sábado, 9 de julho de 2011

Carta aberta ao Procurador-Geral da República

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa

Bastam dois fatos para comprovar, de maneira absolutamente incontestável, a ocorrência de um impressionante tráfico de influência nos assuntos relativos à Gemini – sociedade por meio da qual o governo brasileiro entregou o cartório de produção e comercialização de gás natural liquefeito a uma empresa privada.

Primeiro fato: as gigantescas vantagens concedidas à empresa em detrimento do interesse público. Tal empresa tornou-se a sócia majoritária (com sessenta por cento da sociedade), e a prestadora (a preços sigilosos) de todos os serviços demandados pela Gemini. Naturalmente, por deter 40% das quotas da sociedade, a Petrobras se responsabiliza pela correspondente parte das despesas da Gemini. Tudo isso sem nenhuma fiscalização do TCU, ou qualquer órgão externo.

Segundo fato: a omissão, conivência, complacência ou qualquer que seja o nome dado aos procedimentos das autoridades que deveriam apurar os prejuízos causados ao patrimônio público neste caso, que é o mais ousado crime de lesa-pátria cometido contra o setor petróleo e gás do país.

Dilma sabia

Nada mais perfeito para comprovar a ocorrência do tráfico de influência em questão que o autêntico pacto de silêncio diante das cartas por mim formalmente encaminhadas àquela que tem sido tratada como a “Mãe da Gemini”.

Sobre os duros termos por mim dirigidos à então presidenta do Conselho de Administração da Petrobras, em denúncia encaminhada a V. Exª., Dr. Roberto Gurgel, pode ser lido: “ou tais cartas chegaram às mãos de Dilma Rousseff, e ela se omitiu comprometedoramente a respeito das denúncias de gravíssimos atos lesivos ao interesse público cometidos em área sob seu comando; ou tais cartas foram intencionalmente extraviadas nas dependências da Casa Civil para evitar a apuração de minhas acusações, segundo as quais Dilma Rousseff era a principal avalista da Gemini.”

O cala-boca no Sindipetro

Outro fato que reforça sobremaneira a existência de tráfico de influência para blindar a Gemini é o vergonhoso silêncio do sindicato dos petroleiros (Sindipetro). Deve ser ressaltado que tal vergonhoso silêncio representa uma radical mudança de posição do Sindipetro: mesmo sendo insistentemente provocado, o sindicato que denunciou a prática de corrupção na Gemini da maneira mais chocante possível se mantém calado.

O poderoso sindicato – que, certamente, levou um desmoralizante cala-boca de algum “ser superior” – chegou a publicar, em seu próprio jornal, grave matéria emoldurada por uma charge na qual se vê gravado, numa mala recheada de dinheiro, o nome da empresa que recebeu as gigantescas vantagens e se tornou a sócia majoritária da Gemini.

A mala contendo o nome do corruptor é o que chamei, na denúncia encaminhada a V. Exª., Dr. Roberto Gurgel, de uma acusação de “corrupção explícita”.

A falsidade da diretora

Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento depreende, Dr. Roberto Gurgel, que somente a atuação de um fortíssimo tráfico de influência pode explicar o procedimento da diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, ao afirmar, falsamente, que todos os meus questionamentos sobre a Gemini já haviam sido respondidos.

Tal falsa afirmativa, feita em resposta à carta que eu havia encaminhado á referida diretora em 22 de novembro de 2011, reforça ainda mais a comprovação da existência de uma preocupante rede de cumplicidade formada em torno da espúria sociedade.

A atuação do MPF

Em 19 de outubro de 2010, protocolei, na representação da PGR do município de Itaperuna (RJ), denúncia específica sobre a prática de tráfico de influência ocorrida nos assuntos relativos à Gemini. Em tal denúncia, dirigida ao “Ministério Público Federal – Dr. Roberto Gurgel – Procurador-Geral da República”, detalhei oito pontos para evidenciar a existência de tráfico de influência em prejuízo do interesse público.

Em 26 de outubro do mesmo ano, recebi ofício informando-me do “declínio de atribuição do feito à Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro (PRRJ)” tendo em vista que a empresa Gemini está estabelecida na cidade do Rio de Janeiro.

Passados oito meses, e não tendo tido eu mais notícias a respeito da grave denúncia, em 24 de junho de 2011, protocolei correspondência na mesma representação da PGR do município de Itaperuna (RJ), dirigida a “Excelentíssimo Senhor Dr. Roberto Gurgel – Procurador-Geral da República”.

