sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Sucesso do Faroeste Caboclo com Santo Lula

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão
serrao@alertatotal.net

Luiz Inácio Lula da Silva, seus petralhas amestrados e demais seguidores fundamentalistas dos dogmas petistas estão PTs da vida com a repercussão viral de um vídeo no YouTube com o título: “Faroeste Caboclo com Santo Lula” – no ar desde o começo do mês de maio.

O fantástico material é atribuído a um grupo chamado de Perda Total Brasil. O filminho de animação, embalado por uma canção parecida com a voz do imortal Renato Russo, tem seu título inspirado no longa metragem “Faroeste Caboclo” - que promete ser um dos grandes sucessos do cinema nacional este ano, por tratar de temas que apavoram os brasileiros: corrupção e violência.

Mas, no caso do Santo Lula, o material usa e abusa do bom humor, na forma de caricaturas muito bem desenhadas em ritmo acelerado, para retratar uma espécie de história não-oficial do personagem mais poderoso do Brasil.

Lula tem mesmo todos os motivos para odiar o material produzido. E a Patrulha Virtual Petralha pouco poderá fazer para evitar sua difusão cada vez maior na internet.

Brasil desemergente


Marcha Lenta


Gerando emprego?



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Maio de 2013.

Legalizando a pizza

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Haroldo Barboza 

Não pense que estou falando de algum tipo de prato remexido dentro de uma atraente panela de barro. Ou de uma escola de samba que atravessou (não o samba) a avenida levantando os expectadores.

Na verdade estamos tentando lembrar algumas situações que começaram dentro da ilegalidade, foram ignoradas, cresceram e quando passaram a incomodar, as "autoridades atentas" descobriram que o fato que deveria ser combatido há 10 anos agora será tratado em estado de emergência, gerando conflitos sociais. Eis algumas ilustrações.

1)   A secretaria de edificações públicas sempre está atenta se você efetua alguma benfeitoria no muro de sua casa ou de seu prédio. Rapidamente surge o fiscal para conferir se todos os formulários para colocar uma jardineira no muro foram preenchidos, carimbados e tiveram a assinatura reconhecida. Mas este órgão jamais atua (orientado por quem deseja obter votos de necessitados) quando surgem os 5 primeiros barracos num logradouro da cidade, mesmo em locais de enorme risco de vida aos novos moradores (sob viadutos e ao lado de refinarias). Depois que milhares de barracos são edificados, não possuem mais dispositivos legais e físicos para remover o aglomerado (des)humano. Então inventam uma sigla "favela barro" e nasce um novo bairro desestruturado (sem escola, posto de saúde, saneamento) para esconder os 10 traficantes mais perigosos da área.

2)   Quando as 5 primeiras barraquinhas de camelôs são colocadas nas praças da cidade, a grande maioria até aprecia ter por perto onde comprar um refrigerante, um salgadinho, um isqueiro, duas pilhas ou um cartão telefônico. Depois que centenas de barracas invadem as ruas da cidade impedindo nossa caminhada, a Guarda Municipal faz jogo de cena fingindo estar combatendo o problema agora insolúvel (sob o ponto de vista eleitoral) e aproveitam para “confiscar” alguns produtos. Os comerciantes se aproveitam do caos e até colocam mercadorias adquiridas sem notas em bancas na frente de suas lojas. E apelam para tolerância humana alegando que se os donos das barraquinhas não puderem exercer esta atividade, aumentaremos o número de desempregados.

3) Quando as 5 primeiras vans começam a trafegar pelo bairro, os moradores que estão irritados com os ônibus demorados, inseguros e lotados, apreciam o novo conforto disponível. Depois que milhares de veículos entopem as vias sem critérios e criam pontos onde bem lhes interessa, surgem as autoridades (depois de eleitos) alegando que combaterão tal prática. Depois se acomodam pois muitos veículos pertencem às cooperativas criadas por vários integrantes do próprio órgão gestor do trânsito caótico. E o mesmo argumento do desemprego é usado para a manutenção do tráfego de veículos onde seus condutores nem sempre estão preocupados com a segurança dos usuários.

