segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Aumentos para militares esconderiam quebra da anistia, reengenharia e atraso no reequipamento

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Jorge Serrão

Mesmo sendo vista com preconceito pelos militares, por seu passado de guerrilheira, a Presidenta Dilma Rousseff resolveu jogar para as Legiões. Embora pareça um lance teatral, Dilma já pediu à equipe econômica priorize a recomposição salarial das Forças Armadas. A armadilha é que o aumento pode servir de tática para adiar, o quanto der, o reequipamento do Exército, Marinha e Aeronáutica. O curioso é que os militares estão prontinhos para cair no golpe.

A máquina de propaganda de Dilma já espalhou que a presidenta ficou muito incomodada com uma reportagem mostrando militares de alta patente com salários bem inferiores aos de porteiros do Senado Federal. A tese governamental é de que pouco adiantaria gastar bilhões dólares com equipamentos, sem antes recuperar a autoestima dos militares, equiparando-os aos demais integrantes das carreiras de Estado. Para ter o aumento, em contrapartida, os militares teriam de aceitar um plano radical de reengenharia das três forças, diminuindo gastos com cargos de confiança.

O docinho no bolso dos militares também pode ser uma tática de Dilma para lhes impor, logo em seguida, obediência irrestrita, e sem reclamações, a teses como a Criação da Comissão da Verdade e um jeitinho brasileiro para reinterpretar a validade da Lei de Anistia, escolhendo alguns expoentes ainda vivos da dita-dura para servires de bodes expiatórios. Se isso acontecer, a recuperação do soldo pode ter um saldo amargo para os militares.

Bala no trilho

A Presidenta Dilma Rousseff definiu como prioridade absoluta de seu governo a construção do Trem de Alta Velocidade ligando Rio de Janeiro-Campinas-São Paulo.

Todas as negociações políticas-empresariais de Dilma, nos bastidores, tratam do assunto.

Até o Google, com seus poderosos satélites, já estaria colaborando com o governo para definir a rota mais perfeita para o trem-bala.

Erro de amigo

A Veja desta semana publicou uma interessante reportagem sobre a influência do megapecuarista José Carlos Bumlai nos negócios promovidos durante o governo do amigo Lula da Silva.

O curioso é que a revista não deu o merecido destaque de primeira página para a matéria que revela que Bumlai tinha um escritório em um hotel a dois quilômetros do Palácio do Planalto - onde tinha entrada franqueada pelo Gabinete de Segurança Institucional, sem precisar ser anunciado previamente.

A Veja preferiu estampar na capa outro amigo de Lula, o ditador libanês Kadafi, novamente apresentado como um dos demónios do mundo...

Listinha do Oscar

Confira os vencedores da 83a edição do Oscar:

- Melhor filme - "O Discurso do Rei"

- Melhor diretor - "O Discurso do Rei" (Tom Hooper)

- Melhor atriz - Natalie Portman ("Cisne Negro")

- Melhor ator - Colin Firth ("O Discurso do Rei")

- Atriz coadjuvante - Melissa Leo ("O Vencedor")

- Ator coadjuvante - Christian Bale ("O Vencedor")

- Roteiro adaptado - "A Rede Social" (Aaron Sorkin)

- Roteiro original - "O Discurso do Rei" (David Seidler)

- Filme de língua estrangeira - "Em um Mundo Melhor" (Dinamarca)

- Filme de animação - "Toy Story 3"

- Canção original - "We Belong Together" de "Toy Story 3" (Randy Newman)

- Trilha sonora original - "A Rede Social" (Trent Reznor, Atticus Ross)

- Edição - "A Rede Social" (Angus Wall, Kirk Baxter)

- Cinematografia - "A Origem" (Wally Pfister)

- Mixagem de Som - "A Origem (Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo, Ed Novick)

- Edição de Sim - "A Origem" (Richard King)

- Efeitos visuais - "A Origem" (Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley, Peter Bebb)

- Direção de arte - "Alice no País das Maravilhas" (Robert Stromberg, Karen O'Hara)

- Figurino - "Alice no País das Maravilhas" (Colleen Atwood)

- Maquiagem - "Lobisomem" (Rick Baker, Dave Elsey)

- Documentário - "Trabalho Interno"

- Documentário curta-metragem - "Strangers No More"

- Curta-metragem - "God of Love"

- Curta-metragem de animação - "The Lost Thing"

Valeu, Ronaldinho

O cara já entrou para a História do Flamengo.

Mesmo longe de sua boa forma física, Ronaldinho provou ontem, no Engenhão, que técnica não lhe falta, com mais um golaço em cobrança de falta.

Primeiro título com o manto sagrado rubro-negro, e motivação para voltar à seleção na hora certa...

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 28 de Fevereiro de 2011.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Chega de Educação Tiririca

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/
Por Jorge Serrão

É inaceitável a reação preconceituosa contra a indicação do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva para fazer parte da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Exatamente por ser um mal-alfabetizado, o palhaço Tiririca estará no lugar certo. Politicamente, o deputado-abestado vai simbolizar os 18,6 milhões de analfabetos integrais e os 38,9 milhões de analfabetos funcionais presentes na vergonhosa estatística do IBGE, de 2009, apresentada na Síntese dos Indicadores Sociais 2010.

Nossa Educação é uma lamentável tiririca. É inviável um País com 30% da população composta por mal formados educacionais. Sem contar os demais deformados pela má qualidade do ensino que também contribuem para nosso atraso em termos de desenvolvimento verdadeiro. Curioso é que o Brasil conta com uma avançada Lei de Diretrizes e Bases da Educação. O triste é nossa maldição governamental de não conseguir tirar as coisas boas do papel, transformando-a em realidade.

Por isso, Tiririca cai muito bem na Comissão de Educação. O parlamentar - que quase nem tomou posse porque a Procuradoria eleitoral questionou se ele realmente sabia ou não ler – é um símbolo-vivo da prioridade que damos à Educação no Brasil. Principalmente os políticos, quando nos governos, tratam sempre o assunto Educação como uma piada do Tiririca. A mídia amestrada e abestada também só defende a educação na retórica editorial vazia. Não mostra bons exemplos, nem indica caminhos a serem seguidos. Só faz críticas vazias.

As Organizações Globo são um belo exemplo do comportamento editorialmente esquizofrênico em relação à educação. O Globo soltou ontem a chamada-piada de primeira página: “Acredite se quiser: Tiririca vai para a Comissão de Educação”. A turma global não tem moral para fazer tal crítica. Nada custa recordar que, na década de 80, Roberto Marinho escalou seus intelectuais redatores para arrasar com os CIEPs de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

Junto com os sindicalistas-petistas do professorado, O Globo e Rede Globo deram uma enorme contribuição para o fracasso do Programa Especial de Educação que implantaria centenas de escolas em horário integral no Rio de Janeiro. O movimento contra os CIEPs gerou décadas de atraso na educação fluminense – hoje uma das piores do País. Em vez de ganhar crianças e jovens bem formados, a sociedade foi presenteada com um exército marginal de ignorantes para pronto recrutamento pelo narcotráfico ou outras atividades mafiosas afins. Que Tiririca!

Justiça se faça. O programa dos CIEPs foi gerencialmente mal implantado por Brizola e Darcy. O prédio projetado pelo comunismo arquitetônico de Oscar Niemeyer era caro e nem tão adequado para um programa educacional tão ousado. Mas a filosofia da escola de horário integral, trabalhando também cultura, esporte e integração familiar, tinha de receber apoio da sociedade e da mídia. De ambas só recebeu ataques injustos e covardes. A educação falhou, a violência se expandiu. Azar de todos!

Agora, devíamos aproveitar o simbolismo do humorista Tiririca na Comissão de Educação para levar o assunto realmente a sério. Quem tal Tiririca abrir seu gabinete para receber trabalhos de educadores abnegados, pelo Brasil afora. Professores de verdade têm exemplos concretos de experiências educacionais bem sucedidas – a maioria sem apoio governamental efetivo, principalmente com verbas.

Tiririca devia conhecer o trabalho dos professores da Casa Familiar Rural às margens do rio Urubu, na região de Boa Vista de Ramos, Amazônia adentro. Também devia dar um pulinho em Glória do Goitá para ver o que faz a Serta – escrita errado, mas com um trabalho certíssimo do ponto de vista educacional. Ou, se quiser aproveitar uma folguinha pelo interior de seu Ceará, em Nova Olinda, para conhecer a Escola de Comunicação da Meninada do Sertão da ONG Fundação Casa Grande.

Sobram bons exemplos a serem replicados para melhorar a Educação. O que falta é vontade política de fazer isso acontecer. Nada custaria ao abestado-deputado usar sua qualificação de quase-analfabeto para ser o difusor de bons exemplos educacionais. Se a educação deixar de ser tratada como piada no Brasil, quem sabe avançamos civilizatoriamente?

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 27 de Fevereiro de 2011.

A Crise do Estado e o Capitanismo

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Oliveiros S. Ferreira

A rigor, esse artigo poderá perfeitamente ser colocado como a continuação daqueles que já escrevi, não apenas sob o título de “A crise do Estado”, mas também sob outros títulos sobre a crise nas Forças Armadas, a um tempo instrumento do Estado e seu suporte. Vamos aos fatos e às considerações.

Em 1963, uma facção daquele partido que pretendia subverter a ordem constitucional e estabelecer um regime fosse comunista, fosse “sindicalista” como alardeava Brizola, promoveu a “Revolta dos Sargentos”. À época, escrevi que a sublevação respondia a uma visão deformada do processo social e político no Brasil e do que fosse a organização militar. É que os teóricos do movimento, pretendendo agravar a crise política e intelectual (especialmente esta), diziam que os Sargentos representavam a “classe operária” e os Oficiais, “a burguesia”, os dominantes.

A pronta reação sufocou o movimento no nascedouro, à custa de algumas mortes e de um profundo abalo no meio militar. Os que viveram aquele período recordar-se-ão de que os Oficiais, nos quartéis, passaram a dormir com as pistolas debaixo dos travesseiros, e que os responsáveis pelo armamento redobraram sua vigilância e seu controle para assegurar-se ao fim do dia de que não faltava alguma arma no arsenal da unidade. Foram dias dramáticos, só superados (na aparência) em 31 de março de 1964 e por uma severa política de disciplinamento da tropa aplicada depois da edição do Ato Institucional nº 1.

Os Sargentos, durante o período dos Governos militares (1964-1979) não mais causaram problemas disciplinares da envergadura daquele. O que não significou que o mal-estar tivesse sido superado, na medida em que o motivo da revolta e sublevação era político. Apesar do que dispunha a Constituição em vigor, a de 1946, que proibia sua candidatura, os Sargentos consideravam-se cidadãos antes que militares e, portanto, com o direito de ser candidatos e eleitos. A idéia-força do Soldado-Cidadão, presente na Questão Militar de 1887 e na ação de muitos entre os que conduziram à proclamação da República, essa idéia esteve novamente presente em 1963.

