segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Exemplo vem de cima

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcos Coimbra

Nestes conturbados e abomináveis tempos vividos pelo sofrido povo brasileiro, é necessário recordar o velho ditado, cada vez mais atual. Como cobrar do cidadão o cumprimento do dever, com honestidade, zelo e competência, considerando as nada republicanas demonstrações transmitidas por aqueles que deveriam ser modelos para a sociedade brasileira?

No âmbito internacional, é implantada uma perigosa figura chamada de “zona de exclusão aérea”, aceita como normal pela maioria dos países integrantes da ONU. O exemplo recente da Líbia, com uma intervenção militar de fato de países estrangeiros componentes da OTAN, a pretexto de proteção de civis, cria um precedente perigoso, capaz de ameaçar todos os países não possuidores de artefatos nucleares. Isto porque ninguém seria capaz de pensar em adotar uma agressão do gênero contra uma Nação detentora de poder dissuasório (VLS e artefatos nucleares). O resultado foi o massacre de milhares de cidadãos líbios e o assassinato com requintes de crueldade, com direito a abuso sexual, do ditador Kadafi. Por pior que ele tenha sido, um dos fatores que diferenciam a civilização da barbárie é justamente o modo como são tratados os prisioneiros de guerra. Será que os responsáveis serão denunciados junto ao Tribunal Penal Internacional?

No Judiciário, o Sistema de Acompanhamento de Processos Disciplinares contra Magistrados contabiliza 1.353 processos (somente com dados dos tribunais de Justiça) contra juízes, os quais tinham suas respectivas identidades salvaguardadas com a substituição de seus nomes pelas iniciais. Agora, retiraram as iniciais da página da Internet, somente sendo citado o número do processo, o resumo da acusação e o cargo do magistrado, informando se é juiz ou desembargador. De fato, é altamente danoso o ato, pois, a nosso ver, prejudica a imagem da imensa maioria do nosso quadro de magistrados, constituído por personalidades do mais alto saber jurídico, de moral inatacável e reputação ilibada.

No Legislativo persiste a nefasta prática do denominado “presidencialismo de coalizão”, predominando a odienta cooptação de bancadas inteiras de partidos políticos, através da política do “toma lá, dá cá”, onde não são discutidos valores e princípios morais e éticos, muito menos programas partidários e ideais, mas sim a barganha do voto submisso em troca de emendas, cargos e outras benesses. O nível de desmoralização da figura do político chegou a tal extremo que passou a ser sinônimo de alguém nefasto, do mal, quando deveria ser o oposto, com suas exceções de praxe. Chegou ao ápice com a estatização da Fundação José Sarney, transformada em Fundação Memória Republicana, através de lei estadual no Maranhão. De fato, é de estarrecer!

No Executivo, persiste a pantomima da manutenção no ministério do Sr. Carlos Lupi, quando todos sabem que ele não mais possui a mínima condição de continuar a frente da pasta do Trabalho. A cada dia, é maior o sangramento não só dele, como também de seu partido, possuidor de uma história a zelar. É comovente o esforço de membros mais lúcidos do próprio partido, advertindo de maneira serena e inteligente à direção e à própria esfera máxima da administração pública sobre a necessidade de sua substituição imediata. É difícil, para um cidadão comum, descobrir as razões impeditivas da exoneração do cidadão, não apenas em função das graves acusações contra ele, mas também pela ausência de compostura demonstrada em suas patéticas tentativas de explicar o inexplicável.

Muitos outros já deveriam ter sido despedidos, por variadas razões, inclusive a incompetência, mas são mantidos como parte da “herança maldita” da gestão anterior, em nome da governabilidade, aguardando a saída na propalada reforma ministerial a ocorrer no princípio do ano vindouro. Um exemplo deles é o Sr. Fernando Haddad, detentor da estratégica pasta da Educação, indicado por um “dedaço” do ex-presidente Lula como candidato a prefeito de São Paulo pelo PT e virtual vencedor do pleito devido à incompetência da oposição. Afinal, o cidadão não conseguiu realizar a contento nenhum dos três exames do ENEM sob sua responsabilidade, além de ser o (ir)responsável pelo “kit gay” e outros absurdos do tipo. Como pretender ser o administrador do terceiro orçamento do país?

Aliás, esta questão do “dedaço” também é preocupante. A forma como foram afastadas da disputa figuras expressivas do PT como a senadora Marta e dois outros postulantes, ambos deputados federais, foi assustadora. E também já está “nomeado” pelo ex-presidente o futuro governador de São Paulo, o atual prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho. Se a moda pegar, não haverá mais necessidade de eleições no Brasil. Bastará perguntar a Lula quem deverá ser o eleito.

Não é desta forma que o Brasil conseguirá assegurar uma posição de potência mundial, como deveria ser. Não adianta tentar ser uma das maiores economias do mundo sem a correspondente evolução das demais expressões do Poder Nacional (política, psicossocial, militar e científico-tecnológica).

Marcos Coimbra é Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br - Página: www.brasilsoberano.com.br – Artigo originalmente publicado no Monitor Mercantil em 23 de novembro de 2011.

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