segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Nem criticado, muito menos questionado

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aloísio Rodrigues dos Santos

Escrevi e divulguei, no decorrer dos anos, inúmeros textos pela internet. Assinava o nome completo e declarava o meu posto, quando na ativa, para dar credibilidade e autenticidade aos fatos narrados e aos temas desenvolvidos. Esses sempre foram polêmicos e diversificados: " TORTURA, GUERRILHA, ATENTADO, SEQUESTRO, JUSTIÇAMENTO, DESAPARECIDO, ASSASSINATO, FORO de SÃO PAULO" e outros. Neles incluía, educadamente, sugestões para a realização de debates ao vivo pela televisão, com regras claras, definidas e ajustadas. Mas, como sempre, a resposta foi o silêncio. Nada prosperou, ninguém se manifestou.

Em nenhuma oportunidade os assuntos polêmicos foram desmentidos, questionados, contestados ou mesmo criticados, embora os artigos tenham sido amplamente divulgados nos meios civil e militar, a partir de uma lista de contatos que ultrapassava mais de 200 endereços eletrônicos, de pessoas físicas e de grupos. O auge dessa difusão chegou ao máximo nos dois últimos meses que antecederam às eleições de 2010, refluindo naturalmente a partir de então.

Solicitei por duas vezes contatos com um General da Ativa, meu amigo. Somente na segunda vez houve retorno. A demora foi longa e a oportunidade fora perdida. O fato de interesse já se consumara e o próprio contexto já se contaminara. Não havia qualquer possibilidade de reversão no curto ou no longo prazo. A oportunidade, ainda que remota, fora perdida.

Neste ano, até meados de setembro, por razões particulares, o computador não fez parte das minhas preocupações, muito menos os telejornais. Mas estou retornando, atento aos fatos e às declarações de militares da ativa ou não, em especial generais e oficiais superiores que se manifestam de forma equivocada ou sem conhecimento de causa. Assim, me permito indagações que levem ao esclarecimento e ao conhecimento de temas polêmicos, nos campos político e ideológico.

1) O militar de hoje conhece a evolução do processo revolucionário iniciado no BRASIL em 1922, passando pela INTENTONA COMUNISTA de 1935 e se consolidando por mais de 40 anos até 1964?

2) O que ele conhece ou ouviu quanto ao início dos anos 60 e quanto à CONTRARREVOLUÇÃO de 31 Mar 1964?

3) O que ele conhece sobre o período da LUTA ARMADA, iniciada efetivamente com o indiscriminado e repulsivo atentado no Aeroporto GUARARAPES em 1966, com dois mortos, um civil e um militar, e treze feridos, 12 civis e 1 militar, e concluída, praticamente, em 1975?

4) O que ele conhece sobre o tema TORTURA? Como ele conhece ou reconhece a índole e as ações de um "TORTURADOR"?

5) O que ele conhece quanto ao desaparecimento de um soldado do EXÉRCITO, em missão no ARAGUAIA, na década de 70?

6) Os militares das décadas de 70/80/90 conhecem/leram os livros "ROMPENDO O SILÊNCIO", de abril de 1987; "A GRANDE MENTIRA", de 2001; e "A VERDADE SUFOCADA", de abril de 2007? Conhecem os seus autores? O segundo, do Gen DEL NERO, já falecido, e os outros dois do Cel CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA.

As três primeiras edições do livro "ROMPENDO O SILÊNCIO" se esgotaram com imensa rapidez. O livro se tornou um dos mais procurados e vendidos nos primeiros meses de comercialização. Já o livro "A VERDADE SUFOCADA" permaneceu por alguns meses dentre os mais vendidos, a maioria em casa ou pelo correio, e está na sua oitava edição.

7) O que os militares do passado e do presente sabem em relação "às violentas" acusações de TORTURA", formuladas pela então Dep Fed ELIZABETE MENDES DE OLIVEIRA, em agosto de 1985, contra o Cel CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA?