Há outro fato que convém recordar, apesar de a necessidade de manter inabalável a disciplina fundada no Princípio do Chefe ter contribuído para que ele não fosse recordado em muitas das análises feitas sobre os momentos que levaram ao gesto do General Mourão: a disciplina e a hierarquia foram violentadas no dia 31 por este General de Divisão. Mais ainda − e para isso chamo atenção − não fosse a pressão de Capitães, Majores e Coronéis, em pequenos grupos em cada grande unidade, e o General Mourão não teria tido condições de ver triunfar seu movimento no mesmo dia em que deixou Juiz de Fora.

Foram os Coronéis que forçaram o General Kruel a solidarizar-se com o General Costa e Silva, que assumira o comando no Rio de Janeiro; e foram os Capitães, organizados desde 1962 e demonstrando na sua organização profundo desprezo pela hierarquia, que contribuíram decisivamente para que o IV Exército se colocasse ao lado da esperada Revolução, vencendo a hesitação dos Generais em comando. Tive contato com alguns desses Capitães em 1962, reunidos sob a orientação (talvez a liderança) de um Capitão da Reserva; um deles, em 1965, ainda desejava fazer a revolução contra os Generais, certo de que seria capaz de levantar a 6ª. Região Militar.

Por que reavivo a lembrança desses dois momentos da crise? Porque a idéia-força do Soldado-Cidadão volta a penetrar a consciência de muitos Oficiais − não pretendendo fazer de um marxismo-leninismo de araque a teoria a orientar sua ação, mas invocando os direitos que a Constituição assegura aos cidadãos, o que torna a questão muito mais complicada. Refiro-me ao movimento chamado de Capitanismo.

O jornal “Folha de S. Paulo” publicou, em sua edição de 28 de dezembro último, extensa matéria sobre o movimento. Em duas páginas! Na primeira, diz o que ele é; na segunda, traz uma entrevista do Capitão Luís Fernando Ribeiro de Sousa, que discorre sobre os objetivos do Capitanismo (páginas 4 e 6 daquela edição).

A primeira coisa a notar na entrevista do Capitão Luís Fernando é que, para ele, o período 1964/1985 foi uma “ditadura militar”: “A gente não tem nada a ver com a ditadura militar. Eu não quero entrar no mérito se foi certo ou errado. Cabe a nós pensar para frente, somos capitães, tenentes”.

O Exército, para o Capitão Luís Fernando, não tem história e não é uma organização com passado, presente e futuro. É uma organização como outra qualquer, na qual ele e os demais que pensam como ele se encontram, não para manter as tradições e o espírito da Força, mas para ter expressão política: o movimento surgiu para fazer “Mudanças que poderiam melhorar as Forças Armadas, para que ela tenha (sic) papel importante só acontecem por meio de participação política. Qualquer coisa que a gente pode fazer passa pela via política. Precisamos de deputados e senadores para promover qualquer transformação. Assim começamos a nos organizar”.

Nesse espírito, o Exército é, para os membros do Capitanismo, uma organização que lhes permite uma “situação”, e por isso o passado não conta, nem o presente; apenas conta o futuro que querem construir. Aliás, é preciso assinalar que o passado não apenas não conta como eles, os membros do movimento, nada querem ter com ele. Isso apesar de que, quando ingressaram na carreira militar tinham (ou deveriam ter) consciência do que se dizia nos meios intelectuais à esquerda e liberais de uma maneira geral sobre o que tinha acontecido depois de 1964. O que indica que permanecem na carreira, chegando ao posto de Capitão, fazendo por desconhecer o passado da instituição a que pertencem por livre escolha. O que significa que o Exército nada significa para eles como vocação e missão.

O Capitão Luís Fernando afirma nada querer dizer sobre a “ditadura militar”, mas usa a expressão, seguramente sabendo que, ao usá-la, toma partido na grande crise em que se debatem as Forças Armadas. Por que digo isto? Porque há tempos, Oficial General na Reserva, amigo meu, falou-me de sua surpresa ao ouvir de jovens Oficiais da Marinha que eles faziam questão de desvincular-se de 1964.

Essa observação, já antiga, liga-se à “ditadura militar” do Capitão Luís Fernando e uma e outra apenas traduzem aquilo que escrevi, para espanto de muitos, por ocasião do infausto episódio que envolveu um Tenente do Exército no Rio de Janeiro: que o Exército está − e agora digo as Forças Armadas estão — vivendo um processo de anomia.

Uma das características da anomia é que a idéia que une os membros de uma dada organização já não é a mesma para todos os seus membros. Outra, é que alguns membros do grupo rejeitam as normas que regulam o comportamento dos que ao grupo pertencem. Insisto em “rejeitam”, porque não se trata de discordar, acatando as normas.
Rejeitam-nas porque vêem nelas um elemento impeditivo da afirmação de sua individualidade, que julgam estar sendo negada pela organização. No momento em que essa consciência de rejeição se forma, os indivíduos que vivem esse processo de afastamento das normas gerais do grupo irão buscar fora dele, preferencialmente em outra organização ou na sociedade, normas outras que lhe permitam justificar a rejeição e que lhes permitam ou continuar pertencendo ao grupo ou dele se afastar.

Há mais. A anomia manifesta-se também quando o aparelho formal que controla o grupo pouco faz para que os membros dele tenham sempre presente a história da organização e, mais importante, sua missão. Uma organização que ao longo de sua história teve condições de afirmar-se como grupo diferenciado na sociedade por ter uma missão específica não se estrutura para oferecer a seus membros uma situação que sirva de trampolim ou passagem para outra situação mais confortável e menos onerosa em termos de compromissos e obrigações. Os partidos políticos − sobretudo quando se corromperam enquanto instituição − são o exemplo de organização-situação.

À medida que a história da organização se perde pela inércia do aparelho formal que a dirige, é apenas natural que a idéia de missão tenda a desaparecer. Ela se esvanecendo, os membros da organização não têm mais laços que os prendam a ela ou entre si, a não ser aqueles materiais (no sentido mais rasteiro da palavra) e se julgam com direito a invocar normas mais gerais para afirmar sua individualidade dentro e fora da organização. Invocam essas normas seja para alterar de cabo a rabo a organização, ou dela se afastar com glória ou ”martirizado” ao ser expulso.

A rejeição das normas é um ato individual; o esquecimento da História e do sentido de missão é coletivo, mas a responsabilidade maior pelo fato recai sobre os Comandos, se considerarmos as Forças Armadas.

É importante procurar estabelecer a semelhança ou diferença entre os Capitães de 1962 e os que integram, agora, o chamado Capitanismo.

Em 1962, Capitães, Majores e até mesmo Coronéis organizavam-se para oferecer resistência a qualquer movimento que, tendo início no Governo Goulart ou vindo de forças políticas organizadas fora do Governo, mas contando com seu apoio, pretendesse destruir a forma de governo e de organização da sociedade de então. Os que viveram aqueles meses sabem que a doutrina que inspirava os grupos que procuravam se organizar no País, sem coordenação praticamente até março de 1964, era em muitos casos defensiva − podendo, em alguns poucos deles, ser defensivo-ofensiva, como se evidenciou na ação dos Generais Luís Carlos Guedes, logo seguida (e sob o comando do comandante da IV RM) pela do General Mourão.

Não se invocavam direitos constitucionais para legitimar qualquer ação contra as autoridades da época; invocava-se, isto sim, o sentido de missão das Forças Armadas, sobretudo do Exército. Para os que se organizavam, as Forças Armadas não poderiam permitir uma transformação abrupta da ordem social e política, muito menos da essência da organização militar, como se evidenciara na revolta dos marinheiros e na reunião no Automóvel Clube do Rio de Janeiro no dia 30 de março de 1964.

Houve, ao longo do processo que se estendeu de 1965, quando se editou o Ato Institucional nº 2, até o início do Governo Figueiredo, tensões de vulto nas Forças Armadas, a maior delas se refletindo na edição do AI-5 em dezembro de 1968. A causa delas, se podemos dizer assim, nunca foi o reclamo de direitos constitucionais, direitos-cidadãos por parte dos jovens Oficiais e Coronéis que conduziram o processo, sem comandá-lo.

A pressão que se exercia, e que por vezes esteve a ponto de, mais uma vez, quebrar a hierarquia e o General-Presidente ser ultrapassado, decorria da sensação de que a organização militar estava faltando a seu dever, à sua missão, e de que o Estado corria, por isso, risco de ser empolgado pelos mesmos homens contra cuja ação se fizera o movimento de março de 1964.

O Capitanismo é totalmente diferente; assemelha-se mais ao movimento dos Sargentos de 1963 (ainda que mais no pensamento do que na ação) do que ao dos Capitães de 1962. Pelo que se depreende da entrevista do Capitão Luís Fernando, o movimento tem distintos objetivos. Um é eleger militares para que as Forças Armadas, especialmente o Exército, tenha quem as represente no Congresso.

Sendo assim, o Capitanismo inscreve-se no corporativismo consagrado pela Constituição de 1988: os advogados com a OAB, as Polícias Militares, os Corpos de Bombeiros militares, a Polícia Militar Rodoviária, a Polícia Militar Ferroviária (federais) e outras organizações presentes enquanto tal na Constituição.

Realizado o objetivo primeiro do Capitanismo, as Forças Armadas seriam, de fato, uma corporação igual às outras, com objetivos próprios e específicos, elegendo seus representantes para defender seus interesses corporativos − portanto, exclusivos — no que são apoiados por confusos e desavisados Oficiais Superiores da Reserva.

O Capitanismo, no entanto, não se limita à pretensão eleitoral. Se assim fosse, não seria necessário organizar movimento algum; bastaria que os Capitães que desejassem eleger-se seguissem a Constituição, que lhes garante esse direito como, aliás, a qualquer Oficial da Ativa.

O objetivo real é transformar as relações entre superiores e subordinados nas Forças Armadas de tal forma que a disciplina interna não seja mais regida pelo RDE, mas pelo artigo da Constituição que confirma os direitos individuais, cuidando, em especial, de como se deve dar a detenção ou prisão de quem viola as normas disciplinares. Em outras palavras, que a detenção ou prisão de militares seja decidida por um Juiz de Direito.

O que caracteriza as Forças Armadas e as torna, enquanto organização, diferentes das organizações civis é que se regem por normas disciplinares que têm em vista as condutas individuais numa situação de combate. O Capitanismo pretende uma inversão: as normas disciplinares devem ser regidas pela Constituição que é, concordamos todos, elaborada para situações de paz. Na situação de combate, as ordens devem ser obedecidas sem interpretação de qualquer tipo, porque é da obediência delas que se espera garantir a vida da maior parte dos que se engajaram na luta armada.

Dessa perspectiva, a vigência das normas disciplinares na paz tem função pedagógica, isto é, as normas vigoram para que aqueles que a ela estão submetidos se habituem (esta a expressão) a um tipo de relação que será vital para a organização (e para os indivíduos que a compõem) quando da paz se passar à guerra, da inércia guerreira para o confronto armado.

Sendo assim, pretender que o Poder Judiciário seja chamado a dizer da adequação da pena à Constituição é decretar por antecipação o fim das Forças Armadas enquanto organização voltada para a guerra. É transformá-las de fato numa corporação civil como as outras, ou fazer delas uma corporação idêntica àquelas outras, policiais, que por ação política de seus membros conseguiram que na Constituição fossem designadas como “militares”.

