terça-feira, 15 de novembro de 2011

Falsa Esperança

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

Há conhecidos e amigos meus que dizem que sou filho do “entulho autoritário”.

Ledo engano! Sou fruto de uma reação ao revanchismo e às mentiras de uma facção de brasileiros que enganou e espolia a Nação.

Compartilho com todos e em especial com os que me criticam o texto a seguir, escrito logo após a vitória nas urnas do presidente Lula da Silva, em seu primeiro mandato.

Este texto foi lido por mim em todas as unidades militares da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, Brigada Felipe Camarão, da qual, com muito orgulho, fui comandante.

Ele retrata o espírito com o qual encarei a chegada do PT e seus aliados ao poder e com o qual propus o caminho para o futuro.

Envolvi-me em uma aura de esperança, fruto do otimismo que sempre se impôs à minha personalidade e, se hoje sou crítico implacável da usurpação facciosa e fraudulenta do poder e da distorção injusta, revanchista e mentirosa da história, isto não se deve apenas ao orgulho que tenho de pertencer a uma das Instituições que participou do salvamento da Pátria nas décadas de 60 e 70, mas, principalmente, pela decepção e pela constatação do terrível engano cometido por aqueles que, mais do que eu, ousaram, por um momento, ter esperança de dias melhores para o Brasil!

Segue o texto:



“Quantas décadas os brasileiros ainda terão que perder antes de se darem conta de que ao olhar para trás não devem ver apenas erros, excessos e arbitrariedades?

Quantas décadas ainda terão que desperdiçar para aprender a olhar para o passado com os olhos da reconciliação, guardando na memória apenas o que de bom, útil e honesto pode ser visto, mesmo tendo ainda na retina a imagem cruel do conflito radical de idéias que manchou o solo da Pátria com o sangue de irmãos?

Não há mais tempo a perder com revanchismos estéreis, cegos, surdos e pouco inteligentes. É hora de negar guarida a estratégias destrutivas, importadas do pretérito, absurdas e hipócritas.

É tempo de ser humilde, de aceitar a derrota, de reconhecer virtudes e enganos, de pedir perdão, de perdoar, de somar, de unir, de ceder, de aprender, de respeitar, de ser sincero, de ser magnânimo, de dialogar, de amadurecer, de amar e de abraçar. É tempo, enfim, de recomeçar e construir!

É hora de juntar as pedras e colocá-las umas sobre as outras, harmonicamente, para erguer o futuro que queremos, merecemos e não podemos adiar.

A esperança venceu o medo, é preciso no entanto encontrar nela a fortaleza que nos imporá coragem para avançar e a generosidade para conviver com os fantasmas do passado. É tempo de abandonar as paixões, expurgar os ressentimentos de todas as cores e, de mãos dadas e alma limpa, buscarmos nosso futuro!

Nós, Soldados, devemos estar, com humildade, grandeza e altivez, preparados para sermos também, e como sempre, importantes protagonistas destes novos tempos de harmonia e paz!”

Quanta ilusão! Que me perdoem os meus subordinados de então por ter-lhes alimentado a falsa esperança...

Paulo Chagas é General de Brigada na Reserva.

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