quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os prejuízos do Brasil com o Gás Natural Liquefeito

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gerhard Erich Boehme

O gás natural liquefeito (LNG) no Brasil pode ser obtido de algumas fontes, das nossas reservas, boa parte ainda inexploradas, principalmente na Região Amazônica, das regiões onde hoje temos apenas uma pequena produção, como em Sergipe, e a partir do gás associado. Sem contar o metano produzido por biodigestores.

O gás associado é produzido nos poços de petróleo, como na Bacia de Campos, a maior parte é queimada, isso ocorre nas plataformas, razão pela qual vemos em todas elas o flare (tocha) alto. Outra parte é reinjetada nos poços para aumentar a produção de crú.

Quando mencionamos o gás natural começamos a determinar os inúmeros problemas no Brasil, a começar pela dependência, desnecessária do gás boliviano, a perda de divisas, onde a Petrobras não apenas perdeu recursos com as refinarias estatizadas, mas também com a forma e os contratos efetuados para o transporte do gás da Bolívia para o Brasil, ... Tema que daria o impeachment de outro presidente da época.

Quanto ao gás brasileiro, este deveria estar sendo explorado, ou o sua exploração planejada. Como é feito, ou deveria ser feito, como ocorre na África junto a empresas principalmente francesas, temos os poços de gás, onde o mesmo é incialmente purificado, dele sendo retiradas frações pesadas, como metano, água, propano, mercaptanas e outros componentes. Isso se dá por pressão e liquefação destes componentes.

Em seguida os traços de água, metano, propano e outros gases são retirados através de leitos de peneiras moleculares, zeólitos, que adsorvem reversivamente estes produtos. A grosso modo podemos dizer que as peneiras moleculares funcionam como a sílica gel que também é um adsorvedor, no caso é muito usado em remédios, equipamentos eletrônicos e ópticos, como nas câmaras fotográficas de muitos profissionais.

Uma vez tendo o gás natural purificado este é comprimido e pelo efeito Joule-Thomson, assim como se produz oxigênio, nitrogênio e argônio a partir do ar atmosférico, é liquefeito. No caso dos derivados do ar ainda temos uma etapa posterior, criogênica, de destilação.

Resultado, temos assim próximo dos pontos de produção, veja bem, produção, o Liquefied natural gas or LNG, ou gás natural liquefeito (predominantemente metano CH4), que é transportado com facilidade para diversos pontos próximos ao consumo, onde é então vaporizado, com as frigorias aproveitadas para a produção de derivados do ar. O transporte pode ser feito por navio, chatas, ferrovia e, quando aplicável, através do transporte rodoviário. O transporte rodoviário é a última opção. Repito: O transporte rodoviário é e deve ser a última opção, pois é de todos o mais caro.

Como vemos além das denúncias do Engenheiro Vinhosa, que procedem, temos outros prejuízos que são debitados dos brasileiros e do meio-ambiente:

1. Deixamos de ter uma maior concorrência na produção de gases derivados do ar, pois as frigorias geradas poderiam ser aproveitas na sua produção, vale lembrar que o mercado destes produtos não é pautado pelo libre mercado, mas por um oligopólio quebrado por algumas empresa brasileiras, como a IBG, mas linge de ser o ideal. Neste segmento temos como um dos principais consumidores os hospitais, como o oxigêncio hospitalar.

2. Deixamos de produzir o gás natural no Brasil, com a evasão de divisas para a Bolívia, hoje a principal fornecedora de cocaína, pasta de coca, crack e outros produtos similares para o Brasil, mas isso também não preocupa os brasileiros, pois a violência e as drogas não são igualmente nosso problema. Mas este assunto nos faria enveredar em outro tema, no caso a ingerência do Foro San Pablo na política do Brasil, da Argentina, da Venezuela, ... e da Bolívia, onde elegeram um índio cocalero que atua no Brasil e defende aqui seus interesses à margem da lei.

3. Temos a questão ambiental, mais grave ainda, pois boa parte do gás associado poderia, em vez de ser queimado ou subaproveitado ser disponibilizado para a produção de LNG.

4. Temos a questão do transporte de GLN, que se dá através das rodovias, quando poderia ser feito por navio ou ferrovia, com custos menores.

5. E temos um segmento onde não estamos investindo, principalmente o de geração de metano através de biodigestores, logo então iremos importar tecnologia da Alemanha ou os seus equipamentos, pois lá as pesquisas e o uso do metano está muiot mais avançado.

Poderia elencar inúmeras outras vantagens, além do desenvolvimento desta tecnologia no Brasil, a de liquefação, pois no futuro deveremos ter a produção cada vez maior de metano, que é o mesmo que o gás natural, a partir de biodigestores, com o aproveitamento de nossos resíduos, como esgoto doméstico, orgânico, etc...

O futuro estaria em criarmos uma incubadora tecnológica nesta área, dos bio-digestores e de pequenas plantas de produção de LNG, assim teríamos para o futuro a produção do Gás Natural Veicular (GNV) e do gás para as usinas térmicas, que hoje complementam a nossa matriz energética.

A questão é ou seremos de fato brasileiros e defendermos nossa soberania ou nos sujeitarmos a uma pandilha que nos invade o mercado com todos os derivados possíveis das folhas de coca e que aqui igualmente sustenta um participantes de um cartel ou de uma empresas que já foi brasileira, hoje tomada como cabide político através da emPTização e do nePTismo.

Temos além do denunciado outros problemas: divisas perdidas para um pais que hoje nos invade com drogas e aqui destrói nossa juventude, com o aumento da violência para o qual concorre; poluição ambiental, com o aumento do efeito estufa; detrimento do livre mercado, o qual privilegia sempre o consumidor, o cidadão.

Se tiverem alguma dúvida, por favor, façam contato. Não sem antes ler os textos: http://www.saudecomdilma.com.br/index.php/category/autores-do-saude-com-dilma/gerhard-erich-boehme/

Gerhard Erich Boehme, especialista na área de liquefação de gás natural, é formado em engenharia de processos pela PETROBRAS e trabalhou no Grupo PETROBRAS por mais de 14 anos. gerhard@boehme.com.br

Aeronáutica contesta suposta “Farra na FAB”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcelo Kanitz Damasceno

O Comando da Aeronáutica contesta o teor da reportagem "A Farra da FAB" da revista ISTO É, em sua última edição de número 2194, sobre supostas irregularidades na folha de pagamento do Comando da Aeronáutica. Dessa forma, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) presta os seguintes esclarecimentos:

O Comando da Aeronáutica, ao longo do ano de 2011, vem atualizando as informações administrativas constantes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) decorrentes do desligamento de militares da Aeronáutica. Essa atualização se dá através do envio de informações retificadoras ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O principal item em atualização é a inclusão da data de desligamento de ex-soldados.

Por meio das informações da RAIS, o MTE poderá atualizar ou inserir a data de desligamento, bem como qualquer outro dado relativo aos ex-soldados no Cadastro Nacional de Informações e Serviços (CNIS). É importante salientar que esse cadastro não proporciona qualquer efeito na elaboração da folha de pagamento da Aeronáutica.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), por sua vez, destina-se a fornecer informações utilizadas pelo programa de seguro-desemprego, condição não aplicável aos militares.

O ato administrativo que implica o imediato cancelamento do pagamento de remuneração (salário) de um militar da Aeronáutica é a publicação do seu desligamento do serviço ativo em boletim interno de sua organização militar, fato que a própria reportagem afirma ter ocorrido.

No momento em que a reportagem acusa a Aeronáutica de desviar até R$ 3 bilhões a partir de apurações incompletas, em particular a ausência de informações contidas na RAIS, comete equívocos, mistura conceitos, apresenta deduções descontextualizadas e confunde o leitor, promovendo uma “farra de suposições”.

Outro erro da reportagem foi confundir o conceito de “inativo” extraído do Sistema de Informações Gerenciais de Pessoal (SIGPES)*, com o de “aposentado”. Inativo, no SIGPES, significa que o indivíduo não está exercendo atividade funcional na instituição, podendo estar nessa condição de forma remunerada ou não.

O ex-soldado Paulo André Schinaider da Silva, citado na matéria, teve seu licenciamento (exclusão do serviço ativo) da Aeronáutica publicado em março de 2004. Desde então não faz jus e não recebe nenhum tipo de remuneração. Tal fato também impossibilita que outro cidadão possa receber salário em seu lugar.

Cabe destacar que o Comando da Aeronáutica tem mantido informados o Ministério da Defesa e o Ministério Público Federal a respeito das acusações apresentadas por ex-soldados da Aeronáutica.

Marcelo Kanitz Damasceno, Brigadeiro-do-Ar, é Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

Avante soldados para trás:o EB e a cultura de paz

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Reginaldo de Souza Silva

É com indignação, perplexidade, constrangimento e desaprovação que constatamos o despreparo do Exército Brasileiro. Com o discurso de prestar serviço à comunidade, suas tropas, ocupam e colocam em estado de sitio a cidade de Floresta-PE, privando as pessoas da liberdade de ir e vir, entre eles, alunos da pós-graduação.

A teatralização através da ocupação, da filmagem de movimentos de “desordem” realizadas por alguns jovens queimando pneus com palavras de ordem como “queremos paz, somos da paz”, revelam o desrespeito. No centro de formação, durante a noite soldados colocam colchões nos corredores perfilam de cuecas no mesmo corredor onde alunas estavam hospedadas, caracterizando oficialmente atentando ao pudor e assédio moral por parte dos militares, levando muitas alunas a praticamente não dormirem a noite em função da “segurança ou vigilância armada”.

Constrangidos e violentados nos direitos básicos, professore(a)s das Universidades: Federal Fluminense - UFF/RJ, Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS–RS, e do Mackenzie de SP. Todos participando do curso de especialização com o objetivo de construir uma cultura de paz, onde a ética, o respeito, a tolerância, a cooperação, o diálogo, o empenho solidário em ações sustentáveis possam contribuir para diminuir a violência estrutural e simbólica que assola esta região.

A surpresa de todos foi constatar que as ações empreendidas pelo Exército Brasileiro derrubam todos os pilares daquilo que entendemos por ética e dignidade humana. É lamentável constar que nossos soldados estão despreparados para lidar com as pessoas enquanto sujeitos dotados de direitos, deveres e dignidade. Repetindo ações próprias do período da ditadura, os militares foram adentrando os espaços, atropelando pessoas como ex, a professora da UFF, Alice Yamasaki responsável pela disciplina Educação, Direito e Cidadania.

Atitudes como respeito, por favor, diálogo é possível! Mas, parece que não foram ensinadas aos comandados. Qual seria a razão da ida do exército? Era cumprir ações solidárias? As atitudes eram exatamente opostas, pois a força e o poder que emanam da farda não justificam um comportamento autoritário, agressivo e ameaçador.