Este é, a meu ver, o sentido maior do movimento chamado de Capitanismo. Ele se insere no quadro mais geral da grande manobra dos que pretendem fazer das Forças Armadas nada mais do que um instrumento político do Governo sem condições de exercer, quando necessário (como o foi nos anos 1960), a função de garante do Estado.

Oliveiros S. Ferreira é Jornalista, Doutor em Ciências Sociais e Professor Emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. http://www.oliveiros.com.br/ Para comentários: pensar-e-repensar@uol.com.br

Hipocrisia Militar

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Claudio Buchholz Ferreira

Uma mania humana é analisar as situações por uma ótica simplista, por um viés parcial, sem considerar os méritos que conduziram a determinada situação. Ante o caso do Coronel Ustra, temos ouvido de muitos militares, principalmente da Ativa,um ar de condenação, de desdém,não se atrevem a emitir juízo de valor, mas agem com ar de superioridade, tratando-o como uma espécie de ralé da classe, uma aberração. Vide recente proibição ao Coronel Ustra de proferir palestra no CPOR do Rio, julgando-o inadequado.

Peço licença aos que pensam assim pra seguir o seguinte raciocínio. A história de 1964 já é por todos conhecida, mas só para relembrar, estávamos em plena Escalada Revolucionária, e, após sucessivas demonstrações de anarquia, baderna, desordem, precipitou-se a Contra-revolução. Daí em diante aumentou a escalada do conflito interno, até que, em 1966, o atentado a bomba no aeroporto de Guararapes detonou o início da luta armada.

Pergunto aos que se julgam superiores, como deveria ter sido a reação? Tíbia, vacilante, respeitadora dos direitos individuais, o batido Direitos Humanos. Vivemos uma era interessante sobre a égide do terrorismo mundial. Como os americanos deveriam ter confrontado o terrorismo que numa só tacada matou quase 3.000 pessoas? Usando das estratégias tradicionais, pressão diplomática, negociações? Estes que se arrogam superiores por não terem tido que lutar contra o terrorismo, você como militar que solução proporia?

Agora, fora do contexto é muito fácil qualquer um falar sobre como se abusou na luta contra subversão. Como deveriam ter agido, como na Colômbia, onde "coincidentemente" a guerra subversiva se iniciou em conjunto com a que aqui eclodiu. Para quem não conhece o que aconteceu e acontece na Colômbia, basta seguir a lógica.

Quando do surgimento dos primeiros focos de guerrilha, o estado Colombiano vacilou em tomar decisões duras. Sabem o resultado, milhares de viúvas de militares de todas as armas, quase 50000 mortos, mais de 100 vezes mais mortos do que aqui. Aos que querem ignorar os fatos, basta ler qualquer jornal da Colômbia, veja quantos militares mortos. Isso há mais de 40 anos.

Portanto aos que condenam, saibam que sua paz teve um preço, o fato de poderem viver relativamente em paz, terem um lar para voltar, seus filhos e netos com integridade física, seu próprio bem-estar,é um legado daqueles que cumpriram sua missão, não fugiram ao seu dever, nem a luta.

Soldados da paz jamais devem condenar os soldados da guerra, eles que foram as trincheiras, fizeram o que tinham que fazer.

Na escala da honra isso vale muito mais do que alguém que passou 30, 40 anos em serviço sem sofrer um único arranhão pelo simples fato de ser militar.

Pois foi isso que aconteceu aqui, onde muitos jazem mortos, tendo como único crime ter seguido a carreira militar.

Desçam do seu salto alto, vocês não têm envergadura moral de julgar, muito menos condenar ninguém.Recolham-se aos seus lares, ao seu sono tranqüilo, porque os que cumpriram seu dever, pela ordem e paz da nação estão sendo covardemente linchados.

Claudio Buchholz Ferreira é Capitão-de-Mar-e-Guerra da reserva.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jogadas de mestres diabólicos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Arlindo Montenegro

Na semana passada o Brasil encenou em Nova Iorque um encontro empresarial, com a organização da Wall Street e da Revista Valor Econômico. Lá estava o Eike Batista, entusiasmado, fascinando a platéia com seus projetos petrolíferos, construção naval e portos, falando muito bem da associação dos empresários com o governo nas associações público-privadas que têm (isto Eike não disse) fomentado as velhas práticas corporativistas. Grana! Muita grana com os maiores juros para os investidores. E aumento da carga tributária (maior que na China, duas vezes e meia comparando com Chile e México)

Isto pode indicar que o socialismo do século XX está sendo escanteado. Olhando bem, a coisa tende mais para o exemplo de Cuba onde o segundo ditador Castro indica o rumo da vietnamização capitalista, desde que sejam sócios e beneficiários dos investimentos estrangeiros (Brasil, Chile, Espanha, França, Portugal... E que o estado, socio, dite todas as leis. Pra que 3 poderes? Basta um, O Partido! Isto facilita as negociações com as mega empresas.

Na contra mão, Hugo Chávez já provocou a saída de um milhão de venezuelanos do país, prendeu a oposição, fechou a metade do parque industrial, gastou quase l trilhão de dólares em armas e ajudas aos amigos e conseguiu transformar Caracas na cidade mais corrupta e violenta deste continente, enquanto dá livre trânsito às drogas e abriga terroristas das Farc e de grupos islâmicos.

O aiatolado Evo Morales enfrenta uma oposição que se organiza cada dia mais e começa a ter dificuldades de pagar as contas. O outro bolivariano sinistro, no Equador, não tolera capitais estrangeiros e os capitalistas locais amedrontados enviam suas economias para o exterior, onde ficarão em segurança contra o poder totalitário.

Os políticos estão esfregando as mãos e preparando o fósforo (ou isqueiros Dupont) para queimar dinheiro das propinas dos lobistas para o voto unânime e aprovação das leis impositivas ditadas pelo governo mundial. E leis para a redução da natalidade, privilégios exclusivos para homossexuais, que não geram filhos como estes obstinados pais de família que não querem usar preservativos e descristianização, que esta coisa de moral atrapalha.

Estamos sem referências ideológicas? Há um meio termo entre capitalismo e comunismo? Claro que não! Aumenta a nossa carga tributária, a burocracia engole as pequenas empresas, o salário mínimo para quem trabalha é menor que o salário que o estado paga aos presos prá não fazer nada. O povo que se divirta! O estado manda e a galera faz, sem tugir nem mugir. Vem aí o carnaval.

A ideologia vem do Norte, vem da Onu, vem do ideal marxista de um governo mundial. A resistência maior seria dos controvertidos terroristas islâmicos. Mas já começaram a dar um jeitinho, sangrento, com futuros lances mais perigosos ainda na disputa do modelo que terá supremacia no comando político deste governo mundial.

Os pequenos e médios empresários estão sufocados no campo e na cidade. Daqui a pouco será impossível competir com a informalidade de chineses, coreanos e todos os produtos made in Paraguai que infestam lojas, bancas de rua, estações rodoviárias, aeroportos e estão presentes nos milhões de computadores e celulares, indispensáveis para a celeridade dos negócios... ou para as mobilizações populares! Mas vai ser cada vez mais difícil fugir do super computaor da Receita Federal, que em breve enviará aos contribuintes a "declaração" já pronta.

Mas sempre há uma notícia boa, para ex presidentes, para a ONU, para os políticos e trágica para os servos do podeer: a DEA, Agencia de Repressão às drogas dos EUA, está considerando as petições que recebeu das indústrias farmacêuticas, para liberar a maconha, classificando a erva do diabo, acondicionada em cápsulas de gelatina dura do mesmo modo que as cápsulas da droga sintética que já fabricam.

Isto é ótimo para os produtores de maconha! O Paraguai, o Mato Grosso e o Pernambuco, já estão pensando como exportar, como fazer para lidar com a legalização, quanto imposto vão pagar. O ex presidente sociólogo, grande defensor da liberação, o pessoal dos direitos humanos criadores do texto do PNDH, os banqueiros, os políticos, todos estão fazendo as contas do que vão faturar em dinheiro e prestígio, com a desgraça da nação.

A notícia está no endereço: http://www.deadiversion.usdoj.gov/f..., onde se lê: "O DEA, recebeu quatro pedidos de empresas que tem produtos atualmente relacionados pela AND (Aplicação de Novas Drogas), controlados pela FDA (Admnistração de Alimentos e Drogas)... Os peticionários argumentam que os seus produtos genéricos são equivalentes ao Marinol" e reivindicam que uma troca de classificação que transferir (a maconha) para a definição de produto genêrico (que nem a maconha sintética) aprovado pela FDA.

A maconha sintética aprovada pela FDA tem o rótulo de Marinol e naturalmente contém o tetracanabinol com as mesmas propriedades do THC encontrado na planta natural. Certamente os custos dos laboratórios vão baixar e eles vão "ajudar" os pobres produtores, importando. Um amigo que trabalhou numa multinacional do tabaco, revelou que a empresa já tem licença para produzir cigarros de maconha, assim que a droga for liberada. Mais um produto de primeira linha!

Não é uma beleza! Quanto menos neurônios, melhor... e vida mais curta para os consumidores.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

Inventores do Futuro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Olavo de Carvalho

O conceito mesmo de "engenharia social" implica que os membros da sociedade a ser modificada ou reconstruída não sejam concebidos como agentes livres, conscientes de suas escolhas, mas como peças inermes de um mecanismo que, no conjunto, não podem compreender e em geral nem mesmo enxergar.

As metas finais da operação não devem portanto ser apresentadas de modo direto e franco que arrisque fazer delas alvos de discussão, mas devem ser atingidas por vias indiretas. Para tanto, são subdivididas em operações parciais, à primeira vista separadas e inconexas, que, uma vez bem sucedidas, produzirão o desejado efeito global de maneira aparentemente impessoal, espontânea e quase mágica, de modo que ninguém possa ser responsabilizado por ele e seja fácil atribuí-lo retroativamente a um determinismo histórico anônimo, inelutável e irreversível.

A oposição que essas várias campanhas parcelares pode gerar será ela também parcelar e inconexa, esgotando-se em discussões periféricas que deixam a salvo de ataques o coração do empreendimento, de modo que as metas finais possam ser atingidas mesmo ao preço de recuos e abdicações pontuais e localizadas.

Diante das inúmeras campanhas soi disant progressistas, libertárias ou humanitárias que vêm se espalhando pelo mundo desde os anos 70, sempre bem subsidiadas e tendo como garotas-propaganda as mais destacadas figuras do show business, o cidadão comum não tem jamais a ideia – ou os meios intelectuais – de rastrear as ligações entre as entidades envolvidas e o fluxo de dinheiro que as move. Se pudesse investigar isso, descobriria que os movimentos mais disparatados, como abortismo, gayzismo, feminismo, vegetarianismo, "direitos dos animais", anticatolicismo, antitabagismo e liberação de drogas, vêm todos da mesma fonte e, por meios aparentemente inconexos, servem a um objetivo comum: reduzir a população do planeta.

