terça-feira, 18 de junho de 2013

Vaia é desagrado; Vandalismo pode ser farsa

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

Estou acompanhando, assistindo e lendo tudo que posso para tirar uma conclusão consolidada sobre as manifestações radicais que se espalham por todas as capitais do Brasil.

Já participei de manifestação, passeata, contra a corrupção, aqui em Brasília. Levei a família, inclusive meu neto mais novo. Achei ótimo, valeu a pena. Muitas palavras de ordem, gente cantando, faixas e bandeiras, nada de partidos políticos! Muita ordem e respeito à coisa pública.

Assim, posso dizer que sou a favor das passeatas e das manifestações públicas. Posso dizer também que sou visceralmente contra a baderna e o vandalismo. Estas atitudes não são apenas de protesto, mas de desafio ao poder público.

A violência dessa turba só tem por objetivo provocar a reação da polícia e, portanto, me faz desconfiar de que haja por trás dela a mão suja dos especialistas em jogar estudantes idiotizados na "FOGUERA"( Força Guerrilheira do Araguaia).

São os mesmos que incentivam os escrachos e as cusparadas na cara dos veteranos de 64, em frente ao Clube Militar! São os mesmos, ou seus herdeiros, que, no passado, levaram os estudantes ao Araguaia e à guerrilha urbana e que os abandonaram na selva e os justiçaram quando mudavam de opinião ou fraquejavam nas suas convicções revolucionárias.

Qualquer coisa contra o governo corrupto e incompetente do PT conta com a minha simpatia, mas, sinceramente, ainda não me sinto à vontade para interpretar essas manifestações como uma revolta honesta e não ideológica contra as mazelas e as canalhices dos corruPTos.

Estou mais inclinado a pensar que se trata de radicalização conduzida por anarquistas em busca da criação de um clima de desmando em que os jovens passam a acreditar que o poder é deles e a ordem social é a que lhes interessa. Quem os disciplinará se essa baderna der certo e a moda pegar? Nossos líderes passarão a ser os vândalos drogados dos quebra-quebras e dos incêndios?

A partir do momento em que essa juventude descambou para a desordem e para a destruição do patrimônio público e privado, passou, imediatamente a fazer o trabalho sujo que só interessa à esquerda revolucionária, que se coloca à esquerda do corruPTo: PSOL, PSTU, PCO e a ala mais radical do próprio PT.

A vaia à Comandanta no Mané Garrincha é um sintoma honesto, democrático e espontâneo de desagrado, o tumulto dos vândalos, no entanto, pode ser uma farsa da utopia revolucionária, anarquista e comunista.

Temos que nos lembrar que a esquerda é desunida e que o desejo de liderança e de autoafirmação de seus líderes foi o fator decisivo para a atomização do Movimento Comunista Brasileiro (MCB), desde 1962, com a criação do PCdo B. Estas manifestações, que, sem dúvida enfraquecem o partido do governo e lhe mostram que nem tudo está dominado, graças a Deus, são, também, sem dúvida, uma ação, se não orquestrada, pelo menos muito bem explorada pelo "inimigo interno" da própria esquerda brasileira!

Gostei da opinião do Cel Av Marcelo Hecksher, ponderada e, ainda, não tão cética quanto à minha:

"No momento, qualquer análise sobre os movimentos está fadada a não chegar a nenhuma conclusão. Não há como teorizar sobre o que reivindicam os manifestantes. Mas, certamente, os políticos passaram a ter muita coisa para pensar além dos seus próprios interesses, face à diversidade de razões que os manifestantes entrevistados, de diversas idades, citam, para o fato de se encontrarem presentes nas manifestações. Essa diversidade de “bandeiras” indica, claramente, que o povo cansou. Cansou de tanta ineficiência administrativa; tanta corrupção; tantos impostos de primeiro mundo aliados a serviços de terceira; tanta mordomia e empáfia para as autoridades amigas do governo e, principalmente, o povo cansou de tanta impunidade para as excelências. 
E suas excelências devem observar a inexistência de bandeiras partidárias nas manifestações de ontem, 17 de junho. A Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, tomada da Cinelândia até a Presidente Vargas, sem uma só bandeira de partido político, aliada à vaia recebida pela presidente no jogo do Brasil na capital, tirou os petistas da situação de conforto em que se colocavam com as pesquisas de opinião pagas pelo partido".

Paulo Chagas é General de Divisão na Reserva.

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