domingo, 27 de novembro de 2011

Sucateamento das Forças Armadas e XI ENEE

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

Circula, pela internet, notícia veiculada no Estadão (22/11/2011, A4) sobre a calamitosa situação em que se encontram as Forças Armadas brasileiras. Quanto ao fato, sabido e preocupante, agora, trazido a público por um jornal de gabarito, torna oficial e absoluta a desmoralização que os sucessivos governos vêm submetendo as Forças Singulares.

Pensando em retaliar os militares, os fernando-henriquistas, os lulistas e os dilmistas, atingiram e continuam atingindo, em cheio, o universo defensivo brasileiro que extrapola, em muito, os limites territoriais, tradicionalmente considerados.

Com o título “Relatório sigiloso da Defesa comprova sucateamento do setor militar no País”, esse jornal, analisa o Documento, elaborado pelos três Comandantes, mas somente agora mostrado à sociedade esclarecida, e põe a nu as profundas deficiências na área de defesa que, por sua vez, põem em risco a soberania nacional, na mesma ocasião em que aumentam as investidas de órgãos transnacionais sobre as Amazônias Verde e Azul.

O próprio governo desmente o governo. Não consegue, sequer, costurar um discurso coerente, habituado, como sempre esteve, a alimentar de mentiras a plateia que considera, na sua totalidade, ignara e desprovida de análise crítica.

Há poucos dias, transcorreu, na Escola Naval, o XI Encontro Nacional de Estudos Estratégicos (ENEE), patrocinado pelo governo federal. O que menos se ouviu foi algo acerca do que se está realizando, CONCRETAMENTE, hoje, em termos de planejamento estratégico, visando à defesa da mais rica região do mundo, acrescida agora do ambicionado pré-sal.

Circunlóquios e eufemismos foram a tônica do Encontro no qual o governo teve, como objetivo, mostrar que ‘dialoga’ com o público, a respeito de uma questão que não se pode manter, eternamente, no nível do abstrato, “do vamos fazer”, quando já deveriam ter sido feitas e mostradas essas realizações.

A temática dos “parcos recursos orçamentários” faz parte de qualquer discurso, de qualquer político das mais variadas hierarquias. Se pararem de desviar o dinheiro público, se atacarem de frente a corrupção vergonhosa que grassa no centro administrativo do País, haverá verbas suficientes para dar às Forças o aparato indispensável à manutenção da soberania do País.

Substituir a atriz principal DEFESA pelo ator-vedete de todos os seminários atuais, o LIVRO BRANCO, tornou-se uma forma de desviar a atenção dos verdadeiros brasileiros, apreensivos com a intimidade estrangeira nos domínios nacionais.

A sociedade não amestrada, veementemente, deseja que, a par do reaparelhamento das Forças, haja um planejamento sério, imediato, para pôr a todo vapor o parque industrial de indústria bélica, por ser impossível haver defesa sem os meios de defesa.

Esqueçam essa idéia megalomaníaca de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que interessa, verdadeiramente, aos leais brasileiros, é uma permanente defesa do Brasil.

Da mesma forma, que o discurso da END só se refere ao futuro, postergando, perenemente, as verbas, dificultando a prática de um real movimento em defesa do país, mantiveram os palestrantes do XI Encontro a mesma falácia deste Documento. Assim foram as apresentações, tantos dos civis quanto, infelizmente, dos militares. Estes, no mesmo diapasão daqueles, demonstraram o nível de domesticação a que foram levados pela convivência, no MD, com os irresponsáveis doutrinadores vermelhos, entreguistas da velha guarda. Gramsci está feliz. Nunca, em país algum, a sua doutrina foi bem-aplicada e melhor assimilada.

Ouvir de um palestrante a declaração de que em quarenta anos de caserma não tinha visto uma unidade tão grande em torno da defesa do Pais quanto agora, é mostrar-se ajoelhado, mesmo que em posição de sentido. Lamentável!

Aileda de Mattos Oliveira é Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa. Articulista do Jornal Inconfidência. Membro da Academia Brasileira de Defesa.

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