Seguramente o general comandante da região militar e seus subordinados, coronéis e demais oficiais não têm consciência dos vários tipos de violência amplamente estudados em Ciências Sociais e Políticas e os cinco tipos principais de violências, submetidos a população nestes dias. Mas, a que chocou e incomodou, foi a violência simbólica e a violência do poder das forças das armas que intimidam. Por isso a pergunta: estamos em um estado de direito em Floresta-PE ou em estado de sitío?

De que maneira: a enorme quantidade de tanques, armas bélicas, ajudarão no tratamento da saúde pública? O arsenal presente nos 5 quartéis generais montados em uma cidade com esse porte poderá contribuir para ações de serviço à população? A presença ostensiva e ameaçadora de “cães farejadores” contribuirá para descobrir as causas da falta de emprego e perspectiva de vida dos jovens desta cidade? O monitoramento sentido pelas pessoas justificará a presença do exército na proporção que estão em Floresta?

Como justificar que tem muito mais soldados nesta pequena cidade do que o conjunto de soldados brasileiros no Haiti integrando as forças internacionais de paz? Como poderemos dar continuidade ao curso de pós-graduação em educação e ética para uma cultura de paz num ambiente em que os soldados armados desfilam pelos corredores do Centro de Formação, contrariando exatamente tudo o que os professores tentam ensinar como necessário a construção da paz, inclusive o desarmamento que é um dos objetivos da UNESCO?

Senhores, general, coronel e demais oficiais, é histórico que as forças armadas brasileiras têm um papel a cumprir, que é o de zelar pela segurança, pelo bem estar, pela justiça social do território e pelo povo brasileiro. Perguntamos, o objetivo maior desta operação de guerra é zelar pela paz enquanto justiça social do povo de Floresta?

Em suas estratégias de operação de guerra foi levado em consideração que, em sua ampla maioria, trata-se de um povo: simples, explorado, sofredor, sem perspectiva de futuro, porque nenhuma empresa quer aqui se aportar por causa do estereótipo criado de uma das cidades mais violentas do país? Em algum momento os senhores consideraram que precisariam dialogar, com gente, e não com coisas, que pessoas são diferentes de animais? Que o espaço público no estado democrático de direito é de todos, e que não se pode invadir dessa forma, sem o diálogo com os membros da comunidade, para justificar uma negociação e não uma invasão como a que está ocorrendo e que nos remete ao âmago da ditadura militar?

A coordenação do curso de pós-graduação através do Prof. Dr. Jorge Miranda de Almeida – UESB encerra as atividades acadêmicas de uma disciplina antes do tempo previsto, pois a falta de condições de continuar um trabalho dedicado à construção da paz é inviabilizado pelo Exército Brasileiro. Forçados a dividir o espaço e a conviver com tão forte demonstração de poder bélico, de indiferença para com as pessoas que lá estão e que enquanto cidadãs e trabalhadoras contribuem para o soldo de todos os militares, implica, no mínimo, uma cordialidade, uma atitude pedagógica e educativa, uma postura de respeito e de diálogo, ou seja, uma cultura de paz, que verdadeiramente o exército brasileiro demonstra não conhecer e praticar.

Resta-nos convidar o senhor comandante a dialogar com vossos subordinados sobre a importância do respeito, da ética, do diálogo na construção da justiça social e que esta não se constrói a base da força, mas do respeito e do bem comum. Fica difícil honrar as tradições e conquistas do Exército Brasileiro, quando desviados de suas funções, no Rio de Janeiro, em Floresta-PE cometem barbaridades em nome da “lei” e da “ordem”.

Prof. Reginaldo de Souza Silva, Doutor em Educação Brasileira, Coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Email: necauesb@yahoo.com.br

O Exército de ontem e o Exército de hoje

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Alberto Brilhante Ustra

Desde, 1966, com o atentado à bomba em Guararapes, em Recife, as Forças Armadas se defrontaram com o terrorismo no Brasil. Inicialmente o combate aos terroristas vinha sendo feito pelas Polícias Civis e Militares.

Essa preocupação com a coordenação e a centralização das atividades de combate à guerrilha urbana não era só das autoridades em São Paulo.

Com essa finalidade, entre os dias 6 e 8 de fevereiro de 1969, havia sido realizado o I Seminário de Segurança Interna, em Brasília, sob os auspícios do Exército, que reuniu os secretários de Segurança, os comandantes das Polícias Militares e os superintendentes regionais da Polícia Federal.

Em 24 de junho de 1969, o general Canavarro, comandante do II Ex, responsável pela segurança interna da área, convocou no Quartel General uma reunião de todos os órgãos ligados à segurança.

Estavam presentes: o secretário de Segurança de São Paulo (Dr. Hely Meirelles), o representante da Marinha; o representante da Aeronáutica; o representante do SNI; o chefe do EM da 2ª Divisão de Infantaria; o comandante da Força Pública; o delegado da Ordem Política e Social; o diretor de Trânsito e outros.

O clima imposto, desde o início, foi o da melhor compreensão e colaboração. Com isso, o general Canavarro, após apresentar suas principais observações sobre os fatos que vinham ocorrendo, determinou que fosse lido o documento organizado pelo Exército, com vistas ao combate ao terrorismo. No dia 27 de junho de 1969, data oficial da criação da OBAN, o II Exército elaborou um documento CONFIDENCIAL intitulado Operação Bandeirante.

A missão da OBAN ficou assim definida: Identificar, localizar e capturar os elementos integrantes dos grupos subversivos que atuam na área do II Ex, particularmente em São Paulo, com a finalidade de desativar ou pelo menos neutralizar as organizações a que pertençam.

Na parte de Execução, como conceito da Operação, constava:

O II Ex organizará um Centro de Coordenação, constituído de uma Central de Informações e de uma Central de Operações, a fim de coordenar as atividades de busca de informes, produção de informações e ações repressivas contra grupos subversivos, visando a evitar superposição de esforços, a definir responsabilidades e a tornar mais efetivo o combate àqueles grupos.”

A situação era preocupante, pois os subversivo-terroristas, até o início de 1970, tinham assaltado aproximadamente 300 bancos e alguns carros fortes de empresas pagadoras; encaminhado mais de 300 militantes para cursos em Cuba e na China; sabotado linhas férreas; assaltado quartéis para roubar armas; seqüestrado três diplomatas; “justiçado” três militares (dois estrangeiros e um tenente da Polícia Militar de São Paulo); roubado grande quantidade de explosivos em pedreiras; explodido dezenas de bombas (entre elas uma no Aeroporto Guararapes e outra no Quartel General de São Paulo); incendiado várias radiopatrulhas.

O número de mortos da insensatez dessa guerrilha urbana já era grande: 66 pessoas, sendo 20 policiais militares, 7 militares, 7 policiais civis, 10 guardas de segurança e 22 civis de profissões diversas.

- Criação dos DOI.

Na primeira quinzena de setembro de 1970, a Presidência da República, em face dos problemas criados pelo terrorismo, expediu um documento no qual analisava em profundidade as conseqüências que poderiam advir dessa situação e definia o que deveria ser feito para impedir e neutralizar os movimentos subversivos.

Tal documento recebeu o nome de Diretriz Presidencial de Segurança Interna.

De acordo com a Diretriz, em cada comando de Exército, que hoje se denomina Comando Militar de Área, existiria:

- um Conselho de Defesa Interna (CONDI);

- um Centro de Operações de Defesa Interna (CODI); e

- um Destacamento de Operações de Informações (DOI).

Todos sob a coordenação do próprio comandante de cada Exército.

Os DOI - tinham a atribuição de combater, diretamente, as organizações terroristas, de desmontar a sua estrutura de pessoal e de material, e de impedir a sua reorganização. Eram órgãos eminentemente operacionais e executivos, adaptados às condições peculiares da contra-subversão e do contra-terrorismo.

Cumprindo a Ditretriz Presidencial, o Exército Brasileiro, por intermédio dos generais-de-exército, comandantes militares de área, centralizou, coordenou, comandou e se tornou responsável pela condução da contra-subversão e do contra-terrorismo no País.

Isto foi possível com a crição do:

- DOI/CODI/I Exército - Rio de Janeiro;

- DOI/CODI/II Exército - São Paulo (em substituição a OBAN);

- DOI/CODI/IV Exército - Recife;

- DOI/CODI/Comando Militar do Planalto - Brasília.

No ano seguinte com a criação do:

- DOI/CODI/5ª Região Militar - Curitiba;

- DOI/CODI/4ª Divisão de Exército - Belo Horizonte;

- DOI/CODI/6ª Região Militar - Salvador;

- DOI/CODI/8ª Região Militar - Belém; e

- DOI/CODI/ 10ª Região Militar - Fortaleza.

- Em 1974, foi criado o DOI/CODI/III Exército - Porto Alegre.

Os DOI eram a força pronta para o combate, diretamente a eles subordinados, recebendo e cumprindo suas ordens.



Concluindo a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, ao final de 1969, fui transferido para São Paulo.

O Boletim Interno do II Exército, de 30 de setembro de 1970, publicou a meu respeito: “A 30 Set, foi publico ter sido designado para assumir as funções de Chefe do Destacamento de Operações de Informações do CODI/II Ex, a partir de 29 Set70”. Vários outros militares também foram designados para os DOI criados.

Cumprindo a ordem recebida, nesse dia, assumi o comando daquele Destacamento e lá permaneci até 23/01/74, quando fui transferido para Brasília.

A partir do dia que passamos a trabalhar nos DOI, as nossas vidas particulares e a nossas carreiras passaram a sofrer os mais variados testes.

Grandes pressões psicológicas pesaram sobre nós e nossos familiares.

Sobre nossos ombros iriam cair imensas responsabilidades. Vidas humanas passariam a depender das nossas decisões. Até aquele momento, estávamos acostumados a viver num Exército que apenas se preparava para o combate.

Iniciava-se, para nós e nossas famílias, uma total mudança de hábitos, que só viríamos sentir com o passar dos meses.

Era uma vida desgastante, cheia de riscos, sacrifícios e de privações.

As ameaças de seqüestros de nossas esposas e filhos eram constantes.

O general Humberto de Souza Mello, durante o período em que comandou o II Exército, sempre teve um especial atenção para com todos os membros do DOI/II Ex. As suas visitas inopinadas, normalmente, ocorriam horas depois de regressarmos de alguma operação de risco. Nessas ocasiões, nosso comandante elogiava a bravura de nossos homens, impulsionando-os, cada vez mais, para o cumprimento do dever. Isso elevava o moral e o espírito de corpo.

Quando algum outro chefe militar ia oficialmente ao II Exército, a visita ao DOI constava, invariavelmente, da programação oficial.

Assim , também, acontecia nos demais DOI do país.

Para nossa felicidade, tivemos como chefe da 2ª Seção do Estado-Maior do II Exército o coronel Mário de Souza Pinto.

Era um oficial de prestígio e competente. Em Santa Maria-RS, havia comandado o Regimento Mallet, onde se destacou como um dos melhores comandantes daquela unidade militar, a mais tradicional da Artilharia.

