domingo, 14 de agosto de 2011

O Estado-Menor da Presidenta

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Primeiro foi na Casa Civil, a pasta em que o titular ganha foros de primeiro ministro, como se fosse um chefe de estado-maior em que o general comandante não é nada mais nada menos do que o primeiro mandatário da república. Quem foi ocupar o cargo? Simplesmente o ex-ministro da fazenda do governo Lula que, por motivos sobejamente conhecidos, pressionado pela mídia e pela opinião pública, tinha pedido demissão, fato que, por si, só desaconselhava o seu “repeteco” temerário como ministro de estado.

No seguimento o Ministério dos Transportes, com encargos vitais para a decolagem da infraestrutura pertinente, talvez a de maior significado para confirmar e manter o País com o “status” de grande potência econômica: o titular pediu demissão face aos graves indícios de corrupção envolvendo seus departamentos, uma constatação sem precedentes com grande desgaste para o governo, de novo ultrapassado por gerência no mínimo suspeita, herança do mandato anterior.

Efeito cascata! As pastas das comunicações e das cidades deverão ser investigadas pelas comissões permanentes da Câmara, tudo indicando falta de sensibilidade pela presidenta para a escolha de ministros sem potencial para a geração de crises, talvez uma falha de assessoria da Polícia Federal ou da tão desprestigiada ABIN, justo os órgãos capazes de alertar a chefe da nação sobre a vida pregressa dos ministeriáveis de forma a evitar os remendos de última hora.

Quanto à última evasão ministerial, tratava-se de personalidade autoritária, sobrecenho carregado, difícil de engolir pelos subordinados que dirá pela mais alta autoridade a quem devia prestar a continência. Fez e aconteceu: assumiu as política e estratégia nacionais de defesa, um trabalho judicioso que lhe foi apresentado pelo alto comando das Forças Armadas e que expôs de acordo com o “Manual do Instrutor”, em “power point”, como se fosse o pai da criança; não modernizou a FAB; submarino nuclear para garantir o pré-sal, pura ilusão; helicópteros para o Exército, balela de ocasião; quis induzir este último a esquecer seu passado, se machucou.

Enfim, não agradou nem aos espartanos nem aos troianos do governo. Senhora Dilma, por favor!

Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior. Publicado no “Jornal do Comércio de Porto Alegre” em 8 de agosto de 2011.

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