Por Thiago Costa
Desde 1994, com a implantação do Plano Real, os brasileiros iniciaram uma nova fase na administração de seus investimentos pessoais. Sem os efeitos negativos de taxas de inflação a prejudicar a visualização dos efetivos retornos, foi possível a todos os investidores a realização de planejamentos financeiros de médio e longo prazo, algo impensável por algumas gerações de brasileiros.
Apesar da melhora, os primeiros anos de Plano Real foram marcados por um cenário econômico interno e externo bastante difícil e adverso, que implicava, entre outros aspectos, na prática de juros elevadíssimos no país. Parece clara a tendência de queda da remuneração da renda fixa, que nos últimos 5 anos tem se mantido num patamar muito inferior ao praticado nos anos anteriores.
As sinalizações do Governo Federal e do BC em 2011 apontam claramente para uma retomada no processo de queda da Selic, de forma a aproximar ainda mais o Brasil dos retornos pagos em juros no restante do mundo – ainda hoje o Brasil pratica uma das maiores taxas do mundo. As sinalizações do mercado financeiro, captadas pelo Relatório de Mercado Focus, do BC, projetam Selic em 9,75% aa ao final de 2012 – atualmente a taxa é de 11,0%aa.
Inevitável considerar que num cenário em que o juro básico será menor, haverá mudanças na distribuição dos recursos investidos pelos brasileiros. Atualmente, conforme mostra o quadro abaixo, as pessoas físicas (investidores private, varejo de alta renda e varejo) destinam um total de R$952 bilhões (ao final de outubro de 2011) para a poupança e a indústria de fundos (todos os tipos). Deste total, uma grande maioria de 76% concentram as aplicações em alternativas de perfil de renda fixa (incluindo poupança), enquanto apenas 7% destinam recursos aos fundos de ações.
Não temos dúvidas que à medida que os juros diminuam, ocorrerá um processo de migração de recursos para a renda variável. De acordo com dados da National Mutual Fund Associations e da European Fund and Asset Management Association, os fundos de ações reúnem, em 2011, 43% de todos os recursos investidos por pessoas físicas no mundo – em 2007, antes da crise, esse percentual era de 48%, sendo que as Américas e a Europa concentram 88% do total de recursos investidos no globo.
Após acumular 5 anos de valorizações contínuas (2003-2007), o mercado acionário teve sua visualização favorável alterada após a crise mundial de 2008, e desde então não tem atraído recursos e investidores. As razões para esse comportamento se explicam muito nos retornos negativos proporcionados em 3 dos últimos 4 anos na Bovespa – os investidores reagem diretamente ao retorno obtido nas aplicações, tendendo a aumentar a alocação naqueles investimentos que produziram melhores ganhos. Isso ocorreu em 2006 e 2007, quando uma grande quantidade de investidores iniciou seus investimentos em renda variável, motivados por um cenário econômico positivo para o país, pela queda dos juros e principalmente pelo bom retorno das ações.
Se é verdade que o país mantém perspectivas favoráveis de crescimento e desenvolvimento.
Se é verdade que a estabilidade de inflação é uma conquista, e que a queda dos juros ocorrerá naturalmente, num processo de convergência aos padrões mundiais.
Então veremos que o percentual investido pelos brasileiros no mercado acionário aumentará muito ao longo dos próximos anos, aproximando-nos da realidade mundial.
Em todo o mundo considerado desenvolvido, as alternativas de renda fixa (títulos soberanos) servem essencialmente para preservação de capital, cabendo à renda variável o crescimento e valorização do patrimônio pessoal.
As ações voltarão ao foco dos investidores brasileiros. Inevitavelmente.
Thiago Costa é Consultor de Investimentos da Geração Futuro Dividendos FIA é administrado pela Geração Futuro Corretora de Valores S/A ,gerido pela GF Gestão de Recursos S.A.
Nenhum comentário:
Postar um comentário