Eis que recentemente resolveram fechar os bingos, alegando ilegalidade da prática. Mas só viram isto depois de 10 anos de funcionamento dos estabelecimentos? Nesta época eram 100 ou 200 pessoas na atividade. Hoje são dezenas de milhares que de alguma forma ganham seu sustento em torno da atividade conduzida agora dentro de sítios ou becos escuros. Efetivamente estamos precisando que se legalize os cassinos (a serem implantados em regiões mais pobres – num instante surgirá água no sertão). A alegação de que tal atividade leva muitos freqüentadores a abalar o orçamento doméstico é pura demagogia. Será que nos hipódromos e nas casas lotéricas onde vendem as raspadinhas que jamais premiam tal risco não existe?

Na verdade esta onda é só para criar manchetes para distrair o povo do foco principal envolvendo o fato da arrecadação imoral para fundos de campanhas eleitorais. A luta para evitar uma CPI supera os projetos de interesse do futuro da nação. A técnica já é conhecida. Lançar uma bomba de gás lacrimogênio para afastar os curiosos que insistem em ficar em volta da fogueira onde queimam nossa dignidade nacional.

Agora, se me dão licença, estou tentando observar Cachoeira (o PC Farias do novo milênio) cuja sentença é uma tremenda “cascata”. Ou mesmo Brizolinha no RS. Certamente eles já possuem o tempero para "virar legal" a próxima pizza a ser digerida pela nação colonizada sob anestesia da cultura televisiva "bigbroderiana" em andamento.

Afinal, se as "pizzas" não forem legalizadas, quantos cozinheiros ficarão desempregados?


Haroldo P. Barboza é Professor e Escritor.

O Aviso de Santa Maria

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Simon Pires

Alguns meses atrás escrevi um artigo sobre a tragédia da boate Kiss. Expliquei o que poderia acontecer com os sobreviventes, desmascarei  aqueles que afirmavam haver recursos suficientes para tratamento do feridos e apontei  quem eram, na minha opinião, os verdadeiros culpados.

Hoje o tema vai ser outro. Dia 29 de maio, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul  decidiu por unanimidade a soltura de quatro réus, entre eles dois sócios da boate, envolvidos na tragédia. Um dos argumentos apresentados para sustentar essa decisão foi que não existia mais, na opinião daquela corte, clamor popular que justificasse a manutenção da prisão.

Nunca estudei Direito, não tive nenhum parente ou conhecido envolvido naquele horror, não tenho a menor idéia de como um processo assim deve tramitar na justiça, mas fiquei com uma dúvida – gostaria de saber se, na faculdade  e mais tarde quando alguém se torna um juiz, o “clamor popular” é um elemento a ser levado em conta quando se pensa em manter ou não um réu na prisão. 

Sempre achei que a característica democrática do poder judiciário vinha da constituição; não do respaldo popular. Se não fosse assim, os tribunais se tornariam grandes assembleias, como aquelas de certos sindicatos que mais tarde elegeram um presidente do Brasil. O juiz teria então que decidir de acordo com a “torcida que fizesse mais barulho” e tanto o código  quanto a lei de execução penal se tornariam peças de museu.

Entendo que o Direito, assim como a Medicina, não é ciência exata. Sei que o juiz não é um androide comandado pela carta magna de um país e que vai longe o tempo da apologia do positivismo, mas não tinha idéia do quão importante poderia se tornar esse elemento, necessariamente externo ao próprio processo, na hora que se forma a convicção de um magistrado.

Como leigo e como alguém que se considera cidadão de bem, não me cabe em hipótese alguma manifestar-se sobre o que o Tribunal decidiu, mas acredito que se o argumento da “repercussão na sociedade” for de fato um elemento a ser levado em conta nas decisões dos judiciais está dado um recado muito claro sobre o futuro de outro processo polêmico – a Ação Penal 470.

Levando em conta a preocupação da sociedade com o futuro daqueles que o ministro Celso de Mello chamou de “marginais do poder”, penso que todos eles podem ficar tranquilos pois não vejo  atualmente “clamor popular” algum capaz de mandá-los para a prisão  – é esse o aviso a ser levado em conta e que dá título a esse pequeno artigo – o aviso de Santa Maria.


Milton Simon Pires é Médico.

Situação da energia nuclear pós Rio+20

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Heitor Scalambrini Costa

Sr. Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Deputado Penna, meus agradecimentos pelo convite e oportunidade de discutir tema tão relevante. Parabenizo-o pela proposição desta audiência publica, assim como os demais membros desta Comissão por acolher e aprovar esta iniciativa. Aos membros da mesa e aos demais presentes meu bom dia.

A situação da energia nuclear depois de 1 ano da Rio+20 e da Cúpula dos Povos sofreu mudanças importantes com relação ao seu papel nas políticas energéticas de vários países industrializados.