O controle demográfico é uma obsessão da elite globalista – especialmente da família Rockefeller – pelo menos desde os anos 40. As primeiras campanhas nesse sentido, na década seguinte, vinham com objetivo declarado, promoviam a esterilização em massa e visavam a atingir sobretudo o Terceiro Mundo, mas deram resultado inverso: em vez de deter o crescimento populacional nas nações pobres, baixaram drasticamente o das nações desenvolvidas (vejam o livro de Pat Buchanan, The Death of the West, para a descrição de um panorama estatístico apavorante).

Nada mais natural, nessas condições, que uma mudança de estratégia. Assim nasceram as campanhas de que estou falando.

Notem, de um lado, que, independentemente dos demais resultados socioculturais que delas podem germinar, cada uma das mudanças de conduta que essas campanhas visam a produzir tem pelo menos um ou dois de três efeitos necessários, imediatos e evidentes:

1) Reduzir a duração média da vida humana. Gays, vegetarianos e drogados vivem notoriamente menos que as outras pessoas.

2) Reduzir a capacidade procriativa. No caso das drogas ilegais, como maconha e cocaína, isso é mais que evidente. A abstinência de carne tem o mesmo efeito. A campanha antitabagista pareceria tender na direção contrária, mas, como ela está associada na fonte à luta pela liberação das drogas pesadas e não passa de uma preparação de terreno para induzir populações inteiras a trocar de vício, a correlação estatística entre diminuição do consumo de cigarros e redução populacional não é de maneira alguma mera coincidência. (Os pretextos médicos do combate ao fumo revelam-se cada vez mais falsos à medida que nenhuma, absolutamente nenhuma redução da incidência das doenças "associadas ao fumo" se verificou nas áreas mais afetadas pela onda antitabagista.)

3) Reduzir o desejo de procriar. Quem negaria que o feminismo radical, o divórcio fácil e a oferta maciça de operações de aborto sob demanda desembocam nisso necessariamente?

Várias são as modificações socioculturais periféricas que essas diversas campanhas podem produzir, e tanto seus apóstolos quanto seus detratores dirigem o foco das discussões para essas mudanças, sem reparar que, mesmo alguma destas falhando, o efeito de redução populacional terá sido atingido. A lógica do processo causal bastaria, por si, para sugerir fortemente a coerência global por trás de tantos e tão disparatados fronts de combate, mas a sugestão plausível se transmuta em certeza factual quando se nota que tanto as várias concepções quanto o dinheiro para implementá-las vêm sempre da mesma fonte: a elite globalista, que por sua vez tem muitos objetivos, mas um acima de todos – o controle demográfico mundial.

Como toda operação complexa de engenharia social, essa conta não só com seus planejadores e militantes conscientes, mas com a colaboração frenética e servil de milhões de idiotas úteis, sobretudo entre "formadores de opinião" e mini-intelectuais, que de repente se apaixonam por algum slogan solto e, sem cogitar dos efeitos sociais de conjunto, passam a defendê-lo com aquele ardor cretino que vale por um juramento de nunca entender nada. Alguns, no arrebatamento da paixão retórica, inventam até novos argumentos que, por sua ousadia insana, surpreenderiam os próprios formuladores originais do projeto.

Outro dia, o Sr. Paulo Ghiraldelli, que de boa fonte me informam ser uma voz influente naquilo que no Brasil, não sei por quê, se chama de "educação", publicou um artigo em que declarava ser uma imposição tirânica da sociedade repressora a expectativa de que as mães, normalmente, amem seus bebês. Sim, por que não seria mais humano, mais democrático, mais coerente com o espírito destes tempos iluminados, consentir que as pobres senhoras odiassem, espancassem ou jogassem pela janela os filhos recém-nascidos, aqueles miúdos seres horríveis que não têm outra missão na vida senão ficar berrando no bercinho e sujar fraldas com uma obstinação reacionária e – digamos logo – nazista?

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia. Artigo originalmente publicado no Diário do Comércio de São Paulo de 23 de fevereiro de 2010.

O Brasil das caixas pretas

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por João Bosco Leal

Vinte meses atrás, em junho de 2009, o Conselho Nacional de Justiça - CNJ, determinou que as 'caixas-pretas' dos carros oficiais do Poder Judiciário fossem abertas, dando visibilidade pública a essas informações, que agora foram buscadas pelo jornal O Estado de São Paulo para a realização de uma reportagem.

Dos 27 Tribunais de Justiça do país, 9 sequer responderam à reportagem, e os 18 que responderam informaram possuir 1.270 veículos dos modelos Corolla, Vectra, Astra ou semelhantes, à disposição dos seus juízes e desembargadores. Apenas 10 desses 18 já disponibilizam essa informação pela internet, como manda o Conselho.

Não se questiona a necessidade de um desembargador ter um, dois ou três veículos à sua disposição. Não é isso o que interessa. No momento, isso é o de menos. O que a reportagem busca, e que certamente é o mesmo que milhões de brasileiros, é a transparência cristalina daqueles que, pelo menos teoricamente, não deveriam ter o que esconder.

Moradores do Acre, Mato Grosso, Distrito Federal e Sergipe, interessados nessa informação sobre os Tribunais de Justiça de seus Estados, devem simplesmente entrar no site do Tribunal de Justiça do Estado, clicar no link 'Transparência' e depois em 'Lista de Veículos', e encontrarão as informações detalhadas.

Há Estados porém, como o Rio de Janeiro, onde, para obter a mesma informação, o contribuinte certamente se perderá no longo caminho imposto pelo TJ local em seu site. Terá de clicar em 'Institucional', procurar 'Diretorias' para clicar novamente, depois adivinhar, encontrar e clicar em 'DGLOG' e, finalmente, clicar no link onde se lê 'Em cumprimento ao artigo 5º da Resolução 83/2009 do CNJ - clique aqui para ver a planilha'.

Certamente esse caminho não foi imposto pela ignorância do programador do referido site. Foi pensado, criado exatamente com essas dificuldades, e implantado no site em cumprimento a ordens recebidas pelo programador, até como um modo gozador, jocoso, de se cumprir a determinação do CNJ. Mesmo assim, essas informações só foram disponibilizadas no site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após o questionamento do jornal.

A reportagem diz ainda que, além do RJ, os Tribunais do Espírito Santo, Goiás, Paraná e Pernambuco, entre outros não publicam a lista em seus sites como determina o CNJ. Outros publicam, mas não no link 'Transparência', e sim em locais de tão difícil acesso que o repórter precisou recorrer às assessorias de imprensa para localizá-la.

Não existe punição para os juízes e desembargadores contrários ao princípios da transparência, e o CNJ diz que sua intenção não é punir, mas fazer com que os mesmos levem em consideração o interesse público. Informa ainda, que só nas próximas semanas realizará um acompanhamento para verificar se as listas dos carros estão sendo divulgadas, e em que condições.

Ao se comportarem dessa maneira, os membros desses Tribunais só fazem por despertar na população a imaginação de que lá existe algo ilegal. Em um país onde a corrupção é cada vez mais comum em todos os setores da sociedade, e também nos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, essa imaginação popular passa a ser uma certeza, desmoralizando assim, inclusive os não corruptos, e, consequentemente, ameaçando a democracia.

Diz ainda o jornal, que todos os sites dos Tribunais Regionais Federais e as respectivas Seções Judiciárias nos Estados possuem os portais transparência com formato padronizado, com informações detalhadas sobre carros oficiais, gastos com funcionários, e outras sobre a gestão do órgão, que é o que se espera, como esclarecimento mínimo, à quem paga a conta.

Se esses Tribunais já se organizaram como quer o CNJ, e exige o cidadão em uma democracia plena, qual a dificuldade encontrada pelos Tribunais de Justiça Estaduais para seu cumprimento, senão o que é popularmente conhecido como as 'caixas pretas', os segredos ilegais e não divulgáveis? A transparência determinada pelo CNJ, nada mais é do que, em um país realmente democrático, e livre de distorções comportamentais humanas e corrupções, uma simples obrigação de todos os Poderes Constituídos.

Como no Brasil tudo é diferente, esse comportamento dos Tribunais de Justiça, órgãos máximos do Poder Judiciário nos Estados, exatamente aqueles que deveriam ser os responsáveis pela cobrança do cumprimento das normas, regras e leis vigentes no país, demonstra a irresponsabilidade e a impunidade que nele reinam.

João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br

Ambiente de violência no RJ

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Cesar Maia

Em nome da ordem urbana, estabeleceu-se no Rio um sistema de repressão com exaltação das ações repressivas. A garantia da lei e da ordem é uma obrigação da autoridade pública. Mas a forma que usa, faz parte da eficácia -ou não- do sistema. A exaltação da repressão vira intimidação, e o cidadão passa a ter a sensação de que está sendo criminalizado, na medida em que a divulgação não hierarquiza os fatos, não separa descuidos de pequenos delitos intencionais.

Hoje, o Rio é a única cidade do mundo em que a garantia das posturas municipais é acompanhada de um clima policialesco. E deu no que deu, como um delegado do 'choque de ordem' preso por suas relações com o mundo do crime. E muito mais que ainda não veio à tona. A criminalização do cidadão comum, confundindo-o com meliantes e criando um ambiente estressado no uso dos espaços públicos.

Em qualquer lugar do mundo a garantia da lei e da ordem é feita sem precisar de coreografia, de cenografia, de marca e demonstração de força contra o cidadão, com fotos nos jornais e imagens na TV.

Em algumas cidades sobrepoliciadas, sequer se vê polícia fardada. Ela anda a paisana, misturada com o cidadão nas ruas. Cingapura é um exemplo clássico. Os especialistas dizem que, quanto menor a ostensividade coreográfica e cenográfica da polícia, maior a sensação de segurança do cidadão. Aqui, ao contrário, passam carros coloridos e iluminados com nomes distintos de órgãos policiais: core, draco, pm, polícia civil, upp, lei seca, gm, fiscalização..., são como outdoors ambulantes, espalhando sensação de pânico e não de segurança.

Não há no mundo, em grandes cidades, estas cabines de polícia nas ruas. É um erro técnico, pois imobiliza os policiais. Outro dia, se inaugurou uma cabine blindada em Copacabana e a população criticava dizendo que se os policiais precisam de proteção blindada nas ruas..., e os cidadãos?

Hoje, a sensação de insegurança aumentou no Rio, apesar de números decrescentes de delitos publicados pelas autoridades todos os meses. Confiando nos números, essa sensação de insegurança se deve ao ambiente criado pelas autoridades públicas -municipais e estaduais- através da exaltação à repressão e da coreografia e cenografia de sua presença nas ruas.

A população só se sente segura quando sai em bloco no meio de uma multidão no carnaval e só vê gente, não vê tanta polícia. Mas o sadismo repressivo não para. Agora querem colocar um caminhão com câmeras para ver o que ocorre dentro dos blocos carnavalescos. Talvez sirva para extorsão depois do carnaval, com imagens dos que se divertem e às vezes se excedem.

Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.

Uma Polícia que o povo abomina

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Archimedes Marques

Junto a uma sociedade em que se clama por Justiça e que se tem a Policia como arbitrária, corrupta, abusiva e violenta, está entre todas as instituições policiais como exemplo maior de dignidade e disciplina, a figura da Corregedoria da Polícia, espécie de Polícia da Polícia a policiar os atos indevidos, apurando e encaminhando para Justiça os supostos ilícitos penais praticados pelos seus membros. A Corregedoria de Polícia é também o Juízo da Polícia, vez que julga administrativamente os desvios de conduta e as transgressões disciplinares dos componentes da sua instituição.

