quarta-feira, 20 de julho de 2011

Vai dar para mais uma balinha!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sylvia Romano

O dia 18 de julho de 2011 vai entrar para a história: os aposentados do INSS passaram a poder comprar mais uma balinha. O governo federal alterou na última sexta-feira o reajuste dos benefícios da Previdência Social acima do salário mínimo, que passou de 6,41% para 6,47%, retroagindo desde janeiro. Em média, o acréscimo será de R$ 0,65 para quem recebia mais de um salário mínimo em dezembro de 2010.

A benesse acima foi divulgada em vários veículos de comunicação e o Ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, aproveitou para vir a público anunciar o feito.

Eu, como todo brasileiro com um pouco de discernimento, fico aqui pensando com os meus botões, como já dizia vovó, de que forma isso irá ajudar os milhões dos espoliados aposentados e o que eles poderão fazer com esse incremento fabuloso nos seus pagamentos, ou melhor, no desaforo que recebem após tantos anos de trabalho e contribuição até chegarem à merecida aposentadoria.

Em contrapartida, esses mesmos aposentados são informados diariamente das bandalheiras e roubalheiras que acontecem em todas as esferas do Governo e periodicamente também têm conhecimento dos nababescos salários dos seus representantes junto ao Poder e, principalmente, dos reajustes astronômicos dos seus proventos.

Não consigo entender essa história de dois pesos e duas medidas para os reajustes que acontecem em nosso país. Todos os anos o imposto de renda tem suas alíquotas modificadas, bem como os planos de saúde. A inflação divulgada é uma, mas a realidade percebida por toda a população é bem diferente, seja ao adquirir um imóvel, um automóvel ou até mesmo numa ida ao supermercado. Remédios, então, nem se fala — e esta é uma compra compulsória para todos os aposentados.

Estou começando a desconfiar que a intenção do reajuste foi mesmo a de dar a oportunidade aos aposentados para comprar apenas mais uma balinha doce. Até porque se o novo valor permitisse a compra de uma bala de revólver, esta certamente teria como mira aqueles que decidem que a classe mais idosa deve permanecer na penúria e na miséria em que se encontra.

Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo. E-mail: sylviaromano@uol.com.br

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