sábado, 30 de julho de 2011

Eu não agüento mais

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

"Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil: os que estão roubando e os que querem roubar". (Ex-deputado Tenório Cavalcanti)

Por Waldo Luís Viana

Durante quase dez anos, na tribuna livre da Internet, contrariando até um pouco a minha modesta natureza, procurei escrever sobre temas políticos, aproveitando-me, inclusive, de 2002 para cá, do rico manancial como paradigma crítico do que foi, tem sido e será o governo do PT.

Quem me acompanha até – e com paciência, o que muito agradeço – sabe que procurei trazer aos leitores aspectos um pouco desconcertantes da realidade que vivíamos, dado o meu temperamento telúrico de poeta, que vibra antes de tudo com o coração, dentro do espírito do homem cordial, descrito por Sérgio Buarque de Hollanda em seu já clássico “Raízes do Brasil”.

Eis que, embora tenha dado adeus às armas, tenho visto um panorama tão adverso e promíscuo, que ouso agora responder à pergunta que tanto me fazem e que adiava, como ardil, em responder: ó poeta, o que vai ser de nós?

Não há esmero em ver de nós a imagem no espelho – diria eu, entre atônito e aflito. Não há setor da Nação (danada, mesmo!) que não se aperceba do lado oculto, do sistema perverso engendrado pelo PT para governar. Fez-se do Brasil a imagem e semelhança do partidinho – e como dói!

Esqueceu-se, em primeiríssimo lugar, do que é certo ou errado. Os ‘barbichas de língua presa’ instituíram, a muque, o dualismo entre o “adequado e inadequado”. O trato da coisa pública, que deveria ser “res sacra”, não passa mais pelo crivo da exação, da coragem, e do comportamento probo, considerados excrescências diante dos objetivos a atingir. É o mesmo e surrado “os fins justificam os meios”, transformado em política pública como em qualquer regime dito socialista de Estado.

Onde não há Deus, forma-se uma nomenclatura, preocupada com a história tão somente, como deus imanente e de latrina, entronizando-se um chefe de Estado que deve ser venerado pelo povo como ícone religioso. O perigo desse herói, de pés de barro, é morrer de cirrose ou de câncer...

O segundo ponto é esquecer os indivíduos, enquanto tais, para entronizar a velha visão marxista de homem social, que em nossa bagunça tropical não é “social”, mas eleitoral. Transfere-se para um grupo ou classe agregados um conjunto de migalhas e atenções, antes desavindas, para apenas retirar delas a continuidade do poder. Não há diferença daquela prática política e fisiológica do passado, em que o coronel fascista fornecia dentaduras, bicas d’água, óculos e um par de sapatos em troca de votos, porque hoje a indecência é tecnológica e feita por cartão magnético.

Desprezados os indivíduos, sobrevém o terceiro ponto, que rebrilha aos olhos como bofetada: para que a sociedade seja equiparada ao soba analfabeto, cachaceiro e ignorante, é preciso que se ponha de lado a cultura do passado. Nada de Machado de Assis, Rui Barbosa, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, mas a mais rastaquera substituição cultural de tudo o que nos é mais caro e custou a construir: um facies de nacionalidade, uma singularidade que foi atraiçoada como “nunca neste país”.

O que Lula destruiu em oito anos de governo, nós não conseguiremos reconstituir em vinte, ou seja, retomar a nossa estima como Nação maior, mesmo sem prêmio Nobel (vejam só!), mas com uma proposta digna de educação, segurança, e saúde de massas!

A substituição cultural de laboratório, que se procedeu para que esse senhor se tornasse o ‘gênio da raça’, nós todos estamos vendo, cumprindo notar – na hora do espanto – que a sua sucessora tem todos os seus defeitos, mas nenhuma de suas apoucadas qualidades...

O quarto momento, mais insidioso e visceral, é outra tentativa de laboratório de contrariar o epigrafado deste artigo: reunir a esquerda, abjeta, mentirosa e faminta que chegou ao poder, à direita oligárquica que só quer manter privilégios, os postos de ‘erva daninha’ obtidos à custa da mais sofisticada exploração do Estado, que precisa estar enfeixado em suas mãos, como sublime constelação público-privada.

