domingo, 31 de julho de 2011

Peão usa Bispo e dá xeque-mate no Rei(nodedeus)

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

O espectro do golpismo ronda a mídia na América Latrina. Em todos os sentidos do Império das malvadezas. De armações de governos títeres contra a Liberdade de Expressão, Pensamento e Imprensa, até as censuras mais descaradas praticadas a arrepio constitucional por alguns membros do Judiciário, passando por armações brilhantes de famosidades jornalísticas praticadas contra seu poderoso patrão.

Já não bastasse o execrável mau exemplo do presidente do Equador Rafael Correa contra a mídia, manipulando politicamente o Judiciário para aplicar condenações milionárias, em dinheiro vivo, a jornalistas que dirigem órgãos de imprensa que lhe fazem oposição. Agora temos a monstruosa Lei de Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação aprovada pelo Congresso da Bolívia, que acaba de ser sancionada pelo cacique Evo Morales. Nem o Chapolim Colorado da Venezuela, que se cuida de um câncer em Cuba (que pleonasmo!), faria melhor.

A regrinha aprovada por Morales legaliza uma ilegalidade que causou um dos maiores escândalos midiáticos do Reino Unido, obrigando o magnata midiático Rupert Murdoch a sepultar seu histórico e famoso tablóide News of the World. Na Bolívia, de acordo com a lei, "escutas telefônicas poderão ser feitas em caso de segurança de Estado, ameaça externa, comoção interna ou desastres”.

Os operadores e provedores de telecomunicações e tecnologias da informação vão ser obrigados a cooperar e a colocar à disposição das autoridades a emissão, transmissão e recepção de telecomunicações que lhes forem solicitadas. Até um bebezinho de colo percebeu que a lei permite a perseguição a inimigos políticos.

A nova regrinha do Morales é uma imoralidade institucional. Coisas do socialismo de picaretagem Latrino-americano. Pela nova regra, o setor privado terá direito apenas a 33% das licenças de rádio e televisão, enquanto o Estado fica com 33%. Partidários de Morales, os chamados “povos indígenas” e os “meios a serviço de organizações comunitárias” terão 17% cada. Legal é que o presidente do Senado Boliviano, René Martínez, atesta que a lei "está de acordo com a Constituição e não viola direitos". Então tá...

No Brasil, onde o sonho de consumo da petralhada é ter leis como esta para controlar a atividade midiática, por enquanto, os golpes são outros. Por aqui, temos apenas alguns surtos jurídicos que tentam institucionalizar censuras não permitidas por nossa Constituição. Quando alguém incomoda demais os poderosos, a lança judiciária se torna fatal, mesmo com o Supremo Tribunal Federal assegurando que vale o que está escrito no Artigo 5º da Constituição.

Mas o golpe midiático mais comentado do momento é outro. Restringe-se, por enquanto, à esfera editorial-comercial. Mas deve parar na Justiça, com desdobramentos imprevisíveis. Trata-se da abrupta passagem do apresentador José Luiz Datena pela Rede Record do Reino de Deus. O cabra foi contratado de surpresa, 43 dias atrás, e, na sexta-feira passada, deu um “até qualquer dia” para seus patrões e telespectadores do “Cidade Alerta”. Retorna em setembro para a Band. Por que Datena rasgou um contrato de cinco anos? Eis a questão...

Fofocas e teretetês nos bastidores midiáticos dão várias interpretações para o movimento abrupto de Datena. A mais provável – e cheia de trocadilhos infames – indica que: “o milionário Peão Datena usou o Bispo (Macedo) para dar um Xeque-Mate no (nodedeus)”. Há quem jure que Datena agiu combinado com a direção da Band. Recebeu uma polpuda proposta para voltar a Record, de onde saiu brigado na década de 90.

Teve suas multas contratuais do passado (que já estavam em quase fase de execução judicial) perdoadas pelo novo acordo. Como constatou, depressa, que não teria poder e independência na Record, negociou, rapidinho, seu retorno à Band. Agora, todo mundo no mercado pergunta, com maldade: “Será que o Johny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, sabia das escaramuças infernais do agora diabólico Datena contra a turma do Bispo e da emissora do Reino de Deus?”. A pergunta deve ficar sem resposta concreta por um bom tempo.