Tivemos a ventura de tê-lo como chefe, em pleno período de combate. Tinha todas as qualidades que um subordinado espera de seu comandante: justo, amigo, eficiente, companheiro, corajoso. Era um oficial sério e correto e não admitia deslizes, corrupção e falhas de caráter.

Se alguém cometesse uma falta dessas, sua mão era bastante pesada para punir.

É, portanto, com tristeza, que vejo a esquerda revanchista, baseada em seus próprios critérios de comportamento, inventar que nossos salários eram complementados com dinheiro de empresários; que dávamos proteção e cobertura a marginais; que nos apossávamos do dinheiro e de bens das pessoas que eram presas; que no DOI estuprávamos mulheres; que introduzíamos objetos em seus órgãos sexuais; que torturávamos e prendíamos, não só crianças, como pais, irmãos e parentes de presos que nada tinham a ver com a subversão e o terrorismo. Isso, jamais aconteceu!

Seguidamente sou apontado como chefe de homens que praticaram tais atos. Eu jamais os permitiria.

Combatíamos um inimigo que não usava uniformes, que se misturava no seio da população, de onde surgia, de surpresa, para o ataque.

Nossos inimigos, hoje chamados pelo atual governo de "resistentes", sabiam que lutavam não apenas para derrotar o regime militar, mas para estabelecer um regime comunista, uma "ditadura do proletariado". Isto, hoje, está mais do que provado e tem sido repetido por historiadores que pertenceram a organizações terroristas.

Não foi sincera a presidente Dilma quando afirmou que eles lutavam pela democracia. Não é isto o que está escrito nos progranas das organizações terroristas que ela pertenceu.

Nós, por outro lado, estávamos cientes de que lutávamos pela democracia.

Depois de 4 anos de lutas, nós os vencemos e é graças à democracia que soubemos defender que eles, hoje, estão no poder, e valendo-se dele para infringir a lei, praticar a corrupção e promover a desordem, a infração impune da lei, o revanchismo e o achicalhamento dos valores morais e éticos da sociedade.

Os vencemos, lamentando cerca de 500 mortes, de ambos os lados. Se eles tivessem sido vitoriosos, haveria um banho de sangue no Brasil, à semelhança do que aconteceu nos países onde eles assumiram o poder e, hoje, estaríamos vivendo sob uma férrea ditadura comunista.

Todos nós, que combatemos a luta armada comunista, podemos bater no peito e gritar com orgulho de soldados: Missão cumprida!

Fomos elogiados por nossos chefes de então, recebemos medalhas, muitos a Medalha do Pacificador com Palma, a mais alta condecoração outorgada em tempo de paz, pelo Exército Brasileiro, fomos distinguidos com nomeações para funções de prestígio.

Passam-se os anos.

Eu já tenente-coronel, comandava o 16º Grupo de Artilharia de Campanha, em São Leopoldo, RS.

Uma noite, num jantar para comemorar o aniversário do Grupo, sentei ao lado do Comandante da 3ª Região Militar, Gen Serpa, conhecido carinhosamente como Serpa Louro, para diferenciá-lo de seu irmão, também general, que era moreno.

Disse-me ele: Coronel, estou muito preocupado com o seu futuro. O senhor, na luta contra os terroristas, ao comandar o maior DOI do Brasil, se expôs muito. O Exército tem que blindá-lo e protegê-lo.

Respondi: General, todos os combatentes dos DOI cumpriram com o seu dever, cumpriram a missão dada pelos seus chefes. Fui um dos condecorados com a Medalha do Pacificador com Palma. Sempre fomos elogiados e prestigiados pelos nossos chefes. Nunca fui chamado a atenção, nunca fui punido, nem cometi qualquer arbitrariedade. Tenho a certeza de que, se no futuro, os nossos inimigos tentarem nos atingir, o Exército ao qual servimos com tanta dedicação e com o risco, não só das nossa vidas, como a de nossas famílias, sairá em nosso favor e nos defenderá.

Ele então me disse: Coronel, o senhor é muito jovem e sem experiência. Gostaria muito que isto acontecesse, mas, tenho minhas dúvidas.

Em abril de 2006, já reformado, recebi uma Notificação do Juiz da 23ª Vara Civel de São Paulo, a respeito de acusações de tortura de Ana Maria Teles e outros. Deu-me o magistrado 15 dias para apresentar, a minha Contestação.

Como este foi o primeiro caso, onde um militar estava sendo processado por ter participado do combate ao terrorismo, pedi ao Exército uma orientação, bem como para saber o que seria feito.

A resposta do comandante do Exército, General Francisco Albuquerque, foi clara e incisiva: "O Exército não vai fazer nada". Dias depois o General chefe de Comunicação Social, em entrevista à imprensa disse "O Exército não vai se pronunciar porque o caso está sub júdice".

E assim, vi que o General Serpa tinha razão.

Sempre tive a certeza de que, mesmo passados 40 anos, e tendo mudado as circunstâncias políticas, o Exército assumiria, publicamente, o seu envolvimento e a sua responsabilidade no combate ao terrorismo. Que não se omitiria e assumiria que nós como membros de uma unidade militar, como agentes do Estado, combatemos, cumprindo ordens de nossos chefes.

Pensava que os atuais chefes militares, hoje ocupando as mesmas funções daqueles que nos deram ordens, responderiam por eles e seriam solidários conosco.

Infelizmente, isto não aconteceu. Ficamos todos nós, os combatentes dos DOI - militares do Exército e da Aeronáutica, integrantes da Polícia Federal e das Polícias Civil e Militar - jogados à própria sorte, ignorados e abandonados pelo Exercito que nos designou para a missão. Missão, que para o bem do Brasil cumprimos com êxito inquestionável.

Aos Generais “Serpa” a minha reverência e o meu respeito, aos demais, o meu lamento...

Carlos Alberto Brilhante Ustra, membro do Ternuma, é Coronel Reformado do EB.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Tráfico de influência no governo: Dirceu confirma a espanhóis que Dilma preside, “mas Lula é o nosso líder”

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net
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Por Jorge Serrão

Por causa das declarações de José Dirceu ao jornal espanhol El Pais, do último dia 26, Luiz Inácio Lula da Silva se torna ainda mais enquadrável no processo do Mensalão, como o grande chefão de tudo que acontece em torno da Presidência da República. Dirceu deixou claro na entrevista aos espanhóis que é Lula quem ainda manda no governo federal. Dilma deve ter odiado ouvir tal verdade proclamada por Dirceu - amigo que sempre falou com Lula todos os dias, por telefone via satélite, desde quando foi obrigado a deixar oficialmente o governo.

Indagado sobre quem realmente dá as cartas no Palácio do Planalto, José Dirceu explicou, com sua confusa retórica: “Bem, é a Dilma. Mas segue o projeto político do PT que é um projeto do Lula. Em última análise Lula é nosso líder, não é? A presidente é Dilma, mas Lula é nosso líder”. Na lógica de Dirceu, todos obedecem ao “líder”. O ex-presidente ficaria até enquadrável em tráfico de influência, mas nenhum procurador teria a ousadia de processá-lo, ainda mais no comovente momento de luta contra um câncer.

Sorte de Extalinácio é que, em abril de 2010, por unanimidade, o plenário do Supremo Tribunal Federal resolveu, definitivamente, que ele não responderia, junto com 39 mensaleiros, sobre os crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta. Relatado pelo ministro Joaquim Barbosa, o caso do Mensalão segue em alta velocidade de tartaruga no Supremo Tribunal Federal, sem riscos aparentes para Lula – que agora só se preocupa em sobreviver, vencendo um câncer na laringe.

No caso do Mensalão, Lula e a petralhada ainda temem que seja incluído no processo um relatório da Polícia Federal que confirmaria a prática de recebimento de propina por políticos, em troca de votos ou favores, nos oito anos da gestão Lula. Em abril deste ano, Lula chegou a ironizar tal risco, em Washington, depois de uma palestra a empregados da Microsoft: “Tem uma peça que dizem que foi o relatório produzido pela PF, não se sabe se o ministro Joaquim vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos do processo. Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050. Então, não sei se vai acontecer. Não tive chance de dar uma olhada no relatório, nem vou olhar. Não sou advogado”.

O ex-deputado Roberto Jefferson sempre sustentou que avisou a Lula, em 2005, sobre o esquema de pagamento de propina a parlamentares, em troca de apoio, o que configuraria, no mínimo, a leniência de Lula com o Mensalão. Apesar da decisão pró-Lula em 2007, impedindo que ele seja incluído no rol dos réus do mensalão, a cúpula petralha ainda teme a ira de Joaquim Barbosa. O ministro estaria disposto a dar um troco em quem armou para que fossem feitas e divulgadas fotografias dele tomando whisky em um restaurante, em Brasília. Barbosa teria a convicção de que veio da cúpula palaciana a tentativa de desmoralizá-lo, quando estava de licença medical.

A volta de quem não foi ainda

"Se Dilma quiser concorrer à reeleição, é o direito dela. Ninguém pode negá-lo. Só há um jeito de ela não concorrer à reeleição: se ela não quiser".

Palavras do ex-presidente Lula numa reportagem publicada na edição desta semana da revista americana "The New Yorker".

Perguntado se toparia voltar à Presidência (de onde José Dirceu garante que ele jamais saiu e continua “nosso líder”), Lula veio com a conversinha de sempre:

"Assim como não tenho coragem de dizer que vou concorrer a alguma coisa em algum momento, não tenho coragem de dizer que não vou. Não existe isso de ficar fora da política para sempre. Só a morte pode tirar um político da política para sempre. Olhe o Jimmy Carter: teve uma Presidência falha, e agora é o melhor ex-político na política. Eu o admiro. E Clinton - nunca vai perder sua importância. Então, o que vai acontecer no futuro? Eu não sei. Eu já cumpri meu papel no Brasil".

Profecia maldita

"Não nasci político. Estive fora da política até os 31 anos. Mas sei que vou morrer político. É minha vocação".

As palavras de Lula à revista The New Yorker teriam menos peso se não fossem dadas no no início de agosto deste ano.

Ao garantir que “morreria político”, Lula nem sonhava que teria de encarar o terrível tratamento de quimio e radioterapia contra um câncer de laringe.

Contra ou a favor?

Bem arranjada pela empresa CDN, que cuida da imagem do governo brasileiro no exterior, a matéria da The New Yorker sobre Dilma pega pesado contra o governo dela, em várias frases:

"O Brasil é governado por ex-revolucionários sem remorso, muitos dos quais, incluindo a presidente, foram presos por anos por serem terroristas".

"Ninguém acredita que Dilma é corrupta, mas ela trabalhou por anos com algumas das pessoas que se demitiram".

"O governo central é muito mais poderoso que nos Estados Unidos. Também é muito mais corrupto".

"A criminalidade é alta, as escolas são fracas e as estradas são ruins”.