No Brasil, não existe mais o conflito entre os que estão roubando e os que querem roubar: finalmente, após um pouco mais de cem anos de República, os grupos afoitos se reuniram e estão se entendendo. Todas as nossas instituições, contaminadas e aparelhadas, estão enfeitiçadas pelo mesmo micróbio, pérfido e matreiro.

A corrupção hoje é política de Estado e mãe pressurosa dos Três Poderes. Nada escapa, amigo leitor, ao seu olhar atento. Ela é a devassidão onipotente e onipresente do deus materialista que se entronizou em nossa máquina pública.

Se nós temos a corrupção como política de Estado, então nada pode escapar a seus encantos, inclusive porque ela expulsou, lá por cima, o certo e o errado – recordam-se? Um bandido de paletó e gravata apanhado gera pane universal, porque foi um “cochilo do sistema”. É ele, o sistema, que se sente ultrajado e não a Pátria, jamais tratada como “res sacra”...

Sabemos que o país caminha para uma crise cambial e para a insolvência a passos largos. Sabemos que, depois de todo o período Vargas, de industrialização, temos agora o histórico período petista, de “desindustrialização”. O país financia-se por juros altos e obscenos, oferecidos aos rentistas externos em bandeja de prata e estiola o seu comércio exterior obrigando a indústria a padrões de prevenção, isto é, aumento pavoroso de preços, perdas homéricas de competitividade com o exterior e a uma inflação embutida e preventiva, que logo ficará exposta em toda sua nudez.

Finalmente, contudo, a árvore de decisões petista teria de expandir, em si mesma, todo o seu resplendor: a mentalidade maior, do dolo federal teria de ocorrer nas demais instâncias, estadual e municipal. Além da cornucópia de impostos para sustentar toda a farra, porque o brasileiro não se importa em sangrar, as classes dominantes (as “zelites”) permitem que o quadro dantesco se repita ao nível municipal: temos as máfias de transportes, de lixo e do saneamento, compondo o regime de superfaturamento necessário às próximas eleições, construído diligentemente, no contexto maior, pelas empreiteiras e bancos.

Agora, desesperados, dirão vocês: qual é a solução? Responderia, eu, da mesma forma humilde com que brindei meus leitores na Internet por quase dez anos, nada! Tudo continuará como está, dependendo do sistema que aí se instaurou.

O comissariado fascista-marxista-comunista que nos domina comprou todo mundo e tudo permanecerá como está! É bom para os donos do poder e seus vassalos e vassalinhos.

No entanto, creiam-me, tais mecanismos, com a velocidade da História criam pelo caminho uma entropia e seus tecidos vão paulatinamente se necrosando.

Por isso, estou tranquilo. Trancado em casa, espero a morte desse “regime” que tem dentro dele – está claríssimo – todos os germens históricos da própria destruição!

Waldo Luís Viana é escritor, economista e gosta de fazer versos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Serrão;

O excelente artigo do Waldo Luís Viana me “autoriza” tecer um comentário. Assim, intitulo o mesmo como:
“A vergonha do Ruy... e o nosso cansaço!”

O grande estadista indiano Mohandas Karamchand Gandhi (ou simplesmente Gandhi) deixou verdadeiras pérolas, como estas duas, abaixo, que convidam-nos, como brasileiros, a refletir:

“As coisas que podem nos destruir são: política sem princípios, prazer sem consciência, riqueza sem trabalho, conhecimento sem caráter, negócios sem moralidade, ciência sem humanidade e adoração religiosa sem sacrifício.”

“O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver.”

O Brasil atual vive, em fase aguda, uma grave crise de instituições. É imperiosa, portanto, a necessidade de considerarmos as fragilidades e os descaminhos de nossa Pátria e combatê-los sem trégua. Ontem eram os “sanguessugas”, os “vampiros”, os “mensaleiros”, os “anões do orçamento”, os... etc...etc... Agora, novas investigações põem a descoberto os desvarios e maracutaias de congressistas e empresários, e, parece, até de ministros.

