domingo, 7 de abril de 2013

Não devemos abrir mão da indústria


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Antoninho Marmo Trevisan

Tenho observado conteúdos na mídia brasileira, assinados por economistas e analistas internacionalmente famosos, sentenciando categoricamente à desindustrialização os países candidatos ao desenvolvimento. Recorrendo ao laboratório da história, esses especialistas demonstram os exemplos dos Estados Unidos e da União Europeia, nos quais os serviços predominam no PIB e dos quais a manufatura migrou para nações menos prósperas, com mão de obra barata, despreocupação ambiental e custos genericamente mais baixos.

É o dogma da chamada sociedade pós-industrial, que se mostrou economicamente exequível antes da crise iniciada em 2008. Só economicamente... Afinal, sob o ponto de vista de uma ética global, é bastante questionável o oportunismo de transferir fábricas para nações que poluem, submetem seus operários a condições indignas de trabalho, manipulam o câmbio e fazem qualquer negócio, inclusive dando de ombros à propriedade intelectual e industrial, para ancorar seu crescimento na produção manufatureira.

Ressalva ética a parte, também é o caso de se questionar a lógica econômica da desindustrialização. A indústria desenvolve tecnologia, cria empregos de qualidade e de modo intensivo, acrescenta produtos e bens de alto valor agregado à pauta de exportações, detém patentes importantes para um país e contribui muito para sua independência produtiva. Portanto, é fator exponencial às metas de crescimento das nações emergentes neste século, reafirmadas pela presidente Dilma Rousseff e os chefes de governo dos BRIC, no encontro que mantiveram na semana passada, na África do Sul.

A crise mundial mostrou a importância da indústria na estrutura econômica, algo, aliás, pontuado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante sua campanha à reeleição. Ele falou com todas as letras sobre a necessidade de repatriar a manufatura norte-americana. Sem fábricas e sem ter autonomia para ajustar a oferta à demanda, fica difícil criar empregos, gerenciar a economia e até mesmo controlar a inflação.

O Brasil, que vem enfrentando com razoável sucesso a crise internacional, parece, em tese, seguir a lógica da sociedade pós-industrial. Estamos quase com pleno emprego, conseguindo crescer, mesmo que pouco, como em 2012, e mantendo a economia dinâmica. Os serviços têm significativa expansão, o agronegócio avança, o sistema financeiro vai bem, mas a indústria recua. Não podemos nos resignar a isso. Dogmas existem para serem quebrados por governos, empresários, trabalhadores e povos corajosos, que não têm medo de mudar a história.

Pois bem, se soubermos garantir à indústria brasileira condições adequadas de custos (financiamentos com juros menores, menos impostos, racionalidade nas relações trabalhistas, câmbio equilibrado, segurança jurídica e menos burocracia), resgataremos rapidamente a sua competitividade. Poderemos continuar trabalhando e criando empregos sob a ética da dignidade do capitalismo democrático, sem temer (e repudiando!) a concorrência daqueles que pagam seus trabalhadores com um prato de comida.

Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

Um comentário:

Anônimo disse...

Sr Antonio, muito boa sua colocação, penso que para todos os problemas que nos afligem existem soluções, masssss, a classe politica coloca no lixo qualquer solução, a solução a meu ver é um AI5 com 5 décadas de duração com direito a prorrogação por mais 50 décadas, o resto os militares tiram de letra, em poucos meses podemos navegar de vento em popa.

Negar isto é fugir da realidade da pior maneira, um usuário de drogas foge pelas drogas, mas quem não usa, foge de ignorante mesmo, medo de uma ilusão de que todos vão pro pau de arara como os comunas fizeram o povo acreditar, esse é o paradigma a ser quebrado, o resto é acreditar em algo que não deu, não dá e nunca dará bons frutos, os civis no poder é isso, um mar de problemas sem solução, e de-lhe eleição após eleição, haja paciência...

Liberdade sem responsabilidade dá nisso, o povo merece mesmo flutuar no esterco, morrer em filas de espera, alimentar banqueiros safados e um sistema que lhe mata rapidamente, um dia virá em que um cientista vai traçar um paralelo entre essa famigerada democracia e a avalanche de doenças como câncer, diabetes, pressão alta e por aí afora, é tão claro, mas ninguém vê, ou melhor, preferem acreditar em eleições.

Quem tem medo das FFAA?

hahahha