Leia a íntegra da reportagem “Dilma Rousseff, Luis Inácio Lula da Silva, and Brazil’s Growth
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 29 de Novembro de 2011.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Escândalo Gemini: Dilma questionará Graça Foster - sua preferida para presidir a Petrobras?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa

Antes de tudo, Presidente Dilma, eu devo informar que – devido ao fato de estar impregnada de alto interesse público – esta carta, por mim dirigida a Vossa Excelência, não só será devidamente protocolada, como também será publicada em forma de artigo com o título “Escândalo Gemini: Dilma questionará Graça Foster sua preferida para presidir a Petrobras?

Conforme se sabe, segundo notícias veiculadas na mídia, a Diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster – contando com a preferência de Vossa Excelência – é a mais forte candidata a assumir o comando da empresa, em lugar do atual presidente, José Sérgio Gabrielli. O problema é que o baiano, que pretende concorrer ao governo de seu estado em 2014, não pretende sair agora de onde está.

Considerando que a presidência da Petrobras é um cargo de excepcional importância para o interesse nacional, não posso deixar de submeter à apreciação de Vossa Excelência, o procedimento da Diretora Foster diante da carta (ANEXO I), que trata do caso da Gemini – espúria sociedade por meio da qual o governo brasileiro entregou o cartório da produção e comercialização de gás natural liquefeito (GNL) a uma empresa privada.

Tal carta, cujo endereço eletrônico se encontra ao final, foi protocolada na sede da Petrobras em 26 de maio de 2011, e publicada na edição de 23 de maio de 2011 do Alerta Total (http://www.alertatotal.net/) com o título “Dilma tem vergonha de ser a ‘Mãe da Gemini’?”.

Ninguém há de negar, Presidente Dilma: o fato de ter passado seis meses sem uma manifestação da Diretora Foster a respeito dos graves assuntos contidos na citada carta caracteriza inadmissível falta. E, incontestavelmente, tal falta joga na lata de lixo as empolgantes palavras proferidas por Vossa Excelência junto à ONU sobre a necessidade de colaboração entre o governo e os cidadãos.

Naquela oportunidade, Presidente Dilma, Vossa Excelência encantou os formadores de opinião, ao declarar, como uma autêntica estadista: “Trata-se de assegurar a prestação de contas, a fiscalização e a participação do cidadão, criando uma relação de mão dupla permanente entre o governo e a sociedade... Governo aberto não é apenas transparência e combate à corrupção. É cidadania, participação popular e melhor prestação de serviços públicos”.

Para agravar a situação, Excelência, na carta que não mereceu resposta da Diretora Foster, a ela afirmei categoricamente: “Conforme se vê na carta (Anexo I), por mim encaminhada à Presidenta Dilma Rousseff em 23 de maio de 2011, destaquei o fato de a Senhora ter me afirmado falsamente que todos os esclarecimentos sobre a Gemini me “foram exaustivamente prestados, não restando mais nada a ser acrescentado”.

A citada carta por mim encaminhada a Vossa Excelência, Presidente Dilma, foi integralmente transcrita no artigo (ANEXO II) “Senhora Presidenta, vamos agir contra os cartéis?”, cujo endereço eletrônico se encontra ao final.

O mais grave, no entanto, Excelência, foi o fato da Diretora Foster ter se mantido em silêncio diante da denúncia por mim formulada ao Procurador-Geral da República em 19 de outubro de 2010.

Referida denúncia – que se encontra anexada à carta não respondida pela citada Diretora – trata de evidências sobre uma rede de cumplicidade para praticar tráfico de influência com o objetivo de blindar a Gemini. Incontestavelmente, fato da maior gravidade, Presidente Dilma.

O silêncio da Diretora Foster torna-se ainda mais preocupante, Presidente Dilma, ao se constatar que tal denúncia foi considerada altamente ofensiva à honra de Vossa Excelência pelo Ministério Público Federal (MPF).

Para que se tenha uma idéia do entendimento do MPF, no documento (ANEXO III) em que decidiu pelo arquivamento da denúncia, o Procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho afirmou categoricamente:

1 – “O objeto destas peças informativas é, exclusivamente, o suposto tráfico de influência imputado à Presidenta da República”;

2 – “A alegação de tráfico de influência praticado pela então Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi mera ilação”;

3 –“Aprovação da formação da sociedade pelo CADE, ilícito este que teria sido praticado pela Presidenta da República Dilma Rousseff”;

4 –“Quanto ao suposto tráfico de influência, deve-se dizer que não há um mínimo de lastro probatório para dar suporte a tese de que a Presidenta da República Dilma Rousseff, então Ministra das Minas e Energia e Presidenta do Conselho de Administração da Petrobras tenha praticado atos ilícitos”;

5 –“A mera correlação feita pelo representante entre os cargos ocupados à época e a fusão das empresas não permite a presunção de que tenha ocorrido intermediação ilícita entre a então Ministra de Minas e Energia e os Conselheiros do CADE, a ensejar a irregular aprovação da criação da empresa. Trata-se, assim, de mera ilação”.

Cabe informar que, para confrontar com o acima transcrito entendimento do MPF, escrevi o artigo (ANEXO IV) “Dilma foi caluniada no escândalo Gemini?”, cujo endereço eletrônico se encontra ao final.

Em tal artigo, afirmei que as interpretações do MPF seriam por mim pulverizadas em outra oportunidade – caso Vossa Excelência se julgasse por mim caluniada e, em defesa de sua honra, me processasse judicialmente.

A verdade – toda a verdade – sobre este autêntico crime de lesa-pátria, também, é uma verdade de interesse da sociedade brasileira. A sociedade não se satisfará apenas com verdades apuradas sobre perseguições políticas, que, obviamente, estarão sujeitas a manipulações ideológicas.

Diante de tantas distorções, mentiras e omissões, Presidente Dilma, espero que Vossa Excelência, usando da autoridade de seu cargo, leve a Diretora Foster a se manifestar, sobre a Gemini, Isso, ou não restará qualquer resquício de credibilidade às encantadoras palavras proferidas por Vossa Excelência junto à ONU.

Relação de Anexos:

(ANEXO I) – Artigo “Dilma tem vergonha de ser a ‘Mãe da Gemini’?” (http://www.alertatotal.net/2011/05/dilma-tem-vergonha-de-ser-mae-da-gemini.html)

(ANEXO II) – Artigo “Senhora Presidenta, vamos agir contra os cartéis?” (http://www.alertatotal.net/2011/05/senhora-presidenta-vamos-agir-contra-os.html)

(ANEXO III)– Posicionamento do MPF sobre denúncia relativa à Gemini

(ANEXO IV) – Artigo “Dilma foi caluniada no escandalo Gemini’?” (http://www.alertatotal.net/2011/11/dilma-foi-caluniada-no-escandalo-gemini.html)

João Vinhosa é Engenheiro joaovinhosa@hotmail.com

O Exemplo vem de cima

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcos Coimbra

Nestes conturbados e abomináveis tempos vividos pelo sofrido povo brasileiro, é necessário recordar o velho ditado, cada vez mais atual. Como cobrar do cidadão o cumprimento do dever, com honestidade, zelo e competência, considerando as nada republicanas demonstrações transmitidas por aqueles que deveriam ser modelos para a sociedade brasileira?

No âmbito internacional, é implantada uma perigosa figura chamada de “zona de exclusão aérea”, aceita como normal pela maioria dos países integrantes da ONU. O exemplo recente da Líbia, com uma intervenção militar de fato de países estrangeiros componentes da OTAN, a pretexto de proteção de civis, cria um precedente perigoso, capaz de ameaçar todos os países não possuidores de artefatos nucleares. Isto porque ninguém seria capaz de pensar em adotar uma agressão do gênero contra uma Nação detentora de poder dissuasório (VLS e artefatos nucleares). O resultado foi o massacre de milhares de cidadãos líbios e o assassinato com requintes de crueldade, com direito a abuso sexual, do ditador Kadafi. Por pior que ele tenha sido, um dos fatores que diferenciam a civilização da barbárie é justamente o modo como são tratados os prisioneiros de guerra. Será que os responsáveis serão denunciados junto ao Tribunal Penal Internacional?

No Judiciário, o Sistema de Acompanhamento de Processos Disciplinares contra Magistrados contabiliza 1.353 processos (somente com dados dos tribunais de Justiça) contra juízes, os quais tinham suas respectivas identidades salvaguardadas com a substituição de seus nomes pelas iniciais. Agora, retiraram as iniciais da página da Internet, somente sendo citado o número do processo, o resumo da acusação e o cargo do magistrado, informando se é juiz ou desembargador. De fato, é altamente danoso o ato, pois, a nosso ver, prejudica a imagem da imensa maioria do nosso quadro de magistrados, constituído por personalidades do mais alto saber jurídico, de moral inatacável e reputação ilibada.

No Legislativo persiste a nefasta prática do denominado “presidencialismo de coalizão”, predominando a odienta cooptação de bancadas inteiras de partidos políticos, através da política do “toma lá, dá cá”, onde não são discutidos valores e princípios morais e éticos, muito menos programas partidários e ideais, mas sim a barganha do voto submisso em troca de emendas, cargos e outras benesses. O nível de desmoralização da figura do político chegou a tal extremo que passou a ser sinônimo de alguém nefasto, do mal, quando deveria ser o oposto, com suas exceções de praxe. Chegou ao ápice com a estatização da Fundação José Sarney, transformada em Fundação Memória Republicana, através de lei estadual no Maranhão. De fato, é de estarrecer!

No Executivo, persiste a pantomima da manutenção no ministério do Sr. Carlos Lupi, quando todos sabem que ele não mais possui a mínima condição de continuar a frente da pasta do Trabalho. A cada dia, é maior o sangramento não só dele, como também de seu partido, possuidor de uma história a zelar. É comovente o esforço de membros mais lúcidos do próprio partido, advertindo de maneira serena e inteligente à direção e à própria esfera máxima da administração pública sobre a necessidade de sua substituição imediata. É difícil, para um cidadão comum, descobrir as razões impeditivas da exoneração do cidadão, não apenas em função das graves acusações contra ele, mas também pela ausência de compostura demonstrada em suas patéticas tentativas de explicar o inexplicável.

Muitos outros já deveriam ter sido despedidos, por variadas razões, inclusive a incompetência, mas são mantidos como parte da “herança maldita” da gestão anterior, em nome da governabilidade, aguardando a saída na propalada reforma ministerial a ocorrer no princípio do ano vindouro. Um exemplo deles é o Sr. Fernando Haddad, detentor da estratégica pasta da Educação, indicado por um “dedaço” do ex-presidente Lula como candidato a prefeito de São Paulo pelo PT e virtual vencedor do pleito devido à incompetência da oposição. Afinal, o cidadão não conseguiu realizar a contento nenhum dos três exames do ENEM sob sua responsabilidade, além de ser o (ir)responsável pelo “kit gay” e outros absurdos do tipo. Como pretender ser o administrador do terceiro orçamento do país?