A tragédia ocorrida no Japão, em 11 de Março de 2011,  colocou em evidência mais uma vez as grandes questões que ainda não foram respondidas pela área nuclear.
A primeira delas é o alto fator de insegurança na operação de usinas nucleares e os riscos de desastres relacionados a vazamentos de material radioativo, quase que invariavelmente de conseqüências dramáticas, espalhando radioatividade no ar, na terra e na água. A credibilidade com relação à segurança dos reatores nucleares foi seriamente abalada, com os desastres de Three Mile Island (nos Estados Unidos), Chernobyl (na ex-União Soviética) e agora de Fukushima (no Japão).

Com outras tecnologias para produzir eletricidade também podem ocorrer acidentes (como incêndios em termelétricas ou ruptura de barragens em reservatórios de usinas hidroelétricas), mas os acidentes nucleares, devido à liberação de radiação, são infinitamente mais perigosos à vida humana, animal e a natureza.
Este último no Japão mostrou que mesmo em um país altamente desenvolvido e bem preparado tecnologicamente, com nível científico elevado de seus especialistas, desastres e falhas tecnológicas podem acontecer. Os riscos de acidentes nucleares existem e quando acontecem são devastadores. Daí para evitar este risco o caminho é não instalar estas usinas.

Outra questão é de caráter econômico.A eletricidade nuclear é mais cara que outras formas de produzir eletricidade. A geração nucleoelétrica é uma tecnologia complexa e cara, e que fica ainda mais cara e deixa de ser competitiva em relação a outras fontes de energia, devido aos gastos para melhorar o desempenho e a segurança das usinas. De modo geral, somente empresas estatais constroem reatores nucleares, ou empresas privadas com fortes subsídios governamentais. E aí está o “nó” para esta indústria que depende enormemente de altos investimentos vindos dos cofres públicos. No Brasil um reator de 1.300 MW tem seu custo inicial avaliado em 10 bilhões de reais.

E finalmente, a questão não resolvida do armazenamento do “lixo nuclear”. Nenhum país conseguiu até hoje equacionar definitivamente o problema da destinação dos resíduos perigosos (altamente radioativos) produzidos pelas reações nucleares, que em geral se acumulam nas próprias usinas (como em Angra 1 e 2). Estes resíduos continuam ativos por milhares de anos, criando assim também um problema ético, pois a geração presente se beneficia dos serviços prestados pela eletricidade, mas acaba legando às gerações futuras os resíduos radioativos.

Diante das evidências, tristemente constatadas em Fukushima envolvendo a emissão de material radioativo para o meio ambiente, provocando a retirada de mais de 100 mil pessoas, ainda resta muito a fazer para acabar de vez com esta tragédia. O chamado programa de descontaminação prevê reabilitar uma área de 20.000 km2 da região mais exposta a precipitação radioativa, e assim possibilitar o retorno das pessoas que de lá foram retiradas. Estão sendo liberados pelo governo japones 13 bilhões de dólares para esta finalidade.

Estima-se que no caso dos reatores 1, 2 e 3 o combustível fundido será retirado em prazo próximo há 25 anos, e que somente depois, estas unidades serão desmanteladas (descomissionadas), o que deverá levar mais 15 anos. Ou seja, as unidades da central de Fukushima Daiichi somente se tornarão um mausoléu definitivo para a posteridade em 2052. Lembrando que todo este trabalho ao longo dos próximos 40 anos será realizado na maioria por operários que trabalharão em ambiente de alta radioatividade.

A catástrofe em território japonês foi um grande exemplo/aviso para o mundo, contribuindo efetivamente para o aumento da desconfiança na indústria nuclear. Como consequência aumentou a rejeição da opinião pública global ao uso da energia nuclear. Vários países entenderam este alarme e anunciaram o cancelamento dos seus programas nucleoelétricos. Pesquisas de opinião pública realizadas em países que já tem usinas nucleares, incluindo o Brasil, indicaram que 69% dos entrevistados rejeitam a construção de novas usinas. No Brasil 79% dos entrevistados disserem se opor a construção destas usinas.

Não há, portanto, razões para investir em energia nuclear no Brasil. Para garantir a segurança energética o país dispõe de recursos renováveis abundantes e diversos que podem atender a uma demanda eficientizada, sem desperdicios e com geração descentralizada, além da complementariedade entre as diversas fontes energéticas.

