segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Pudim de Lenine

O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual das riquezas; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias”. WINSTON CHURCHILL


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Clovis Purper Bandeira

Quando estudávamos para o concurso de admissão à Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, recorríamos com frequência a processos mnemônicos, que ajudavam a memorização de tantas informações.

Mestre nesse processo, meu amigo Affonso cunhou um que nunca mais esqueci: o pudim de Lenine. Era uma maneira de recordar as características do comunismo internacional e resumia o assunto com grande propriedade.

Vejam só:

P – Partido único

U – União operário-camponesa

D – Ditadura do proletariado

I – Internacionalismo do movimento

M – Militância profissional

Recordando aquelas ideias mestras do marxismo-leninismo, surpreende-me que, passados tantos anos e tendo o comunismo falhado grotescamente em todo o mundo, inclusive na Coreia do Norte, em Cuba e em pouquíssimas outras potências do mesmo calibre, onde teima em se arrastar, ainda haja quem sonhe em implantar esse anacronismo falido em nosso país.

Calma, já sei o que estão pensando: que esqueci da China, o motor da economia moderna, exemplo de sucesso do planejamento central. Pelo menos, de um planejamento central que convive com 56 grupos étnicos oficialmente reconhecidos, mais de uma dezena de idiomas, dos quais oito falados por mais de 30 milhões de pessoas, e quatorze alfabetos.

Mas será que o sucesso chinês baseia-se no que prega o comunismo? As grandes usinas do desenvolvimento chinês são as grandes cidades que gozam de condições econômicas, políticas e sociais especiais.

Em primeiro lugar, as Regiões Administrativas Especiais (RAE) de Hong Kong e Macau – verdadeiras zonas francas ou portos livres herdados do império colonial britânico e do português, que oxigenam a economia chinesa com os frutos do capitalismo (podem até emitir passaportes próprios), dentro do que Deng Xiaoping chamava pragmaticamente de “um país, dois sistemas”.

Em segundo lugar, as Zonas Especiais de Exportação (ZEE) de Shantou, Shenzhen, Zuhai, Xianen e Hainam.

A formação e a consolidação das ZEE baseiam-se em:

• abertura de mercado ao capital estrangeiro, mas com forte participação estatal;

• proximidade das áreas portuárias e urbanas;

• produção industrial diversificada e voltada especialmente para a exportação;

• apoiadas por infraestrutura que permita a entrada do capital financeiro;

• mão de obra barata e abundante;

• modelo econômico: economia de mercado;

• isenção de impostos;

• salários das empresas que ali se instalam devem ser mais altos do que os pagos no restante da China.

Há, ainda, cinco Regiões Autônomas (RA). São áreas incorporadas à China em épocas mais recentes (na escala chinesa de tempo), onde existem várias minorias étnicas e alguns movimentos separatistas e onde o domínio chinês é mantido por forte presença militar.

Na China, com a morte de Mao e o fim da desastrosa Revolução Cultural, teve início a reforma econômica de Deng Xiaoping, em 1978, e as coisas mudaram muito, começando pela privatização das fazendas, afastando-se da estrutura agrária feudal da propriedade estatal das fazendas e do trabalho semi-escravo dos camponeses, o que fracassou estrondosamente e levou o país a enfrentar grandes desastres nas colheitas e milhões de mortes por fome.

Tudo isto não tem quase nada a ver com a receita do pudim, mas é responsável por grande parte do sucesso econômico da China.

Na verdade, a China só conserva intocados, da receita original leninista, o P e o M. Só os fósseis leninistas, falidos e atrasados, seguem a fórmula original.

Assim, no caldeirão chinês, o conteúdo está mais para feijoada do que para pudim...

Infelizmente, nosso país, sempre pronto a reinventar o passado e a copiar o que não deu certo em lugar nenhum, ainda é assolado por delirantes teóricos do comunismo real, que será implantado no Brasil, transformando-o em grande potência, do nível de Cuba e Coreia do Norte.

Enquanto isso, esses trogloditas ideológicos querem-nos fazer engolir o secular pudim de Lenine, como se fosse a panaceia para todas as nossas deficiências.

Naturalmente, interessa-lhes mais a fase do “partido como vanguarda do proletariado”, que lhes garantirá rendosas funções públicas, a salvo de qualquer tipo de fiscalização ou cobrança, e quando poderão usar todo tipo de mentira, falsidade ou violência para afastar os possíveis inimigos de tais pretensões, como as Forças Armadas, a Igreja e a Família (as trincheiras da burguesia, como ensina o novo guru Gramsci). Podemos, também, incluir aqui a imprensa como alvo preferencial, pelos estragos que vem fazendo no projeto comunista de perpetuação no poder, em curso no Brasil.

Essas instituições são seguidamente perseguidas e atingidas por leis, kits, comissões, acusações caluniosas e recorrentes, enquanto as vítimas angelicais, derrotadas em sua tentativa de tomada do poder pelas armas, recebem glórias e indenizações maiores do que a paga pela Alemanha a Israel, pelo Holocausto.

Afinal, a viúva é rica e sua bolsa não tem fundo, acreditam; e, como dizia Margaret Tatcher, “o socialismo dura enquanto dura o dinheiro dos outros”.

Clovis Purper Bandeira é General de Divisão na Reserva.

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