Na Globo, todo mundo morreu de rir. Aliás, os 43 dias de Datena na Record eram motivos de piada na medição do Ibope. Estreou bem, dando de 12 a 16 pontos de audiência. Mas, rapidinho, perdeu Ibope. Culpa de quem? Lá-lá-lá-lá... Sílvio Santos escalou seu maior astro para enfrentar o Datena. Chaves (ou foi o Chapolim Colorado mexicano) registrou (ou registraram) média de nove pontos de audiência. Datena amargou uns 7 ou 8. A previsão de fracasso era previsível e programada. Logo, melhor voltar ao que era antes... E, de quebra, saindo no lucro.

Até agora, o certo é que a nova jogada do xadrez televisivo tupiniquim já está consagrada: Datena é mesmo o peão de luxo que usou o Bispo para dar o xeque-mate no Rei(nodedeus). Este “golpe” já virou piada... E ninguém vai para o xadrez no fim da disputa judicial - que promete ser longa...

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


© Jorge Serrão 2006-2011. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Julho de 2011. A transcrição ou copia deste texto é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Leiam a reportagem da Folha:

Comandante do Exército vira alvo de investigação
Inquérito aponta fraudes em obras rodoviárias executadas pelos militares
General Enzo e outros sete oficiais chefiaram departamentos que fizeram convênios com Dnit entre 2004 e 2009
MARCO ANTÔNIO MARTINS
EM SÃO PAULO
O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, e sete generais são investigados pela Procuradoria-Geral de Justiça Militar sob suspeita de participar de fraudes em obras do Exército.
Os oficiais comandaram o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) e o IME (Instituto Militar de Engenharia) entre 2004 e 2009, período em que o Exército fez convênios com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para obras em rodovias.

O general Enzo chefiou o DEC entre 2003 e 2007. Ele deixou o cargo para assumir o comando do Exército no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi mantido no posto pela presidente Dilma Rousseff.
O grupo investigado inclui cinco generais que comandaram o IME e dois que chefiaram o DEC depois do general Enzo: os generais Marius Teixeira Neto, na reserva desde março, e Ítalo Fortes Avena, hoje consultor militar da missão do Brasil na ONU.

A investigação foi aberta em maio pela procuradora Geral de Justiça Militar, Cláudia Luz, para apurar se o general Enzo e os outros que comandavam áreas envolvidas sabiam das irregularidades.
A apuração foi um desdobramento de inquérito anterior que identificou indícios de fraude em 88 licitações do Exército para fazer obras do Ministério dos Transportes e apontou desvios de recursos públicos de R$ 11 milhões.

À Folha, o Centro de Comunicação do Exército diz que não tem conhecimento da investigação e que "não cabe à Força e nem aos militares citados emitir qualquer tipo de posicionamento".
Criados para atender necessidades de militares, os batalhões de engenharia do Exército são convocados com frequência para acelerar obras. Somente do Dnit, que nas últimas semanas teve quase toda a diretoria afastada por ordem de Dilma, o Exército recebeu R$ 104 milhões nos últimos cinco anos.

As investigações mostram que um grupo liderado por dois oficiais que coordenavam os convênios no IME, o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paula, criou seis empresas para entrar em concorrências do IME com dinheiro do Dnit.
O major Paula teria movimentado mais R$ 1 milhão em sua conta em um ano e feito 14 viagens aos EUA no período em que trabalhou com o Dnit.
Seis militares estão sendo processados na Justiça Militar. Se condenados, poderão ser presos e expulsos da corporação. Peças do processo foram encaminhadas à Justiça Federal para que eles sejam processados ali também.

Dá para se entender, caso realmente comprovadas, por que este cidadão fez de tudo para barrar as comemorações de datas que são caras aos movimentos históricos liderados pelas forças armadas e, em especial, pelo exército brasileiro.
Lamentável. Triste. Decepcionante.

Cai a última trincheira moral do Brasil

http://gentedecente.com.br/

Anônimo disse...

Tanto o tal DAPENA e a tal Record, são dois lixos!