terça-feira, 24 de abril de 2012

ERA UMA VEZ... Uma cruz missioneira...

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Valmir Fonseca

Tem gente que acredita em Papai Noel, em tradições, em memória, em símbolos, mas abundam os que não acreditam em nada, e assim seguem pela vida.

A democracia concede a cada pessoa a sua opção, e que a vida lhe ensine se está certo ou não em suas convicções ou descrenças. A crença, o respeito, o culto às tradições, dependem de cada individuo.

Contudo, tem gente que apesar de não crer ou não aceitar qualquer imagem, não se limita a não respeitá – las.

Por vários motivos, eles as destroem. Por pensamento “politicamente correto”, por determinação ideológica, por interesse profissional, por despreparo intelectual ou moral, para aparecer na mídia, para agredir a comunidade, ou por motivos inconfessáveis.

A retirada da cruz nas salas do judiciário gaúcho pode ser creditada à gente que não acredita, e tem desrespeito aos que acreditam.

À cruz foi incorporada uma imagem de imparcialidade, de esperança num ser superior, que esperam os julgadores, os ilumine nas suas decisões. Alguns alegam que no lugar da cruz poderia ser adotado um círculo, um cubo ou qualquer outro símbolo ou desenho.

A Cruz de Caravaca, também conhecida como Cruz de Lorena e Cruz de Borgonha, uma relíquia cristã de origem espanhola, é conhecida no Rio Grande do Sul como "Cruz Missioneira", e foi trazida para o Sul pelos padres jesuítas em 1626 durante a colonização do Brasil.

No passado, lutas cruentas marcaram o domínio de Espanha e Portugal sobre a região, que englobava São Miguel, São João, São Luiz Gonzaga, São Lourenço, Santo Ângelo, São Nicolau e São Borja.

Com a missão de ensinar aos indígenas a fé cristã, os religiosos administraram comunidades que receberam o nome de “reduções”, hoje considerados os primeiros núcleos urbanos do Rio Grande do Sul. A partir das reduções, a Espanha pretendia tomar posse das terras ocupadas pelos indígenas.

Desse modo, a colonização do sul da Colônia se revestiu de características especiais que tiveram grande influência na formação do Exército Brasileiro.

A Cruz “missionária” lembrava aos jesuítas que colonizaram e doutrinaram em nome da religião católica, recordava também os nativos indígenas, como Sepé Tiarajú, estava acima de religiões, de raças, de ideologias, pois enaltecia a força de vontade, a garra, a tradição, o orgulho.

Portanto, a Cruz em frente ao 1º Batalhão de Comunicações de Santo Ângelo, era antes de tudo, a lembrança de uma epopéia, era uma singela homenagem.

Cingia - se o símbolo com aquela unidade do Exército Brasileiro, apropriadamente, pois a Instituição é um dos baluartes das tradições nacionais, na medida em que o próprio Estado Nacional por vezes pisoteia no passado de lutas dos antigos feitos e de heróis nacionais.

De repente, o Comandante da Unidade, um fora de série, de livre arbítrio, decide apagar um símbolo que julga ser inócuo, que no seu julgamento poderia ser muçulmano, alienígena, impuro e, estribado na sua autoridade, asseverou que “retirar a cruz é garantir a universalidade de credos”.

No seu ato insano, desprezou o histórico da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, antiga 16ª Brigada de Infantaria Motorizada que fora transferida de Santo Ângelo para a cidade de Tefé, a qual, mantendo a tradição da sua origem, conservou a denominação histórica de BRIGADA DAS MISSÕES e preservou no seu distintivo histórico o simbolismo da região, representado pelas ruínas de São Miguel e a cruz missioneira fundindo - o com a característica da região atual, onde mantém a sua sede, no centro da Amazônia brasileira.

Sim, é lamentável constatar que era uma vez... um belíssimo símbolo da história nacional, expurgado da memória de alguns incautos e insensíveis.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma,é General de Brigada Reformado. Foi Comandante da 16 ª Brigada de Infantaria de Selva.

