terça-feira, 24 de abril de 2012

Que a Cruz Missioneira volte a seu lugar

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

O Comando da 16ª Brigada de Infantaria Motorizada foi desativado em 1993 e transferido da cidade de Santo Ângelo (RS) para Tefé (AM) com a denominação de 16ª Brigada de Infantaria de Selva. Mantida as tradições da sua origem, conservou a denominação histórica de BRIGADA DAS MISSÕES.

Sem apagar o passado, persistiu no distintivo histórico o simbolismo da região, representado pelas ruínas de São Miguel e a cruz missioneira fundindo-o com a característica da região atual onde mantém a sua sede: Selva!

Assim, em nome do estado laico, não dá para passar a borracha em todas marcas da História, não justificando a retirada da cruz missioneira da porta do quartel do 1º Batalhão de Comunicações do Exército. Tais registros estão no próprio distintivo histórico e na Canção da Unidade: “Desde o Rio de Janeiro, eficácia é a meta com o homem missioneiro ...”

Que as portas e portões que se abram ou fecham não anulem as tradições, não alterem a História, nem agridam os laços de união da Nação, como deve estar escrito nos manuais, em especial no trato com assuntos civis.

Que os Comandos reflitam e mandem construir uma Cruz Missioneira mais bonita e imponente da que foi retirada.

Ernesto Caruso é Coronel Reformado do EB.

Um comentário:

Anônimo disse...

Comandante manda retirar cruz da frente do quartel e causa polêmica no RS
Atualização: 13h35

Ausência de um símbolo
Retirada de cruz missioneira da frente de quartel em Santo Ângelo causa polêmica
Remoção foi vista com estranheza pelos moradores do município



Militares do 1º Batalhão de Comunicações do Exército trabalham na retirada do símbolo
Foto: Juliana Gomes / Agência RBS
Juliana Gomes
juliana.gomes@zerohora.com.br
A retirada da cruz missioneira da frente do 1º Batalhão de Comunicações do Exército de Santo Ângelo está gerando polêmica entre a comunidade. Há 18 anos instalada na frente do quartel, a ausência do símbolo foi vista com estranheza pelos moradores do município, cuja identidade cultural está fortemente associada à história da colonização jesuítico-guarani.
Segundo o tenente-coronel Luiz Carlos Damasceno, 43 anos, que está à frente dos 660 militares que trabalham no 1º Batalhão de Comunicações, a retirada da cruz é parte de uma reforma do quartel. As mudanças pretendem melhorar a segurança e a acessibilidade.
Para isso, um novo portão, exclusivo para pedestres, facilitará o controle da entrada e saída de pessoas. Outra entrada ficará disponível apenas para os veículos, a fim de evitar possíveis ataques de violência, motivados pela presença de armas, munições e caixas eletrônicos existentes no local.
Segundo o tenente-coronel, outra razão para retirar a cruz é garantir a universalidade de credos.
— Embora, a fé seja valorizada por nós, o Exército é uma instituição laica e de todos. Se a opção for manter a cruz, teremos que instalar também um símbolo evangélico, outro muçulmano, um espírita e de todas as outras religiões. Além disso, a cruz lembrava um túmulo. Uma daquelas cruzes de beira de estrada, que simbolizam mortes por acidentes de trânsito. Se a cobrança for de que a gente mantenha a cruz missioneira, então todas as empresas da cidade também devem ter uma — argumenta Damasceno.

Cruz Missioneira, à direita, quando ainda estava diante do batalhão (imagem do Skrapper City)
Presente na música, na poesia e na fotografia da região das Missões, a cruz missioneira, também conhecida como cruz de Caravachia, foi trazida para o Rio Grande do Sul pelos padres jesuítas em 1626 durante a colonização do Brasil. Fundador da Companhia de Jesus, Inácio de Loyola foi um ex-militar que deu uma simbologia religiosa a uma espada usada pelos militares espanhóis durante as cruzadas na Idade Média.
Com a missão de ensinar aos indígenas a fé cristã, os religiosos administraram comunidades que receberam o nome de reduções, hoje consideradas os primeiros núcleos urbanos do Rio Grande do Sul. A partir das reduções, a Espanha pretendia tomar posse das terras ocupadas pelos indígenas.
Para a professora do curso de história da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Nadir Damiani, o simbolismo da cruz extrapola a religião.
— A região das Missões é conhecida nacionalmente pela cruz missioneira. É uma referência à origem do nosso povo, à nossa história. A simbologia cultural é mais presente do que a religiosa, neste caso — explica.
A pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Cláudia Patrícia Pacheco questiona a decisão dos militares.
— Por que retirar Cristo da frente do quartel? A cruz missioneira não representa apenas Jesus, um nome maior do que qualquer religião. A presença dela serve como questionamento da nossa história, da nossa postura como sociedade. Na minha opinião, mais cruzes missioneiras deviam ser erguidas em todos os lugares — opina.
ZERO HORA/montedo.com