segunda-feira, 20 de maio de 2013

Teatro do Ressentimento


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Augusto Fernandes dos Santos

“Na guerra só uma coisa é bonita: a Vitória; o resto é nojento e deplorável”

Quase meio século depois da queda do Presidente João Goulart, apeado do seu cargo pelo contragolpe de 1964, assistimos, na semana passada, ao início do desdobramento de uma nova e insidiosa GUERRA, agora patrocinada pelo ressentimento e a fúria dos vencidos de ontem e dos inconformados que hoje encontram-se no poder.

Através de intensa mobilização e apoio governamentais, operacionalizados pela atuação de uma estranha “COMISSÃO da VERDADE”, tentam incriminar agentes do Estado que, no passado, se opuseram às suas pretensões utópicas.

Os integrantes da referida Comissão a cada dia demonstram não possuírem a requerida isenção e a necessária imparcialidade para a apuração de fatos tão controversos. Na última semana, com ampla divulgação dos meios de comunicação, a nação teve oportunidade de assistir a trechos  importantes de uma sessão pública, adredemente preparada, onde foi ouvido de forma teatralizada, o Coronel Reformado CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, que nos idos de 1971-1974 , chefiou o DOI-CODI sediado na cidade de São Paulo.

Os inquisidores mais pareciam promotores em acusação, ficando evidente que o objetivo era apontá-lo como insensível torturador, expondo-o à execração pública sem qualquer análise equilibrada. Por coincidência intrigante, a oitiva foi aberta ao público e à imprensa, não faltando à referida montagem, o depoimento suspeito de um ex-sargento do Exército que, como foi divulgado, integrava os quadros do DOI-CODI na mesma época.

Não faltou, também, a participação de um médico, parlamentar paulista que esteve preso naquele período. Esse cidadão, para espanto geral, é hoje, o Presidente da “Comissão da Verdade” instalada na cidade de São Paulo. Ambas, a nacional e a de São Paulo, estão confundindo POLÍTICA PARTIDÁRIA com HISTÓRIA; esta última, como sabemos, destina-se a elucidar e registrar a verdade de fatos passados, enquanto a primeira busca argumentos na tentativa de convencer eleitores para conquistar ou manter o poder. O que as duas estão fazendo é a manipulação da história com visíveis fins políticos. Quais resultados podemos esperar dessas “inusitadas e imparciais” Comissões?

O bom senso sugere que se efetivamente desejam apurar os lastimáveis acontecimentos daquele sombrio período, em respeito ao sagrado direito de familiares e amigos de todos aqueles que de uma forma ou de outra envolveram-se e foram mortos nos decantados, repetidos e orquestrados acontecimentos, o espírito dessa indigitada Comissão deveria ser o do equilíbrio, da conciliação e da concórdia, sendo  integrada, se possível, por historiadores  isentos, com perfil adequado para a apuração serena dos fatos.

Mas isso, desde o início não ocorreu. Um vício de origem desqualificou a seriedade dos trabalhos dessa espúria “Comissão da Verdade”, pois todos os seus membros foram e serão indicados e substituídos, se houver necessidade, pela Sra. Presidente da República que, todos sabem, esteve profundamente envolvida nos lastimáveis fatos ocorridos naquela quadra sombria da história de nosso país.

O nobre espírito de pacificação que norteou a engenharia política que resultou na LEI DA ANISTIA (que continua a ser contestada apesar de decisão do STF) e a postura Pacificadora e histórica do grande líder e patrono do Exército Nacional, o Duque de Caxias, deveriam pairar e servir de inspiração para os trabalhos de qualquer Comissão designada para esse duro mister. Mas o contrário vem acontecendo; diariamente, são retirados das coxias do revanchismo, unilateralmente, fatos e supostos crimes cometidos somente por um dos lados.

Mais triste, ainda, é a covarde arremetida sobre aqueles que, por dever de ofício, foram obrigados e expuseram suas vidas, para sufocar e terminar com a luta de insanos e radicais que professavam o credo marxista, muitos deles, hoje, estabelecidos em diferentes escaninhos do poder.  Não fosse a atuação firme, corajosa e patriótica de inúmeros camaradas e agentes do estado e, hoje, poderíamos estar vivendo as incertezas e o longo sofrimento da vizinha Colômbia que, há mais de meio século, é infernizada pela atuação dos fanáticos guerrilheiros das FARC.

Não podendo colocar no Banco dos réus, instituições sérias como as Forças Armadas, as Polícias Federal, Estaduais e Militares, que tiveram atuação intensa e foram envolvidas nos combates, encontraram uma forma perversa de penalizar individualmente seus antigos membros. Esperam que dessa forma as feridas abertas sejam cicatrizadas e que haja colaboração daqueles que ainda serão ouvidos nessa ridícula pantomima.

O comportamento unilateral dos membros da Comissão tangencia a ironia e o sarcasmo e revela o que verdadeiramente desejam: antagonizar essas mesmas Instituições com a nação brasileira, com especial interesse sobre o relevante papel desempenhado pelo EXÉRCITO NACIONAL na erradicação daquela louca pretensão.