Aliás, esta questão do “dedaço” também é preocupante. A forma como foram afastadas da disputa figuras expressivas do PT como a senadora Marta e dois outros postulantes, ambos deputados federais, foi assustadora. E também já está “nomeado” pelo ex-presidente o futuro governador de São Paulo, o atual prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho. Se a moda pegar, não haverá mais necessidade de eleições no Brasil. Bastará perguntar a Lula quem deverá ser o eleito.

Não é desta forma que o Brasil conseguirá assegurar uma posição de potência mundial, como deveria ser. Não adianta tentar ser uma das maiores economias do mundo sem a correspondente evolução das demais expressões do Poder Nacional (política, psicossocial, militar e científico-tecnológica).

Marcos Coimbra é Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br - Página: www.brasilsoberano.com.br – Artigo originalmente publicado no Monitor Mercantil em 23 de novembro de 2011.

Podridão na estrutura estatal

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Manuel Cambeses Júnior

Há algum tempo a imprensa tem dado destaque a algumas revelações verdadeiramente escandalosas sobre o envolvimento de políticos e autoridades governamentais em atos desairosos e denunciado o enriquecimento ilícito de maus patriotas no exercício da função pública.

Se adicionarmos a estes lamentáveis casos as denúncias e investigações que envolvem, em diferentes oportunidades, funcionários do setor administrativo, inclusive colaboradores diretos da Presidência da República, chega-se à conclusão de que a maré de anomalias, torpezas e suspeitas está profundamente enraizada nos Três Poderes do Estado.

Constatamos, com imensa tristeza, no atual cenário político nacional, inumeráveis e lamentáveis fatos que vêm sistematicamente ocorrendo, envolvendo autoridades públicas - especialmente Ministros de Estado e funcionários do primeiro escalão governamental -, que o nosso país se encontra em avançado processo de putrefação moral.

E se esse processo deletério não for estancado, a curto prazo, a projeção que podemos fazer para o futuro é dramática. Portanto, algo deve ser feito para estancar, de imediato, com todos esse desatinos.

Os fatos, ao longos dos últimos anos, mostram que eles, os detentores do poder, urdiram um plano diabólico para, paulatinamente, desmontar o poder de reação de nossas Forças Armadas.

Ardilosamente, eles colocam as mais altas patentes militares em posições confortáveis, exercendo funções inócuas no exterior, com o vil propósito de amolecer a têmpera e o poder decisório que sempre nortearam os homens da caserna. Nos níveis inferiores, os cargos esparsos na esfera governamental terminam por dissuadir as mentes e por enfraquecer o vigor pátrio. Assim, acomodam, anestesiam, os anseios da maioria que ficam a esperar que, por vias pacíficas, ou por um milagre qualquer a situação se normalize.

Mas, bem sabemos, tal processo deletério não muda - apenas - com promessas, com palavras ou com intenções. Só ações efetivas, tomadas por pessoas de têmpera forte, com qualidades de liderança, poderão transformar as esperanças, as decisões em ações.

Ações que irão debelar essa pletora inominável de desvios de conduta de mentes doentias e mentirosas que, os fatos, sempre eles, mostram, comprovam, vêm dominando, em especial, nestas duas últimas décadas, o nosso país, em todos os seus quadrantes.

Portanto, só com ações efetivas poderão ser saneadas a contaminação que tomou conta do país. Um país onde uma maioria de prefeituras conta com prefeitos e vereadores corruptos e corruptores. O mesmo acontece com governadores, deputados distritais, estaduais, federais, senadores e até mesmo os que deveriam zelar pela manutenção e a aplicação da Lei: os juízes. Sim! pois vários deles são apontados, julgados e condenados por prevaricação, concussão e por atos dolosos e danosos ao sistema jurídico e aos cofres públicos.

E esse quadro devastador se estende, segundo os fatos tão alardeados, até ao pontos mais elevados da estrutura de poder nacional. Um absurdo inominável!

Urge, pois, que medidas efetivas e saneadoras sejam tomadas para resgatar a saúde moral de nosso país. Para que sejamos, um dia, de fato, uma Nação.

Uma Nação onde prevaleçam os valores da Liberdade, da Democracia e da Igualdade entre todos os cidadãos.

Claro está que os cidadãos comuns - em uma população onde mais de 70 % são catalogados, pelo IBGE, como analfabetos e analfabetos funcionais, sem formação militar e sob uma política estúpida de desarmamento dos homens de bem (enquanto os marginais se encontram armados, bem armados...) - se sentem ainda mais impotentes ante esse aterrador quadro que, factualmente, domina a máquina administrativa do Brasil. E, assim, pelos fatos listados, nada poderão fazer para mudar esse trágico status quo.

Como disse antes, urge que os que podem e têm esse poder, do ponto de vista de treinamento de uma vida; preparo técnico, conhecimento dos mecanismos de defesa de um país, enfim, aqueles que foram preparados para defender a soberania da Pátria, acordem e façam algo de efetivo. Tomem a decisão de debelar, de uma vez por todas, esse Mal que - os fatos incontestáveis mostram - tomou conta do nosso país.

E, afinal, qual será o futuro se esse processo continua? Se todas as aves de rapina continuam livres e a esbulhar o país? Com tantos privilégios e com essa brutal excrescência denominada 'Foro privilegiado'. Um malévolo dispositivo criado nos estertores do mandato do FHC? Esse mesmo senhor que começou o processo de erosão de nossas FFAA e da Escola Superior de Guerra. Que também assinou, aceitou e se submeteu às decisões dos países hegemônicos que hoje se encontram com um pé firmemente fincado em nosso solo pátrio? Leia-se: Raposa Terra do Sol...

Assim, o que está em jogo é o futuro de todos nós. E, em especial, de nossos filhos e nossos descendentes.

E, por último mas não menos importante, o que podem os cordeiros contra os lobos? Nada! Cordeiros sem proteção são e serão, por certo, presa fácil nas mãos predadoras de todos esses que aí estão a esbulhar, livremente, o patrimônio brasileiro. Patrimônio que foi criado e acumulado com o trabalho, a luta, o denodo, o vigor, o sofrimento e o sangue de nossos pais e nossos ascendentes.

Uma história de lutas que, agora, assistimos impotentes, se perder nas mãos insidiosas e espúrias de todos esses lobos que saqueiam o país e nos tratam, a todos, como marionetes.

E, tragicamente, além de roubarem o próprio país eles não pensam duas vezes em se submeter e entregar, repassar, as riquezas de nosso solo, aos algozes de sempre e que têm seus atos de dominação tão bem registrados e consubstanciados na História Mundial.

É muito difícil para a opinião pública assimilar o caudal de informações deprimentes que golpeiam, diariamente, a sensibilidade dos cidadãos, sem que seja experimentado um profundo desalento moral e observado, com um fundo de incredulidade, o funcionamento das instituições sobre as quais repousa a ordem republicana.

Ante esta dura realidade é imprescindível criar-se, o quanto antes, as condições que permitam reconstruir o prestígio da Organização Estatal, hoje fortemente afetado pela sordidez desses maus brasileiros.

Uma sociedade que não confia em suas instituições dificilmente poderá caminhar com passo firme na direção de metas perduráveis de progresso, justiça e bem-estar. A honorabilidade dos homens públicos, qualquer que seja o nível e a natureza de sua função, é um oxigênio insubstituível para o desenvolvimento da capacidade criativa do corpo social, que dificilmente mobilizará, com profundidade, suas energias espirituais e materiais, se considerar que o fruto de seu esforço será aproveitado, desavergonhadamente, pela voracidade, ambição, vileza e falta de escrúpulos de uns poucos.

À imprensa lhe corresponde uma missão fundamental nesta empreitada de reconstrução nacional. Na maioria das vezes tem sido a mídia o instrumento de denúncia de manejos ilícitos por quem exerce o poder (seja de quem tenha chegado à função pública pelo voto popular ou de quem desempenha cargo de confiança em virtude de nomeação).

É alarmante imaginar quantos focos de corrupção teriam permanecido ocultos se os profissionais de imprensa não lhes houvesse focado a luz. Daí ressalta-se o valor estratégico da liberdade de expressão como pilar da ordem constitucional.

Frente à onda de seguidos fatos e focos de corrupção que ameaçam erodir os alicerces do Estado, toda a sociedade brasileira deve pôr-se de pé, para exigir que os atos ilícitos identificados e denunciados pela imprensa - desde que devidamente comprovados - sejam punidos exemplarmente, e que os controles do sistema democrático funcionem com eficácia e em plenitude, na salvaguarda da transparência moral, que é a virtude suprema da República.

Manuel Cambeses Júnior é Coronel Reformado da FAB.

domingo, 27 de novembro de 2011

No Brasil Louco, bom negócio é Controlar...

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

A sabedoria popular proclama: “Maluco é aquele que rasga dinheiro”. Por tal lógica, somos um Brasil de loucos varridos. De janeiro a outubro deste ano, o setor público tupiniquim jogou fora (no cofrinho dos bancos) R$ 197 bilhões e 732 milhões apenas com o abusivo pagamento de juros da dívida pública trilionária – que não para de crescer, porque o nosso Estado Capimunista só opera na gastança, no desperdício e no mais completo descontrole social.

O dinheiro desperdiçado na usura pelos governos federal, estaduais e municipais corresponde a 5,9% de tudo o que o País produz em um ano – o tal Produto Interno Bruto (PIB). O chefe do Departamento Econômico do Banco Central do Brasil, Tulio Maciel, tenta explicar o aumento do volume de gastos com juros.

Os culpados por tamanha loucura são os indexadores que corrigem a dívida: a inflação e a taxa básica de juros, a Selic. Ambas tiveram alta no início deste ano. O paciente Brasil continua internado em tratamento de câncer. Mas os governistas juram que tudo está bem por aqui, apesar do pior dos mundos possíveis ser pintado, todo dia, pelo noticiário vindo lá de fora.

Só não ver quem não quer a desaceleração da economia do Brasil. O ICE (Índice de Clima Econômico medido pela Fundação Getúlio Vargas) recua claramente. Caiu de 5,8 pontos (em julho) para 4,8 pontos (em outubro). A indústria paulista cortou 18 mil vagas de trabalho em outubro.

O BC do B está com o dele (por conseguinte, o nosso) apertadinho. A tal da crise mundial já dá seu ar da desgraça por aqui. Na região mais próspera do País, Sorocaba e adjacências, no rico interior de São Paulo, a indústria já começa a demitir, cancelar encomendas de máquinas e equipamentos e a rever planos de expansão.

Os empresários já estão com a varinha curta para frente porque já começam a sentir o aperto por trás. Seria assunto para o doutor Jacinto Leite no Rego, mas o entendido especialista é exclusivo da turma do Casseta e não presta consultoria para o Alerta Total. Aliás, não queremos o dedão dele se metendo em nossos assuntos.