A Corregedoria de Polícia tem como missão preservar e promover dentre outros, os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade dos atos de gestão, bem como da probidade e responsabilidade dos policiais da sua instituição. No nosso sistema democrático de direito, o bom trabalho da Corregedoria é uma das garantias dos cidadãos de que policiais de má conduta sejam investigados, punidos, advertidos, afastados e enfim, demitidos a bem do serviço público.

Em contra ponto a tais atributos, o Jornal da Band mostrou nesta sexta-feira, 18/02/2011, um caso de humilhação, aparente abuso, desrespeito aos direitos individuais e constitucionais, no qual Delegados e seus comandados representando a Corregedoria de Polícia Civil de São Paulo, tiraram à força a roupa de uma colega Escrivã depois de algemá-la, em busca de provas que supostamente a incriminariam em corrupção ativa. O fato aconteceu no 25° Distrito Policial em Parelheiros, zona sul de São Paulo em 15/06/2009, mas as imagens filmadas foram mantidas em sigilo e somente agora veio a tona para espanto e repudio de grande parte da sociedade brasileira.

A reportagem televisiva teve acesso com exclusividade às imagens gravadas pela própria Corregedoria da Polícia Civil, que mostram o flagrante dado pelos seus integrantes a um suposto crime de concussão praticado então por uma Escrivã de Polícia. Segundo a denúncia, a policial teria recebido R$ 200,00 para ajudar um suspeito a se livrar de um inquérito policial.

A apuração inicial para comprovar a suposta corrupção com a conseqüente prisão em flagrante delito da Escrivã transcorria normalmente e dentro da legalidade até que um Delegado decidiu que a suspeita teria que ser revistada e despida a qualquer custo. Usando dos seus preceitos constitucionais, a Escrivã não se recusou a ordem, mas pediu a presença de policiais femininas para a conseqüente revista.

Entretanto, com o acirramento dos ânimos, a emoção sobrepõe a razão e inclusive é dado também voz de prisão por supostos crimes de resistência e desobediência à revoltada policial, que então algemada indevidamente não restou outra alternativa a não ser relutar em força reduzida contra a ilegalidade e da ação despiram brutalmente a sua calça e calcinha, para enfim ser aparentemente encontrado escondido o dinheiro procurado e almejado, objeto material do suposto crime de concussão.

Assim, o que era para se tornar uma prisão de rotina tão comum em atos correcionais nas unidades policiais do país, transformou-se aos olhos de todos, em flagrante desrespeito aos direitos humanos. A cena daquele corpo vencido seminu, obtida de forma violenta, degradante e cruel, mostrou além do constrangimento, o ultraje a uma Constituição cidadã, uma Constituição que zela acima de tudo pelos direitos do cidadão. A cena feriu de morte todos nós cidadãos brasileiros.

Dos fatos geraram administrativamente a exclusão da suspeita dos quadros da Policia civil paulistana e criminalmente um processo ainda está em andamento na Justiça desse Estado por crime de concussão contra a mesma, enquanto que, para os aparentes e possíveis atos abusivos e lesivos praticados pelos policiais da Corregedoria, restou o procedimento arquivado com aval do Ministério Público e do Judiciário.

É comum a imprensa brasileira divulgar imagens de abusos policiais, torturas em presos, maus tratos contra populares e outras tantas cenas não convencionais, contudo, a comprovação de atos abusivos e lesivos praticados por policiais de alguma Corregedoria de Polícia, o órgão policial exemplo, ainda não havia chegado ao conhecimento público.

É ensinamento precípuo que os Juízes e Corregedores em geral devem agir sempre com moderação e circunspecção refletindo e trabalhando com equilíbrio, razoabilidade e proporcionalidade para que os seus atos sejam considerados justos.

A Polícia representa o aparelho repressivo do Estado que tem sua atuação pautada no uso da violência legitima, contudo, quando se fala em violência legítima, se fala em ordem sob a Lei e não sobre a Lei. O chamado Poder de Polícia que possui a força pública é limitado pela própria Lei e não pode ser ultrapassado sob pena de se praticar o abuso previsto com a conseqüente quebra dos direitos constitucionais inerentes do cidadão.

Bem nos ensina a Professora, Jurista e Escritora CRISTINA BUARQUE DE HOLLANDA, ao discorrer na sua obra “O problema do controle da Polícia em contextos de violência extrema”: “Quando as agencias encarregadas de manter a lei e a ordem descambam para a arbitrariedade e para o comportamento desregrado, instalam inconscientemente o risco de instabilidade do Estado, periclitando suas instituições. Por certo que se alguma margem de desvio do universo formal não compromete a normalidade da rotina de funcionamento do Estado, os contextos de grave disparidade entre desempenho ideal e real das polícias podem alcançar efeitos devastadores de controle na dinâmica de legitimação da ordem pública”.

Em verdade a filmagem mostra, além do brutal e inconcebível ato contrário ao nosso regime democrático de direito, um excesso desnecessário dos Delegados e seus comandados correcionais. Comprovaram que todos são despreparados e atrabiliários. Não restaram equilíbrio e razoabilidade na presente ação policial. Afinal a Escrivã só não queria passar pelo constrangimento de ficar nua na frente de homens, um justo direito. Tudo poderia ser resolvido sem maiores prejuízos com a chamada ao feito de uma Delegada e suas agentes policiais para fazer a revista designada e necessária ali mesmo naquela delegacia, ou então conduzirem a Escrivã suspeita até a Corregedoria de Polícia para as medidas legais e pertinentes, o que em absoluto em nada prejudicaria o flagrante.

Medidas devem ser adotadas, administrativamente e judicialmente para que a ordem seja resgatada na Policia civil de São Paulo, sob pena de serem abertos precedentes idênticos nas demais Corregedorias de Policia do Brasil.

Referências bibliografias:


FEITOSA, Denilson. Direito Processual Penal. Teoria, Crítica e Práxis. Niterói: RJ, 2008.


BAYLEY, David. Padrões de Policiamento. São Paulo: Edusp 2001.


TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. São Paulo: Malheiros editores, 2000.


COMPARATO, Fabio. A afirmação histórica dos Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva, 2007.


HOLLANDA, Cristina Buarque de. O problema do controle da polícia em contextos de violência extrema: Os casos do Brasil, África do Sul e Irlanda do Norte. Rio de Janeiro: SESC, 2007


Archimedes Marques, Delegado de Polícia, é Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS. Exerceu o cargo de Corregedor-Geral de Polícia civil de Sergipe em duas ocasiões) archimedes-marques@bol.com.br

Violação dos direitos humanos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Luiz Flávio Gomes

Com um treinamento apropriado e técnica adequada, a não violência pode ser praticada pelas massas humanas” (Gandhi).

Está comprovado: no Brasil nem toda nudez é castigada! O vídeo dos delegados de polícia que obrigaram uma mulher suspeita (de corrupção ou concussão) a ficar nua na presença deles para o efeito de uma busca pessoal é estarrecedor. Onde chega a arbitrariedade?

O crime de corrupção (ou concussão) é grave e precisa ser devidamente punido. Mas a polícia não pode apurar um crime cometendo outro (ou outros). Muito correta e digna de elogios a cobertura da TV Bandeirantes. Tributo ao jornalista Fábio Pannunzio (que divulgou o vídeo no seu blog). Os delegados foram afastados das suas funções.

A lei processual penal (art. 249 do CPP) é clara: a busca pessoal em uma mulher deve ser feita por outra mulher, salvo em caso de retardamento ou prejuízo para a diligência. Havia mulheres no local (policiais) e mesmo assim os delegados optaram por despir, à força, a mulher. Prova (se é que se pode chamar aquilo de prova) totalmente ilícita, porque obtida de forma ilegal (com violação, desde logo, do art. 249 do CPP). O vídeo constitui um exemplo emblemático de como não se deve colher provas no Brasil.

No princípio o delegado disse que se ela não se despisse haveria desobediência. Nada mais incorreto. Quem desobedece ordem ilegal não comete o crime de desobediência. De outro lado, esse crime não permite prisão em flagrante (porque se trata de infração de menor potencial ofensivo). Tampouco poderiam ser usadas as algemas (no contexto em que tudo aconteceu). Violou-se também a Súmula Vinculante 11 do STF.

Com a mulher (ex-escrivã de polícia) teria sido encontrado dinheiro (R$ 200,00). Mesmo que esse dinheiro fosse fruto de uma corrupção passiva (ou concussão), mesmo assim, crime nenhum estava sendo cometido naquele momento. Não cabia prisão em flagrante, portanto. O abuso de autoridade está mais do que evidenciado. Também a tortura (para a obtenção de prova).

O Juiz, a pedido do Ministério Público, arquivou o caso. Não vislumbraram nenhum delito. Com a devida vênia, se equivocaram redondamente. As Corregedorias respectivas deveriam apurar tudo isso com prudência e equilíbrio. Também deveriam entrar em campo o CNJ e o CNMP, além da OAB.

Todas as vezes que o Estado transforma um criminoso (ou suspeito) em vítima, por meio do abuso e da arbitrariedade, nasce mais uma violação de direitos humanos. Ou seja: mais um ato de violência. Violência que, nesse caso, foi ignorada (arquivada) pela Corregedoria da Polícia Civil, pelo Ministério Público e pelo Juiz. Nem toda nudez é castigada!

A vítima de toda essa violência, ainda que seja um criminoso, tem todo direito de ingressar com ação civil reparatória contra o Estado, sobretudo quando afetada de modo profundo sua dignidade humana. E se não atendida no Brasil, tem portas abertas na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a mesma que já “condenou” o País várias vezes (Caso Maria da Penha, Caso dos Presídios do Espírito Santo etc.).

Mas por que tudo isso ainda acontece no Brasil? Três fatores se destacam:

(a) cultura da violência. O Estado brasileiro já nasceu sob a égide de um genocídio e até hoje ainda não sabe o que é razoabilidade, vida em paz, respeito ao outro etc. Vigora ainda entre nós, especialmente contra os discriminados étnicos, sociais e econômicos, a cultura da violência. Margens de ilegalidade e de arbítrio algumas autoridades se concedem (um pouco ou uma grande quantidade de dor, certa dose de humilhação bem como maus-tratos). O genocídio e a tortura fazem parte da história do Estado brasileiro. Os governantes fazem discursos dúbios. Preocupa-se mais com o vazamento do vídeo, que com o ato de tortura em si.

A tortura padronizada nas delegacias e nas prisões faz parte da política estatal ambígua, de guerra civil permanente, de todos contra todos, praticada desde 1500, com a conivência de grandes setores do Ministério Público e da Magistratura, que fecham os olhos para gritantes violações de direitos humanos (das vítimas dos criminosos assim como das vítimas da violência estatal). Com a garantia da impunidade. Isso não retrocede, ao contrário, só incrementa a guerra civil brasileira de todos contra todos.

