segunda-feira, 24 de junho de 2013

Evolução das Manifestações: a previsão impossível

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gelio Fregapani

É bonito ver uma multidão empolgada. Há uma sensação de união, da luta por um ideal, de onipotência, mas nunca se sabe o rumo que ela vai tomar.
A psicologia das multidões foi estudada por Gustave Le Bom, que nos legou preciosos conhecimentos, úteis para quem pensa que um dia poderá ter que conduzir ou controlar alguma.

Ensina ele: “Uma massa é como um selvagem; não está preparada para admitir que algo possa ficar entre seu desejo e a realização deste desejo. Ela forma um único ser e fica sujeita à lei de unidade mental das massas. As personalidades individuais desaparecem e o mais eminente dos homens dificilmente supera o padrão dos indivíduos mais ordinários. Ela não pode realizar atos que demandem elevado grau de inteligência. Numa multidão ensandecida é a estupidez, não a inteligência, que é acumulada. O sentimento de responsabilidade que controla os indivíduos desaparece completamente. Todo sentimento e ato são contagiosos. O homem desce diversos degraus na escada da civilização. Isoladamente, ele pode ser um indivíduo; na massa, ele é um bárbaro, isto é, uma criatura agindo por instinto. A multidão não constrói. Só tem força para destruir”.

Quando Le Bom descreveu a multidão, a sociologia científica (não ideológica) ainda não tinha identificado o estereótipo das ações das classes sociais, considerava-se que nas multidões predominariam os elementos da classe dos excluídos, cuja tradicional imprevidência e irresponsabilidade os conduziriam a destruir tudo. Quando predominam indivíduos de classe média pode haver alguma diferença no comportamento.

Apesar disto presenciamos a baderna em vários locais do País. Quebram prédios. Prejudicam o trânsito. Atacam a Polícia para obrigá-la a revidar. Já era de se esperar que numa multidão houvesse baderneiros e ladrões, mas quando foram presos vários baderneiros declararam que receberam dinheiro para criar desordem. Verificou-se que alguns outros trabalhavam no próprio palácio do Governo, indicando que alguma facção governamental pode estar envolvida na criação e organização dos presentes movimentos.

Como teria começado

O primeiro a convocar uma “manifestação” teria sido o Zé Dirceu. Depois tivemos os “esculachos”, organizados pelos esquerdistas radicais, que não foram adiante por falta de apoio popular. As manifestações que estamos presenciando teriam sido montadas e organizadas nos centros acadêmicos controlados por movimentos ideológicos de extrema esquerda, principalmente nos diretórios das Faculdades de Filosofia. Na orientação esquerdista certamente providenciaram para que não fosse uma manifestação totalmente pacífica.

Foi fácil sentir as digitais do grupo organizador; A especialidade número um das esquerdas radicais é incitar as massas O pretexto para as manifestações foi incoerente e inconsistente e não mobilizou as classes trabalhadoras, pois trabalhadores recebem vale transporte, mas foi suficiente para juntar universitários indignados com a corrupção e a politicagem. Entediados com a vida fácil, mas cheios de vigor, agarraram a oportunidade de romper com a covardia oficial (do não reaja) e sair em busca de um “Santo Graal”.
   
A evolução

A verdade é que nem tudo saiu como foi planejada, a garotada de classe média conteve em parte a violência da multidão e repudiou os provocadores. O movimento tomou vulto surpreendente por causa da insatisfação geral e essa insatisfação fez com que as reivindicações fugissem do controle de seus organizadores. Os partidos políticos tem sido rejeitados, principalmente os esquerdistas radicais que pretendiam conduzi-lo em favor de seus ideais e aparece uma possibilidade de forçar a solução de alguns dos problemas nacionais. 

Entretanto, os grandes problemas nacionais só foram citados de forma difusa, até por ignorância dos manifestantes e certamente não serão tratados prioritariamente fala-se muito contra a corrupção, mas sem objetividade. Quase não se toca na perigosa questão indígena e ás vezes defende-se romanticamente posições prejudiciais ao País como a defesa exagerada do meio ambiente.
  
Final, a quem as manifestações beneficiam?

Bem, quid prodest ? Quem ganha ou pensou ganhar com isto? Poucas dúvidas restam que o grupo sindicalista do PT (leia-se Zé Dirceu), desejoso de derrubar a Dilma esteve na liderança, secundado pelo PSOL, PSTU e outros radicais, claro, contando com a colaboração de vários “companheiros de viagem” A extrema esquerda soube sempre espalhar ódio entre diferentes grupos e jogar uns contra os outros. 

Desta vez conseguiu mobilizar contra a ordem vigente uma sociedade indignada, mas sem saber direito para onde apontar suas armas. Cansada da política, dos partidos, do Congresso, dos abusos do poder, as pessoas saem às ruas com a sensação de que é preciso “fazer algo”, mas não sabem ao certo o que ou como fazer.

