sábado, 31 de agosto de 2013

Vai roubar pra ser preso!

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão
serrao@alertatotal.net

Vai roubar para ser preso! Esta era a bronca que o veterano locutor esportivo José Cunha, nos velhos tempos de transmissão pela TV Educativa do Rio de Janeiro, dava ao jogador que fazia alguma grande besteira com a bola. O desabafo do Cunha nunca esteve tão atual e aplicável aos nossos políticos. Ainda mais depois que o Brasil inaugurou a Era do Presidiário-Parlamentar, com o agora famoso Natan Donadon, até outro dia um ilustre desconhecido no Congresso.

Roubar para ser preso, no imaginário do Governo do Crime Organizado no Brasil, vale muito a pena. Vide os mensaleiros. Podem até puxar uma cadeia... Quem sabe... Mas o patrimônio que acumularam – em muitos casos milionário – continuará intocado, à disposição deles, quando terminarem de cumprir as penas duramente impostas pela Teoria do Domínio do Fato no Supremo Tribunal Federal. Para os condenados na Ação Penal 470, tirando a vergonha de tomar uma vaia ou outra nas ruas, o crime compensou. E muito!

Agora, temos o esdrúxulo caso Donadon. Trata-se de um “desexemplo” – como se diria lá pelas bandas de Saramandaia. O paralamentar presidiário, condenado a 13 anos, 4 meses e 10 dias de prisão, tem privilégios na cadeia, porque continua sendo deputado federal. O mandato mantido pelo corporativismo sem vergonha de nossa classe política lhe garante uma cela individual no superlotado Presídio da Papuda, em Brasília, que abriga cerca de 1500 presos cumprindo penas por roubo, homicídio e tráfico.

Donadon fica bem longe deles. Não os vê, nem pode ser visto por eles. A hospedagem especial de Donadon é um cubículo de dois por três metros. Na cela especial do paralamentar tem colchão, uma televisão e um chuveiro. Pena que a água seja gelada, apenas... Claro, a privação da liberdade é uma punição, mas é bem atenuada no caso dele que só é obrigado a vestir a mesma calça, camisa branca e chinelo de seus colegas do Parlatório da Papuda - que as más línguas alegam ser uma sucursal do Congresso... Que injustiça com os presos comuns...


Donadon recebe três refeições por dia (café, almoço e jantar). Pode tomar duas horas diárias de banho de sol. Recebe visitas do advogado Nabor Bulhões e de familiares às quartas ou quintas, das 8 às 16 horas. Quando acabar seu mandado, a previsão é de que perca a mordomia... Mas uma ida para a cela coletiva só acontece (se realmente acontecer) depois do final de 2014... Até lá muita água suja deve passar por baixo do rubicão da impunidade tupiniquim...

Em 2010, o caso Donadon quase foi um exemplo de armação judicial bem sucedida. Quando foi denunciado pelo Ministério Público, e seu julgamento foi marcado no Supremo Tribunal Federal, por ter foro privilegiado, Donadon, providencialmente, renunciou ao mandato. Preferia ser julgado na Justiça de Rondônia. O STF percebeu a tramoia e resolveu que julgaria o processo dele. Donadon acabou se reelegendo deputado federal e reconquistou a imunidade parlamentar que agora o beneficia.

Agora, seu super advogado Nabor Bulhões, um dos mais conceituados e caros criminalistas do Brasil, pretende recorrer ao STF pedindo a revisão da condenação do paralamentar presidiário. Quem sabe, com uma nova composição, o Supremo dá uma aliviada no caso Donadon? Tentar não custa nada. Donadon tem muita bala na agulha para pagar por sua defesa...

Por isso, a frase do velho amigo Zé Cunha permanece atualíssima: Vai roubar pra ser preso... No Brasil, o crime compensa... Até segunda ordem em contrário... E vamos nos preparar para o pior... A novela Xicana da Silva está apenas começando e só deve acabar no Dia de São Nunca...