Em gabinetes confortáveis e acondicionados, escribas e intelectuais organicamente cooptados, escrevem “artigos tendenciosos cheios de argumentações falaciosas”. Quando lhes interessa, chegam, até, a citar em seus artigos a “Convenção de Genebra”, para lembrar que violências só podem ser cometidas por um dos lados. Se forem cometidas pelo outro, constituem-se em pecado mortal inaceitável, desconsiderando, inclusive, o duro e perigoso ofício dos que tiveram que combater militantes e terroristas fanáticos, que foram capazes de cometer crimes escabrosos, como mostram os exemplos a seguir: matando friamente um oficial estrangeiro (o Capitão CHANDLER), na frente de sua esposa e de seu filho, ainda um menino, com o frágil argumento que “justiçavam” um espião Yankee representante da burguesia capitalista exploradora e, em outra ocasião, esmigalhando a cabeça do jovem  Tenente da Polícia Militar de São Paulo (Tenente MENDES), que no vale da Ribeira/ SP perseguia guerrilheiros em treinamento na região, depois de preso por eles. Não cabe aqui relatar outras insanidades.

Mas a moeda dos acontecimentos históricos tem sempre duas faces, e os velhos soldados, que viveram a realidade daqueles tempos, tiveram a ALEGRIA de ver que o Coronel USTRA, durante a teatral oitiva, não titubeou e mostrou-se digno, não se intimidando nem se dobrando às indagações que lhe foram dirigidas. Permaneceu fiel, também, aos princípios e valores diuturnamente aprendidos nos quartéis do nosso querido Exército e não renegou ou esqueceu os compromissos assumidos em seus sagrados juramentos perante o pavilhão nacional. Agiu com honra, dignidade, coragem e exação no cumprimento do dever quando, como no passado, recebeu a dura missão de combater fanáticos que desejavam implantar regime político estranho às nossas conhecidas tradições .

Na outra face da moeda, entretanto, o que se viu foi motivo de desconforto e de tristeza. Muito poucos companheiros estiveram presentes em Brasília, para dar ao Coronel USTRA o apoio imprescindível que ele mereceria ter recebido, durante a mencionada sessão. Como sói acontecer, foi melhor para muitos permanecerem na “Zona de Conforto”, esperando o que ocorrerá, na doce ilusão de que serão futuramente benevolentes . Quem viver verá!

Não é justo deixar nossos camaradas expostos à sanha demolidora e à fúria inesgotável das velhas e conhecidas Hienas por falta de Camaradagem. Elas continuam, como sempre estiveram, atentas às nossas fraquezas, com suas garras e dentes afiados;  não nos perdoam pelos insucessos históricos do passado, quando tentaram empolgar o  poder através da luta armada e foram vencidas. 

Ouço com frequência de amigos e companheiros de armas a argumentação sobre a necessidade imperiosa de termos que aceitar determinadas posições governamentais, pois vivemos uma circunstância diferente, sinal característico de novos tempos. Eles sempre afirmam que “Conviver não é Concordar”. Não me oponho à afirmação e, até, entendo-a aceitando essa posição difícil, porém civilizada e construtiva. O que percebo, contudo, é que desde os “inesquecíveis tempos” do presidente Collor, temos “convivido muito e discordado muito pouco, ou quase nada”. O resultado palpável é a escalada de constrangimentos que estamos nos acostumando a assistir sem qualquer reação significativa.  

As Forças Armadas, com especial relevância para o Exército Brasileiro, foram sempre seu grande obstáculo. O objetivo (velado), portanto, é procurar desmoralizá- las e afastá-las das mesas de decisão, sempre que isso for possível. Será que essa nova forma de GUERRA (mais suja que as demais) não está a merecer atenção mais acurada.

Encerro esse artigo, relembrando aos velhos camaradas um aspecto que nos distingue dos demais compatriotas: nossa querida e respeitada Instituição se sustenta em um triângulo virtuoso, de lados indeformáveis, igualmente importantes e resistentes: na hierarquia, na disciplina e na Camaradagem. Quando uma das partes se fragiliza, os estados anímico e afetivo da Instituição sofrem e se enfraquecem.

Não é fácil enxergar o óbvio!

Carlos Augusto Fernandes dos Santos é General Reformado.

4 comentários:

Anônimo disse...

deveriam se unir ativa e a reserva, se revoltarem para por um basta nestes cabalhas que saqueam e faz a maior desordem no país sem que ninguém faça qualquer coisa.

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

O que aconteceu naqueles tempos do movimento de 64, o terrorismo nas ações contra o Estado e a respectiva repressão, foram acontecimentos onde forças poderosas se contrapunham, de um lado um movimento de tonalidade vermelha/comunista atacante, do outro a reação de defesa dos defensores do estado de direito.

Aqueles que foram atacados mesmo vencedores naqueles momentos, a algum tempo vem sendo alvo de ações agressivas dos antigos perdedores, estes até agora vencendo até aqui todas as batalhas contra os antigos vencedores, transformados hoje em perdedores; movimentos similares que aconteceram em outras nações sulamericanas, também apresentam praticamente o mesmo panorama.

