domingo, 3 de julho de 2011

Um homem a quem se podia chamar de correto

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

No instante em que um homem de bem (coisa rara, raríssima), baixa a sepultura, não faltam picaretas, oportunistas e pilantras de plantão querendo pegar carona na alça do caixão (há muito, ele manifestara desejo de ser cremado). Itamar Franco fazia parte de saga quase extinta de homens públicos brasileiros que não são ladrões.

O rei da sociologia, FHC, com a boca cheia de palavras e a cabeça cheia de letras, mas sem qualquer compreensão ou entendimento (há pessoas que digerem letras apenas para o alimento do ego), apressou-se logo em dizer que, “sem o apoio dele, não teria feito o Real”. Quanto cinismo! FHC já produziu alguma coisa de útil?

Não quero entrar no mérito de questões econômicas, pois figuras exponenciais do naipe do professor Adriano Benayon têm dissecado à exaustão, de maneira competente e convincente, as causas de nossa miséria. Entendo não existir nada fixo no mundo, as coisas se alternam ad infinintum. Temos de nos adequar às necessidades.

Entendo também que leis devem ser mudadas, pois fatos e conveniências se alternam e, como também é facílimo perceber, a roubalheira no Brasil não para e não há como reprimir nem que seja parcialmente tantos desmandos, sem punição exemplar dos culpados.

Agora mesmo, no sábado em que Itamar morreu, a presidente Dilma determinou o afastamento de toda a cúpula do Ministério dos Transportes, porque a revista Veja mostrou que funcionários do Ministério e de órgãos vinculados à pasta “montaram um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiros”.

Por isso que se pretende calar a imprensa, os blogueiros e censurar a internet. O pai do mensalão mineiro, Eduardo Azeredo (PSDB), que num país sério estaria na cadeia, tem projeto de lei que proíbe tudo ou quase tudo em termos de divulgação de roubalheira. Mas voltemos ao Plano Real: é muita pretensão do nosso boca de tuba.

Pois não é que FHC quer mesmo fazer os idiotas acreditarem que ele é o pai do Real? Ele é pai de outras crianças, como de Leonardo, filho de uma ex-cozinheira do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e Tomás, filho da jornalista Miriam Dutra, cujo exame de DNA, “provando” que não, o escritor Palmério Dória garante ser falso.

O Plano Real não fosse a censura e desinformação de grande parte (além de má intenção mesmo), é de autoria do ex-secretário do Tesouro dos EUA Robert Rubin. Foi empurrado goela adentro numa economia que vivia com inflação na estratosfera e prejudicava desejo de globalização dos que dominam o mundo.

Quem primeiro denunciou isso foi o jornalista Greg Palast, no livro “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, Editora Francis, primeira edição (março 2004, página 23). Palast brinca no texto. Ele diz que quando surgiram problemas com o Real, segundo mandato FHC, ele pôs a culpa nos funcionários públicos.

Afirmou que sua então excelência culpou aposentados e sindicatos, a quem atribuiu o “crime” de estourar “o orçamento do governo”. FHC, que lê muito e não compreende nada, deve achar que o mundo é linear. Deve crer, inclusive, no bordão de Al Gore que acusa o ser humano de “mudar o clima do planeta”.

Homenageado no Senado pelos 80 anos, o ex-presidente, que ganhou o segundo mandato numa compra de emenda constitucional nunca explicada, foi todo empavonado nas referências à Dilma Roussef, uma pessoa sem dotes, digamos, intelectuais, incapaz de articular frase inteira ou raciocínio. Eles todos se conhecem e falam a mesma língua.

Num país como o nosso, de analfabetos e desinformados, é em tal esquema que somos todos reféns, trabalhando para pagar impostos e sustentar príncipes que vivem à custa do erário. Itamar Franco, sobre quem queria me referir, era o único senador a merecer epíteto de “oposicionista”. Meio ingênuo, morreu e, assim, ficamos órfãos.

Márcio Accioly é Jornalista.

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