sábado, 30 de junho de 2012

O Crepúsculo de um Modelo Econômico

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto

O direcionamento da política econômica tem que ser repensada na busca por um novo arquétipo econômico. A economia brasileira, medida pelo desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 0,2% nos três primeiros meses deste ano na comparação com os três últimos meses de 2011 . Já em relação ao mesmo período do ano passado se fixou abaixo de 1%.

Os indicadores estão apontando para o final deste semestre uma possível similaridade quando igualmente não deverá apresentar relevante melhora. Desnuda-se o envelhecimento no crescimento da nossa economia, através de um modelo de desenvolvimento econômico de incitação ao gasto, estimulando a demanda com o objetivo de alavancar o consumo das famílias, utilizando os canais creditícios e aumentando consideravelmente a sua amplitude.

Está se aproximando o limite de capacidade de endividamento da ampla sociedade consumista, já apresentando sinais evidentes de inadimplência, o que se nota através das últimas publicações dos balanços dos bancos com um aumento significativo nas previsões de perdas, o que impõe maior rigor e seletividade na concessão do crédito.

Este padrão encontra-se esgotado e inegavelmente foi importante no passado, embora nenhuma economia consiga crescer sem a vitalidade de uma demanda agitada voltada para o aquecimento do mercado interno, inclusive com estímulos bem aplicados no período de 2008/2009, início da crise global, pois existiu um consumo elevado fora dos padrões e a elevação dos preços das commodities.

Portanto, esta etapa ficou bem configurada, embora ainda permaneça o varejo ascendente, o otimismo no consumidor e o desemprego se mantém dentro de um patamar apreciável, mas a economia externa realmente, não colabora. A demanda interna não consegue ir mais além e não adianta insistir depois de um certo tempo pois já encontra-se escorada no limite da eficiência.

Este foco tem que deixar de ser prioritário, passando a aprimorar a oferta, com ações voltadas para investimentos em infraestrutura e o fortalecimento da educação, elegendo-a como prioridade máxima, comprimindo os custos tributários e de energia que transformem efetivamente o raquítico desempenho da produtividade no Brasil. A infraestrutura está no seu suporte máximo após um desempenho de alguns anos alcançando patamares próximos a 4% de crescimento. Entretanto, já encontra-se exaurida.

É evidente a má qualificação da nossa mão de obra e consequentemente a trágica ausência do capital humano. O custo de se operar o Brasil precisa ser diminuido para que se possa permitir que nossas organizações produzam e vendam no mercado internacional apresentando preços competitivos mesmo quando estiver atravessando as turbulências das crises cíclicas do capitalismo devastador. A consagrada e elevada carga tributária, os significativos gargalos da nobre burocratização, o excesso de regulação permitindo que o "poder público sufoque o segmento privado", fatores como esses são de ordem iminentemente estruturais que impedem substancialmente o reconhecido e inevitável crescimento sustentável.

Portanto, como podemos perceber, a solução não é dada apenas pelo juro mais acessível com o governo alardeando o crédito e tão pouco um câmbio apreciado.

O governo tem demonstrado um discurso focando mais o lado da demanda do que da oferta mas já emite alguns sinais de consciência de um redirecionamento estratégico, aumentando os investimentos e dando mais atenção aos fatores que promovam a aceleração da produtividade.

Não resta dúvida que o cenário global hoje é temerário, atrapalha. O clima é de plena desconfiança e de medo da crise instalada na Europa mas existe também uma variável asiática em função da China, nosso principal parceiro comercial, neste início de ano apresenta um crescimento abaixo do que foi estimado.

Não sou pessimista e não vejo nenhuma barreira para o Brasil superar estes desafios, apenas o que lhe falta é determinação conjugada a vontade política para realizar as mudanças necessárias, transformando-o num país de vanguarda e respeitado pela comunidade econômica global.

Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador com MBA em Finanças pela UNIFACS - Universidade Salvador.

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