domingo, 9 de outubro de 2011

Liberdade, mais que humanidade

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

O banco de dados que os poderosos referem para as decisões de hoje está contido numa história que destaca heróis guerreiros, líderes que promoveram o assassinato em massa e os genocídios mais brutais. Uma história que destaca partidos e governantes responsáveis por decisões pendentes de políticas e ideologias que desprezam a essência do bicho homem. Uma história fundamentada nas paixões materiais que afastam os homens do espírito que deveria conduzir o corpo que pertence à inominável inteligência universal.

Nas escolas, a aprendizagem está circunscrita à lógica racional que desconhece a amplitude infinita continente da vida em todas as manifestações. Ambiente onde a mente encontra o trasncendental. Ambiente dos milagres de cada dia, apreciados, refletidos e pouco documentados por alguns viventes. Todos somos reféns dos sacrifícios e dores que assoberbam o espírito. Adoecemos física ou espiritualmente, sempre que nos afastamos dos comandos da inteligência do universo infinito, que doa generosa e amorosamente um fragmento de sua energia para fazer-nos andar, pensar, agir, compartilhar e vez por outra lembrar de agradecer.

Somos criaturas do universo, finitas na estrutura material. Esquecemos, ou nunca fomos lembrados para deixar-nos comandar, seguir fielmente a voz de bondade essencial que reside temporariamente em cada um, integrando-se à fonte de “energia” da eternidade quando o corpo exala o “ultimo suspiro”. Alimentamo-nos do ar que respiramos mais que do pão e da água. Somos estimulados a buscar a “eterna juventude” e seguir os “eternos heróis e líderes” visíveis, desprezando a liderança e a eterna juventude da essência que integra cada corpo.

A “razão” pode estar no sacrifício, na disciplina e nas responsabilidades que o caminho espiritual pressupõe. O sofrimento desta parte invisível, ambulando em meio aos detritos históricos e regras que restringem a verdadeira e única liberdade de brincar, aprender, compartilhar idéias, respeitar, fazer, comemorar e agradecer, – reconhecendo e valorizando prioritariamente a ligação entre os espíritos libertos, mais que a interdependência física – requer determinação, cujo exemplo maior, apreciado e ensinado apenas em sua dimensão material, foi ensinado por Jesús carregando a cruz, suor e sangue. Um exemplo desprezado pelos que se beneficiaram e aplaudem há mais de dois mil anos o aspecto visível, omitindo o espírito redentor.

Somos adestrados desde a mais tenra idade a clamar, pedir, suplicar, chantagear, numa sucessão de atitudes hipócritas, os pretensos direitos pelo fato de viver. A idéia é usufruir dos pretensos privilégios, ignorando as obrigações, os deveres e responsabilidades da interdependência e disciplina que a vida pressupõe. Mais fácil tem sido recusar as obrigações e mergulhar na baderna. Assim, quase imperceptívelmente, enfraquece e a percepção mental sobre as verdades que libertam de fato o espírito, arma excelente para superar as dificuldades e administrar as carências mínimas, necessárias para uma passagem digna por esta condição natural que se repete ao infinito.

Como resultado das políticas de estado e suas razões esotéricas, a mentalidade da decadência prevalece sobre a liberdade exclusiva do espírito no comando das atitudes humanas. Afastamo-nos do zelo na busca de informação e exigência na escolha dos que decidem sobre os negócios públicos. Isto é apenas fração da conivência com o crime continuado, impeditivo da construção de instituições livres que poderiam amparar homens física e espiritualmente. Homens formados para o contato permanente com a fonte original do poder do espírito. Somos os escravos das referências externas aplicadas na acumulação de riquezas, que proporcionam prazeres irresponsáveis.

Esquecemos que a verdadeira liberdade depende da predominância do espírito sobre a matéria. Homens cônscios da passageira missão sobre a terra para agir amorosamente, o que é diferente de agir competitivamente destruindo e subjugando física e mentalmente os representantes da espécie, em seus diferentes estágios de auto conhecimento e domínio das técnicas para o bem estar e proficiência.

Garantir a paz, segurança, liberdade e bem estar seriam as atribuições do Estado. O que vemos é que, os vícios acumulados e a corrupção fazem com que o dever dos que são obrigados a obedecer leis abusivas e absurdas, falhe. Circulamos à margem da responsabilidade aceitando maus governantes e leis insólitas. É um fato incontestável esta fuga à responsabilidade que nos garantiria a liberdade: somos complacentes com os governantes que erguem Estados sob alicerces de más políticas.

Isto lembra a história ancestral do profeta Natan inquirindo o rei Davi sobre o comportamento do rico que possuindo ovelhas e bois em grandes manadas, tomou a única ovelha de um pobre, propriedade adquirida com economias do trabalho, para servi-la aos seus visitantes. Davi, indignado, disse que tal homem merecia a morte. E o profeta o apontou dizendo: “Tu és este homem”. Referia então o crime do rei que havia ordenado a Urias seguir para a frente de batalha, para a morte certa, com a finalidade de tomar como esposa a mulher do seu general.