(b) ausência das disciplinas Ética e Direitos Humanos: falta, sobretudo para muitos agentes da maquina repressiva (muitos não são todos), estudar Ética e Direitos Humanos, que constituem a base da cultura da não violência.

(c) cultura da impunidade: Mesmo quando vídeos são gravados, ainda assim, sabe-se que tudo será (muito provavelmente) arquivado pelo Poder Jurídico. O inquérito que apurou a violência aqui narrada foi arquivado. Os delegados foram afastados “porque o caso ganhou repercussão nacional”.

O sistema investigativo no Brasil está falido. Oitenta e seis mil inquéritos policiais, sobre homicídio, instaurados até 2007, acham-se praticamente parados. É preciso apurar com precisão tudo que ocorreu, porque alguma hierarquia pode estar por detrás do fato. Mas quando a ordem é manifestamente ilegal todos respondem: quem deu a ordem e quem a cumpriu.

Luiz Flavio Gomes – Jurista e cientista criminal. Doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri e Mestre em Direito penal pela USP. Presidente da Rede LFG. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).

Fórum de Jacareí, omissão e cinismo

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Hamilton Ribeiro Mota

Lamentável. Em uma palavra, essa foi a nossa sensação com a surpreendente decisão da Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania em não prorrogar o convênio para ampliação e reforma do prédio do Fórum de Jacareí. Do ponto de vista prático, é uma decisão que frustra as expectativas de toda a cidade, e particularmente da classe jurídica, que sente a necessidade urgente de ampliar os serviços à população em um prédio datado da década de 1960 – defasado, portanto, diante do crescimento de Jacareí.

E, do ponto de vista lógico, é uma incongruência inominável: o Estado “abandona” uma obra que é do próprio Estado, ao mesmo tempo em que se esforça para, cinicamente, tentar imputar à Prefeitura de Jacareí a (ir)responsabilidade pela decisão – que, reitere-se, foi tomada unilateralmente pelo governo estadual.

O que fica evidente, em primeiro lugar, é a incúria da Secretaria Estadual de Justiça no tocante ao gerenciamento de uma obra desse porte, além do descaso para com o bem público – são R$ 5,6 milhões em questão. Há meses a prefeitura aguardava a autorização do Estado para aditamentos e reajustes pleiteados pela empresa contratada para o andamento da obra, já que o projeto original apresentado pela Secretaria de Justiça teve que passar por adequações, particularmente na parte estrutural das fundações, devido às peculiaridades do terreno.

Da então boa notícia, quando da emissão da ordem de serviço para o início da obra, em dezembro de 2008, o que se seguiu foi o exemplar desmazelo do governo estadual. O prazo inicial previsto para a execução da reforma e ampliação do Fórum, de 12 meses, foi prorrogado em mais 12 meses, de maneira que expiraria em 31 de dezembro de 2010. Uma prorrogação necessária, provocada pelas próprias exigências legais, como a elaboração de laudos por parte do Condephaat, da Secretaria Estadual de Cultura, bem como da Secretaria de Meio Ambiente, pela necessidade de retirada de árvores na área da obra.

Ainda que perfeitamente justificável, tal prorrogação não contou com a sensibilidade do governo estadual, que durante todo o processo demonstrou, no mínimo, uma boa dose de má vontade. Postura mais uma vez lamentável e já demonstrada, infelizmente, em várias outras situações junto à Prefeitura de Jacareí (caso notório é o da rodovia Geraldo Scavone, a Estrada Velha Rio-SP...)

Mesmo assim, e com os percalços gerados pela não-autorização do Estado para aditamentos e reajustes, seguíamos cumprindo o convênio. No início de dezembro de 2010, por exemplo, técnicos da secretaria estadual fizeram “in loco” a checagem da estrutura da obra para análise técnica, após reunião com representantes da Corregedoria Geral da Administração do Estado ocorrida em outubro. Vale lembrar que à Prefeitura caberia a contratação da empresa responsável e o acompanhamento da obra, sendo que o gerenciamento ficou a cargo da Companhia Paulista de Obras e Serviços, vinculada ao governo estadual. Toda a responsabilidade pela obra sempre foi, portanto, do próprio governo estadual.

Mas eis que o então secretário estadual da Justiça, Ricardo Dias Leme, nos “brindou” com a notícia, às vésperas de deixar o cargo. Tínhamos a esperança de que a nova secretária de Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, tivesse a sensibilidade de retomar o convênio e, consequentemente, permitir o término das obras de ampliação e reforma do Fórum. Até agora, no entanto, nenhuma manifestação. Resta-nos lamentar, mais uma vez, e torcer para que não seja vã nossa esperança...

Hamilton Ribeiro Mota é Prefeito de Jacareí (SP).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Meirelles rompe com Cabral e não aceita mais ser “fiscal de obras” da Autoridade Olímpica

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Jorge Serrão

Henrique Meirelles não deve mais ocupar o cargo de Autoridade Pública Olímpica. O ex-presidente do Banco Central rompeu, pessoalmente, com o governador do Rio de Janeiro. Um dos motivos da briga de Meirelles com Serginho Cabral foi o esvaziamento de poder do cargo de APO, que viraria um mero fiscal de obras, com a invenção do Conselho Público Olímpico (CPO) – que vai controlar a liberação de recursos para a viabilização da competição esportiva.

Serginho Cabral e o prefeito carioca Eduardo Paes conseguiram convencer a Presidenta Dilma Rousseff a esvaziar a APO e transferir a responsabilidade de gerir os recursos dos contratos e licitações dos Jogos Olímpicos de 2016 para representantes dos Estados e municípios. Assim, o cargo que Meirelles ocuparia ficou sem graça. E o ex-timoneiro do BC do B já pediu para sair antes mesmo de entrar. Para piorar, a APO perdeu seus cargos subordinados. Seriam 484 na proposta original. Agora serão apenas 171.

O poder real sobre de liberar a grana para os jogos Olímpicos e Paraolímpicos ficará com o Conselho Público Olímpico. Um representante do governo federal, um do estadual e um do municipal dividirão tal responsabilidade. No Conselho, Cabral e Paes, unidos, devem dar as cartas, indicando seus representantes. Meirelles deve inventar uma boa desculpa pública para declinar do cargo de “fiscal de obras”. A tendência é que a “nova” Autoridade Pública Olímpica seja um nome indicado por Cabralzinho com o aval da Presidenta Dilma.

Bancos lotéricos?

Correios e lotéricas poderão realizar operações de compra e venda de moeda estrangeira no valor de até US$ 3 mil.

Agências de turismo que atuam como correspondentes cambiais também foram autorizadas a fazer os dois tipos de operação.

Decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) com a desculpa de atender melhor a turistas estrangeiros, em eventos como a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016.

Tálio bahiano

A primeira reserva de tálio do Brasil foi descoberta no município de Barreiras, na Bahia.

Em apenas uma das áreas pesquisadas pela empresa Itaoeste, que detém a concessão para exploração da reserva, foi encontrado o equivalente para atender todo o consumo mundial de tálio, estimado em 10 toneladas anuais, pelo período de seis anos.

Extremamente tóxico, o tálio pode ser empregado materiais termoelétricos, supercondutores de alta temperatura e como contraste em exames médicos.

Muito valioso

A reserva total de tálio metálico contido no minério é superior a 60 milhões de gramas, apenas nesta primeira área onde a pesquisa já foi concluída.

A jazida baiana é a única ocorrência mundial conhecida em que o tálio aparece associado com manganês e cobalto, outros dois minerais de grande interesse comercial.

Atualmente, o tálio é cotado a US$ 6 o grama, e só é produzido na China e no Cazaquistão.

Censura judicial

O juiz da 4ª Vara Federal do Pará, Antonio Carlos Campelo, intimou o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que há 23 anos edita em Belém o “Jornal Pessoal”, a não publicar, sob pena de “prisão em flagrante, processo criminal e multa de R$ 200 mil”, qualquer notícia sobre o envolvimento de quatro pessoas em fraudes contra a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Entre os protegidos pela decisão judicial estão os empresários Rômulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana – proprietários do jornal “O Liberal”, TV Liberal, afiliada da Rede Globo e de várias emissoras de rádio.

O processo em que os empresários são acusados de crimes contra o sistema financeiro nacional, no valor não corrigido de R$ 3,3 milhões, tramita desde 2008, mas desde a última semana corre sob segredo de Justiça.

Na edição da primeira quinzena de fevereiro do “Jornal Pessoal”, o jornalista Lúcio Flávio publicou detalhes da audiência realizada dia 1º passado, o que não configura violação do segredo decretado há dias.

Leilão

O Clube dos 13 enviou ontem a carta-convite às principais emissoras de TV aberta com o edital do contrato de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no triênio 2012-14.

Além de confirmar a pedida mínima de R$ 500 milhões por temporada, a entidade pede que 20% do total que vier a ser oferecido seja pago no ato de assinatura do contrato a título de luvas.

O resto seria pago em 39 parcelas mensais, entre outubro de 2011 e dezembro de 2014.

Por fora

O edital prevê que a TV Globo terá uma vantagem de 10% no valor a ser apresentado sobre as demais concorrentes.

A bondade seria por conta da parceria de mais de duas décadas com os clubes na transmissão do campeonato brasileiro.

Mas, apesar dessa vantagem, a Globo estaria disposta a negociar acordos, em separado, com os clubes.

Belo patrimônio

O vertiginoso acréscimo patrimonial obtido pelo prefeito de Matias Cardoso, João Cordoval de Barros, vulgo João Pescador, impressiona os moradores da pequena cidade mineira de dez mil habitantes, incrustada na margem direita do rio São Francisco.

Ele não é um gênio financeiro, mas em apenas um ano de mandato conseguiu aumentar o seu patrimônio em 4000%.

A evolução patrimonial do prefeito contrasta com sua aparência de abandono, relevada pelas ruas esburacadas e várias obras iniciadas e não concluídas.

Denúncia do blog do Fábio Oliva - http://blogdofabiooliva.blogspot.com

Implodida

A corregedora-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Trefiglio Valente, foi detonada.

O delegado Marcos Montresor, que já trabalha na Corregedoria, assume o posto.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, resolveu ontem afastá-la do cargo, transferindo-a "para os quadros da Delegacia Geral de Polícia Adjunta".

A decisão aconteceu após a divulgação de um vídeo na internet onde delegados da Corregedoria forçaram uma escrivã, acusada de corrupção, a ficar nua para revista.

Guerrilha jurídica

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, enviou ontem ofício à presidente Dilma Rousseff para cobrar o cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre os crimes cometidos durante a Guerrilha do Araguaia.

No final do ano passado, o país foi responsabilizado pelo desaparecimento de 62 pessoas entre os anos de 1972 e 1974, na primeira condenação internacional do Brasil em um caso envolvendo o governo dos generais (1964-1985).

O pedido entra em choque com o Supremo Tribunal Federal que considera o Brasil soberano para seguir o que foi determinado pela Lei de Anistia de 1979.

Desarmando

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu ontem que o governo Dilma vai retomar a campanha do desarmamento.

Uma das propostas em estudo é repetir a fórmula adotada no primeiro mandato do governo Lula, quando o Executivo pagava por arma devolvida.

