sábado, 6 de agosto de 2011

Por que Jobim forçou sua saída?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cesar Maia

Preliminar. O método de criar constrangimentos sucessivos à autoridade superior, de forma a justificar sua saída ou exoneração, faz parte da rotina das organizações e em todos os níveis. Mas, certamente, não ficou bem para o advogado constitucionalista, ex-deputado federal, ex-ministro, ex-ministro da Corte Suprema, e ministro da Defesa, utilizar desse expediente para conseguir seu afastamento. Num homem público de sua estatura, isso deveria ter sido feito com lealdade e diretamente à Presidente.

Mas, uma vez tomada essa decisão, caberia perguntar por que Nelson Jobim forçou sua própria saída. Afinal de contas, teria sido mais simples sair com o presidente Lula e deixar o cargo na transição de governo. Se não fez isso, é porque em janeiro queria permanecer e acreditava no novo governo. Portanto, dali para cá sua opinião mudou sobre a Presidente e sua capacidade de governar e sobre o governo e as circunstâncias.

As razões podem ser esses quatro vetores, um ou mais. O primeiro é a decepção com a Presidente, com sua capacidade de comando político, controle e de gestão. O segundo vetor seria a decepção com o próprio governo, com seus companheiros de ministério. Jobim teria achado o ministério de terceira linha e não quis permanecer entre seus pares. E que as limitações políticas impediriam a Presidente de melhorar a qualidade do ministério.

O terceiro vetor seriam as informações que detém através dos serviços militares de informação de sua pasta, que muito mais coisa vem por aí. E, finalmente, a projeção que os próximos anos vão ser muito difíceis para o governo federal pela crise que está aumentando a cada dia e, que com isso, o governo Dilma vai fracassar como fracassou o segundo governo FHC pela crise.

É possível que seja uma combinação de dois ou mais desses vetores. Mas, de qualquer maneira, um vetor estará presente em todas as hipóteses: a perda de confiança na capacidade da Presidente para gerir, controlar, coordenar politicamente...

Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Publicado no ex-Blog de 5 de agosto de 2011.

2 comentários:

James Seixas disse...

Vejo o episódio como um final de orgia: acabaram com os petiscos e empanadas de camarão. Sobraram apenas empadas secas de carne moida e pastéis oleosos. O uísque escocês já não é mais servido. Foi substituido por cerveja quente em copo descartável. Quem se deu bem com as mulheres, carregou a sua. Só restaram as "barangas" que só muito bêbado para encarar. Nessas circunstâncias não tem quem fique no salão. É como costumamos dizer aqui no norte: tá na hora de se picar!!! Daqui prá frente só vem notícia ruim!

Paulo Figueiredo disse...

Fico mais com a análise de Pedro Porfírio de que Jobim começou a minar o governo a partir da decisão da presidente Dilma, em fevereiro passado, de suspender a compra de 36 caças franceses, um negócio de R$ 11 bilhões. Negocio que Jobim se empenhava muuuuiiiiiitttttoooo.