É exatamente o que fazem os nossos “reis”. Somos todos responsáveis quando os elegemos e fingimos confiar que têm a sapiência para elaborar as regras de convivência justa entre os homens. Davi arrependeu-se e pagou pelo crime cometido. Quem hoje pode inquirir um homem do estado? Que governante tem o senso moral e a consciência anímica para legislar obedecendo às leis do universo? Que governante age sob a regência das eternas leis do espírito que perpassa todos nós, virtuosos, viciados e degradados, melhor degredados da pátria espiritual a que todos pertencemos?

Arlindo Montenegro é Apicultor.

4 comentários:

léo guedes disse...

Sr. Arlindo. Penso que o processo, sendo individual, ocupa um tempo enorme para que contamine outros indivíduos. O que muitos homens estão fazendo é dormir no ponto de táxi perdendo oportunidades. A escola da vida não nos permite férias e nem tampouco feriados. Todo dia é dia de se alcançar um nível melhor de ser. Mas é preciso que estejamos atentos, pois aqueles que têm ouvidos para ouvir que ouçam e os que têm olhos para ver que vejam. A grande massa ainda está desfrutando daquilo que os sentidos permitem. Exigir dos outros mais do que isso é ignorar a necessidade do próprio trabalho. A conquista de si mesmo é um tremendo encargo e é muito difícil que durante uma única estada na escola consigamos realizá-la.

Manoel Vigas disse...

Saudações.

Ilmo. Sr. Léo Guedes.

A palavra é HARMONIA.

Sim, HARMONIA para com o "processo" INTERNO e EXTERNO.

FALEI:
INTERNO E EXTERNO !!!

COMEDIMENTO, RITMO, EQUILÍBRIO !!!

SEGUINDO O FLUXO CALMO E MELODIOSO QUE NOS TRANSMITE A "MÚSICA DAS ESFERAS".

NESTE MOMENTO, UMA COISA PRECISA SER DITA:

SOMOS PARTE FÍSICA E PARTE ESPIRITUAL.
PORTANTO, AGORA, ESTAMOS "NESTE PLANO", COM OBJETIVOS E PROPÓSITOS PARA CUMPRIR NOSSA PARTE NESTE EQUILÍBRIO UNIVERSAL.

VAMOS ENTÃO AGIR NESTE PLANO QUE ATUALMENTE NOS COMPETE.

E,. . . PRINCIPALMENTE NÃO VAMOS NOS APEGAR ANSIOSAMENTE (ou indevidamente) APENAS AO LADO ESPIRITUAL.

O EQUILÍBRIO É A ORDEM MAIOR DE TODOS OS "MUNDOS".

NOTA:
O ORGANISMO REAGE SOLICITANDO ALIMENTO (pela fome), POREM CABE AO DISCERNIMENTO DO HOMEM ATENDER NA PROPORÇÃO CORRETA, EVITANDO ALIMENTO EM EXCESSO ( capaz de prejudicar a HARMONIA da constituição física daquele organismo).

IDEM COM A PARTE ESPIRITUAL.

Atenciosamente.
Manoel Vigas

léo guedes disse...

Prezado Sr. Manoel Vigas. Muita honra para um pobre cavalheiro, pois que ao Sr. Arlindo Montenegro cabe a devida atenção pelo texto. Mas, penso eu, não me lembro de ter dado maior ênfase à vida interior (espiritual) do que a exterior ( ações no meio físico existencial ), mesmo porquê uma depende da outra. Não posso ser civilizado me afastando da civilização. Mas eu tenho para mim que a frase atribuída a Jesus que diz: "Cuida primeiramente do Reino de Deus e Sua Justiça e o mais te será acrescentado", é uma orientação. Ou estou muito enganado, mas a frase é clara. E isso, somente se dá quando nos amadurecemos o suficiente para compreendermos o próprio papel a desempenhar no meio social. Evidente que a maioria das pessoas está ainda no processo sensório, onde a luta pela sobrevivência lhes impõe proteger-se dos outros. Aliás, Satan significa inimigo. E quem são os nossos inimigos se não os outros quando ainda estamos na nessa fase sensorial? Mas chega o dia em que percebemos que a grande missão do homem é tornar-se humano. Não conheço outro ser terrestre que possui a capacidade de se auto-transformar. Num primeiro estágio, esforçamo-nos para vir-a-se alguma coisa que nos permita ganhar a vida. Mas chegará o momento em que devemos, sem abandonar nossos afazeres sociais, em que temos de nos preparar para ser-vir-a. Para tanto temos de nos transferir qualidade. Essa é a nossa grande e verdadeira batalha. A conquista de si mesmo. Para que? Para sermos útil a nós mesmos sendo útil aos outros. Com respeito.

Manoel Vigas disse...

Saudações.

" pois que ao Sr. Arlindo Montenegro cabe a devida atenção pelo texto. "
CORRETÍSSIMO.

ENTENDI SUA EXPLICAÇÃO E AFIRMO QUE NO SEU TEXTO REALMENTE NÃO HOUVE ÊNFASE À VIDA INTERIOR(ESPIRITUAL).

. . . mas, dê-me um voto de confiança, . . . pois o que escrevi (direcionado à sua pessoa) será tenho certeza útil para outrem.

( outrem ) que muito considero.

Atenciosamente.
Manoel Vigas