A Alemanha foi à primeira nação industrializada a ter um plano para abolir a energia nuclear do seu território. A data para por fim a esta era de insegurança foi 29 de maio de 2011, por decisão da coalização de governo da chanceler Ângela Merkel. Até 2022 não haverá mais reatores nucleares naquele país emblemático, particularmente para o Brasil, que assinou em 1975 um acordo de cooperação técnico científico econômico com aquele país. Juntas, as 17 usinas existentes em solo alemão que produziam 1/4 da energia alemã serão desativadas até 2022.

A tomada de decisão do governo alemão de deixar de usar a energia nuclear mostra que basta visão e vontade política para livrar um país desta fonte de energia indesejável, pelo perigo que representa; suja pelos resíduos que produz, e cara, implicando em tarifas mais onerosas para o consumidor.

Enquanto a Alemanha vira a página do nuclear, técnicos e políticos brasileiros duvidavam que este país pudesse “sobreviver” sem a nucleoeletricidade. Os mais exaltados alegavam até que o desligamento progressivo das usinas nucleares forçaria o país a usar combustível fosseis, contribuindo assim para o aquecimento global. Mais uma vez estes “experts” (?) em energia mostraram o quanto estavam errados.

Passado pouco mais de um ano da decisão histórica, no dia 1 de agosto de 2012 a Associação Nacional de Energia e Água (BDEW) anunciou que 25 % de toda energia consumida pela Alemanha no primeiro semestre de 2012 foi gerada a partir de fontes renováveis, e que todas estas fontes registraram crescimento no período comparado a 2011, quando representavam 17% do consumo energético total.

O setor eólico forneceu 9,2% de toda energia demandada pela Alemanha, respondendo pela maior contribuição das renováveis. A biomassa representou 5,7% da demanda. E o setor fotovoltaico 5,4%. Sendo este o que mais cresceu, 47%, aumentando sua geração do 1º semestre de 2011 para igual período em 2012.

O recado parece dado para o Brasil e para o mundo. As fontes renováveis podem e devem substituir os combustíveis fósseis, além da indesejável energia nuclear.
Setembro de 2012 ficará marcado na história pelos anúncios feitos pelos governos japonês e francês, a respeito da decisão de se afastarem da energia nuclear, responsável pelos piores pesadelos da humanidade. Esta tomada de posição tem um significado especial, visto que estes países, até então defensores desta fonte energética, têm em suas matrizes a maior participação mundial da nucleoeletricidade. Depois da histórica decisão do governo alemão em abandonar em definitivo a energia nuclear, agora foram os governos do Japão e da França que reverão os planos relativos ao uso do nuclear.

O Japão anunciou que irá abrir mão da energia nuclear ao longo das próximas três décadas. Esta decisão, tomada após um encontro ministerial (14/09/2012), indica o abandono de tal fonte energética na “década de 2030″. O plano japonês apresentado é semelhante ao da Alemanha. Sem dúvida para o Japão, a tarefa é mais complexa visto que 1/3 da eletricidade gerada no país é proveniente dos 50 reatores instalados em seu território.

Ainda sobre a decisão do governo japonês existem críticas por não ter sido especificado, quando exatamente a meta seria alcançada, já que a decisão agora tomada não seria obrigatória para governos futuros. O que significa em princípio, que uma nova administração poderia reverter os planos, como tem tentado o atual primeiro ministro. Todavia, dificilmente esta mudança de rumo ocorreria pelo alto engajamento e conscientização dos japoneses/sas, demonstrada em recente pesquisa de opinião, onde mais da metade da população se diz favorável ao fim do uso do nuclear no país.

Também houve críticas sobre o porquê deste calendário ser tão dilatado, já que o país chegou a desligar 48 dos reatores depois do desastre de Fukushima, e poderia, com o aumento da participação das fontes renováveis e com um ambicioso programa de eficientização energética, atingir a meta num prazo menor. Todavia, mesmo com estas ressalvas, a decisão anunciada aponta para um novo rumo na questão energética japonesa e mundial.

Já na França, a conferência  realizada em Paris 14 e 15/09/2012 sobre questões ambientais, o presidente François Hollande, cumprindo promessa de campanha, declarou que está engajado na transição energética, baseada em dois princípios: eficiência e fontes renováveis; e que planeja reduzir a dependência do país da energia nuclear, hoje correspondendo a 75% da matriz energética, para 50% até 2025.
Sem ter metas conclusivas para o abandono definitivo da energia nuclear no seu território, sem dúvida a decisão do governo francês é histórica e extremamente positiva, visto que até então, discutir a questão nuclear na França era tabu.