Para melhor situar o leitor, esclareço que ELIZABETE, então com 21 anos, foi presa em 29 de setembro de 1971 com outros jovens de menor idade, até mesmo "menor de idade". A maioria foi entregue aos pais no início de novembro daquele mesmo ano. Já em 1985, como Dep Fed, ELIZABETE era inexpressiva politicamente, se desligara do PT, por onde se elegera, e se aproximara do então governo SARNEY. Inexplicavelmente, em agosto de 1985, sem motivos aparentes que o justificassem, a DEPUTADA foi integrada à delegação do governo brasileiro, chefiada pelo próprio Presidente da República, que visitaria o URUGUAI, onde o Cel USTRA era o adido militar do Exército. Que coincidência! Assim, o encontro da Deputada com o Cel era inevitável, seja no aeroporto, seja em eventos sociais.

As cartas estavam marcadas. O escândalo no retorno estava sigilosamente definido, com o texto a ser divulgado já elaborado por antecipação. O impacto foi grande em razão da cordialidade aparente da Deputada com o Coronel e sua esposa nos eventos sociais. Jornais, revistas, telejornais etc..., do BRASIL e do exterior, deram ampla divulgação às declarações da deputada. Ao "réu não foi dado qualquer direito de resposta", até por que ele estava no exterior, o que por si só justificava a sórdida campanha. BETH se tornou uma celebridade nacional. O castigo veio, mas não a cavalo. Mas em forma de livro, intitulado "ROMPENDO O SILÊNCIO", lançado um ano e sete meses após agosto de 1985. A acusadora se desmoralizou e desapareceu politicamente, abandonando a política partidária ao concluir o seu mandato.

Nos dois livros do coronel, citados no número 6), a deputada foi indiscutivelmente desmoralizada. Sua avidez por prestígio e poder rendeu dividendos políticos passageiros, enquanto não comprovadas em livro as acusações que formulou. Desde então BETH MENDES desapareceu. Não era conveniente o seu passado de farsante, muito menos de "TORTURADA". Reapareceu como uma medíocre "artista" de telenovelas da REDE GLOBO. Desde antes das eleições de 2010, "BETH MENDES" mais uma vez desapareceu, como convêm à "COMISSÃO DA MENTIRA", pois traria desconforto com a possibilidade de uma nova desmoralização. Ainda deve estar na folha da Rede GLOBO. Sempre teve um poderoso padrinho que se manteve no anonimato e que a protegeu e defendeu ao longo dos anos. Esta protegida, por sua vez, não deixa de ser um arquivo ambulante, em razão dos conhecimentos que dispõe e que estão muito bem guardados.

Os fatos ocorridos em 1985 e 1987, associados ao livro "A VERDADE SUFOCADA" de 2006, orientaram os(as) ex-terroristas , ex-subversivos e ex-comunistas de carteirinha ou não, e serviram de exemplo para que não se repitam procedimentos e fatos que possam desmoralizá-los, como já ocorridos. Para não reaparecerem se já foram desmentidos e questionados. Para estudarem cautelosamente o passado, maximizando como verdadeiras as mentiras e como mentirosas as verdades. Para não criar fatos contestáveis e outras razões. Os novos acusadores aprenderam com o passado o "caminho das pedras" e se precaveram contra novas acusações, sendo importante e decisivo que BETH MENDES não apareça publicamente.

8) O que os militares leram ou ouviram sobre uma extensa matéria publicada na revista "PIAUÍ em 2011", de autoria de PÉRSIO ARIDA, ex-Presidente do Banco Central na década de 90?

PÉRSIO foi preso com ELIZABETE MENDES DE OLIVEIRA e outros no final de setembro de 1971. Todos eram muito jovens, idade variando de 17 a 21 anos. Foram recrutados por inescrupulosos profissionais do terrorismo e da subversão. Alguns desses jovens abandonaram as suas famílias e passaram a residir nos denominados "aparelhos". Viviam clandestinamente. Recebiam tarefas simples e algumas até irrelevantes para se sentirem úteis à organização. Na verdade os jovens eram verdadeiros "pés de chinelo". Nada tinham a oferecer.