Vida dura na cadeia?

Situação meramente ficcional agora... Depois de 2015, quem sabe...



Somos Todos Iguais...



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Agosto de 2013.

DNA

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Após a triste sessão do Congresso que garantiu o emprego do deputado Natan Donadon, condenado pelo STF por roubo, cumprindo pena de prisão em regime fechado e com cassação recomendada pela Corte, formou-se uma espécie de consenso de que somente a aprovação da PEC 18/2013, determinando a perda automática de mandato parlamentar, após condenação transitada em julgado, seria capaz de evitar casos semelhantes no futuro. 

A urgência da emenda é evidente mas o preocupante é a moléstia de fundo que certamente provém do DNA da classe política e que sempre se manifestará a despeito de qualquer medida que em primeira análise pareça resolver o problema.

É necessário um novo código genético que só poderá surgir a longo prazo, mediante pesados e honestos investimentos em educação.

O resto é paliativo e inócuo e condenará a sociedade, constantemente sobressaltada e envergonhada, a ter que lidar com investidas de corrupção e corporativismo infame, agravando cada vez mais a endêmica crise de confiança, mãe de todas crises que afetam o País.

Paulo Roberto Gotaç é Capitão-de-Mar-e-Guerra, reformado.

A perda da dignidade ou esta M... não tem solução

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Valmir Fonseca

A perda dos mais elementares padrões que deveriam nortear o ser humano é fruto de sua degradação moral e ocorre de forma paulatina.
A deteriorização, por ser de foro íntimo, não dói, pelo contrário, ao desprender - se de determinadas restrições, o individuo ficará apenas sob os reclamos de sua consciência, a qual ouvirá ou não.
Aos pobres de espírito, apartados das leis divinas, os alertas de sua percepção interior de que está cometendo algum erro serão devidamente expurgados.
Aos poucos, o sem - caráter cria uma barreira de falta de escrúpulos, e sem qualquer limite espiritual ou material, segue em frente.
Caberia na falta do patrulhamento individual, o julgamento dos outros para coibir o finório, contudo, se a sociedade não tem meios, nem capacidade para admoestá-lo, o torpe, sob o manto da impunidade, poderá praticar as maiores barbaridades
As sociedades, para distribuir justiça e determinar padrões para os seus integrantes, elaboram regras e leis que emanam da autoridade soberana, e impõem a todos os indivíduos, a obrigação de submeter - se a elas, sob pena de sofrerem as sanções previstas.
Assim, para a convivência cordata e pacífica, na esperança de evitar abusos e distribuir Justiça, as leis foram criadas por uma sociedade para atender os seus anseios comuns.
Evidentemente, pelos diferentes costumes, religiões e particularidades, inclusive históricas, as leis estabelecidas por uma sociedade podem não atender a outras, contudo, os princípios básicos, como a diferença entre o bem e o mal, são universais.
O fenômeno geral de uma sociedade capaz de aceitar viver sob um contexto que agride despudoradamente o espírito da lei é catastrófico. De fato, podemos considerar que esta débil sociedade não tem os atributos para ser nomeada como uma Nação.
Mas quando tal barbárie pode ocorrer?
Em primeiro, devemos considerar que semelhante distorção é fruto de uma paulatina falta de honradez e do abandono dos valores e qualificações que deveriam amparar o ser humano, as quais foram relegadas a um segundo plano.
Hoje, ao assistirmos à permanência no mandato do Deputado Donadon por opção de seus pares, ou pela insuficiência de votos para expurgá – lo do cargo, o Legislativo não apenas posta – se contra o Poder Judiciário que o condenou, e ainda faz muito mais: volta - se contra o próprio espírito da lei.
Nada mais acintoso e deprimente do que testemunhar que a inqualificável decisão do Legislativo, não se baseou em diferente interpretação da lei, mas simplesmente no seu descumprimento.
Não vamos falar sobre a impunidade do Deputado, fato explícito, mas dimensionar a triste realidade que foi a decisão de acobertamento de um parlamentar justamente condenado pelo Poder Judiciário.
Ou seja, além do escabroso atropelamento da lei, tivemos o acintoso e flagrante desafio a outro Poder da República.
Se não chegamos ao fundo do poço, pois tudo sempre pode piorar, estamos próximos.
Infelizmente, a dura realidade é que a partir do jeitoso modo de sobreviver do nativo, convivemos nas últimas décadas com uma permissividade e uma pusilanimidade que foram encaminhados para a perda da dignidade que ora nos cerca.
Portanto, é nítido que os maus - costumes, a falta de honradez e de responsabilidade forjaram uma deformação no cidadão, pronto para aceitar o que hoje engolimos sem a menor reação.
Diante de quadro tão funesto, pouco nos resta de esperança de que este rascunho mal engendrado de Nação, um dia atinja o nível que os poucos não cooptados gostariam.
Resta - nos esperar pelo pior ou revoltar - se contra a esbórnia política, econômica e moral que nos massacra.
Como diz um descrente filósofo que admiramos: “esta M... não tem solução”.
Pelo jeito, só com a volta do Lula.
Ah! Ah!Ah!... Ah!

Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma, é General de Brigada Reformado.

A comandante-em-chefe das FFAA não chefia, denigre!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Geraldo Pimentel

A presidente da república, senhora Dilma Vana Rousseff, vive esquecendo o ritual do mandato e se apresenta como é e lhe parece ser: um poste plantado pelo ex presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva.

Pior comportamento demonstra quando encontra uma oportunidade para revelar o seu verdadeiro caráter; a sua falta de caráter. Uma presidente da república que não tem os predicados morais e funcionais para cumprir o que preceitua a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: o exercício de Comandante-em-chefe das Forças Armadas.

Com o episódio da transferência do senador oposicionista da Bolívia, Roger Pinto Molina, para o Brasil, ela mais uma vez apareceu na televisão para descarregar o seu ódio mortal que nutre pela instituição militar. Disse que na embaixada em La Paz não ocorria a tortura moral que aconteceu com ela própria quando era prisioneira nas dependências do DOI-CODI, uma vítima inocente dos militares torturadores.

Pobre jovem que bem cedo abandonava o aconchego da família de classe alta para se prostituir na gandaia do terrorismo urbano, logo se juntando a um dos mais virulentos bandidos que levava o terror às cidades e ao campo. 

Aprendeu rápido as técnicas da vadiagem e mostrava a que viera, transformando-se numa arquiteta do assassínio de inocentes, projetista de ataques a quartéis militares e da força policial de São Paulo onde levou armas e munições, planejou assaltos a instituições bancárias e até a um cofre de uma residência particular que renderia ao seu grupo alguns milhões de dólares, parte deles sumidos sorrateiramente em seu bolso de menina gastadeira.

Sua ficha criminal a faz credora de todos os elogios que se possa dar a uma vadia que carrega no sangue o que de pior existe no ser humano: a arrogância, o desprezo pelo seu semelhante e a covardia que está intrínseca na sua maneira de agir. Traduzindo para o linguajar popular: é uma bosta de gente.

Diria, se não tivesse vindo ao mundo gerada no aconchego de um lar bem constituído, ainda que formado por um cidadão fugido de seu país, que a presidente da república teria sido gerada em uma pocilga, fruto do cruzamento de uma porca com um jumento. 

Dos familiares só herdou o sangue de lutadora, assimilando nos cochos das pocilgas o seu temperamento de uma porca que se alimenta do farelo dos desajustados mentais, covardes e desprovidos de qualquer senso de moralidade pública. Ela anda erétil como um ser humano, mas não perdeu o jeito rasteiro, típico de um réptil que está sempre na espreita para atacar.