Para aqueles defensores desta tecnologia que sempre mencionavam o estado francês como referência de uma experiência exitosa na área nuclear, fica aí uma derrota de grandes proporções. Sem dúvida, a França rever sua posição, mesmo diante das dificuldades, da complexidade do problema e das contradições existentes, é indispensável para um mundo de amanhã sem nuclear.

Somados a Áustria, Bélgica, Suíça, Itália (decisão plebiscitária, onde mais de 90% da população votou contrário à instalação de novos reatores nucleares em seu território) que reviram os planos de instalação de novas usinas, e decidiram se distanciar da energia nuclear; agora a Alemanha, o Japão e a França tomaram decisões semelhantes.

Diante deste contexto internacional fica aqui uma pergunta que não quer calar: por que então o governo brasileiro insiste em planejar a construção de usinas nucleares?
O Plano Nacional de Energia 2030 – PNE 2030 (Estratégia para a Expansão da Oferta), propõe a construção de mais quatro usinas nucleares até 2030. Duas das novas unidades nucleares com potência de 1,3 mil MW cada poderão ser construídas na região Nordeste e as outras duas no Sudeste (também com 1,3 mil MW cada), além de Angra 3.

Paralisadas há 20 anos, as obras da usina nuclear de Angra 3 (1.300 MW), foi retomada em julho/2008, e estima-se para 2015 a entrada em operação da terceira usina termonuclear brasileira, com investimentos da ordem de R$ 7 bilhões.
O Brasil não tem necessidade de construir mais usinas nucleares para atingir a meta de aumentar a oferta de energia elétrica. Estas decisões referentes à construção de usinas de geração de eletricidade têm sido apresentadas diante de um suposto aumento dos riscos de déficit de energia, alimentados pela síndrome do apagão.

Idêntica justificativa da necessidade de energia foi utilizada pelo regime militar quando da assinatura do acordo nuclear Brasil e Alemanha que previa a construção de 8 usinas nucleares. Acabou com a construção de somente uma, Angra II.

Fonte de energia elétrica ambientalmente incorreta por causa dos riscos de acidentes e pela produção de resíduos radioativos, o uso da nucleoeletricidade pelo Brasil é estrategicamente incorreto, e deveria ser definitivamente descartado. Parece-me mais inteligente buscar formas de aumentar a eficiência e a conservação de energia, e de encontrar na diversidade das fontes renováveis as múltiplas saídas para os problemas energéticos do país.

Neste contexto, me oponho a lamentável e solitária decisão do governo federal que anunciou em 2010, a expansão de instalações nucleares no país, com a construção de Angra 3, e de mais quatro usinas termonucleares até 2030: duas no Nordeste e duas no Sudeste, ainda sem locais definidos. Ou seja, relançou o Programa Nuclear Brasileiro para produção de eletricidade nuclear sem nenhuma discussão com a sociedade brasileira, com exceção dos 12 membros do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que tomaram esta triste decisão contrária aos interesses da nação.

De lá para cá, temos constatado que esta diretriz não mudou, apesar dos acontecimentos dramáticos proporcionado pelo vazamento de material radioativo nas Usinas do Complexo de Fukushima Daichii no Japão. Este episódio, sem duvida, foi um marco no sentido de tornar público uma discussão que extrapola simplesmente a questão técnica, da oportunidade e necessidade de energia, das vantagens e desvantagens, das alternativas disponíveis.

A partir daí o debate ganhou as ruas de todo mundo. Em várias partes houve contestação aos governos, que decidiram por esta opção energética. Manifestações ganharam as ruas em diversos paises, e uma discussão até então restrita aos técnicos, políticos se popularizou trazendo a tona um tema muito caro às pessoas, que é a manutenção da vida em nosso planeta. No Brasil ainda se tem pouquíssima consciência da extrema gravidade da questão da energia nuclear e da urgência em enfrentar os problemas que ela nos coloca.

Mesmo não havendo provas definitivas de que o nosso país esteja construindo armas nucleares, eventos e pronunciamentos em passado recente levam-nos a crer que o Brasil “recomeçou a flertar” com a idéia de produzir uma bomba atômica, após tentativas anteriores mal sucedidas durante o regime militar.

