quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Avante soldados para trás:o EB e a cultura de paz

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Reginaldo de Souza Silva

É com indignação, perplexidade, constrangimento e desaprovação que constatamos o despreparo do Exército Brasileiro. Com o discurso de prestar serviço à comunidade, suas tropas, ocupam e colocam em estado de sitio a cidade de Floresta-PE, privando as pessoas da liberdade de ir e vir, entre eles, alunos da pós-graduação.

A teatralização através da ocupação, da filmagem de movimentos de “desordem” realizadas por alguns jovens queimando pneus com palavras de ordem como “queremos paz, somos da paz”, revelam o desrespeito. No centro de formação, durante a noite soldados colocam colchões nos corredores perfilam de cuecas no mesmo corredor onde alunas estavam hospedadas, caracterizando oficialmente atentando ao pudor e assédio moral por parte dos militares, levando muitas alunas a praticamente não dormirem a noite em função da “segurança ou vigilância armada”.

Constrangidos e violentados nos direitos básicos, professore(a)s das Universidades: Federal Fluminense - UFF/RJ, Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS–RS, e do Mackenzie de SP. Todos participando do curso de especialização com o objetivo de construir uma cultura de paz, onde a ética, o respeito, a tolerância, a cooperação, o diálogo, o empenho solidário em ações sustentáveis possam contribuir para diminuir a violência estrutural e simbólica que assola esta região.

A surpresa de todos foi constatar que as ações empreendidas pelo Exército Brasileiro derrubam todos os pilares daquilo que entendemos por ética e dignidade humana. É lamentável constar que nossos soldados estão despreparados para lidar com as pessoas enquanto sujeitos dotados de direitos, deveres e dignidade. Repetindo ações próprias do período da ditadura, os militares foram adentrando os espaços, atropelando pessoas como ex, a professora da UFF, Alice Yamasaki responsável pela disciplina Educação, Direito e Cidadania.

Atitudes como respeito, por favor, diálogo é possível! Mas, parece que não foram ensinadas aos comandados. Qual seria a razão da ida do exército? Era cumprir ações solidárias? As atitudes eram exatamente opostas, pois a força e o poder que emanam da farda não justificam um comportamento autoritário, agressivo e ameaçador.

Seguramente o general comandante da região militar e seus subordinados, coronéis e demais oficiais não têm consciência dos vários tipos de violência amplamente estudados em Ciências Sociais e Políticas e os cinco tipos principais de violências, submetidos a população nestes dias. Mas, a que chocou e incomodou, foi a violência simbólica e a violência do poder das forças das armas que intimidam. Por isso a pergunta: estamos em um estado de direito em Floresta-PE ou em estado de sitío?

De que maneira: a enorme quantidade de tanques, armas bélicas, ajudarão no tratamento da saúde pública? O arsenal presente nos 5 quartéis generais montados em uma cidade com esse porte poderá contribuir para ações de serviço à população? A presença ostensiva e ameaçadora de “cães farejadores” contribuirá para descobrir as causas da falta de emprego e perspectiva de vida dos jovens desta cidade? O monitoramento sentido pelas pessoas justificará a presença do exército na proporção que estão em Floresta?

Como justificar que tem muito mais soldados nesta pequena cidade do que o conjunto de soldados brasileiros no Haiti integrando as forças internacionais de paz? Como poderemos dar continuidade ao curso de pós-graduação em educação e ética para uma cultura de paz num ambiente em que os soldados armados desfilam pelos corredores do Centro de Formação, contrariando exatamente tudo o que os professores tentam ensinar como necessário a construção da paz, inclusive o desarmamento que é um dos objetivos da UNESCO?

Senhores, general, coronel e demais oficiais, é histórico que as forças armadas brasileiras têm um papel a cumprir, que é o de zelar pela segurança, pelo bem estar, pela justiça social do território e pelo povo brasileiro. Perguntamos, o objetivo maior desta operação de guerra é zelar pela paz enquanto justiça social do povo de Floresta?

Em suas estratégias de operação de guerra foi levado em consideração que, em sua ampla maioria, trata-se de um povo: simples, explorado, sofredor, sem perspectiva de futuro, porque nenhuma empresa quer aqui se aportar por causa do estereótipo criado de uma das cidades mais violentas do país? Em algum momento os senhores consideraram que precisariam dialogar, com gente, e não com coisas, que pessoas são diferentes de animais? Que o espaço público no estado democrático de direito é de todos, e que não se pode invadir dessa forma, sem o diálogo com os membros da comunidade, para justificar uma negociação e não uma invasão como a que está ocorrendo e que nos remete ao âmago da ditadura militar?

A coordenação do curso de pós-graduação através do Prof. Dr. Jorge Miranda de Almeida – UESB encerra as atividades acadêmicas de uma disciplina antes do tempo previsto, pois a falta de condições de continuar um trabalho dedicado à construção da paz é inviabilizado pelo Exército Brasileiro. Forçados a dividir o espaço e a conviver com tão forte demonstração de poder bélico, de indiferença para com as pessoas que lá estão e que enquanto cidadãs e trabalhadoras contribuem para o soldo de todos os militares, implica, no mínimo, uma cordialidade, uma atitude pedagógica e educativa, uma postura de respeito e de diálogo, ou seja, uma cultura de paz, que verdadeiramente o exército brasileiro demonstra não conhecer e praticar.

Resta-nos convidar o senhor comandante a dialogar com vossos subordinados sobre a importância do respeito, da ética, do diálogo na construção da justiça social e que esta não se constrói a base da força, mas do respeito e do bem comum. Fica difícil honrar as tradições e conquistas do Exército Brasileiro, quando desviados de suas funções, no Rio de Janeiro, em Floresta-PE cometem barbaridades em nome da “lei” e da “ordem”.

Prof. Reginaldo de Souza Silva, Doutor em Educação Brasileira, Coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Email: necauesb@yahoo.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Construção da paz? Acaso estamos em guerra? Com quem? Que eu saiba a única ultimamente é contra a corrupção. Estoria muito mal contada....

paulo

Roger disse...

A estoria deste Sr., esta muito mal contada, sem nenhum nexo.
Caso tenha sido escrita por um professor..., ele precisa voltar a escola, pois não sabe nem se expressar.