Cardozo anunciou campanhas publicitárias para incentivar o desarmamento.

Só falta combinar com os narcotraficantes e mafiosos para que tudo dê certo...

Vale mais que tudo

A Vale registrou lucro líquido recorde de R$ 30,07 bilhões.

Foi o maior da história na indústria de mineração.

O ganho foi três vezes maior que o de 2009, quando a empresa teve lucro de R$ 10,3 bilhões.

Leão fingindo de manso

A correção de 4,5% da tabela do Imposto de Renda, prometida pelo governo, reduzirá o valor nominal do imposto retido na hora de receber o salário.

Mas isso não significa que os trabalhadores passarão a pagar menos IR.

Como a maioria dos salários é reajustada pela inflação, se as faixas do IR não forem corrigidas na mesma proporção, o peso do IR acaba aumentando.

Nos dois governos Lula a tabela do IR ficou defasada 15% e nos dois governos FH, a perda acumulada foi de cerca de 45%.

Sem precedentes

Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, acredita que teremos um fluxo agressivo de empresas estrangeiras aportando no Brasil ou aumentando seus investimentos aqui.

O empresário brasileiro estará diante de uma concorrência doméstica sem precedentes”.

Só no mês passado, os chamados Investimentos Estrangeiros Diretos atingiram quase US$ 3 bilhões no Brazil.

Responsabilidade Socioambiental

Até 18 de abril, estão abertas as inscrições para o 2º Prêmio Abigraf de Responsabilidade Socioambiental.

A cerimônia de entrega do prêmio aos vencedores será realizado na Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, em 7 de junho de 2011, na Semana do Meio Ambiente.

O regulamento do 2º Prêmio Abigraf de Responsabilidade Socioambiental está disponível no site www.premiosocioambiental.org.br

Pitanga Mágica

Um coquetel com receitas à base de pitanga, no ainda não inaugurado Espaço CAZA, em Perdizes, no próximo dia 27 de fevereiro, domingo, às 17 horas, vai comemorar o lançamento do primeiro livro sobre essa que é uma das frutas mais típicas do Brasil.

“Pitanga Mágica”, de autoria do engenheiro agrônomo Luiz Grossman, teve colaboração do culinarista Gabriel Zitune e da médica Letícia Bertazzi.

Comercializado a partir de março na livraria Cultura por R$ 50, “Pitanga Mágica” terá sua renda totalmente revertida para a Ong Unibes – União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social, que trabalha há 95 anos com promoção humana, desenvolvendo programas sociais, educacionais e culturais junto a mais de sete mil pessoas/ano.

Belo alvo

A atriz Malu Mader, que atualmente vive a personagem Suzana Martins, editora da revista Moda Brasil, na novela Ti-ti-ti, trouxe o lado fashion da telinha para a vida real.

Malu fotografou com a famosa camiseta da campanha O Câncer de Mama no Alvo da Moda - http://www.ocancerdemamanoalvodamoda.com.br/
Todas as camisetas podem ser encontradas nas lojas Hering espalhadas pelo País ou pelo site http://www.heringwebstore.com.br/.

Parte da renda obtida com a venda é revertida ao Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC).

No Roda Viva

O escritor e poeta Ferreira Gullar, 80 anos, estará no centro do Roda Viva na próxima segunda-feira.

Além de Marília Gabriela, Gullar será entrevistado por Augusto Nunes, Paulo Moreira Leite, Mona Dorf e Carlos Graieb, além do cartunista Paulo Caruso.

O programa vai ao ar a partir das 22h, na TV Cultura.

Desfalque no time do EB

O atacante Neymar, do Santos, foi dispensado do serviço militar obrigatório.

No Forte dos Andradas, no Guarujá, o craque assistiu ontem a um vídeo sobre o Pelé, que teve de cumprir o serviço militar em 1959, no Forte Itaipu, na Praia Grande, e chegou até a disputar jogos com a seleção do Exército.

O General Santos, que liberou Neymar, ponderou que ele agora poderá prestar um serviço importante à pátria, com a camisa da seleção.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Fevereiro de 2011.

Ordem e Progresso

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Arlindo Montenegro

Em seu livro de contos "Os Cavalinhos de Platiplanto", publicado em meados do século passado, o falecido escritor José J. Veiga, nos coloca na posição de ouvintes do menino de uma cidadezinha interiorana, matutando sobre a chegada de pessoas misteriosas, que se hospedam na única pensão, saem de manhã carregando apetrechos estranhos e voltam de noite, prá ficar bebendo até as altas horas.

“A usina atrás do morro” exibe a destruição ecológica pessoal e ambiental, com a chegada de máquinas monstruosas, gigantes que passam a rasgar as matas, destruir a paisagem e os costumes, dividindo as pessoas, impondo mudanças drásticas, que afetam a vida e os costumes de todos os viventes, sem consultar ninguém,

A violenta "marcha do progresso", com as promessas de "bem estar" e "melhorias" para todos, continua esmagando o equilíbrio ecológico e pulverizando a cultura, as crenças, a autoridade familiar, os tempos e movimentos naturais. A coisa piora quando eles falam uma língua que ninguém entende, somente os banqueiros e governantes.

É exatamente o que vai acontecer em Anitápolis, em Santa Catarina, com a instalação de uma fábrica da Indústria de Fosfatados Catarinense em uma associação com a Bunge, uma multinacional que nasceu na Holanda, mudou para os EUA, chegou à Argentina e está no Brasil há um século, atuando também na Europa, Asia, Américas e Oriente Médio.

Os 2990 habitantes vão ser invadidos por mais de 3000 trabalhadores + familiares, esculhambando o equilíbrio demográfico. Os pacíficos colonos vão ser condenados a viver com uma poluição ambiental que nunca viram. Alí, as ongs verdes, nem o meio ambiente, nem o pt vai interferir. É o progresso, são os acordos multinacionais entre os que governam o mundo. É a mão de ferro do governo invisível.

Oprimidos pelo progresso, os brasileiros e os habitantes do mundo em geral foram adestrados nas últimas décadas para aceitar as normas ditadas pelo estado, sem protestar, como se a aceitação silenciosa fosse a mesma norma de comportamento. Pensar e manifestar-se parece coisa de louco, ingênuo, marginal de direita, incabível no mundo controlado pelos tortos, pelos que distorcem a verdade, criminalizando a propria natureza.

Paira sobre as nossas cabeças a espada de um inimigo "indefinido", "invisível" para as pessoas que apenas sentem, sem defesa contra os comportamentos modernos, transplantados e invasivos, que invertem crenças e valores ampliando a ditadura do estado que ignora as leis vigentes mas "não vai preso", que promete e não cumpre, que ilude e passa a perna, que é pago para servir e nos transforma em servos do inimigo invisível.

Tudo em nome da economia controlada em nome de um progresso econômico, que gera a desordem e a aflição na cabeça dos que ainda se sensibilizam com o emprego, o salário mínimo, a educação dos filhos, a moradia digna, a saúde, a segurança. Para todos o governo deixa correr solto o crack, a maconha, a cocaína, o ecstasy, a heroína e outras drogas, que emboloram e embaralham o cérebro, inutilizando os homens para a ação defensiva.

Os governantes são eleitos e enriquecem com o que lhes pagam os banqueiros que, em sua rede internacional "lavam" e protegem os clientes que mobilizam uma economia trilionária! Governantes e banqueiros e mega empresas multinacionais, são os inimigos que ocupam todos os espaços, sem deixar uma brecha que proporcione defesa às vítimas, os comuns, os ignorantes.

Como no conto de José J. Veiga, a tranquilidade e o bem estar acaba quando chegaram os forasteiros para construir "A usina atrás do morro". E "os funcionários em barulhentas motocicletas vermelhas invadem a cidade. Os espiões estão por toda parte... a gente fala baixinho com mêdo da repressão e do castigo do governo progressista.

As referências sobre a inocência, meiguice, curiosidade e fascinação da infância diante da vida, arrumando no coração as experiências no compasso das brincadeiras com objetos elaborados criativamente, bolas feitas com meias velhas e bexigas de animais ou piões e bolinhas de gude, boiadas feitas com maxixão, tudo foi trancado nos baús da memória distante.

Como diz meu amigo Piá, "tudo mostra que o mundo está sob nova direção" promovendo as transformações e espalhando o medo. Medo de morrer na fila do inss, medo de perder o emprego, medo de ficar sem gasolina, medo de faltar a eletricidade, medo dos juros, medo do pivete e do sequestro relâmpago, medo de bala perdida, medo da perdição dos filhos, medo de engordar, medo de não saber como fazer, medo da chuva! Medo do sol! Medo de Ser, medo de Amar.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

Efeito dominó no tabuleiro do improvável

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Palmério Gusmão

Há algum tempo atrás, não imaginávamos algumas possibilidades sobre determinados temas. Achávamos até que algumas coisas não mudariam, pois eram e seriam culturalmente aceitas. Acreditávamos que determinados povos adotavam regimes por particularidades culturais, religiosidade e crendices, mas a exploração é repudiável em qualquer cultura.

O exemplo de Egito e Líbia reflete o apelo democrático e modificações ocasionadas no pensamento das pessoas por conta do acesso a informações e tendências democráticas e libertárias, o que motiva uma preocupação e desencadeamento de ações imediatas dos ditadores desde corte da internet e comunicações, até a força. A informação é a arma mais poderosa da população.

Atenção ditadores, o mundo clama por liberdade de expressão e opinião numa linha de diálogo democrática, sem espaço para conservadorismo egocêntrico, ou manipulações e imposições de qualquer natureza. Queremos oportunidades, melhores condições de vida, e não aceitamos mais poucos com muito, e muitos sem nada.

É notória a insatisfação em quaisquer relações deste tipo. Eles sabem disso. Nada é maior que a opinião pública. As reivindicações são as mesmas no mundo todo - melhorias em serviços de saúde, educação, remuneração e oportunidades, principalmente a população jovem e carente. Será que estamos presenciando uma nova era libertária?

Pois é, e será refletida no mundo todo. Cada conquista alimenta o desejo de outros povos, de diferentes raças e crenças a buscarem a sua liberdade, num verdadeiro efeito dominó no tabuleiro do improvável, onde só serão mantidas imposições por lealdade ou cumplicidade recíprocas em condições razoáveis de aceitação por determinado tempo, até o ponto de enxergá-las e entendê-las através da informação e do exercício da cidadania, criando a formação de uma opinião sobre. Daí há luta, insatisfações e reivindicações.

Percebemos então que o mundo não aceita mais imposições ditatoriais, nem ações extremadas de qualquer natureza em favorecimento de uns (poucos) e detrimento de muitos outros. Veremos muita coisa neste sentido, ainda. O que está acontecendo é uma verdadeira lição para qualquer líder.

Palmério Gusmão é Professor Universitário e Especialista em Logística - ppalmerio1@hotmail.com

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mãos Limpas fará campanha “O Nióbio é Nosso” para evitar perdas de US$ 100 bi/ano ao Brasil

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Jorge Serrão

Uma das mais absurdas –me pouco conhecidas – perdas internacionais do Brasil será alvo de um amplo trabalho político de esclarecimento. O economista Adriano Benayon, autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”, vai coordenar a campanha “O Nióbio é nosso”. O movimento será lançado pelo Instituto Mãos Limpas, focado no combate à corrupção e presidido por Mtnos Calil.

