segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vernáculos de Pau

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Haroldo Amorim

É difícil entender a lógica republicana brasileira - vernáculo bonito - : a cúpula de um partido "X" no poder monta um esquema de compra de votos gastando uma fortuna ilegalmente subtraída, conforme “consta nos autos".

O dono do poder não sabia de nada, e o dono do partido junto com o seu principal articulador político também não tiveram culpa, uma vez que “não há prova alguma de envolvimento", segundo parecer do “revisor” do julgamento, esquecendo-se de dizer que mesmo com a inexistência de provas “torrenciais” e “avassaladoras”, um pediu demissão e o outro foi demitido do cargo na ocasião.

Por outro lado, neste mesmo país, há pouco tempo, um presidente caiu por causa de uma Fiat Elba e o americano Nixon perdeu o mandato porque o partido dele espionou ilegalmente o partido adversário. Cabalmente, esse país não tem jeito ! É muita cara de vernáculo de pau.

Sr “revisor”, do alto da excelência da sua toga negra o papel aceita tudo. Quem não aceita mais tudo é a sociedade brasileira, é o povo, o manto está preto, esfumaçado pelos instintos mais primitivos da podridão. Pedir demissão do cargo republicano para trabalhar como advogado de defesa é uma boa alternativa para robustecer seu futuro.

A história atesta que o Brasil salvou-se nos momentos cruciais da sua trajetória por personagens com assento merecido num panteão dos benfeitores da pátria, sem cotas e sem nomeações apadrinhadas: é o seleto grupo do Marquês de Pombal, Tiradentes, Caxias, Floriano Peixoto, Rio Branco e os militares de 64. Pombal lá de longe afastou a religião da política e mandou demarcar na marra o território brasileiro. Tiradentes semeou a liberdade, Caxias pacificou, Rio Branco ajeitou as fronteiras do Pombal na diplomacia, Floriano foi o marechal de ferro e sob a liderança dos militares a nação impediu que a turma do Zé Novo tomasse o Brasil de assalto em 1964.

Num acaso histórico, o Calabar do Bem livrou o país de ser assaltado no poder pela turma do Zé Velho. A história é justa, fria, o panteão nunca fecha, mas jamais abrirá as portas para quem não sabia de nada. Chegou a vez do judiciário salvar o Brasil sob a liderança do mestre-de-toga Joaquim Barbosa, como aconteceu da primeira vez com o mestre-de-campo negro Henrique Dias.

A história nos vigia senhor “revisor”, infelizmente o panteão da pátria não é a sua praia.

Haroldo Amorim é Coronel na Reserva do EB.

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