Algumas eram quase crianças a época. Foram entregues aos pais na primeira quinzena de novembro, exceto PÉRSIO que permaneceu mais alguns dias preso. De forma semelhante a ELIZABETE, PÉRSIO publicou uma extensa matéria na revista acima citada, até porque as declarações de 1985 da BETH MENDES foram bem mais incisivas. O Cel USTRA respondeu com um excelente e objetivo artigo publicado no jornal "Folha de São Paulo", pondo por terra as mais relevantes considerações apresentadas por PÉRSIO, que também desapareceu e não mais se manifestou desde então, adiando? o projeto de divulgar o seu livro.

No que diz respeito à DILMA, a ex- terrorista sempre silenciou quando o assunto não convinha ou não interessava. Não participou de nenhuma ação armada. Era uma "terrorista de aparelho" que não confirma nem desmente a participação em ações de risco, até porque não participou de nenhuma. Ficou presa por cerca de dois anos, praticamente a metade do que ficou o também "terrorista de aparelho" VANNUCCHI, que era um simples burocrata e um "anão" na escala hierárquica da organização.

Não se manifesta precipitadamente, nem mostra as "sequelas" das intensas torturas físicas e psicológicas que recebeu na década de 70, porque sempre foi uma farsante que não repudia nem desmente as ações das quais nunca participou. Nada foi até hoje contestado e desmistificado com qualquer tipo de prova que não sejam meras palavras. Lamentei apenas que o Senador que a inquiriu em uma CPI em 2010 não tivesse a perspicácia, a malandragem, a competência, o bom senso, a iniciativa e a presteza de pedir à depoente que mostrasse, reservadamente pelo menos, as sequelas físicas e psicológicas das 'torturas" que recebeu.

Finalizando, esclareço que turmas da AMAN, do final dos anos 60 e início dos anos 70, foram preservadas e não participaram das ações de combate ao terrorismo e à subversão, o que não justifica o desconhecimento da HISTÓRIA, do processo revolucionário e das ações de guerrilha urbana e rural que ainda estavam em curso. Muitos se omitiram ontem e continuam se omitindo hoje, por desconhecerem a HISTÓRIA. Muitos não estimularam seus subordinados a comparecer aos lançamentos do passado e a lerem livros e conhecerem fatos não desmentidos ou contestados. Muitos desconhecem o presente.

O primeiro que deu uma resposta efetiva no passado, em razão das torpes acusações que recebeu, foi o autor do livro "ROMPENDO O SILÊNCIO", citado ao início. Um segundo livro, denominado "TENTATIVAS DE TOMADA DO PODER", elaborado de julho/agosto de 1985 a 31 de dezembro de 1987, com cerca de mil páginas e participação dos Analistas de Informações do então Centro de Informações do Exército, foi concluído no primeiro semestre de 1988. Exemplares chegaram às mãos de jornalistas inescrupulosos que não o divulgaram. Talvez um tiro no pé. Mas agora o livro está sendo efetivamente lançado, com apenas uma ressalva em cerca de 900 páginas, já anexada ao livro.

Aloísio Rodrigues dos Santos é General Reformado.

Um comentário:

Martim Berto Fuchs disse...

Prezado Sr. Aloísio Rodrigues dos Santos.
O pessoal que pegou em armas contra o exército, em função da contra-revolução de 1964, jamais pensou em democracia e sim na implantação de um regime totalitário, tentado por Brizola e Arraes, ou, no mínimo, para copiar o que Fidel fizera em Cuba um pouco antes.
O PT como fachada e o Foro de São Paulo como fundo, continuam com os mesmos propósitos.
Conseguem, assim como Getúlio Vargas conseguiu com a montagem do DIP, utilizando recursos públicos sem limite, enganar com relativa facilidade o eleitorado, pois uma mentira muitas vezes repetida, TORNA-SE UMA VERDADE.
Sem contar, que a defesa do social levada às últimas conseqüências, não obstante apenas no papel, lhes granjeia a simpatia dos incautos.
Tenho comigo e já disse em outras ocasiões, que precisamos de um projeto diferenciado e mínimo, não obstante seja um novo paradigma, para enfrentar no campo da informação o verdadeiro massacre à que somos submetidos pela propaganda oficial, propaganda essa que nós pagamos.

http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2012/08/proposta-socio-economica.html