Porém existe um angulo dessa questão acima, que precisa ser discutido, pensado sobre, que é também o ataque contra a organização militar brasileira, as FFAA, que vem sendo lentamente descontruidas, dando a impressão que o objetivo é enfraquecer as forças de defesa de nossa Nação, para finalmente, conforme o consenso da parte pensante da Nação, de entregar não só nossas riquezas naturais, mas também a maior parte do território brasileiro para predadores internacionais.

Claro, naqueles tempos ditos 'de 64', aconteceram fatos lamentáveis quando da defesa do Estado, porém quase sempre como resposta a ataques violentos. Esses fatos, são quase que inevitáveis em conflitos armados, são acontecimentos quase que naturais, tanto que podem até ser considerados como 'coisas da vida', tal como as ações da dita "Comissão da Verdade", onde a verdade é só aquela que agrada aos antigos perdedores, aos agressores, àqueles que buscavam mesmo naqueles tempos entregar nossa Nação a interesses estrangeiros.

O caso do coronel Brilhante Ustra, que vem sendo atacado diligentemente pelos antigos agressores/perdedores, é um bom exemplo de como a História pode e geralmente é reescrita, conforme necessidades e interesses excusos de momentos como o atual.

Não discuto, pela ineficiência de uma discussão como essa, se ele cel. Ustra teria sido um torturador, mas discuto primeiro que a Comissão da Verdade busca UM LADO SÓ DA HISTÓRIA, DOS ACONTECIMENTOS, e em segundo que o coronel Ustra seguia ordens do alto comando das FFAA, ao que seria essencial também colocar no banco dos réus os atuais comandantes das FFAA.

Mas em minha opinião, sugiro que o essencial seria primeiro considerarmos, discutirmos do porque a presidente Dilma Vania Roussef busca destruir as FFAA, ao mesmo tempo abrindo as portas para interesses comerciais e industrias internacionais, permitindo o roubo contínuo de nossas riquezas naturais, especialmente na região amazônica, do porque se busca um alto comércio com a China, enquanto destrói a indústria e comércio brasileiro de uma forma tão eficiente que sugere ser intencional.

Carlos Ramos disse...

General, hora de sair da cadeira.

Anônimo disse...

Defensores do Brasil, utilizem sua inteligência lapidadas nas academias das FFAA não deixem que apenas os vendidos aos marxistas daquela época contem suas estórias.
Naquela época sem a velocidade das comunicações as informações chegavam muito atrasadas, era real o medo da população que se instalassem um regime comunista tupiniquim. Já imaginaram José Dirceu, Dilma Machadão, Jenoino, Dulce Maia e toda a cumpanheirada tomando o poder ? Com certeza o nunca trabaiador, Luiz Lula nunca poderia ter sido presidente, isso aqui seria pior do que Cuba.
Os terroristas, que tinham como prática assalto a banco e sequestros para utilizar o butim para financiar a sua luta contra o regime vigente.
Eles precisam contar a história toda.
Leiam o livro - O Cofre do Dr. Rui, lá esta a relação dos 40 deixados partir para o exílio na Argélia em troca do embaixador alemão Ehrenfried Von Hollebem que eles sequestraram, tendo na cabeça da relação Dulce Maia e Ângelo Pezzuti figuras de proa do poder,deixados partir para o Chile também estão 70 banidos em troca do Giovanni Bucher outro embaixador Suíço sequestrado pelos terroristas.
Este livro conta o roubo de um cofre com o butim de 2,6 milhões de dólares, que um dos maiores ladrões que governou São Paulo deixou de presente para sua amante, o famoso Adhemar de Barros, o rouba mais faz.
Pois bem, sabem quem fazia parte ? Nossa Presidenta e sua célula de combate Val-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária - fundada em 1 de julho de 1969 - nascida de duas entidades a VPR e a COLINA, grupos chamados de foquistas contrário aos massistas, queriam ir logo para porrada (guerrilheiros no campo e na cidade guerrilha urbana) Carlos Lamarca era um dos comandantes.
Saibam que esta quantia naquela época dava para comprar 10 vezes mais que hoje e esta turma já estava sob forte pressão da tigrada nos seus calcanhares e precisavam de abastecimento e foi dona Presidenta quem ajudou a trocar parte destes dólares por nossa moeda, através e hábeis conchavos com banqueiros e governos comunistas sabidos para que seu bando continuasse atuando.
Então, era caminhão com 50 kilos de explosivos explodindo na porta do QG do II Exército matando soldado de 18 anos, executando herói de guerra americano (Charles R Chandler em viagem ao Brasil) da guerra do Vietnã, metralhado com INA .45 friamente, sequestros, etc, era terror e a população em polvorosa assustada e clamando posição das autoridades, como não atuar duramente contra o inimigo. Não existiam asfixia do povo, desemprego, desabastecimento, falta de perspectiva, não existia motivos para uma primavera árabe da vida, onde tem sentido revolucionários atuando para mudar o sistema, só o pseudo ideologismo destes sociopatas inspirados em Ché e Fidel.

Classe média - minoria reprimida.