domingo, 28 de outubro de 2012

A Verdadeira Finalidade do Socialismo

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por David Barboza

A mãe do Primeiro Ministro da China era uma professora no norte da China. Seu pai foi condenado a cuidar de porcos numa das campanhas políticas de Mao Tsé Tung. E durante minha infância, "minha família era extremamente pobre", disse o premiê Wen Jiabao, num discurso no ano passado. Mas agora, aos 90 anos, a mãe do Primeiro Ministro, Sra. Yang Zhiyun, não só deixou a pobreza para trás, mas se tornou ultrajantemente rica, pelo menos no papel, conforme os registros corporativos e regulamentares. Em apenas um dos investimentos em seu nome, numa grande empresa chinesa de ‘serviços financeiros’, o montante a ela consignado era de 120 milhões de dólares, há cinco anos, como mostram os registros.

Os detalhes de como a Sra. Yang, viúva, acumulou tamanha riqueza não são conhecidos, ou mesmo se ela tinha ciência do grupo de empresas que constam em seu nome. Mas isso só aconteceu depois que seu filho foi elevado à elite dominante da burguesia do politiburo da China, primeiro em 1998, como vice-primeiro-ministro e segundo, cinco anos depois, como primeiro ministro.

Muitos parentes de Wen Jiabao, incluindo seu filho, filha, irmão mais novo e cunhado, se tornaram extraordinariamente ricos, durante o seu governo, como mostra uma investigação do jornal americano de esquerda ‘The New York Times’. Uma revisão de registros corporativos e regulamentares indica que parentes do primeiro ministro – alguns dos quais, inclusive sua esposa, passaram a controlar ativos que totalizam pelo menos 2,7 bilhões de dólares em valores de 2007. Os números são semelhantes aos demonstrados pela revista FORBES, no caso da família do ex-presidente Lula da Silva, do Brasil.

Em muitos casos, os nomes dos parentes foram escamoteados e blindados por trás de camadas de parcerias com terceiros e investimentos- laranja envolvendo amigos e cupinchas de uma verdadeira quadrilha formada por parceiros em negociatas escusas e práticas inconfessáveis. Ao desembaraçar as suas ‘participações financeiras’ se tem uma visão incomum e extraordinariamente detalhada de como pessoas ligadas politicamente ganharam dinheiro espúrio e enriqueceram pelo fato de estarem na interseção do governo com empresas a partir da sua influência de estado e da riqueza privada que cresceu rapidamente paralelamente à grande expansão da economia capitalista estatal da China.

Diferentemente da maioria das novas empresas que se formaram na China, os empreendimentos familiares, por vezes, recebem apoio financeiro de empresas estatais, incluindo a ‘China Celulares’, uma das maiores operadoras de telefonia móvel do país, conforme mostram os documentos. Em outros momentos, tais empreendimentos conquistaram o apoio de alguns dos mais ricos magnatas da Ásia. O NY Times descobriu que os parentes do Sr. Wen acumulam ações em bancos, joalherias, resorts turísticos, empresas de telecomunicações e projetos de infraestrutura, às vezes usando entidades ‘offshore’. Tais aglomerados empresariais incluem um projeto de desenvolvimento de cidades em Pequim, uma fábrica de pneus no norte da China, uma empresa que ajudou a construir alguns dos estádios olímpicos de Pequim, incluindo o nem conhecido "Ninho do Pássaro", e a seguradora ‘Ping An', uma das maiores do mundo, para assistência financeira a empresas.

Como primeiro ministro de um país cuja economia permanece estatizada, Wen, que é mais bem conhecido por seus modos simples e seu bom senso, tem, como mais importante, a ampla autoridade de mando sobre as principais indústrias onde seus parentes têm feito suas fortunas. Como as empresas chinesas não podem fazer figurar suas ações em qualquer bolsa de valores sem a aprovação de agências supervisionadas pelo Sr. Wen, por exemplo, ele e seus prepostos do politiburo do PCC têm o poder de “influenciar os investimentos” em setores estratégicos como energia e telecomunicações.

Pelo fato de o governo chinês raramente fazer públicas a maioria das suas deliberações, não se sabe qual o papel que – caso haja – Wen, já com 70 anos, exerce por já ter atuado na maioria das políticas e decisões regulamentadoras em toda a história do governo comunista da China. Mas, em muitos casos, seus parentes têm procurado tirar proveito das oportunidades possibilitadas por essas decisões.

Por essas e outras, não é uma mera coincidência que as coisas no Brasil (bem como na quase totalidade dos países socialistas) sigam o mesmo estilo e o mesmo parâmetro. O que o fim do século XX e o início do atual têm sobejamente demonstrado é que o ‘socialismo’, na verdade, é um sistema de dominação, de poder, onde um grupo consegue se isolar no governo como “partido único” e, a custa do trabalho semiescravizado do povo, se organiza numa restrita burguesia estatal e usa os princípios do mercado e da economia para enriquecimento próprio e distribuição de migalhas à população, dourando a pílula com uma dialética que finge proteger os mais pobres, enriquece os mais ricos, através do fomento do ódio às diferenças sociais, culturais e raciais existentes no tecido social. O capitalismo de estado é um grande negócio de poucos e um péssimo negócio de muitos.

David Barboza é Jornalista. Originalmente publicado pelo “The New York Times” em 5 de outubro de 2012. Tradução de Francisco Vianna. Leia o artigo completo em inglês pelo link:

http://www.nytimes.com/2012/10/26/business/global/family-of-wen-jiabao-holds-a-hidden-fortune-in-china.html?pagewanted=all&_r=0

Um comentário:

Martim Berto Fuchs disse...

Não faz diferença se é a China ou o Brasil. Em ambos os casos o Poder Judiciário só funciona contra os fracos. Aqui, embora tenhamos que dar palmas, ATÉ AGORA, aos resultados do mensalão, o que interessa é que O Chefe ficou de fora e os outros, vamos ver, se vão mesmo presos e por quanto tempo.
Já disse em outro comentário, que se for para ficar apenas pouco tempo preso, fica demonstrado que o crime compensa. Essa gente não tem mais escrúpulos. São capazes de ficar um tempinho na cadeia e sair sorrindo e acenando para os idiotas. E mais, serão candidatos novamente e com o dinheiro roubado, se elegem.
Na China é uma ditadura e aqui é uma democracia de faz de conta, onde somos explorados pelos partidos políticos, que são quem verdadeiramente mandam. Ditadura dos partidos, essas organizações criminosas.
O capitalismo se dá bem em qualquer terreno, mais ainda na ditadura, onde pode comprar as consciências dos mandantes.
O que tem que mudar, no Brasil, é o sistema de escolha dos candidatos. Não pode mais ficar à conta dos donos dos partidos políticos, como foi mais uma vez em SP capital, onde o fantoche eleito não passará de menino de recados do Lulla Mensalão e do Maluf Interpol.

http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2012/08/504-capsoc-novo-sistema-eleitoral.html