Indo de um extremo a outro, falemos do drama do Gilberto Kassab. O principal industrial das multas de trânsito no Brasil está com o dele na reta (e não é porque hoje é dia dele entregar o troféu aos vencedores do GP Brasil de Fórmula 1). Quase foi cassado da Prefeitura de São Paulo e teve os bens pessoais bloqueados por causa de uma picaretagem chamada “Controlar”.

Kassab sente a dedada da Justiça por causa da empresa privada (com ou sem trocadilho) que faz uma obrigatória e questionável inspeção veicular em São Paulo, tungando R$ 61,98 anuais de cada “propriotário” de veículo. A renovação do contrato para a prestação de tal (des)serviço, sem licitação foi questionada pelo Ministério Público.

A Controlar pertence à CCR – que tem como acionistas a Camargo Correa e a Serveng. Apenas por mera coincidência, na campanha eleitoral passada, a primeira doou para Kassab R$ 3 milhões, e a segunda, R$ 1,2 milhão. Será que parte do rico dinheirinho foi bancada pelos otários obrigados a pagar a taxa da “Controlar”?

Aqui ou lá fora, o melhor negócio é mesmo controlar. Laboratórios de Engenharia Social produzem programas neurolinguísticos para enganar, tentar manipular e influenciar as pessoas com conceitos errados, a partir de informações prévias sobre elas e seus hábitos monitorados on line.

Quem ainda duvida disso veja o FootPath Technology que monitora o movimento de clientes através de cada loja de um shopping center. Com uma série de antenas internas, o sistema captura o número de identificação único que existe em cada aparelho celular. Depois, é só bisbilhotar à vontade.

Com tais informações analisadas, os analistas de consumo preparam “a maioria”, psicologicamente, para adoção de comportamentos programados e padronizados pelo esquema consumista de Poder Real. Os alvos da propaganda e publicidade consumistas sofrem modificações do comportamento. Sem informação real e reflexão, tornam-se o midiota ou imbecil coletivo.

Os esquemas de poder Capimunista ampliam o controle social. Vamos deixar nos controlarem facilmente?

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

© Jorge Serrão 2006-2011. Edição do Blog Alerta Total de 27 de Novembro de 2011. A transcrição ou copia deste texto é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas.

Ecos de 1935 da CV

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Maynard Marques de Santa Rosa

Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (Paulo, I Cor., X, 23).

Sendo o homem intrinsecamente livre para pensar e agir, o alerta do Apóstolo insere-se, perfeitamente, no contexto das idéias.

Ao admitir a violência revolucionária como postulado de sua filosofia, Marx condenou à execração ética todo o acervo de uma brilhante concepção.

O argumento dos fins humanitários não justifica a tirania dos meios, por afrontar a lei universal da harmonia que deve reger as relações humanas.

Ninguém tem o direito de impor aos semelhantes as soluções de sua preferência, sobretudo quando ameaçam a liberdade individual e o patrimônio privado.

Ao longo da História, o Brasil tem sido vítima contumaz dos próprios filhos rebeldes, de mentes colonizadas por idéias estrangeiras, ao serviço de uma metrópole geopolítica.

Patrocinados pelo expansionismo estalinista, os insurgentes de 1935 apunhalaram a alma nacional, nas vítimas adormecidas do 3º Regimento de Infantaria e da Escola de Aviação Militar.

Sufocada a intentona, sobreviveu a motivação subterrânea, voltando a emergir no início da década de 1960, sob os termos revisionistas do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética.

Ao dividir-se o movimento, as facções fundamentalistas retomaram o uso da força no final da década, sob novo patrocinador estrangeiro, sendo contidos pela repressão governamental.

Quem adota a violência não pode eximir-se da reciprocidade. A sociedade nacional, de índole pacífica e ordeira, ainda não descobriu a vacina patriótica para o vírus da traição.

Acolhidos novamente pelo espírito conciliador da Nação, grupos ideológicos chegaram ao poder, aproveitando-se da via democrática que tanto buscaram destruir.

A ética revolucionária, porém, não se satisfaz com a pacificação política. Desconhecendo o sentimento de perdão consagrado nas iniciativas de anistia desde 1822, acaba de ser instituído um mecanismo potencialmente revanchista, cinicamente destinado à busca da verdade.

Atualmente, os auspícios ideológicos de Gramsci justificam até mesmo a corrupção que grassa no cenário político, absolvendo a consciência laxa dos militantes no poder.

Enquanto houver imprensa livre, no entanto, a verdade dos fatos voltará a aparecer, dissipando os miasmas de tirania.

A quem, licitamente, se deixa dominar por uma idéia, convém a reflexão de Goeth: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser”.

Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército na Reserva.

A Verdade Verdadeira

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ivan Frota

Dando continuidade e consequência ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, obra do Presidente Luiz Inácio da Silva, em dezembro de 2009, foi proposta a criação da denominada Comissão da Verdade para apreciar a violação dos direitos humanos no período de 1946 a 1988, como fruto da iniciativa de ex-integrantes de organizações terroristas e guerrilheiras que militaram contra o Movimento Democrático de 31 de Março de 1964.

A lei para instalação dessa comissão, sob o pretexto de “efetivar o direito à memória e à verdade histórica, e promover a reconciliação nacional”, foi sancionada pela Presidente da República em 19 de novembro de 2011, em ato de flagrante violação da Lei de Anistia, confirmada em recente acórdão do Supremo Tribunal Federal.

A denominação desse colegiado pretende levar os brasileiros desavisados a crer que suas conclusões serão a expressão de absoluta, incontestável e dogmática verdade.

Nos termos dessa lei, tal entidade será composta por sete membros de “reconhecida idoneidade e conduta ética” (atributos raros nos membros do atual governo) a serem designados pela Presidente da República.

A abrangência temporal estabelecida na lei (1946/1988), excluindo épocas em que ocorreram outros acontecimentos conturbados da vida nacional, tais como a Intentona Comunista de 1935 – cujos mortos serão, mais uma vez, venerados no próximo dia 27 de novembro – e a vigência da Ditadura Vargas (1930/1945), denuncia a intenção de ocultá-los de tal análise e de ater-se ao vezo indeclinável do revanchismo inconseqüente contra as Forças Armadas nacionais. Estas por terem sido o instrumento institucional do Povo Brasileiro para o restabelecimento da ordem pública, por meio do referido movimento iniciado em março de 1964.

Se vamos apreciar eventuais crimes contra os direitos humanos cometidos nesses quarenta e dois anos (1946/1988), por que não acrescentar mais dezesseis (1930/1946) em tal período?

Será porque os militares, em nome do povo, os derrotaram fragorosamente em 1935 (mesmo atraiçoados pelos seus próprios colegas “vermelhos”) e 1964, nas suas frustradas tentativas de instalar uma ditadura extremada bolchevista no País?

Será para continuar enganando o povo brasileiro com as deslavadas mentiras, hoje denunciadas até por ex-integrantes de suas próprias quadrilhas, de que foram alvos de fantasiosas torturas, e que em nome dessas mentiras tenham, vergonhosamente, recebido do governo faccioso polpudas indenizações?

Será para aliviar dolorosos sentimentos de remorso por terem induzido jovens e despreparados patrícios a servir-lhes de massa de manobra em suas quixotescas aventuras bélicas, em seguida abandonando-os à própria sorte ou mesmo “justiçando-os” por não quererem mais segui-los?

Será porque, em vista das derrotas nos movimentos violentos do passado, agora pretendam alcançar seus propósitos por meio da paciente estratégia "gramsciana"?

Será porque os seus desejos de vingança são tão irracionais que não hesitam em desestabilizar a paz institucional no País para compensar suas doentias frustrações?

Se tudo isso for verdade e se essa minoria de terroristas pretende, ainda, levar avante sua paranóia, estará cometendo vários enganos.

Inicialmente, porque eles mesmos serão desmascarados nas suas mentiras e, ainda, os primeiros alvos a serem identificados como autores de hediondos crimes, covardemente, praticados contra entidades e cidadãos inocentes, nacionais e estrangeiros.

Depois, por estarem reavivando dissensões do passado entre irmãos, fazendo carga contra membros das Forças Legais, em especial das Forças Armadas, as quais, certamente, continuarão a respaldá-los, por haverem atuado em seu nome, e não permitindo, jamais, que quaisquer sanções os atinjam.

E, finalmente, é preciso considerar ser dever de todos nós, cidadãos brasileiros, mantermos intactos os valores tradicionais da Nação e os símbolos representativos de sua soberania, dentre estes, as Instituições Militares, que nunca fugiram às responsabilidades para as quais foram chamadas.

É por tudo isso que a Academia Brasileira de Defesa, coerente com seus objetivos estatutários, dentre outros, os de defesa do Estado Democrático de Direito, vem, publicamente, protestar contra a instituição dessa Comissão da Verdade por considerá-la incompatível com a legislação vigente e atentatória à paz social do País.

Ivan Frota é Presidente da Academia Brasileira de Defesa.

Sucateamento das Forças Armadas e XI ENEE

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

Circula, pela internet, notícia veiculada no Estadão (22/11/2011, A4) sobre a calamitosa situação em que se encontram as Forças Armadas brasileiras. Quanto ao fato, sabido e preocupante, agora, trazido a público por um jornal de gabarito, torna oficial e absoluta a desmoralização que os sucessivos governos vêm submetendo as Forças Singulares.

Pensando em retaliar os militares, os fernando-henriquistas, os lulistas e os dilmistas, atingiram e continuam atingindo, em cheio, o universo defensivo brasileiro que extrapola, em muito, os limites territoriais, tradicionalmente considerados.

Com o título “Relatório sigiloso da Defesa comprova sucateamento do setor militar no País”, esse jornal, analisa o Documento, elaborado pelos três Comandantes, mas somente agora mostrado à sociedade esclarecida, e põe a nu as profundas deficiências na área de defesa que, por sua vez, põem em risco a soberania nacional, na mesma ocasião em que aumentam as investidas de órgãos transnacionais sobre as Amazônias Verde e Azul.

O próprio governo desmente o governo. Não consegue, sequer, costurar um discurso coerente, habituado, como sempre esteve, a alimentar de mentiras a plateia que considera, na sua totalidade, ignara e desprovida de análise crítica.

Há poucos dias, transcorreu, na Escola Naval, o XI Encontro Nacional de Estudos Estratégicos (ENEE), patrocinado pelo governo federal. O que menos se ouviu foi algo acerca do que se está realizando, CONCRETAMENTE, hoje, em termos de planejamento estratégico, visando à defesa da mais rica região do mundo, acrescida agora do ambicionado pré-sal.

Circunlóquios e eufemismos foram a tônica do Encontro no qual o governo teve, como objetivo, mostrar que ‘dialoga’ com o público, a respeito de uma questão que não se pode manter, eternamente, no nível do abstrato, “do vamos fazer”, quando já deveriam ter sido feitas e mostradas essas realizações.

