terça-feira, 16 de agosto de 2011

Lula na planície: desintegra o mito!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cesar Maia

Em janeiro, escrevei um artigo para a Folha de SP onde tratava de um tipo especial de liderança mítica. Seguem alguns trechos: "Governar é fazer crer", dizia Maquiavel. As lideranças míticas, sejam políticas, sociais ou religiosas, se afirmam por dois caminhos distintos. De um lado, os líderes cuja autoridade se afirma como guias de seus povos pelas ideias que defendem. Eles as executarão. Outras lideranças legitimam a sua autoridade pela ausência. Representam divindades. O que os legitima está ausente deles, está em outro plano como o Padre Cícero. A autoridade legitimada pela ausência não é restrita à esfera religiosa.

Em alguns deles, a própria nação é uma divindade. Agitam com símbolos milenares, cenografia e coreografia relativas. Representam essa divindade-nação ausente. Hitler (a raça germânica superior) é um caso. Mas há um tipo de liderança mítica que se parece com a do tipo guia dos povos. Apenas se parece. Na verdade, legitima-se também pela ausência. O Povo, em abstrato, passa a ser uma divindade. Um Povo amalgamado, que incorpora todos os valores de fé, justiça e de esperança. É o caso de Lula. Aliás..., era.

Lula, como presidente, exercia esse tipo de liderança. Era o Presidente-Povo que recebia todos e que resolvia tudo. No PT, nunca se envolveu na máquina. Era presidente de honra. Agora, Lula resolveu fazer política na planície. Antes, quando procurado por políticos, tirava o talão de cheque-orçamentário e dava uma ordem. Agora tem que dizer: Vou falar com a Dilma, vou falar com o ministro X... Não tem mais a varinha mágica. Um deputado disse outro dia: Se é para falar com a Dilma, mais fácil eu fazer diretamente, que a pressão é maior e ele (Lula) terá que levar, se levar, centenas de pedidos.

Assim, Lula se iguala aos demais nos assuntos do cotidiano político. Faz palestras. Vai para a imprensa falar abobrinhas. Faz reuniões políticas. Quer participar na planície, nas eleições municipais. Sua autoridade mítica -antes legitimada na ausência (o Deus-Povo)- agora quer se legitimar na presença, como um guia do povo com ideias e opiniões. Mudou e não sabe disso. Ilude-se pensando que sua popularidade estava alicerçada no governo que fez. Ilusão, pois estava legitimada pelo mito que desenvolveu.

A imprensa, ao diferenciá-lo de Dilma pelo estilo, reforça essa percepção que ele está na planície. E o fracasso político de Dilma é prova disso. Ela fazia parte dos milagres de Lula, agora desmistificado. A cada dia mais, todos vão sabendo que Lula é mais um político "mortal". Uma leitura de Jacques Seguelá, publicitário de Mitterrand ('Em nome de Deus'), ajudaria a seus assessores a compreenderem melhor a imagem desconstruída de Lula. Em apenas 8 meses.

Autoritarismo, destempero ou descontrole emocional?

A coluna do Noblat, no Globo (15), conta histórias de destrato e destempero de Dilma com seus ministros. São 16 casos anotados, dos quais Noblat narra alguns, como com Maria do Rosário, ministra dos direitos humanos (Cala a boca, você não entende disso, só fala besteira), com Ideli Salvati, ministra de relações institucionais (Na primeira coletiva você vai logo dizendo bobagem, imagine nas próximas), com o chanceler Patriota (Ou você e sua turma dão jeito nisso ou então eu demito toda aquela 'itamarateca').

Não se precisa de psicanalista para saber que Dilma desmantelou-se emocionalmente em função dos problemas que vem enfrentando. Um estadista, ou mesmo um líder, se testa exatamente nas crises. Ela não é nem uma coisa, nem outra. E nem tem equilíbrio para ser presidente, é a conclusão da coluna do Noblat. A autoridade se dilui quando seu exercício exige mudar o tom, com gritos e berros.

O principal marechal de Bismarck, von Moltke, já aposentado, dá uma entrevista biográfica. O jornalista pergunta a ele como se sente como um general invicto, o melhor general da segunda metade dó século 19. Moltke responde: Isso não se pode dizer. Só se pode dizer isso de um grande general, quando ele foi testado, na derrota e na retirada. Aí se mostram os grandes generais. Dilma não é um "grande general".

E por falar em Moltke, o coração de sua estratégia militar era ter um sistema de opções, desde o planejamento. Os generais deveriam preparar exaustivamente todas as possíveis consequências. E ficou famosa sua assertiva: "Nenhum plano de batalha sobrevive ao contato com o inimigo". Ou seja, em ação, o plano deve ser ajustado. O adversário não é imóvel. Dilma poderia ler as histórias de Moltke, na guerra contra a Áustria, na unificação alemã e na guerra franco-prussiana. De outra forma, terminam assinando a "unificação alemã", em seu Palácio de Versalhes, como fez Bismarck.

Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Textos publicados originalmente no ex-Blog de 15 e 16 de agosto de 2011.

Um comentário:

Fabricio Azevedo. disse...

O Lula pode até ter mais defeitos que dedos na mão e ser um grande falastrão... Mas para um verme como o César Maia (o cara arrebentou o Rio), falar dele ele deveria lavar a boca com água sanitária.