Talvez se passasse na Câmara o projeto que propõe curar os gays da enfermidade de se relacionar com um de sua espécie, ela pudesse esquecer o seu passado de perversão no mundo do crime.

Não quero me alongar lembrando que os horrores que sofreu nas dependências do DOI-CODI, lhe facultava à hora que queria, o agrado de um livro da lavra de seus ídolos marxistas e um alojamento ao lado de suas companheiras de jornadas de vadiagem.

Muitas de suas companheiras de cela, grávidas, ou mãe de crianças recém nascidas, eram amparadas pela esposa do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Só lhes faltando abrir as celas e ouvir: “caiam fora, minhas amigas!”. Esses pequenos detalhes a sofrida prisioneira Dilma Vana Rousseff não confessa nem ao Bispo.

São segredinhos que viriam desconstruir as suas mentiras de prisioneira “torturada”.


José Geraldo Pimentel é Militar na reserva - www.jgpimentel.com.br

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

STF vai rachado para decisão sobre validade de embargos infringentes que mudariam todo o Mensalão

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão
serrao@alertatotal.net

Provavelmente na quinta-feira que vem, o Supremo Tribunal Federal passará pela grande prova de fogo. Os ministros deverão ratificar que os embargos infringentes não são recursos cabíveis no julgamento do Mensalão, para que o tão espero “transitado em julgado” fique mais próximo de uma conclusão. Na verdade, tudo nem deveria ser questionado, já que um regulamento não pode se sobrepor a uma lei. Mas o STF vai dividido para a votação.

Ontem, como era previsto, o STF impôs mais uma derrota ao poderoso José Dirceu de Oliveira e Silva, embora os ministros José Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio de Mello tivessem tentado lhe diminuir a pena. Novamente, saiu vencedor o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, defensor da tese de que Dirceu se valeu de sua posição de proeminência nos planos partidário, político e administrativo para comandar o Mensalão.

O argumento de Toffoli, Lewandowski e Mello não foi aceito pela maioria e Dirceu continua condenado a dez anos e dez meses de prisão mais multa de R$ 676 mil pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha – por ter sido considerado o mandante do esquema de compra de parlamentares em troca de votos a favor do governo na gestão do Presidentro Lula.

Ex-assessor de Dirceu antes de ser premiado com o emprego vitalício no STF, Toffoli chegou a propor que a pena de formação de quadrilha fosse revista para 2 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão, ou seja, seis meses a menos do que o previsto no acórdão. Lewandowski chegou a reclamar que a corte elevou a pena por formação de quadrilha em 75% do intervalo possível, o que não se mostrava razoável, nem proporcional. Marco Aurélio os acompanhou na alegada falha na dosimetria da pena. 

Mas a maioria do STF rejeitou os embargos de declaração apresentados à Corte pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu que tentou pedir que Joaquim Barbosa fosse afastado da relatoria do processo, uma vez que o regimento do STF impediria a atuação do presidente da Corte. Dirceu também acusou Barbosa de ter ignorado testemunhos favoráveis a ele. Pediu a redução da pena. E sua defesa voltou a alegar que não praticou os crimes no Mensalão.



Subindo...

Onde fica a governabilidade em um País no qual a decisão sobre um inevitável aumento no preço dos combustíveis depende, diretamente, do crescimento da popularidade da Presidenta da República?

Eis a pergunta feita ontem por grandes investidores internacionais, que aplicam seus recursos em ações da Petrobrás e vêm amargando prejuízos com a intervenção indevida que o campimuismo tupiniquim promove na governança corporativa de uma de suas principais empresas controladas pela União.

Impactos do Câmbio e inflação são fatores secundários para a data do anúncio do reajuste dos combustíveis – decisão tomada e irreversível...

Capitão Lamparina



Tudo abominável



Aliás, até quando o Rosegate vai permanecer no segredinho de Justiça?

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Agosto de 2013.