Cerca de 98% das reservas planetárias do nióbio estão no Brasil. Nosso Pais exporta 81 mil toneladas do metal por ano. O problema é que o quilograma do metal sai daqui vendido por apenas R$ 16, o que rende R$ 1 bilhão e 296 bilhões – sobre os quais recaem tributos. Acontece que o nióbio brasileiro é negociado no exterior por até U$ 1.200 dólares por quilograma. Se o Brasil não fosse lesado na operação, e empregasse a soberania do País no negócio, a operação com o nióbio renderia (como rende aos ingleses que dominam seu comércio) US$ 97 a 100 bilhões de dólares – sobre os quais recairiam os impostos.

Adriano Benayon apresenta as contas de nossas perdas internacionais com o nióbio: “Fontes dignas de atenção indicam que o minério de nióbio bruto era comprado no garimpo a 400 reais/quilo, cerca de U$ 255,00/quilo (à taxa de câmbio atual e atualizada a inflação do dólar). Ora, se o Brasil exportasse o minério de nióbio a esse preço, o valor anual seria US$ 15.300.000 (quinze bilhões e trezentos milhões de dólares). Se confrontarmos essa cifra com a estatística oficial, ficaremos abismados ao ver que nela consta o total de US$ 16,3 milhões (0,1% daquele valor), e o peso de 515 toneladas (menos de 1% do consumo mundial). Observadores respeitáveis consideram que o prejuízo pode chegar a US$ 100 bilhões anuais”.

Benayon acrescenta: “Mesmo que o nióbio puro seja cotado a somente US$ 180 por quilo, como indica o site chemicool.com, ainda assim, o valor nas exportações brasileiras do minério bruto corresponde a cerca de 1/10 disso. O nióbio não é comercializado nem cotado através das bolsas de mercadorias, como a London Metal Exchange, mas, sim, via transações intra-companhias”. Benayon também chama atenção para a manipulação com os números oficiais sobre as transações com o metal: “A estatística oficial das exportações brasileiras aponta apenas 515 toneladas do minério bruto, incluindo “nióbio, tântalo ou vanádio e seus concentrados”.

Benayon apresenta outros números para comprovar o escândalo do nióbio: “Há, ademais, um item, ligas de ferro-nióbio, em que o total oficial das exportações alcança US$ 1,6 bilhão, valor mais de 100 vezes superior à da exportação do nióbio e de minérios a ele associados, em bruto. O mais notável é que o nióbio entra com somente 0,1% na composição das ligas de ferro-nióbio. Vê-se, assim, o enorme valor que o nióbio agrega num mero insumo industrial, de valor ínfimo em relação aos produtos finais das indústrias altamente tecnológicas que o usam como matéria-prima. Por outro lado, a quantidade oficialmente exportada do ferro-nióbio em 2010 foi 66.947 toneladas. O nióbio entrando com 0,1% implicaria terem saído apenas 67 toneladas de nióbio, fração ínfima da produção mundial quase toda no Brasil e do consumo mundial realizado nas principais potências industriais e militares”.

Promovidos e preteridos

O Alto Comando do Exército escolheu os nomes dos cinco Generais de Divisão que serão promovidos a quatro estrelas:

Bolivar, Silva e Luna, Benzi, Mayer, Adhemar.

Foram preteridos para promoção os Generais Archias, Facioli, SantAnna, Macedo, Sodré e Lanzellote.

Quase caindo

Dependendo da reunião que terá com o ministro-chefe da Casa Civil Antônio Palocci, o ministro do Esporte, Orlando Silva, pode ser a primeira grande baixa do governo Dilma.

Petistas avaliam que Orlando não conseguirá se livras das denúncias feitas pelo jornal “Estado de S. Paulo”, mostrando que o projeto Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, só em 2010 distribuiu R$ 30 milhões a ONGs de dirigentes e aliados do PC do B.

Como a petralhada está louca para tirar os comunas do Esporte, Orlando Silva está por um fio.

Raro exemplo

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, tendo 18,95% dos votos válidos do DF, abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9.

Reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete: de R$ 23.030 para apenas R$ 4.600.

Também largou mão de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável.

Se os outros 512 deputados seguissem seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.

Poder feminino

A síria Majd Al Shara é a nova diretora-presidente do Centro Cultural Árabe Sírio, localizado na capital paulista.

Ex-consulesa e ex-embaixatriz no Brasil, Majd usará seu conhecimento e vivência na sociedade Árabe para disseminar aquela cultura no Brasil.

O simbolismo de sua indicação é mais uma vitória das mulheres.

Aprovadíssima

O mundo da petroquímica respira aliviado.

A aquisição da Quattor pela Braskem foi aprovada, integralmente, pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

As negociações para aquisição da Quattor foram concluídas em janeiro de 2010, por meio de um Acordo de Investimento celebrado entre Odebrecht, Petrobras, Braskem e Unipar.

Oscar no Lixão

Candidato ao Oscar de melhor documentário, o filme "Lixo extraordinário" será exibido para a comunidade de Jardim Gramacho, no ´róximo domingo, a partir das 21 horas.

Os catadores da região de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, poderão assistir ao longa-metragem, que retrata o trabalho do artista plástico Vik Muniz no aterro sanitário do bairro de Duque de Caxias.

Cinco mil pessoas são aguardadas no evento, que também terá o show da banda Afro Samba, além da transmissão ao vivo da maior premiação da indústria cinematográfica mundial em um telão instalado na Praça Alcyr Bellucio Cavallini.

Para pensar no poder

Para a petralhada que infesta o País, circula na Internet uma famosa frase de Voltaire:
"O melhor governo é aquele em que há o menor número de homens inúteis".
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 24 de Fevereiro de 2011.

Luz e Trevas

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Arlindo Montenegro

No projeto de construção do Governo Mundial, algumas coisas parecem tão evidentes que fogem à perspicácia dos "formadores de opinião", que adotam com naturalidade qualquer decreto governamental, mesmo que signifique mais um passo nas restrições às liberdades fundamentais. Um dos aspectos jamais citados, são as migrações e imigrações, que modificam a cultura, com a presença de ritos, credos costumes e comportamentos, que quase sempre provocam conflitos.

No caso de construção de grandes projetos é flagrante o que me indicou um estudioso de demografia, referindo a chegada ao interior de Santa Catarina de uma planta da Bunge que promete "acabar com a fome no mundo"... quando não haja mais o que eles chamam de "bocas inúteis", isto é os pobres condenados ao desemprego, às doenças, catar restos no lixo e à inanição, muitos deslocados dos seus locais de origem, buscando resistir onde são incapazes de competir.

A Europa rica, que recebia a mão de obra barata dos pobres africanos para executar os serviços mais pesados e "sujos", agora se ressente da marcante presença de islamitas, que já impõem leis de proteção específicas para suas comunicades organizadas, muitas em desacordo com os costumes culturais do ocidente. No programa de homogenização cultural do Governo Mundial em gestação, este movimento é positivo porque desperta as quezílias entre as diversas igrejas e modifica crenças e costumes.

A Europa, marcada em cada esquina pela presença do cristianismo vive uma onda de descristianização acelerada. Antes separou-se a igreja do estado laico. Agora suprime-se a memória cultural, facilitando as divagações da ONU, agente da nova religião. A ONU, que nada faz contra as ondas migratórias. A ONU que foi criada para ser o parlamento do mundo pacificado e é impotente para barrar os ditadores que prendem dissidentes ou os Kadafi, que bombardeiam sua propria capital, matando seu próprio povo.

Das revoltas organizadas no Médio Oriente, se vai conhecer uma nova onda de movimentos migratórios para a vizinha e "dizem que" democrática Europa. O Berlusconi já avisou que vai mandar todos os que aportarem à Italia, para a França e para a Inglaterra. Os franceses que já andam às turras com os ciganos e que ja conheceram a violência dos pobres africanos que constituem o lumpem de Paris, vão fazer o quê?

A Inglaterra, uma das mecas onde pontificam os sensíveis nobres pensadores de fórmulas para o Governo Mundial, vai ter que liderar a mobilização da Europa e mandar uma "Força de Paz". Como é estranho utilizar a Força para impor a Paz! Bem orwelliano! A paz imposta pela força, vai garantir a continuidade do abastecimento de energia e ao mesmo tempo vai garantir a segurança de Israel, único território da área alinhado integralmente com a civilização vigente e os modelos de civilização em gestação.

Neste momento evidencia-se também como esta coisa que rotularam de democracia, - cada dia mais castradora das liberdades individuais, cada dia mais amordaçada e distanciada do saber, da ética e da moralidade, - associando-se ao modelo de estado marxista, constituem um só motor para o projeto de globalização marxista/capitalista. Caso contrário os não marxistas adotariam o modelo nacionalista e aí, a idéia de um governo mundial iria pra cucuia.

Outros probleminhas evidentes: eliminar o cristianismo, eliminar o islamismo, eliminar o judaísmo. A instituição do catolicismo romano já foi infiltrada pelos marxistas, fica mais fácil proibir a exposição da fé e mandar os crentes para as catacumbas ou para a tumba. Com os islamitas que obedecem à risca o Alcoorão, a coisa vai ser mais feroz.

Agora para os judeus que esperam seu Messias, com muitos acreditando que a "terra prometida para o povo escolhido" era o Estado de Israel, existem consequências mais profundas, históricas e econômicas, culturais e de interpretação teológica. Há quem cogite de novas migrações para terras adquiridas na Argentina ou em algum lugar da Russia.

Imigrações exigem desmatamento, casas, supermercados, escolas, vias de abastecimento... "é pior que praga daninha" como diz meu amigo estudioso de soluções demográficas. Contava-se uma piada no Rio de Janeiro, referindo o Cristo do Corcovado com os braços abertos exclamando "Chega de nordestino!" A sabedoria popular já intuia o que os estudiosos nem desconfiavam.

Vamo viver muita migração, imigração, muita regressão educacional e cultural, muito estado totalitário, muita corrupção, muita invasão de áreas onde o equilíbrio demográfico mantinha o bem estar de pessoas ajustadas e quase felizes, espelhando uma possível convivência democrática – em termos de liberdade, respeito à individualidade, respeito às crenças e ausência de pobreza extrema.

O que se vê é cada religião avocando a si a representação de Deus para impor a unidade de pensamento aos homens e ao mundo. Todos os governantes aspirando o globalismo político, falando em construir um mundo "bem melhor", "justo"...Para isto utilizam o fuzil dos direitos humanos aterrorizantes, descartando todo o positivo experimentado pelas civilizações e tratando de esmagar a resistência dos que prezam as liberdades individuais, tratando de pulverizar todas as identidades pátrias e culturas específicas.

É alucinação prá ninguém botar defeito! É mesmo uma terrível batalha entre as forças satânicas e o espírito que mobiliza as pessoas, a semente da energia universal inteligente, o Deus do coração de cada um, a resistência divina que se materializa e se transmite nos sentimentos e atos de amor.

Arlindo Montenegro é Apicultor.