segunda-feira, 18 de junho de 2012

Recessão e investimentos governamentais

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Cesar Maia

No sábado, a imprensa destacou as declarações da presidente Dilma e do ministro Mantega dizendo que o BNDES iria liberar linhas de empréstimo, para os Estados, de 20 bilhões de reais. Presidente e ministro afirmaram que era uma medida de reativação da economia brasileira, que se encontra em recessão. Isso é bom, mas há que situar adequadamente para que as pessoas não passem por tolas.

O PIB brasileiro, segundo o governo, alcançou 4 trilhões de reais em 2011. Para que a economia cresça, de forma sustentada, 4% ao ano, e apenas isso, é necessário que invista 20% do PIB, ou 800 bilhões de reais, todo ano. Esses 20 bilhões do BNDES vão financiar obras estaduais por –digamos- 4 anos. Sendo assim, serão 5 bilhões de reais de desembolso por ano.

Isso representa 0,7% da necessidade de investimentos para o Brasil crescer 4% ao ano. Por mais que os governos invistam, será apenas uma parte menor do que o Brasil precisa. Portanto, sem um ambiente que crie expectativas de investimento para o setor privado, além dos governos, continuaremos longe desses 800 bilhões de reais.

As medidas de ativação do consumo, com uma ou outra redução de tributo, sempre ajudam. Mas não mudam nada, pois não revertem as expectativas. Será um voo de galinha. Se o objetivo do governo Dilma/Mantega é o Brasil crescer 2%, tudo bem. Mas se for crescer pelo menos 4% ao ano, isso nem faz cócegas no que a economia brasileira precisa.

E os governadores não são tolos. E sabem disso. E as pessoas também não.

* * *

Índice de Atividade Econômica do Banco Central - IBC-Br - Valor (16).

1. No primeiro quadrimestre de 2012, o IBC-Br registrou expansão de 0,78% na versão sem ajustes, ante o mesmo período do ano passado. Já na comparação de abril com o mesmo mês de 2011, o índice apresentou queda de 0,02% nos números sem ajustes. Nos dados dessazonalizados, que levam em conta fatores inerentes historicamente a cada período, o indicador teve alta de 0,06%.

2. O dado referente ao período de doze meses encerrados em abril de 2012 aponta crescimento de 1,65%, na série sem ajustes, e alta de 1,55%, nos dados dessazonalizados.

Cesar Maia é Economista. Publicado no ex-Blog de 18 de junho de 2012.

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