Condenados e Legisladores

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires

Tenho seguido com interesse a reação da grande imprensa à condenação do deputado Natan Donadon. Livrado da cassação de mandato pelos seus colegas, ele chegou e saiu algemado da sessão de hoje da Câmara dos Deputados. Retornou, depois da sua atividade parlamentar, ao Presídio da Papuda. Ainda não estou entendo, de fato, por que essa sensação toda de estranhamento..o porquê de tanta perplexidade..Me ajudem a compreender.

Imaginem vocês um lugar onde simplesmente não existe qualquer espaço para a mais simples noção de bem comum. Onde algumas poucas pessoas são inocentes e a grande maioria é de bandidos.  Um lugar onde se combina a noite tudo que será feito durante o dia. Um espaço onde não tem valor nenhuma lei escrita, onde impera o mundo dos interesses escusos, dos conchavos, das ameaças e das delações...

Imaginem um lugar de onde se pode, uma vez combinados alguns interesses, parar todo país e quem sabe até mudar a sua história. Uma instituição onde o que manda é o dinheiro e o narcotráfico..onde se pode contratar a morte de pessoas e onde, garantidas algumas condições, se pode desfrutar de regalias inimagináveis...Imaginaram?

Pois bem, agora eu pergunto a vocês – Vocês conseguiram definir com certeza se eu estou falando de uma penitenciária de segurança máxima ou do Congresso Nacional? Se conseguiram; me mostrem como o fizeram pois eu mesmo me atrapalhei com o que escrevi!

Meus amigos, o que torna um homem perigoso não é sua força...não é seu dinheiro, nem suas armas, mas sim o seu caráter. Não vou perder tempo aqui tentando demonstrar isso. Faço o caminho inverso afirmando que isso é tão verdadeiro, tão simples e tão evidente, que – como todas as coisas que guardam essas três qualidades – foi esquecido. Sendo esquecido, uma vez demonstrado de forma cabal provoca o falso deslumbramento.

É dessa sensação que se vale quem quer vender jornal e fazer notícia afirmando “escandalizado” que agora o Brasil tem deputados presidiários. Guardasse o nosso povo a certeza de que não há diferença entre os valores que imperam num presídio e aqueles que regem nosso Congresso e não teria a restrição da liberdade de ir e vir de um marginal de terno provocado tamanha polêmica.

Há muito, mas muito tempo mesmo a democracia no Brasil acabou. Governa o país uma ditadura dos medíocres onde a noção de justiça cedeu a de “participação popular” e onde a mera noção de verdade foi trocada pela de consenso. Já escrevi antes sobre o tema.

Deputados bandidos sendo algemados e mesmo assim mantendo seu cargo não são causa disso. São a consequência. Afirmo ser pré-requisito essencial para vida política no nosso país um caráter em absolutamente tudo idêntico ao dos sociopatas assassinos, estupradores e traficantes que lotam as prisões mais vigiadas. Sustento que a semelhança entre esses dois mundos é tamanha que não há  dinheiro nem luxo capaz de dissimular as coincidências. Essa afinidade funciona como um tapa na cara para quem acredita nas instituições acima dos homens, para quem coloca o mundo da economia acima da cultura e para quem crê que o “hábito faz o monge”.

Ela desafia a máxima das faculdades de Direito ao proclamarem que não existem criminosos; mas sim crimes e atira perante toda sociedade brasileira a vulgaridade do seu cidadão mediano – aqueles entre os quais nos incluímos todos nós, que não somos presidiários nem deputados, mas que nosso silêncio covarde permitimos o surgimento de condições em que não se pode mais fazer a distinção moral deles.

Quando um deputado brasileiro, bandido ou não, permanece indo e vindo algemado às sessões do Congresso, somos todos nós que estamos ali junto com eles. Somos 190 milhões de “depenados” - termo que define a mistura de deputados e apenados, que reflete o brasileiro médio e escandaliza o cidadão mínimo em qualquer republiqueta africana.

