domingo, 14 de outubro de 2012

Como lucrar em cima da miséria alheia

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

No dia 13 de Maio de 2010, quando se comemorava a Libertação da Escravatura no Brasil, quatro meses depois de terremoto que devastou o Haití, algumas empresas começavam a tirar proveito da tragédia para fazer negócios. Foi assim que a Monsanto doou sementes geneticamente modificadas aos agricultores daquele país e no mesmo pacote, os agrotóxicos da empresa.

Tudo foi feito dentro de um projeto ironicamente denominado “Winner” (Vencedor), com apoio da Embaixada dos EUA e com a devida publicidade que destacava a doação generosa. Mas o representante escolhido pela Monsanto no Haiti, Jean-Robert Estimé, Ministro das Relações Exteriores da ditadura Duvalier durante 29 anos, omitiu alguns detalhes vitais para os agricultores:

- Muitos países denunciaram os perigos das sementes modificadas que sempre chegam junto com os pacotes do herbicida Randup que contamina os lençóis d’água potável e rios. A Monsanto diz que é biodegradável, mas está sendo processada por fraude em Lion, na França e em outras partes.

- A Monsanto fabrica o “agente laranja” o desfoliante que os aviões norte americanos derramaram sobre o Vietnam durante a guerra, envenenando seus próprios soldados, além da população civil daquele país.

- Linda Fischer, ex-executiva da Monsanto foi nomeada na mesma ocasião para presidir a Agência de Proteção Ambiental dos EUA... E isto é o mesmo que entregar o galinheiro para as raposas. Nomeações deste quilate também ocorre na ONU, quando admite um advogado da Monsanto como consultor para elaborar o Codex Alimentarius. Sabe o que é isto? Por que em latim?

Para dificultar o entendimento dos simples. Podiam titular a conspiração como Código ou Normas para a Alimentação. Isto para omitir o objetivo translúcido de promover as gigantes empresas transnacionais, controladoras da indústria química - Monsanto, Du Pont, Bayer, Griffin Corporation, Basf, Dow Chemicall, um monte de outras.

Todas estão faturando e “ajudando” a lavoura, a pecuária e a produção de alimentos que chegam às nossas mesas, após “convencer científicamente” técnicos, consultores, advogados, parlamentares, ministros, que os venenos que fabricam não mata, embora sejam proibidos em outros países.

O ilustre advogado da Monsanto, Jeffrey M. Smith, tornou-se diretor da poderosa Foods and Drugs Administration, influenciou as diretrizes do tal Codex Alimentarius, revisou as diretrizes e o estatuto para a aprovação da modificação genética de alimentos em 1992 e depois voltou para a Monsanto.

Nenhum agricultor, pecuarista, plantador de soja, milho, banana, nem ribeirinho que gostava de pescar, plantador de batata ou feijão, está informado sobre os desastres ambientais em curso. Tem produto pra interferir no curso natural de todas as “pragas”. A Monsanto investiu 550 milhões de dólares para fabricar o “mata mato” Roundup à base de glifosato, proibido “la fora” mas amplamente utilizado por aqui.

O efeito residual dos agrotóxicos chega a todas as mesas nos legumes, frutas, verduras, carnes, ovos e alimentos industrializados em embalagens coloridas. Os serviços médicos parecem ignorar que o monte de enfermidades, ziquiziras, dor aqui e acolá, vista fraca, desinteria, coceiras, desmaios, insuficiência sexual, está relacionado com o envenenamento silencioso.

É uma virose de fé capenga. A fé sem as obras está defunta e fica descartado acreditar na construção de um convívio sadio. Diante das normas constantemente alteradas, diante dos códigos de conduta frequentemente desrespeitados pelas autoridades que deviam zelar pelo estrito cumprimento das leis constitucionais, o indivíduo parece acuado, zonzo.

Considerável parte da humanidade parece incapaz de agir exigindo coerência, dignidade e respeito dos que dirigem as instituições. Melhor dizendo: incapaz de cultivar o respeito a si próprio e aos outros, a boa fé, virtude que destaca os amantes da verdade.

Pessoas de moral inferior, amorais confundem as pessoas dignas, acentuando o caos mental, a corrupção e desconstrução de valores. Não obstante a força avassaladora que envenena a tradição, crenças e instituições, permanece na memória genética humana o melhor e mais construtivo das experiências passadas.

Alguns pensadores grafam e disponibilizam tímidas metodologias de ação para enfrentar o pavoroso ápice da desconstrução cultural, comandada por gente que se considera melhor que a gente, mas que não acreditam nem praticam os ideais superiores, reflexos do passado que inda vingam sufocados nas sombras do presente, favorecendo os que trabalham para controlar e empobrecer a nação.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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