3 comentários:

Anônimo disse...

cá pra nós, coronel, se o problema era liberar a entrada para pedestres, coloque a cruz de volta, num local que não atrapalhe o trânsito e pare de ‘gastar pólvora com chimango’. O senhor deve ter coisas mais importantes para fazer.para quem se interessar sobre o assunto, representa a escravidão dos índios garanis as padres católicos no século XVII e XVIII, os quais desejavam criar um Estado Teológico na região dos Sete Povos das Missões.

A desculpa de evangelizar os índios causou apenas desgraça a eles, com a sua mudança de hábitos e a passagem à escravidão real, já que as missões eram alvos de ataques dos bandeirantes paulistas em busca de índios para venda como escravos.

Quem já viu o filme "A Missão" sabe que o território dos Sete Povos das Missões foi trocado pelos portugueses com os espanhóis, os quais cederam a Colônia de Sacramento aos portugueses. Em represália, mais uma vez, os índios guaranis foram "usados" mais uma vez pelos padres para combater os portugueses e espanhóis.

Em resumo, o termo "Sete Povos das Missões" deve ser lembrado como "vergonha" (pelo mau que causaram aos garanis e que nenhum benefício deixou a quem quer que seja) e não como orgulho pelos habitantes de hoje, que ocupam aquela área geográfica.
Analisem friamente os fatos históricos, sem "paixões" herdadas de opiniões parciais, mormente religiosas!
afastamento religião/Estado for a esse custo, que seja assim!
De que adianta ter feriados religiosos se poucos praticantes cristãos realmente comemoram e vivem o sentido religioso das datas?
Páscoa está ligada ao "coelhinho" e seus "ovos de chocolate"...

Natal está ligado ao "ato de dar presentes"...

Convenhamos, os feriados religiosos só nos servem para viajarmos, bebermos, sermos incovenientes com as pessoas e etc...

Sejamos coerentes, os feriados religiosos não servem à sua finalidade, que sejam abolidos, ora...
22 de abril de 2012 00:09
Anônimo disse...
Para quem está preocupado com religião segue o relatório da Fundação Getúlio Vargas, com diversos parâmetros sobre renda, frequência a cultos, faixa etária, escolaridade, etc:

Acredita-se que em 7 anos não haverá mais prática religiosa nesses países, em função de numerosos templos estarem sendo fechados por falta de público.

A Europa, como sempre, na vangarda do pensamento e na libertação da homem de práticas escravizantes, como a religião!!!
22 de abril de 2012 00:19

Anônimo disse...

o comentário merece elogio de verdade. Precisamos ficar atento. Eles podem resolver demolir o Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Este abençoa o grande rio diariamente.

Anônimo disse...

Amigos; quero aqui expressar minha opinião; e ao mesmo tempo PARABENIZAR O CORONEL; pois enquanto estivermos preso a essa historia veremos o bonde da propria historia REAL passar e ficaremos a ver navios; como ocorreu com as DUAS universidades públicas; tanto a fedral como a estadual que foram para outras cidades da região. PARABENS COMANDANTE; é preciso romper com esse pensamento atrasado da região; recentemente para quem acompanha o noticiario O GENERAL COMANDANTE DO EXÉRCITO deu uma lição nos saudosista pela historia richosa e improdutiva: Falou que a meta é tecnologia de ponta, altos estudos e reequipamento das forças armadas pelo fortalecimento da INDUSTRIA NACIONAL DE DEFESA! Então, como bom santoangelense vós digo: PRECISAMOS DE SAIR DA HISTORIA PARA ENTRAR NA VIDA!!!!!!DEIXAR DE VIVER O PASSADO E AVANÇAR RUMO A MELHOR EDUCAÇÃO, POLOS TECNOLOGICOS, UNIVERSIDADE PÚBLICA; E PARAR DE REAGIR CONTRA AS PESSOAS QUE NOS TRAZEM DESEVOLVIMENTO COMO SE ESTIVESSEMOS CONDICIONADOS A ESCRAVIDÃO ETERNA PELA FALTA DE OPORTUNIDADES DE VIDA; PARABÉNS CORONEL DAMACENO, SAIAMOS DA HISTORIA PARA ENTRAR NA VIDA E VIDA COM ABUNDANCIA!