A temática dos “parcos recursos orçamentários” faz parte de qualquer discurso, de qualquer político das mais variadas hierarquias. Se pararem de desviar o dinheiro público, se atacarem de frente a corrupção vergonhosa que grassa no centro administrativo do País, haverá verbas suficientes para dar às Forças o aparato indispensável à manutenção da soberania do País.

Substituir a atriz principal DEFESA pelo ator-vedete de todos os seminários atuais, o LIVRO BRANCO, tornou-se uma forma de desviar a atenção dos verdadeiros brasileiros, apreensivos com a intimidade estrangeira nos domínios nacionais.

A sociedade não amestrada, veementemente, deseja que, a par do reaparelhamento das Forças, haja um planejamento sério, imediato, para pôr a todo vapor o parque industrial de indústria bélica, por ser impossível haver defesa sem os meios de defesa.

Esqueçam essa idéia megalomaníaca de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que interessa, verdadeiramente, aos leais brasileiros, é uma permanente defesa do Brasil.

Da mesma forma, que o discurso da END só se refere ao futuro, postergando, perenemente, as verbas, dificultando a prática de um real movimento em defesa do país, mantiveram os palestrantes do XI Encontro a mesma falácia deste Documento. Assim foram as apresentações, tantos dos civis quanto, infelizmente, dos militares. Estes, no mesmo diapasão daqueles, demonstraram o nível de domesticação a que foram levados pela convivência, no MD, com os irresponsáveis doutrinadores vermelhos, entreguistas da velha guarda. Gramsci está feliz. Nunca, em país algum, a sua doutrina foi bem-aplicada e melhor assimilada.

Ouvir de um palestrante a declaração de que em quarenta anos de caserma não tinha visto uma unidade tão grande em torno da defesa do Pais quanto agora, é mostrar-se ajoelhado, mesmo que em posição de sentido. Lamentável!

Aileda de Mattos Oliveira é Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa. Articulista do Jornal Inconfidência. Membro da Academia Brasileira de Defesa.

A leniência que requer resposta imediata

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fernando Alves de Oliveira

É ponto pacífico que Carlos Lupi está praticamente fora do Ministério do Trabalho e Emprego. Aliás, nunca disse a que veio de vez que sua atuação institucional desde que foi guindado ao cargo foi de inteira nulidade. O que a esta altura começa a ser temerário é apostar na manutenção da pasta ao PDT quando da próxima reforma ministerial, conforme quer a presidente Dilma visivelmente agastada com tanta constante faxina. Ao que se sabe só se antecipará em caso de novo incontido escândalo na área. Afinal, “nunca antes” se deparou com o surgimento de tantos nefandos e nefastos artífices especialistas em saltear a República.

Os rumores que nos últimos dias passaram a ecoar, ainda que furtivamente e cercados de cuidadosos off the record na Secretaria Geral da Presidência da República, ocupada pelo pressuroso ministro Gilberto Carvalho, indicam que o feudo outorgado pelo antecessor de Dilma ao PDT -a exemplo dos demais ministérios entregues pelo PT aos aliados e usualmente de porteira-fechada- corre sério risco de ser reconsiderado. No caso de Lupi, vale lembrar a sua condição de perfeito análogo de Lula. Ambos mistificam a posse de suas correspondentes siglas partidárias. De donatários, passaram a ser contemplados pelo séquito com o pomposo rótulo de “presidente de honra”.

Mas, afinal, quem estaria para ser contemplado como felizardo sucessor de Lupi? É óbvio que só poderia ser um ente petista. Como tal, de absoluta confiança do Planalto. A preferência é pela figura de Ricardo Berzoini, ex-ocupante da mesma pasta no Governo Lula, que por sinal acaba de revelar grande mágoa por sua exclusão da montagem do novo governo. Ao mesmo tempo, na tentativa de desmentir a hipótese de seu retorno ao cargo, afirmou “que o PT não faz conspiração contra ninguém”. A perspicácia e sagacidade contidas na frase são encantadoramente reveladoras do oposto...

Mas insatisfações pessoais menores e desinteressantes à parte, o que motiva essa mudança? Está claro que dentro da lógica inerente ao modelo de quem governa na base do “toma lá, dá cá”, quando da defenestração de um ente físico, o procedimento “ético” é o de se contemplar outro membro do mesmo partido. Como, aliás, tem ocorrido nessa constante azáfama profilática de última instância do Governo Dilma, quando o envolvido em constantes “malfeitos”. Invariavelmente depois de acusado pela mídia ser execrado pela sociedade, o personagem é “convidado” a retirar-se, sempre “a pedido”, como ocorreu desde Waldomiro Diniz, o precursor dos então “malfeitos” do governo Lula. Certo? Não necessariamente, tanto na ótica do Governo Dilma e muito menos do PT, principal sustentador de sua política.

A exemplo do que já ocorrera no anterior, o PT ocupa todos os ministérios estratégicos e majoritários do Governo Dilma, não só de contexto de importância política, mas, e principalmente, nos que lideram as maiores dotações orçamentárias... Prova material disto? Já se sabe que Haddad sairá da pasta da Educação para concorrer à Prefeitura de São Paulo e seu colega Mercadante, da Ciência e Tecnologia tomará o seu lugar e outro petista será o seu substituto. Afinal, na doutrina petista prevalece o sagrado mandamento constante de seu evangelho: “Matheus, primeiro os meus”.

O PT só é compelido a dividir sem tergiversar, quando a discussão é com seu principal “sócio” de sustentação de poder, isto é, o velho PMDB que, invariavelmente, nunca precisa dar-se ao trabalho de ter candidato próprio à presidência da República. Está sempre associado a todos os governos, não importando a índole ou as ações programáticas. Aliás, se o PMDB tivesse a obrigação de ter candidato próprio, aí sim residiria sério problema... Faltam-lhe quadros à altura. É como briga de rua. Ele é forte, robusto e extremamente valente, mas somente quando em turma. Isoladamente, a tibieza e mediocridade imperam.

Mas, claro está que o PDT não perderá seu quinhão. Não fará o sucessor de Lupi, até porque qual seria o nome mais lógico dentro do âmbito trabalhista e sindical do partido para suceder Lupi? Paulinho da Força? Fala sério! Assim, o PDT perderá o anel, mas conservará o dedo. E para novo adorno, que tal o ministério das Cidades, cujo seu titular, Mário Negromonte, também está metido em fétidas complicações?

Essa é a conseqüência da leniência resultante da postergação daquilo que a moral e a ética inerente ao zelo do exercício da coisa pública exigem providências imediatas e sem contemplações, especialmente de quem tem o dever de pautar-se não pelo tempo da demanda, mas pela necessidade da pronta ação da demanda.

Mas ainda que no âmbito do trabalhismo e sindicalismo o atual Governo tenha pouca ou nenhuma diferença do anterior, diferindo apenas no quesito de estilo, é inquestionável que uma eventual substituição de Lupi por Berzoini será retroagir ainda mais nas áreas trabalhista e sindical, que padecem de memorável atraso, absolutamente incompatível com o gigantismo do País.

Pois não foi o mesmo Ricardo Berzoini que em maio de 2000 (dois anos e meio antes da eleição de Lula e do PT) subscreveu a PEC 252 que, dentre outras preciosidades em seu texto, figurava estas: “(...) A unicidade e a contribuição compulsória são exemplos de uma estrutura sindical que não mais condiz com a realidade da classe trabalhadora, hoje mais dinâmica e consciente. A Constituição de 1988, embora tenha trazido alguns avanços e proclamado alguns princípios para o movimento sindical, ainda manteve a forma corporativa de organização inaugurada na Era Vargas, que coloca o sindicato à sombra da ação estatal. Valendo-se dessa estrutura anacrônica, alguns sindicatos desprovidos de qualquer legitimidade, sobrevivem em razão das contribuições compulsórias e da visão protecionista do Estado. (...)”.

Pois não foi ele próprio que como ministro do Trabalho em 2005 também subscreveu a PEC-369? Leiam e comparem o prometido com o realizado! Atentem e comprovem a oratória, desprovida da prática, de um partido que desde os idos tempos dos discursos flamejantes de seu principal artífice, em São Bernardo do Campo, clamava por reformas viscerais. Não foram os mesmos petistas que, depois de eleitos, jogaram-nas no lixo! Típico e triste papel da empulhação de histriões de palanque e vazios da prática!

Já desmistifiquei –e com todas as letras- a fábula sindical do Governo Lula. Ele foi explicitado em minúcias em meu último livro e em artigos específicos anteriores. Já esgotei o assunto. Não quero e não vou ser repetitivo. Quem ainda duvidar de sua existência que recorra à leitura oficial do texto das duas propostas de emenda à Constituição, ambas arquivadas na Câmara dos Deputados, e efetue seu cotejamento. E coisa do céu ao inferno!

Destarte, a se confirmar os rumores de bastidores, nada haverá mais de esperança quanto à moralização do sindicalismo e o aprimoramento das relações do Trabalho, de vez que a legislação que rege as duas matérias é a mesma implantada por Vargas em maio de 1940, totalmente retrógrada e caduca distante do hodierno exigido pelas relações do Trabalho, especialmente de uma nação que se gaba de ostentar a glorificante colocação do ranking da economia mundial.

Além de não ter extirpado o câncer representado pela figura da contribuição sindical compulsória, mãe de todos os vícios e mazelas do sindicalismo brasileiro, o Governo anterior ainda brindou as centrais sindicais com seu reconhecimento oficial e engajamento no bolo do rateio sindical. De dinheiro público e imune de fiscalização, conforme veto que Lula fez questão de sancionar ao aquinhoar à dinheirama à CUT, braço direito do PT, à Força Sindical, idem do PDT e às restantes, competindo notar que todas elas têm por trás um partido político. Os mesmos que desde então formam a base de sustentação. Farra e estelionato político. Comprovação escancarada que reforma sindical não dá votos. Tira!

Quando será aberta a caixa preta do sindicalismo brasileiro? Quando se porá um fim às sinecuras e balcões de negócios? Quando, por fim, se extirpará essa malfadada e criminosa reserva de mercado que privilegia os operadores do sistema e não os contribuintes dos sindicatos, tanto dos laborais como dos patronais?

São as indagações que ficam sob resposta do Governo Dilma. Sua titular desejará perpetuar ou, finalmente, dar um basta nisto?

Fernando Alves de Oliveira é Consultor sindical patronal independente, autor dos livros S.O.SSINDICALpt e O sindicalismo brasileiro clama por socorro, editados pela LTr, além de dezenas de artigos (vide em http://falvesoiveira.zip.net) e de palestra direcionada. Contatos: falvesoli40@terra.com.br

Vencer a corrupção é a prioridade zero

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Juan Quirós

É constrangedor que, dentre as 178 nações abrangidas pelo ranking anual da ONG Transparência Internacional, recentemente divulgado, 68 apresentem menos corrupção do que o Brasil. O índice de 2011 foi elaborado com base em depoimentos e entrevistas de empresários e especialistas de organizações independentes, entre janeiro de2009 e setembro de 2010. Nosso país ficou com pontuação final abaixo da média de 3,7, a mesma do ano passado.

