domingo, 7 de abril de 2013

Nova fórmula de cálculo para o CDI


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto

Desde o início de março que se comenta no mercado que existe grande probabilidade da Cetip (depositária principalmente dos títulos de renda fixa privados) rever a forma de calcular o juro do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) ainda dentro do primeiro semestre do ano em curso.

O CDI é um importante indexador de aplicações como o CDB pós-fixados que remuneram aplicações, principalmente àquelas que integram carteiras dos diversos tipos de Fundos de Investimentos disponíveis aos investidores. Seu cálculo é elaborado através da taxa média das negociações diárias realizadas entre bancos com garantia em papéis essencialmente privados.

O método utilizado atualmente para o cálculo do CDI tem sido motivo de criticas por levar em consideração a sua queda substancial nas operações no mercado, em função de ter se descolado significativamente da sua congênere em títulos públicos, a taxa diária Selic. Para se ter uma noção, o número de operações realizadas no interbancário vem situando-se abaixo de 20 por dia, oscilando entre 14 e 19 negócios diários durante este ano. 

Isso se deve também a questão em que os bancos BVA e Cruzeiro do Sul estiveram envolvidos em um passado próximo, refletindo um menor apetite de grandes bancos emprestarem recursos para bancos menores no mercado.
Em 2012, o CDI acumulado fechou em 8,37% para uma Selic em igual período de 8,49%. O CDI na média neste ano, tem se apresentado oscilando entre 6,95% e 6,99% a.a. enquanto que Selic efetiva fica entre 7,11% e 7,16% a.a.

As articulações e comentários estão sendo feitos dentro do ambiente do mercado e algumas especulações sobre o assunto são evidenciadas, entre as quais:
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 A Cetip utilizará um novo critério, no qual, os números de negócios realizados fiquem abaixo de um limite a ser estabelecido, o sistema automaticamente passaria a utilizar a média histórica da taxa CDI em relação à Selic;

- O cálculo levará em conta as taxas mais elevadas ou as mais baixas apontadas no decorrer do dia para efeito da média;

- Hoje, os denominados “outliers” (implica em prejuízos a interpretação dos resultados dos testes estatísticos aplicados as amostras) são dispensados dos cálculos para impedir distorções, mas eles passarão a ser respeitados após ter seu peso adaptado através de um sistema de distribuição de probabilidades. Em função disso, seu impacto na composição da taxa será pequeno, porém já incidirá no percentual final. Os pesos ponderados serão menores em conformidade com as particularidades apontadas para as taxas dos negócios efetuados pelos bancos. Se por acaso a taxa estiver muito fora da média, seu peso determinado para o cálculo final será próximo à zero;

- Levanta-se também no mercado uma suposição quanto uma provável manipulação da taxa Selic a fim de beneficiar os bancos, que remunerariam menos os investidores de CDBs indexados a CDI.  Não podemos esquecer que uma considerável fatia das operações de crédito também é regulada pelo referencial, o que impactaria consideravelmente nas receitas dos bancos.

Por fim, o principal problema quanto ao descolamento da taxa do CDI da Selic não é o pelo insignificante número de operações que servem de referência para o juro privado, mais o excesso de liquidez no mercado.  Esta situação é amplamente administrada no caso dos papéis públicos através da intervenção do Banco Central, que sempre está promovendo leilões para enxugar o mercado quando julgue necessário,  o que não acontece com a realidade dos papéis privados.

Arthur Jorge Costa Pinto – Administrador com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

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