Quanto aos deveres fundamentais do Estado: saúde, educação, moradia e segurança, não recebem o devido tratamento por parte do nosso governo. É por demais constrangedor convivermos com a realidade atual, em que milhões de nossos compatriotas ainda vivem abaixo da linha da pobreza (equivale a soma das populações de muitos países da Europa!!!). Devemos lutar incansavelmente contra esta distorção social que mancha o nosso povo e o nosso conceito junto às demais Nações. Porém, devemos saber que tudo passa pela retomada de nossos valores morais, esta sim, sem sombra de dúvida, é a maior crise que vivenciamos e que devemos enfrentar.

O grande jurista brasileiro Rui Barbosa, a exemplo de Gandhi, nos deixou muitas brilhantes citações. Entre elas, a que é mais representativa do Brasil de agora é: “De tanto triunfar as nulidades; de tanto ver avolumar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da verdade e a ter vergonha de ser honesto!”

O Brasil precisa, urgentemente, resgatar a credibilidade dos seus políticos. O povo brasileiro precisa formar, a partir da própria sociedade, estadistas que estejam preocupados com as próximas gerações pátrias!!! E isto tem enfoque no saneamento ético e moral dos cidadãos e dos governantes, isto é, dos que têm “lugar cativo” nos chamados “três poderes”, de forma capaz de inibir a corrupção, a fraude, a negociata, a criminalidade, a violência crescente e a impunidade que impera neste país-de-faz-de-conta.

(CONTINUA NO PRÓXIMO COMENTÁRIO, DIGO, POST)

Anônimo disse...

(CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO, DIGO, POST ANTERIOR)

No prelúdio da sua oratória, Ruy Barbosa já demonstra a sua revolta: “Tenho vergonha de mim mesmo, pela passividade de ouvir desculpas e floreios para justificar atos criminosos e da minha impotência, das minhas desilusões e do meu cansaço”. É fato que Ruy teria “tranqüilizado” um seu contemporâneo muito preocupado com a corrupção e a indignidade dos governantes que, já àquela época, estariam levando o Brasil a uma crise. Então Ruy Barbosa lhe disse: “O Brasil é maior que qualquer crise!”. Ele poderia até ter razão, mas é perturbador assistir a incidência de crises, como uma constante repetitiva em nossa política.

Tem sido inúteis os reiterados protestos da sociedade, mas as críticas tornam-se inúteis diante de tantos crimes revoltantes e impunes, que são praticados por membros dos Legislativos, dos Executivos e dos Judiciários por todo o País, mancomunados com alguns empresários transmutados de “empreiteiros”, ou seja lá do que for, que distribuem gordas propinas para sedimentar os seus interesses pessoais.

No Brasil de hoje cada nova patifaria descoberta abranda a indignação daquela que há pouco lhe precedeu. E isto chega a cansar a opinião pública. Ficamos “amortecidos”, “inanimados” e desalentados até de apontar os crimes dos “sem-terra”, dos “sem-teto” e outros “sem-qualquer-coisa”, que agem com o beneplácito religioso e com a omissão e o dinheiro que recebem do governo. Seu "topete" é tamanho que chegaram a ocupar e depredar a Hidrelétrica de Tucuruy... sem nenhuma oposição do poder público! Égua!!!

Ruy Barbosa se dizia envergonhado de si próprio “...por ter trabalhado sempre pela justiça!”. O que podemos dizer de nós mesmos quando vemos e ouvimos na TV comprometedores diálogos gravados pela Polícia Federal, nos quais congressistas se corrompem e juízes vendem sentenças???

Se hoje fosse vivo, Ruy Barbosa outra vez se envergonharia dele mesmo “por ter compactuado com a honestidade e educado parte do nosso povo!”. Mais se envergonharia de si o grande Ruy, que também afirmou estar envergonhado “por entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios!”, se soubesse que hoje “empreiteiros” corrompem com elevadas propinas os venais do Executivo, como secretários de Estado, presidentes e diretores de bancos oficiais, superintendentes de órgãos públicos, ex-governadores, etc... etc...!!! Se eu pudesse, diria ao grande Ruy: “Ruy, .eu também cansei!” , e ao ilustre escritor, economista e poeta, Waldo Luís Viana: “Waldo, eu também não aguento mais!”

Acooordaaa Braaasiiilll!!!

P.S: Também segue, “anexo”, um fraterno abraço, deste seu amigo amazônida,

Roberto Santiago