sábado, 21 de abril de 2012

Dilma tenta reverter a recessão

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cesar Maia

O relatório do Banco Central divulgado esta semana informando que o PIB brasileiro não cresceu neste início de ano (0,3% no primeiro bimestre em relação a 2011), numa forte curva descendente nos primeiros bimestres dos últimos 3 anos, estressou as medidas econômicas do governo para evitar o pior. Novas medidas fiscais e aduaneiras para conter as importações foram adotadas.

A inflação deixou de ser uma prioridade. A taxa de juros básica foi reduzida. Os bancos privados receberam forte pressão política para reduzir os juros. Os bancos estatais saíram na frente. O Banco Central se tornou mais agressivo em relação ao câmbio que se aproximou de 1,90. O gasto público continuou acelerando.

O impasse político com a elástica base parlamentar do governo se acentuou e a proximidade do julgamento do mensalão pelo STF aumentou a ansiedade. Se a CPI do Cachoeira-Delta foi precipitada pelo PT e Lula como forma de diluir o mensalão, o tiro saiu pela culatra, pois além de pegar o próprio PT no núcleo, ainda ampliou no limite a angústia da “base aliada”. E todos sabem que vem muito mais coisa e muito mais gente por aí.

O caminho adotado pela equipe Dilma é blindá-la contra o desgaste político geral e mostrar que ela não tem nada a ver com isso e aquilo e mantém a austeridade. Só que a explosiva expansão da Delta nos gastos federais ocorreu quando ela era a gestora ministerial desses recursos, a “dama de ferro”.

Mas isso não resolve a crise econômica e menos ainda a evidente crise política. A sensação que passa é de um governo inoperante, sem coordenação política, agindo de forma reativa em relação à economia. E isso sinaliza uma tendência de agravamento para os próximos meses.

E sobre tudo isso, as eleições municipais que, como tem mostrado o politólogo Jairo Nicolau, têm um alto grau de correlação com as eleições seguintes de deputados federais. A pressão da “base aliada” sobre Dilma se amplia na defesa de seus candidatos a prefeito e, com isso, a questão fiscal vem junto. E na imensa maioria das grandes cidades a “base aliada” estará desintegrada, disputando poder.

A projeção de alguns economistas de um refluxo cambial-financeiro em 2013 pode se dar em menor intensidade em função do quadro internacional, especialmente no mundo ibérico pelo populismo chavista e kircherista, levando a insegurança jurídica ao inferno e pela crise econômica na Espanha e Portugal que ainda vai se aprofundar mais. Com isso, a velocidade prevista de refluxo de capitais pode ser reduzida, pela maior previsibilidade institucional brasileira. E essa passa a ser a âncora para evitar que o barco seja empurrado pelas correntes internas e externas.

Cesar Maia é Economista.

Um comentário:

Ronald disse...

Interesso-me muito em ver uma explosão inflacionária. Já cansei de ver a pobretada comprando queijo e iogurte em supermercado. Um absurdo total !!! E o pior é que o fazem com meu dinheiro, meu, seu, nosso, tudo na maior cara de pau, como se tivessem mesmo o direito de serem vagabundos e colocarem seus bastardos e párias no mundo indistintamente transformando o planeta num lugar cada vez pior.

O Plano Real foi ótimo mas não estava e nem nunca esteve no meu script a farta distribuição de esmola para quem nem deveria ter nascido, para esta gentalha que tem a certidão de nascimento preenchida com "pai desconhecido" no campo referente ao nome do pai.

A tão falada distribuição de renda é uma falácia e um absurdo.

Sou pela concentração de renda e uma inflação que deixe essa gente no seu lugar.

Quer comer bem ? Vai trabalhar vagabundo !!!