Nos últimos anos diversas autoridades, como o ex vice-presidente da República José Alencar e o ex-ministro de Ciências e Tecnologia, Roberto Amaral, declararam a necessidade do país dispor de armamento nuclear para defesa preventiva e de suas riquezas, como fator de dissuasão e para impor mais respeitabilidade. Também o documento sobre a Estratégia Nacional de Defesa lançada em 2008, afirma a “Independência nacional, alcançada pela capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a defesa como para o desenvolvimento”. Embora a Constituição diga que toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos, o assunto está longe de ser considerado um tabu.

A ressurreição do Programa Nuclear Brasileiro é mais um dos indícios da estratégia governamental de tornar o Brasil uma potência atômica. O dinheiro empregado no programa, para a construção e funcionamento de novas usinas nucleoelétricas, permitirá a lubrificação de todas as suas engrenagens. A cada usina que construímos aumentaremos o volume de urânio que produzimos, aumentando assim o saldo com que se esperam entrar definitivamente como sócios no Clube Atômico, e para tal é necessário ter a bomba atômica.

Abrir mão da energia nuclear significa um importante passo para evitar o perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear. Não devemos nos esquecer do que afirmou o físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil, em 1953: “Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo”.

O Brasil pela exuberância e diversidade de fontes energéticas renováveis disponíveis em seu território, não precisa da energia nuclear para atender a demanda de energia elétrica, e assim, pode adotar opções mais atraentes do ponto de vista econômico, social e ambiental.

O Brasil é bem ensolarado, possui muita água, fortes ventos e grandes áreas agrícolas para a produção da biomassa, podendo utilizar tudo isso para seu desenvolvimento e assim melhorar a qualidade de vida de sua população respeitando o meio ambiente. Então, que país é este que opta pela energia nuclear, combustíveis fósseis e mega hidrelétricas na região Amazônica?

A insistência em manter esta política energética, tem a cada dia surpreendido. Informações veiculadas na mídia dão conta de que os responsáveis pelo Programa Nuclear Brasileiro estão em entendimento com a Caixa Econômica Federal para que esta conceda, à empresa encarregada da construção de Angra III. Um empréstimo que permitirá completar essa construção, uma vez que até agora a solicitação feita no mesmo sentido junto a bancos europeus não obteve resposta.

Segundo o que chegou ao nosso conhecimento, a demora dos bancos europeus para atender a esse pedido de financiamento seria devida a insuficiências nas informações apresentadas pelas autoridades brasileiras quanto às condições de segurança de Angra 3. Como estas condições se tornaram mais exigentes após o acidente nuclear dm Fukushima, esses bancos e a Agência alemã Euler Hermes, que daria o seguro ao empréstimo, teriam solicitado mais informações.

É do conhecimento geral que há riscos específicos em Angra, ligados ao histórico de deslizamentos de terra na região, e que as condições de evacuação da população em caso de acidente são extremamente precárias. Por outro lado, a informação difundida é de que a evacuação abrange um raio de somente 5 quilômetros em torno das usinas, quando a 15 km delas se situa a cidade de Angra dos Reis, com mais de 170.000 habitantes. Não devemos esquecer o raio adotado em Fukushima foi de 30 km. 

Lembro aqui a nota pública do PV intitulada “Chuvas em Angra e os riscos da energia nuclear”, após a visita do Dep. Sarney Filho aquela região, em março último.
Além de num acidente as nuvens radioativas que se formam, se espalham ao sabor do vento, como ocorreu em Chernobyl, atingindo todos os países da Europa. No caso do Complexo de Angra, elas atingiriam facilmente São Paulo (220 km), Rio de Janeiro  (130 km)e até belo Horizonte (350 km).

Se não existem informações clara e precisas sobre a adoção de normas mais exigentes na construção de Angra 3, assim como os relativos ao problema da insuficiência do plano de evacuação de Angra e dos riscos de deslizes de terra na região, não seria de estranhar que as autoridades brasileiras não tenham podido responder adequadamente à solicitação de informações dos bancos europeus e da companhia de seguros Hermes.

Mas o que nos preocupa é que a Caixa Econômica Federal possa se dispor a substituir bancos que não estão querendo financiar um determinado empreendimento porque este estaria contrariando normas de segurança internacionais. Seria a nosso ver algo extremamente grave, desde um ponto de vista de responsabilidade social de uma empresa do governo, o que não escapará da atenção dos cidadãos brasileiros, se tais dados forem confirmados e difundidos.