Em referida correspondência, na tentativa de obter uma manifestação do MPF sobre os oito pontos por mim detalhados para evidenciar a prática de tráfico de influência na Gemini, falei sobre a dificuldade de se comprovar o crime de tráfico de influência, destacando que nem mesmo a incrível evolução patrimonial do ex-ministro Palocci deu origem a um processo no qual poderia ser investigado o provável prejuízo aos cofres públicos.

Objetivando instigar o MPF, afirmei mais duas coisas sobre o caso Palocci: 1 – a necessidade de comprovação (para abertura de processo) que os fabulosos ganhos com consultoria tinham sido obtidos de maneira ilícita nivela qualquer evolução patrimonial; 2 – aparentemente, a multiplicação por vinte do patrimônio do consultor provocou o mesmo efeito que teria provocado se o patrimônio fosse multiplicado por cem ou duzentos (desde que ele declarasse tal aumento à Receita Federal, naturalmente).

A resposta à minha correspondência foi desanimadora. Datada de 29 de junho de 2011, tal resposta informou-me que “foi determinado o arquivamento da representação protocolizada nesta Procuradoria da República conforme referência em epígrafe, tendo em vista que a representação é direcionada ao Procurador-Geral da República – PGR e considerando que informações idênticas já foram enviadas ao PGR, conforme noticia a própria representação.”

Além disso, junto à resposta, veio uma folha apresentando o histórico do processo. Em tal folha se vê que não houve nenhuma movimentação do mesmo no ano de 2011.

Uma palavra final

Aproveitando a oportunidade para manifestar a minha inteira confiança no Ministério Público Federal – entidade considerada, por toda a sociedade brasileira, a última trincheira na defesa do interesse público – informo, Dr. Roberto Gurgel, que encaminharei esta carta aberta (juntamente com os documentos citados) formalmente a V. Exª., para eventuais providências.

João Vinhosa é engenheiro - joaovinhosa@hotmail.com

3 comentários:

Anônimo disse...

Quer queiramos quer não queiramos, dilma rousseff è tão corrupta como lula, o político mais corrupto em 500 anos de nossa História. Se ela fosse uma pessoa séria, que não è, lulla jamais a teria escolhido como poste, ou seja, como presidente da republica federativa soviética do Brasil.

E lulla sabia o que fazia, porque não pediu opinião ao PT, sabendo que essa terrorista seria eleita através de urnas eletrônicas comprovadamente 100% manipuláveis e proibidas por lei se serem sujeitas à recontagem de votos.

Logo, sabendo que lulla cometeu impunemente crimes gravíssimos contra a soberania do Brasil, o caso da Gemini só poderia vir de outro traidor idêntico, outra alma gêmea.

A propósito, esse cabra já devolveu o crucifixo e a Bíblia que roubou do gabinete presidencial ou a corrupta dilma anda tentando abafar o caso jogando no tempo que provoca o esquecimento?

Emanuel Cancella disse...

Engenheiro João Vinhosa. O Sindipetro-RJ agiu de pronto tão logo recebeu a sua denúncia. Está documentado no próprio boletim da entidade, na carta que fizemos a presidencia da Petrobrás pedindo explicação sobre o tal negocio e a resposta da Petrobrás. A resposta da Petrobrás não nos convenceu, mas em um dos topicos a companhia na época alegara que o processo contra a With Martins não transitara em julgado. Essa foi a postura da direção do Sindipetro-RJ. E voce, Sr Vinhosa sem nenhuma base denúncia o "cala boca do Sindipetro". Voce quer que o sindipetro reproduza trocentas vezes a denúncia, ora Vinhosa temos mais o que fazer. É preciso que voce comunique aos que leem suas mensagens, que voce; era empresario da area do gás e teve seus interesses contrariado, que fez parte do Conselho Nacional do Petroleo. Provavemente acumulou, não afirmo, mas suspeito, a função de membro no CNP e de empresario do setor do gás. No minimo antiético essa dupla atividade. Que também voce se utiliza de companheiros da esquerda mas não teve escrúpulos de fazer essa mesma denúncia através da campanha do José Serra do PSDB. Como estamos falendo em gazes, um pum pra voce Vinhosa!
Emanuel cancella
Diretor do Sindipetro-RJ

Anônimo disse...

JORGE - TEMOS UM MANIFESTO PARA VC DAR UMA OLHADA. NÃO SEI COMO TE ENVIAR.... MEU E-MAIL É moralidadeja@hotmail.com
No FBook é Mracutaia Brasil - Moralidade Ja
Gostamos do seu blog

DESTRO jose carlos
Votuporanga sp
178143 8219 tim