Triste maneira de fazer um país gigantesco perceber que o que tem de mais importante não são as suas instituições, mas sim o seu povo, que esse povo, crente numa religião civil de adoração ao poderes colocou neles os piores dentre seus homens e que já não há mais diferença alguma entre condenados e legisladores.


Milton Simon Pires é Médico.

Onde estão os direitos humanos?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Sérgio Silveira Costa

Uma das características da esquerda é o desrespeito à inteligência e sensibilidade alheias, provavelmente por achar que todos são como os que votam neles, pobres, impotentes, deseducados e despreparados.

Em 8 de outubro de 2012, justamente no aniversário da morte de Che Guevara, foi inaugurada, na Aman, uma placa em homenagem a um cadete falecido numa instrução do Curso de Formação de Oficiais, por iniciativa e indisfarçável revanchismo e ideologia da secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Há poucos dias, tivemos o episódio do senador Molina, trazido ao Brasil pelo encarregado de negócios da embaixada brasileira na Bolívia, arrostando a hierarquia e arriscando a sua carreira, tudo em nome dos direitos humanos. Nada se ouviu, nem um simples  murmúrio, da secretária em defesa do diplomata.

Certamente porque o diplomata desafiou a própria presidente, que, fazendo o jogo subserviente dos governos petistas aos nanicos latino-americanos, nada fazia de concreto para obter o salvo-conduto, pois o cocaleiro, depois de vistoriar o avião de outro nanico, brasileiro - físico e moral - queria mesmo é que o senador apodrecesse na embaixada.

O caso dos médicos cubanos é outro atentado aos direitos humanos: como mercadorias, seu pagamento é feito ao governo cubano; como prisioneiros, suas famílias, em Cuba, são a garantia de que não vão fugir. Além do Muro de Berlim, dos “balseros” cubanos, esse é mais um exemplo prático da desumanidade do sistema comunista, que, pasmem, há adeptos no governo, haja vista o Foro de São Paulo.

Apesar dessa afronta aos direitos humanos, a secretária – aguerrida contra a ditadura militar aqui, que acabou há 30 anos, mas a favor da de Cuba, longeva e ainda em vigor – está muda, certamente com ar de desdém, sem nem mesmo emitir um simples muxoxo!

Agora, o deputado-presidiário (ou o presidiário-deputado) se queixa de tratamento desumano na cadeia, de tomar banho fria com garrafinhas de água e de comer xepa, tendo intestino irritado....,não pensando nisso, como o senador boliviano, ao praticar seus malfeitos. Secretária: onde estão os direitos humanos do sofrido Donadon? Além do desconforto, está precisando ir ao Sírio e Libanês para curar esse intestino...

Não, secretária, irritados estamos nós, a decente sociedade brasileira, exausta de tanta dubiedade e desfaçatez!

Para esses governos petistas, que estão afundando o país, ética e moralmente, e  por falar no Exército, apenas uma ordem:

Mestre da Banda! Toque fúnebre!


Luiz Sérgio Silveira Costa é Almirante, reformado.

Peregrino, seu destino é caminhar

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Baptista Herkenhoff

Dom Luís Gonzaga Fernandes faleceu no Estado da Paraíba, no dia 4 de abril de 2003. Esta página foi escrita no ano de 2000, quando Dom Luís completou 50 anos de sacerdócio e 35 anos de Bispo. A Comissão do Prêmio Dom Luís entendeu de bom conselho republicar o texto agora, quando mais uma vez o Prêmio será outorgado.

Indagou se eu desejaria atualizar o escrito. Não me pareceu que essa atualização seja necessária e conveniente. Creio que a publicação ipsis litteris torna este artigo-testemunho mais autêntico:

Nós tivemos a presença de Dom Luis Gonzaga Fernandes como Bispo Auxiliar de Vitória, durante 15 anos.