Na série histórica dessa pesquisa, iniciada em 1995, a nota brasileira sempre foi muito baixa, evidenciando que estamos patinando há muito tempo no lodo da corrupção, o maior problema nacional. Solucioná-lo, portanto, é mais importante do que as reformas tributária, previdenciária e trabalhista, modernização e melhoria da infraestrutura, queda dos juros, ajuste do câmbio e outras medidas prioritárias sempre reclamadaspela sociedade e os setores produtivos.

Afinal, enquanto a improbidade continuar livre, leve e solta, nunca haverá receita tributária suficiente para saúde, educação e segurança, dinheiro disponívelpara pagar aposentadorias dignas sem gerar déficit e investimentos otimizados para infraestrutura. À medida que relações espúrias entre corruptores e corrompidos continuem pautando parcela significativa da interação entre o Estado e seus fornecedores, perde-se expressivo volume de recursos, reduzindo-se a produtividade, a competitividade e a capacidade real de investimento do setor público.

São numerosas as pessoas físicas e jurídicas indignadas com a corrupção e resistentes ao assédio. A estas colocam-se sempre as barreiras da burocracia, cujo exagero no Brasil é caldo de cultura para propinas e acordos sub-reptícios. Depara-se com a velha cultura de criar dificuldades para vender facilidades. É muito difícil fazer o certo nas entranhas de um sistema distorcido, viciado e que parece estruturado para achacar.

É urgente conter essa praga, evitando que paulatinamente contamine de modo amplo o setor privado, o sindicalismo e as relações intersociais e empresariais. Por isso, seria importante que, no Governo Federal, Estados e Municípios, houvesse umórgão de gestão, diretamente subordinado à presidente da República, aos governadores e aos prefeitos, encarregado de conter a corrupção, atenuar a burocracia e contribuir para uma administração efetivamente focada em resultados.

Para não se perpetuar na segunda divisão do ranking da Transparência Internacional, o Brasil precisa formar novas lideranças comprometidas com a ética, a probidade e as boas práticas de governança. Não podemos nos dar luxo de perder a geração nascente nos maus exemplos da troca de favores, da propina e do toma lá dá cá.

Juan Quirós é presidente do Grupo Advento e vice da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

O Visível cansaço dos Partidos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Natalio Botana

O que chama dramaticamente a atenção na crise europeia é a fraqueza das lideranças e a incapacidade para trabalhar em conjunto e resolver o desafio de uma integração econômica em que a unificação monetária precedeu a unificação fiscal. É visível o cansaço dos partidos para se adequar ao novo século e transcender os nacionalismos do passado, fazedores da guerra, para avançar através de direitos civis e políticos da democracia e os direitos sociais de outro Estado de bem-estar. Claro, impulsionado pelo crescimento econômico e pela cidadania fiscal.

Mas dependerá do talento dos governantes que essas correntes retrógradas não cresçam e que a Europa retome o caminho indicado por Jean Monnet, De Gasperi, Adenauer, Spaak, Brandt, Mitterrand, Kohl e Felipe González, entre outros protagonistas das várias fases deste longo meio século de vida comunitária. Atualmente aqueles talentos são escassos.

As tentações nacionalistas surgem na Europa, assim como o renascimento de uma forma de fazer política, como na Argentina, que nos remonta há 60 anos. O risco, ou melhor, a armadilha do anacronismo está vinculada com as políticas adotadas por um persistente estilo de governo, agora imerso em um ambiente de crescente escassez de recursos.

Os funcionários, tributários de diferentes grupos, operam a golpes de telefone, mediante decisões bruscas e inesperadas, tidas em certos casos de autoritarismo, que submetem aos agentes econômicos os rigores de ordens que não se discutem. Se, como dizia Giovanni Sartori, as democracias atuais converteram o governo de direito em governo dos legisladores, nós estamos entrando no terreno pantanoso do governo da burocracia politica e de suas esferas de influência.

Natalio Botana é politólogo e historiador. Publicado em La Nacion, em 17 de novembro de 2011.

sábado, 26 de novembro de 2011

Europeus em auto-destruição

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Kuing Yamang

A sociedade européia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos...

Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!

Dentro em pouco, 'nós' (chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacos de arroz...

Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia e querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais,estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...

Os europeus vão diretos a um muro e a alta velocidade...

Kuing Yamang é professor de economia. Chinês, viveu na França.

Democracia grega

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gilberto Rodrigues

Capital europeia do cinema, a cidade de Cannes foi palco da reunião do G-20, cuja missão principal era resolver, de uma vez por todas, o problema da Grécia. Chefes de Estado e de governo, ministros, diplomatas e técnicos, tentavam dar corpo final ao plano de resgate grego, visto como um ato de salvamento da própria União Europeia.

Quando tudo parecia acertado e apalavrado, o primeiro- ministro grego, Papandreou, declarou que iria submeter o plano a um referendo em seu país. Como paralisados pelas cinzas de um Vesúvio, chocados pela surpresa, líderes e burocratas presentes em Cannes não acreditaram naquela fala. O diretor de cinema anfitrião, a França, pediu para parar o filme e rodar novamente a cena. Não havia referendo, nem plebiscito no roteiro; isso tornaria indefinido o resgate, e a produção cinematográfica do G-20 tem recursos finitos, além disso a fita tem que ser concluída ainda nesse ano.

O ator grego, que depende do salário da UE para sobreviver, não teveoutra saída a não ser guardar o seu script doméstico no bolso e refazer a cena, com as palavras esperadas: o plano é bem-vindo e nada de referendo! Contudo, ninguém se convenceu da interpretação de seu papel, visivelmente forçado; e a reunião da bela Cannes entrou para a história como um filme que teve a melhor cena cortada pela produção.

Berço da democracia ocidental, modelo universalizado de comportamento político, a democracia grega sofreu ali uma fissura em seu edifício. Seu patrimônio cultural deveria ser interditado para uma restauração emergencial, sob pena de ruir e se perder. A mensagem de Cannes é tão perigosa, ou mais,para o mundo, do que seria a bancarrota da economia grega para a União Europeia. A mensagem lançada é “o povo não deve opinar sobre esse assunto”.

Obcecados em preservar o seu legado econômico e sua influência política, ao mesmo tempo apegados à temperatura de seu eleitorado interno, os líderes europeus sacrificaram o que de fato identifica a Europa e a sua cultura como civilização. A reunião de Cannes era para gerar um bom documentário; verteu uma tragédia grega.

Gilberto Rodrigues é professor de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina.

Política Brasileira e Crise Mundial

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Antonio Pagliosa

Algo realmente difícil de explicar é o fascínio dos intelectuais a regimes autoritários de esquerda. Tais regimes já infernizaram a vida de muitos milhões de seres humanos em todo o mundo.

Mario Lago era um brasileiro famoso e dono de um senso crítico afiado e perspicaz. Por várias décadas ele apoiou projetos de esquerda e foi preso “n” vezes. Por seus vínculos fortes e duradouros com o partido comunista, visitou a Rússia em 1957, a convite do governo daquele país. E decepcionou-se com o regime comunista quando o viveu na pele, porque o pecado maior do sistema é o excesso de autoritarismo.

Mario era um boêmio multifacetado. Um homem que se antecipou aos intelectuais da época quer nas artes cênicas, quer na música e na poesia, mas essencialmente na política. Ele nunca se confinou a um único reduto razão porque se lhe abriram diversas possibilidades em sua vida profissional e ensinava a outros comunistas: “Mintam sempre. Informem que vocês foram torturados e que sofreram as agruras da ditadura militar. É importante para a causa.”

Gabriel Garcia Márquez, prêmio Nobel de Literatura, é amicíssimo e grande admirador de Fidel Castro. Isso há décadas.

Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Veríssimo, são alguns exemplos de intelectuais brasileiros que apóiam Fidel e seu sistema de governo. Um sistema tão ditatorial que opiniões divergentes tem apenas duas alternativas:Cadeia ou paredón!

O comunismo instalado na ilha de Cuba há cerca de sessenta anos, faliu o país, destroçou sua economia e a repressão política matou sumariamente mais de sete mil cubanos que ousaram desafiar as ideologias do ditador Fidel.

Principalmente a partir de 2005, o governo brasileiro se aproximou perigosamente de vários líderes tiranos, envergonhando a nação brasileira perante as democracias mundiais mais relevantes. Fomos ridicularizados pela adoção de um viés esquerdista e sem respeito a direitos humanos.

Bem, neste ponto é conveniente parafrasear o grande Millor: “Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem.”

O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), dizia: “Homo hominis lupus.” “O homem é o lobo do homem.”

Autoritarismo excessivo, exatamente por isso, não deve ocorrer jamais. O homem precisa freios para conter sua ambição e seu poder e considero a DEMOCRACIA como o regime político mais adequado e o CAPITALISMO como o sistema econômico mais interessante e justo para todos os cidadãos.

Porém, nada disso funciona a contento e nada satisfaz a população de todas as classes sociais, se não existir amor cristão entre as pessoas. Aliás, é este amor cristão que precisa atenuar as diferenças de poder aquisitivo entre as diversas classes sociais.

Mais que nunca entendo que o governo brasileiro deve paralisar suas muitas ações de viés gramsciano, porque isto nunca nos levará a um progresso real e sustentado e é de uma insanidade absoluta. Altamente prejudicial a seu povo.

O nosso querido Brasil, é um país de características únicas no planeta e um porto seguro e assaz atraente de aplicação de capital estrangeiro. Vale ressaltar:

-Temos estabilidade econômica e política. Estamos há dezessete anos com inflação sob controle e com política econômica responsável.

-PIB crescendo. Nosso PIB cresce bem acima do PIB dos EUA ou de qualquer país europeu.

-Consumo crescente da população: Nos últimos dez anos, seguramente 38 milhões de cidadãos brasileiros ascenderam socialmente e o consumo de bens desta gente, deu salto significativo, melhorando toda a cadeia econômica.

-Celeiro de alimentos. O Brasil, pela extensão de suas terras aliado a clima perfeito e tecnologia avançada, é hoje o maior exportador de alimentos do mundo, com ênfase para a soja, carne bovina e suína e de aves, suco de laranja, café, algodão e açúcar.

-Infraestrutura: As nossas deficiências estruturais são enormes. A construção e revitalização de estradas, portos, aeroportos e ferrovias, são oportunidades fantásticas para investidores.

Sei que é hora de planejar, arregaçar as mangas e trabalhar. O resto é resto.

E como propalava Albert Einstein;”Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento.”

Com carinho e orando para que insanos recuperem a razão.

João Antonio Pagliosa é Engenheiro Agrônomo pela UFRRJ em 1972.