sábado, 17 de novembro de 2012

Viagem Mental

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arlindo Montenegro

Numa viagem à Itália, no roteiro turístico do cristianismo católico, estão (ou estavam) as Catacumbas de São Calixto, onde os primitivos seguidores de Jesus se reuniam secretamente para ouvir a orientação dos apóstolos, que ensinavam sobre a mensagem amorosa do mestre.

Eram encontros fechados e os adeptos da nova seita utilizavam uma senha para identificar-se entre si: desenhavam um peixe no chão. Símbolos carregados de compromisso ético e espiritual envolvendo pessoas que se reconheciam como iguais. Como os sinais que os maçons adotaram. Deste modo os irmãos se reconheciam e podiam ajudar uns aos outros driblando o controle do império romano.

O simbolismo viria seria adotado pela propaganda para identificar marcas políticas e comerciais: a foice e o martelo, estrela vermelha, cruz gamada, Mercedes Benz, Coca cola, Mac Donald, Estátua da Liberdade, Torre Eiffel, Torre de Pisa e no Brasil o Cristo Redentor, como exemplos variados e imediatos.

Zé Sebinho tinha 19 anos quando entrou numa livraria e adquiriu dois livros sobre religiões exóticas: budismo e hinduísmo. A leitura daqueles textos deixou uma baita interrogação na cachola do moço, doutrinado para temer o pecado e respeitar o sermão paroquial rodeado do cerimonial e simbolismos fascinantes pelos mistérios contidos.

A China, a Índia e o Japão, que somavam mais da metade da população sobre a terra, sem contar as inúmeras tribos espalhadas pela África e outros locais remotos, até desconhecidos, veneravam muitos deuses e acreditavam numa história diferenciada sobre a origem da vida e das religiões. Em seu poema “O Navio Negreiro” Castro Alves gritou: “Deus, onde estás que não respondes?”

Um monge do mosteiro onde o moço costumava buscar direção espiritual respondeu: “É assim mesmo, meu filho: muitos são chamados, mas poucos os escolhidos.” Ele, com a pulga atrás da orelha resolveu ler a Bíblia de cabo a rabo. Pior emenda que o soneto. Como acreditar que Deus havia ensinado tanta coisa com cheiro de incoerência e ignorância.

Coelhos ruminantes, a terra plana, imóvel e sustentada por colunas, um barco com uma janelinha de meio metro contendo casais de todas as espécies animais durante mais de um mês, a mulher sendo considerada imunda depois do parto e duas vezes mais imunda se o filho fosse menina, guerras, privilégios, castigos. A história se amenizava com a pregação de Jesus.

Foram necessários mais de sessenta anos de leitura, observação e pesquisas para começar a pensar que podia entender, minimamente, os segredos do Estado, manipulador das opiniões mascaradas de crenças religiosas e ideologias políticas, para controlar as paixões humanas. Mapas territoriais e instituições mudaram de nome, valores e comportamentos ancestrais eram ridicularizados, mas continuavam presentes, na mesma trilha do sonho.

Os bichos humanos realizaram maravilhas transformando a face material, mantendo os feudos de fartura e conforto para uns poucos enquanto as maiorias foram contidas em guetos, dominados por reduzido número de manipuladores da informação cientificamente dirigida para os espaços mentais demarcados. Professores, líderes políticos e religiosos padronizram os códigos de conduta correntes e inconscientemente aceitos, sufocando as liberdades e o livre pensamento.

A globalização materializa com suas bruxarias midiáticas a imposição do coletivismo, frustrando aquele sonho caduco de construção de uma pátria livre, justa, ordeira e diferenciada em seus aspectos de soberania democrática. As vestes institucionais parecem novas, mas as promessas são as mesmas. Para constatar é suficiente ler as manchetes dos jornais impressos há um século, quando as populações urbanas ainda viviam em casas com quintais.

A condição de existência e sobrevivência é cada dia mais complexa e a escravidão mental é quase imperceptível, ampliando as “formas de luta” dos contingentes mobilizados como arautos favoráveis ou contrários à reforma agrária, banditismo, pirataria, preservação ambiental, escola, saúde, emprego, segurança, distribuição de renda, justiça, moralidade, honestidade...

A nova ordem mundial atua arreando a gente com cabrestos mentais, num processo homogêneo que bagunça o âmbito familiar, educacional, religioso, comercial e político. Os formadores de opinião controlam as mentes da sociedade e desfiguram a realidade, escondendo o desmanche cultural. O discurso é ligeiro e agressivo. Está contido no clip propagandístico, na reportagem, no artigo, no discurso...

As técnicas hipnóticas estão na ordem do dia formatando os caminhos do cérebro e dos espíritos aparvalhados diante das modernas torres de babel, apenas percebidas por uns poucos. Zé Sebinho até pensou em vestir-se com um barril, como aquele pensador grego da antiguidade e sair com uma lanterna (elétrica) pelas ruas procurando um ser humano.

Desistiu frustrado, pensando: a humanidade parece mais uma ficção iludindo homens ferrados e mal pagos. Homens que persistem na busca de si mesmo, como peões tentando equilibrar-se sobre touros bravos.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

2 comentários:

Ildomar Silveira disse...

Fico, entre tantas outras, com uma afirmação que encontrei no "Yahoo":
"Somente o Deus Bíblico possui quase 6.000 anos de História, e somente Ele é venerado e adorado por centenas de séculos da história humana, e dividiu a História em AC/DC... E pessoalmente, também muda e transforma a vida dos homens da mesma maneira em: “Antes de Cristo” e “Depois de Cristo”.

Ildomar Silveira disse...

A afirmação não é de minh autoria, mas fico com ela: "Somente o Deus Bíblico possui quase 6.000 anos de História, e somente Ele é venerado e adorado por centenas de séculos da história humana, e dividiu a História em AC/DC... E pessoalmente, também muda e transforma a vida dos homens da mesma maneira em: “Antes de Cristo” e “Depois de Cristo”.