quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Silêncio do Treinador

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcelo Alcoforado

Estará ele enfrentando uma recidiva da sua terrível doença? Espera-se que não, mas a pergunta não é feita sem motivo. De fato, como uma das prescrições médicas é poupar a voz, é preocupante o mutismo do ex-presidente, aliás, do treinador, logo ele, acostumado a ganhar no grito, e um arrebatado amante dos refletores e microfones.

Vale a pena conferir os principais lances da partida.

Em 2005, expulso de campo por jogada desleal, o craque José Dirceu, entregue à própria sorte deixava evidente sua irritação com o treinador, ou melhor, com o então presidente da República. Esperava, como jogador importantíssimo do Presidencial Futebol Clube, receber, pelo menos, gestos fraternos do treinador ― um tapinha nas costas, por exemplo ―, depois de sofrer a cassação do seu mandato e dos seus direitos políticos. Naquele instante crucial da partida, recebeu apenas um telefonema de pouco mais de um minuto, sem que fosse evidenciada a mínima preocupação com o futuro do seu jogador, aquele que, na definição do próprio Luiz Inácio da Silva, era o “capitão do time”.

Bem que dizem que “futebol é uma caixinha de surpresas”. É mesmo. Dentro das quatro linhas tudo pode acontecer. Tanto que o “capitão do time”, logo ele, ficou só, no meio do gramado, sob chuvas e trovoadas. Então, pleno de desapontamento com o silêncio do treinador, declarou, ao ter notícia de sua cassação, como registrou a revista Veja de 7/12/2005: “Não recebi nenhum telefonema do Lula, ele não me mandou nem ao menos um recado. Ninguém do governo me procurou. Eles têm muita confiança no meu silêncio. Dá vontade de começar a contar um pouco do que sei.”

Nada revelou, contudo, dos meandros do dope que estimulou mesmo “atletas” de outras equipes a “abrir o jogo” para o time governamental.

Sete anos se passaram, a partida decisiva tem uma renhida disputa, o “capitão do time” está eliminado dos prélios por longos onze anos, desta vez sem sequer poder assistir ao jogo da “boca do túnel” e, mais uma vez, à beira do gramado o treinador permanece mudo.

Será doença, ou falta do que dizer?

Marcelo Alcoforado é publicitário pernambucano. Originalmente publicado em http://www.luizberto.com/a-proposito-marcelo-alcoforado/o-silencio-do-treinador#comments

Nenhum comentário: