida deixa tudo a desejar. Não se valoriza o “ser”, mas o “ter” e as dificuldades se multiplicam.

Era comum uma prece antes de cada refeição, mas hoje em dia, principalmente nas cidades, esse procedimento caiu em desuso em face da falta de tempo para quase tudo. Nas cidades, principalmente nas médias e grandes metrópoles, não existe o tradicional almoço em família. Come-se em restaurante ou na rua qualquer coisa, pois os compromissos são tantos que se não proceder assim o mundo desaba em sua cabeça. Tempos modernos, tempos cada vez mais apertados, até no bolso do trabalhador, isso quando tem algum tipo de trabalho.

Com o período da industrialização e da mecanização do campo houve a corrida para as cidades em busca de oportunidade e na ilusão de conforto e dinheiro, mas a maioria dessas pessoas não era qualificada e começaram a surgir as favelas. Era gente de todos os cantos do Brasil. Cada um se virava como podia, pois os governos nada fizeram por essas pessoas. Hoje se paga o preço pela negligência de nossas autoridades, a começar pela educação, moradia, saneamento básico, saúde, etc.

Os políticos de outrora tinham vergonha na cara. Havia um ideal político e isso lhes proporcionava simpatia e respeito. Eram chamados de “seu doutor”. Dentro de suas possibilidades procuravam atender aos interesses do povo. Nos dias atuais a maioria dos políticos perdeu a vergonha, legisla em causa própria e se utilizam de artimanhas tais a fim de se apropriar do dinheiro do contribuinte.

Tudo isso à luz do dia e na mais completa impunidade. Tanto o Executivo quanto o Judiciário, que também deveriam atender aos anseios do povo, não o fazem, se encontram atrelados aos interesses do sistema, com algumas raras exceções.

Não resta dúvida que os tempos mudaram, existe desenvolvimento, mas o preço que nossa gente está pagando será que vale a pena? Algum aluno do primeiro ou do segundo grau se lembra do Hino Nacional? Antigamente cantavam-se todos os dias antes do início das aulas. E o Hino da Bandeira? Cadê o nosso patriotismo?

Como que nossos governantes permitem milhares de ONGs no Brasil, principalmente na Amazônia, com exclusivos interesses de países estrangeiros em nossas riquezas, obrigando nossas autoridades a demarcar milhões de hectares de terras em forma de reservas indígenas, como a Raposa Serra do Sol e Ianomâmi, por exemplo, podendo se tornar uma nação independente dentro de nossa Pátria?

Apesar de tantos apelos de brasileiros contrários às demarcações, o STF sancionou as demarcações, autorizando a expulsão de arrozeiros e fazendeiros de Roraima que dispunham da titularidade das terras há 50/60 anos, outorgada pelo próprio governo. Hoje toda essa legião de pessoas branca e mestiça mendiga em Boa Vista e centenas deles reviram o lixo para sobreviver.

Enquanto isso os senhores ministros que sancionaram a demarcação dessas terras e demais autoridades responsáveis vivem encastelados em Brasília, alheios aos traumas causados a milhares de brasileiros, pois muitos deles, de fazendeiro e arrozeiro, passaram a vender espetinhos pelas esquinas da capital de Roraima.
Vergonha, senhores ministros é pouco, patriotismo, então, não existe. O que de fato existe é o interesse multinacional em cima das riquezas da Amazônia.

Orlando Sabka é Articulista.

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