domingo, 21 de agosto de 2011

O ministro que queria ser General

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Tudo começou em julho de 20007 quando da crise no setor aeroviário. Lula naquela ocasião, muito preocupado com a repercussão negativa do apagão aéreo sobre seu governo, teria enxergado no homem corpulento, de fala agressiva e emproação desmedida a autoridade compatível para dirimir o problema, mas, acima de tudo, com capacidade para reduzir a autonomia e o poder político dos militares.

Assumida essa postura sem reservas sua excelência pressentiu que, expondo com desenvoltura as política e estratégia nacionais de defesa muito bem elaboradas (apesar de algumas conotações ainda hoje questionadas), deve ser dito, sob o tirocínio maior de uma Secretaria de Assuntos Estratégicos devidamente assessorada pelas Forças Armadas, tinha se assenhoreado como o “pai da criança”, com direito a ditar cátedra em tudo que dissesse respeito às militâncias inerentes à profissão das armas.

A partir daí, a personalidade intempestiva de quem está acostumado a passar por cima de quem ouse questioná-lo passou a se manifestar sem peias, pontilhando com desacertos a sua atuação à frente de ministério tão peculiar. “Não tenho problemas de enfrentamento”, dizia sem cerimônia comprando briga com oficiais-generais mais antigos, todos eles com cabedal profissional somando mais de 35 anos dedicados inteiramente ao serviço em suas diferentes forças, todos, sem exceção, com pelo menos 5 anos de graduação, 2 de mestrado e 2 de doutorado.

Suas participações em reuniões do Conselho de Defesa Sul-Americano, que se diga, primaram pela incoerência e ilegitimidade, revelando carência de embasamento e miopia prospectiva. Nestas oportunidades, sem abrir mão da pose de condestável mas deixando transparecer respeito humano por Tio Sam, admitiu que o órgão não constituiria organização nos moldes da OTAN, abortando no seu embrião perspectivas de defesa regional que, se incrementados o nosso e o poder militar dos vizinhos, seriam de real eficácia face às potências capazes de nos ameaçarem. Seu devaneio foi tal que se contradisse ao sugerir, como se fosse um Donald Runsfeldt, a criação de um “mecanismo de consulta imediata para situações de emergência, com avaliação da ameaça e ação de resposta”, acredite quem quiser, uma espécie de “telefone vermelho”.

As incongruências de um “quatro estrelas imaginativo” atingem o máximo quando, apregoando a compra de aviões de caça, de submarino nuclear e de helicópteros, só e tão somente se acompanhada da transferência da tecnologia correspondente, ajustou acordo temerário na área militar, no mínimo suspeito, justo com os EUA, envolvendo, é de pasmar, cooperação nos setores de pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, segurança tecnológica e aquisição de produtos e serviços de defesa. Durma-se com um barulho destes! “Defendido, o Brasil terá como dizer não, quando tiver que dizer não...”. Deus do céu, quanta bravata sem conteúdo!

Mas de volta ao desejo inconfessável, em verdade, se não queria ser oficial-general, sua excelência dava impressão e fazia de molde a que se pensasse justamente o contrário. Até o uniforme camuflado vestiu, posando no melhor estilo “rambo” em posição que combatentes, mais aficionados com o metier, não considerariam nem coberta nem muito menos abrigada dos fogos de trajetória tensa.

Seu mergulho no fundo do poço, no entanto, a própria perda sem volta da estima da tropa, pior desdita para um oficial-general, todavia, se dá quando fustiga o Exército a esquecer o seu passado, rememorado justamente na pessoa de um líder de escol, ex-comandante da Academia Militar das Agulhas Negras, no dia 4 de dezembro próximo passado. Que não se duvide, não foram os “idiotas”, nem a frágil Ildeli, nem mesmo a ausente Gleisi que colocaram um ponto final neste inócuo generalato.

Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior.

3 comentários:

Anônimo disse...

COVARDES NAO FIZERAM NADA AGORA CANTA DE GALO

paulo ricardo da rocha paiva disse...

SR ANÔNIMO
PARECE QUE O CIDADÃO NÃO LEU MEUS ARTIGOS ANTERIORES EM QUE NÃO POUPEI CRÍTICAS AO "GENERAL DE OCASIÃO"

paulo ricardo da rocha paiva disse...

SR ANÔNIMO
PARECE QUE O CIDADÃO NÃO LEU MEUS ARTIGOS ANTERIORES EM QUE NÃO POUPEI CRÍTICAS AO "GENERAL DE OCASIÃO"