Quando foi nomeado para Campina Grande, essa transferência nos desagradou. Lembramo-nos dos primeiros tempos do Cristianismo, quando as comunidades cristãs escolhiam seus Bispos. Sentimo-nos feridos porque fomos despojados de nosso Bispo, sem qualquer consulta a nossas opiniões.

Mas D. Luis foi para Campina Grande e ali ficou. Completa agora seus 50 anos de sacerdócio e 35 de Bispo.

Durante todo esse tempo, desde Vitória, D. Luis compreendeu que o Bispo não é apenas um pastor local. O bispo tem, ao lado de seu compromisso diocesano, um compromisso universal. O Bispo é um peregrino e seu destino é caminhar.

Vejo em Dom Luis uma dupla dimensão: de um lado, é um espírito universal, um homem ligado a seu tempo e preocupado com o destino de sua região, do seu país, da América Latina, do mundo e, dentro do mundo, especialmente preocupado com os países pobres e os pobres dos países pobres.

De outro lado, D. Luis é o nordestino, tem a fibra nordestina, capaz de vencer qualquer barreira, de esperar qualquer espera, fiado não no provérbio popular (Deus tarda mas não falha), porém num outro provérbio ainda mais rico de esperança (Deus nunca tarda, nós é que somos apressados).

A fraternidade, a meu ver, é a linha fundamental do Bispo e do homem Luis. Mas não uma fraternidade estreita (mesmo assim elogiável). Mais que isso: uma fraternidade ampla – fraternidade através do social, fraternidade através do universal, fraternidade através do político.

Sempre vi e continuo vendo em D. Luis a figura do profeta. Aquele que nunca se omite quando deve anunciar a Justiça e denunciar a injustiça, quando deve proclamar a libertação e profligar a opressão.

Outro traço notável em D. Luis é sua capacidade de valorizar as pessoas. Tem a percuciência de identificar os dons de cada um e de fazer com que frutifique toda a potencialidade de seus colaboradores.

Bispo comprometido com o povo, com as grandes multidões marginalizadas. Comprometido com essas multidões para solidarizar-se com o seu sofrimento e buscar a superação desses sofrimentos porque Deus nos criou para sermos felizes.

Compromissado com os marginalizados, não para lhes oferecer esmolas que aviltam, mas para convocar os marginalizados e os que lutam pela justiça, ao lado dos oprimidos, no sentido de se fazer uma grande cruzada de transformação social. “Pobres sempre tereis convosco” gostam de dizer os conservadores, citando as palavras de Jesus Cristo, ditas num contexto muito diferente daquele em que se pretende localizá-las.

Até que podemos ter pobres, sim, pessoas de poucas posses porque podemos ser felizes com pouco. Mas “miserável” é muito diferente de “pobre”. Miserável é uma blasfêmia, permitimos que haja miseráveis é negarmos o plano de Deus.

A D. Luis agradeço ter sido chamado para integrar a Comissão “Justiça e Paz” da Arquidiocese de Vitória. Foi o fato mais relevante de minha vida. Na Comissão de Justiça e Paz aprendi mais Direito do que na Universidade e nos livros.

Se algum fruto daí resultou, se algum livro válido escrevi, se no magistério ensinei “lições de cidadania”, se como juiz pude fazer justiça, e “ouvir os clamores do povo” tudo isso aconteceu porque recebi o “batismo” da Comissão de Justiça e Paz, porque com os companheiros de caminhada e com o povo sofredor vi luzir, na escuridão, a Estrela Matutina.

Saúdo D. Luis Gonzaga Fernandes no seu jubileu sacerdotal. O tempo passou e parece que o Pai nos concedeu a graça da fidelidade aos grandes ideais. Vamos construir agora nossa tenda e, sob a luz da passagem bíblica, sentir como é bom estar junto, partilhar, fazer projetos de mundo.

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado e escritor. - E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br