Apesar dos esquerdistas, até agora, terem falhado em conduzir o movimento para os ideais deles, pode ser que ainda consigam, por serem os únicos organizados. Até agora tem sido um tiro no pé, pois estão sendo os mais prejudicados. 

A tática da reação governamental está dando certo: pouca intervenção  e as imagens de vandalismo criam uma má vontade para com os vândalos e permitem uma reação forte quando ficar insuportável. Este filme viveu-se antes de 1964, também comandado por uma esquerda cega e violenta. Por sorte, naquela época, a classe média foi às ruas com o apoio das Forças Armadas e inverteu a situação.

Até agora só se vê prejuízos; o custo das depredações alcançará a dezenas de milhões e o prejuízo nas quebras de negócios e do turismo passará de um bilhão.

A esquerda gritona ficará reduzida ao seu real tamanho, ou seja, à insignificância , o Governo ficará diminuído e os políticos serão hostilizados onde quer que apareçam, mas não mudarão de índole.

O País perderá força e credibilidade e o sistema financeiro internacional certamente se aproveitará da ocasião.

O futuro incerto

Desta vez ainda não se sabe o rumo que tomará pode ser que as manifestações se extingam naturalmente tendo apenas dado um susto nos políticos,assim como podem forçar a solução de alguns atos de corrupção ou ainda tomar tal vulto que obrigue a intervenção autônoma da Forças Armadas. Isto dependerá muito da comunicação, na mídia e na internet.

Em qualquer caso o prejuízo para o País já foi evidente. O melhor que poderia ainda acontecer seria marcar o início da substituição da corrupta Democracia Representativa pela Democracia Direta, aproveitando as facilidades da internet. 


Gelio Fregapani é escritor e Coronel da Reserva do EB, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.

2 comentários:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Menciona Gustave Le Bom, tal como muitos o fazem em outros assuntos mencionando pencas de escritores, pensadores e cientistas, assim diminuindo-se, tornando ínfima a capaciade de análise de cada um. A Pasteurização do pensamento, resultado de colocar pensamentos os mais diversos, de pessoas diversas num liquidificador, liquidificar e aceitar a pastoca como verdadeiro maná.

Claro a força de uma multidão é a somatória da força de cada indivíduo lá presente QUE CONCORDA com idéias gerais.

Estive em muitas manifestações, inclusive pelas Diretas em 1964, e sempre consegui manter minha individualidade, DA MESMA FORMA como percebi muitos manterem. Nem sempre um agrupamento aceita cantar como se EM CORO UNÍSSONO; alguns conseguem se manter como pessoas.

E isso foi bem notável e NOTADO nas recentes manifestações quando pessoas 'com a cabeça no lugar' equilibradas, desceu o cacete em petistas, membros de partidos políticos e alguns bandidos. Em que pese a organização dos comunas, o pessoal decente, pelo Bem Comum, teve e manteve um comportamento equilibrado elogiável.

A situação saiu do contrôle dos comunas, simplesmente porque tanto elles como a muitos outros, inclusive militares da área de inteligência, faleceu a capacidade de durante os anos recentes interagir com o povo, sim povo. Infelizmente durante muitos anos valeu o Ibope e similares, perdendo-se a capacidade de simplesmente ir consultando aleatóriamente cidadãos de bem, decentes.

Eu mesmo, que não sou nenhum gênio, nem da área de inteligência, tinha certeza (decorrente de pesquisas feitas a muitos anos, com cidadãos simples, do cotidiano)que as manifestações contariam com a participação de cidadãos de Bem, corretos, pelo Bem Comum; e minha certeza foi confirmada pelos fatos.

Muita teoria, senhor coronel, é boa para vender livros, faturar, passar 'sabão' nos olhos, jogar 'poeira' nos olhos das pessoas.

Cordialmente. a. JOSÉ (um oponente dos militares que produziram a mherdha chamada vulgarmente de Lulla ou Sarney ou Collor, ou FHC ou Dilma, ou por outros nomes que estão no noticiário policial). P.S.- Assim, ao referir à mherdha, se poderá dizer: evacuei muita Dilma hoje, ou evacuei muito Sarney hoje, ou evacuei muito Lulla, ou evacuei muito FHC hoje......

Marcel disse...

O problema do Brasil é que tem muito teórico falando bobagem e pouca gente que ajuda

Esses teóricos , ficam em casa surpresos e perdidos com os acontecimentos.

E nada de pratico fazem. O que ele quer??? que todos tenham uma linha completamente definida??? A linha definida é só de quem faz as políticas publicas, mas esses não tiram a bunda da cadeira para realmente mudar as coisas. E isso ninguém faz.