Urgentemente a sociedade brasileira precisa de respostas sobre esta grave informação.
Por outro lado às entidades e organizações que lutam por um Brasil livre das usinas nucleares, obtiveram recentemente um novo aliado. A Conferencia Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB)  realizada em Aparecida de 10 a 19 de abril de 2013, após ouvir e discutir uma comunicação sobre a Questão Nuclear no Brasil e no Mundo, decidiu por unanimidade, pelo voto, abrir e aprofundar dentro da Igreja a discussão sobre o tema da produção de energia elétrica por Usinas Nucleares no Brasil, numa perspectiva pastoral de defesa da vida, e estimular a ampliação desse debate em toda a sociedade, numa perspectiva de transparência e informação dos cidadãos.

Chamo a atenção para o fato dessa decisão ter sido tomada pelo voto, sem nenhum abstenção nem voto contrario.

Portanto para terminar afirmo que a energia nuclear está longe de ser uma boa alternativa para diversificar a matriz energética brasileira. Não é segura, não é ambientalmente viável e não traz benefícios econômicos. Portanto senhoras e senhores, não se conformem com a ameaça que representa a instalação de usinas nucleares em nosso país. Vamos agir enquanto é tempo.

Com esta reflexão, encerro aqui esta minha intervenção e fico a disposição para o debate agradecendo mais uma vez o convite. Meu muito obrigado.

Heitor Scalambrini Costa Professor da Universidade Federal de Pernambuco.  Depoimento na Audiência Pública, ocorrida no dia 22 de maio promovida pela Comissão de meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Os outros expositores foram: Sra. Gisele Elias de Lima Porto Leite - Procuradora da República e Coordenadora do GT Energia Nuclear da 4a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, Sr. Altino Ventura Filho - Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Sr. Renato Cunha - Representando o Grupo Ambientalista da Bahia e a Articulação Antinuclear Brasileira, e o Sr. Ademar Kyotoshi Sato - Monge budista e estudioso do tema.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Golpe Ululante das Patrulhas Petralhas

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alertawww.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão
serrao@alertatotal.net

Perguntinha intrigante: Se a maioria dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores afirma e reafirma a avaliação de que a eleição de 2014 já está praticamente ganha, por que motivo eles vêm a público bravatear a necessidade de mobilizar “patrulhas virtuais” para combater inimigos ideológicos na internet?

Os petralhas são tão mitomaníacos que acreditam piamente nas próprias mentiras que inventam? Ou já têm certeza de que sua estratégia golpista, para não sair mais do poder, é um plano infalível? Será que eles confiam em que a massa ignara e o quarto elemento do crime organizado, promotores de radicalismos e violências, lhe darão proteção caso ocorra alguma reação ao plano deles – o que parece cada vez menos provável, infelizmente?

Ontem o Alerta Total lançou a provocação, mas hoje pergunta, concretamente: um “Petralhagate” (gerado por excessos fora da lei cometidos pela Patrulha Virtual que o PT ameaça intensificar) pode ser fatal para as pretensões do permanência no poder do Partido dos Trabalhadores?

Em tese, a ameaça de intensificar o patrulhamento petralha só tende a fortalecer a oposição – a cada dia com mais argumentos objetivos para derrubar as mentiras, a incompetência e a corrupção petralha. O problema é que a oposição continua inorgânica.

Todo mundo sabe que a petralhada anda exagerando nos grampos de telefone e internet contra os “inimigos”, adversários próximos ou até os “aliados inconfiáveis” – nos campos político e empresarial. Mas é pouco provável que tais crimes praticados às escondidas se transformem em um petralhagate (igual ao famoso watergate dos EUA).

Ou é o roqueiro Lobão quem tem razão, ao advertir que os petralhas já criaram “a Força Nacional, uma milícia armada, uma polícia política. Está tudo pronto para vir um golpe e as pessoas não estão vendo!”.

É melhor a gente dar atenção ao que fala o autor do “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, antes que seja tarde demais.

Golpe no Suplicy



O Alerta Total já antecipou, há muito tempo, que o plano da petralhada é eleger Lula senador por São Paulo...

Lula precisa, urgentemente, da imunidade parlamentar e do foro privilegiado para encarar o segundo tempo da novelinha do mensalão...

Portanto, Suplicy é carta fora do baralho petista.

Tudo ele...



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Maio de 2013.