domingo, 23 de junho de 2013

Se este País fosse sério...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fabrizio Albuja

As manifestações partem de cobrar do Governo melhoria na saúde, transporte, segurança, educação e fim da corrupção. Os problemas estão escancarados, porém as soluções escondidas.

A questão é que nosso país valoriza demais os interesses pessoais e quase nada os coletivos. Somos um povo esperto, vivo, malandro, que sempre quer levar vantagem em tudo, como já dizia o Gerson.

Em toda organização sempre existe uma preferência maior pelo enlace fraterno do que pela competência e meritocracia. Assim ocorrem com muitos cargos, promoções e até oportunidades.

E por conta disso, na administração pública há muitos erros gerenciais que transcendem entre os conceitos de moralidade e legalidade. Não é uma regra de que proximidade é sinônimo de incompetência, mas ela não deveria ser a prioridade na melhor escolha.

Os órgãos públicos são empresas administradas pelos governantes e é aí que incidem os problemas e as reclamações. O grande vilão é a tal da “estabilidade funcional”, ou seja, por pior que seja o serviço do funcionário, se ele fizer ou não algo ilegal, ele pode ser um péssimo funcionário que nada acontece. Por isso que a grande maioria do funcionalismo público vive na zona de conforto e muitos na zona de vagabundagem mesmo.

O sistema da saúde está mais do que corrompido, está estragado. Ir ao SUS é garantia de nem ser a tendido, já num hospital particular, basta ir com um cartão de plano de saúde que o tratamento piora ainda mais.  O intuito do plano é ter um seguro que garanta a sua ativação num momento patológico, mas não é bem assim.

As empresas que vendem planos de saúde não repassam um valor justo aos médicos, clínicas e hospitais, os médicos acabam não respeitando o juramento de Hipócrates. Na saúde pública a remuneração é tão ruim ou pior.  E trazer médicos cubanos é uma alternativa hipócrita.

Só que médico investe mais de 20 anos em educação e tem direito a colher frutos dessa preparação. Logo, é uma valorização injusta dos profissionais da medicina que também tem família, contas a pagar, impostos a recolher e necessidades básicas para conviver em sociedade. Não é uma atividade altruísta, é sim um trabalho que deve ser remunerado.

Professor também tem contas a pagar, ensinar é um trabalho e não um hobby. O mais incrível que além de ser um trabalho é uma responsabilidade com o futuro. Aquele que tem a função de produzir a organização do conhecimento de mentes pensantes, não tem a credibilidade perante a sociedade.

Na engenharia de transporte urbano temos uma figura totalmente inútil que é o guarda de trânsito que ele serve apenas para uma fiscalização com metas orçamentárias a serem atingidas, bem longe de metas de viabilização.

Outra questão é que o guarda de trânsito só dá multa, mas não controla a ordem. Se acontecer algum fato de cunho criminal em via pública o guarda nem se compromete, pois isso é uma função do policial. Oras, era mais fácil ter um policial cuidando do trânsito, ao eliminar os guarda, é possível melhorar a sua remuneração e trazer respeito maior à corporação.

Com respeito recuperado, motoristas de ônibus e caminhão, que são “profissionais” no volante, passariam a se preparar e a respeitar o resto dos condutores, pois suas ações equivocadas no trânsito deveriam ser reprimidas proporcionalmente ao tamanho dos seus veículos. Fechar um carro no trânsito com um veículo seis vezes maior no trânsito não é só covardia e inconsequência, é um crime anunciado.

Nosso País é um dos poucos lugares onde a polícia é dividida por segmentos individuais: Polícia Militar, Civil, Rodoviária e Federal. Policial é policial e ponto final. Ele deveria ser o herói e não apenas um peão de deslocamento e função definida.

Nossas leis também deixam a desejar, são confusas e com critérios bem longe do que chamamos de justiça. Em primeiro lugar deveríamos ter dois tipos de cadeias: uma para infrações e outra criminal. Não podemos colocar no mesmo balaio um pai que não paga pensão alimentícia junto com um assassino.

Ainda complementando, criminosos deveriam perder a cidadania, ou seja, sem direito a benefícios, voto e qualquer outro tipo de regalia, pois eles deverão merecer esses direitos mediante o pagamento de suas ações perante a sociedade.

A corrupção existe porque políticos tem acesso muito fácil a grandes quantidades de dinheiro. É uma tentação que podem colocar em dúvida o caráter de qualquer um. 

Dentro desse absurdo existe o “jeitinho brasileiro” em que sempre há um modo de ganhar 20 por algo que vale dez. O poder público sim deveria ser voluntário e não remunerado e toda ação orçamentária deveria ser colocada em contas de extrato bancário aberto a todos.

Assim, é um ciclo vicioso que possui enormes problemas sem uma única solução, há várias decisões a serem tomadas, mas a mais importante delas é abrir mão da vantagem. O povo já faz isso há tempos, agora é responsabilidade da outra ponta pensar nisso.


Fabrizio Albuja é Jornalista e Professor Universitário.

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