sábado, 22 de fevereiro de 2014

As Brumas de Monte Castelo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Véspera do ataque, um tenente comandante de pelotão de petrechos do Regimento Sampaio está agoniado. Seu estado físico desaconselhava arremeter com seus pracinhas o morro maldito. O comandante do batalhão já pensava em substituí-lo mas o jovem estava decidido: participaria da luta como soldado, se deslocado do comando de sua fração. Neste interim, outro tenente, este comandante de pelotão de canhões anticarro, armamento sem previsão pelo terreno impróprio para carros de combate, se oferece para juntar-se ao amigo esfalfado e galgar junto com ele a elevação.
E assim foi. São 6 horas da manhã. Infantaria brasileira em guarda! Calar baionetas!

O 1º RI-REGIMENTO SAMPAIO vai fazendo a escalada debaixo de metralha, pagando seu tributo de sangue. Eis que, 16:20H, a artilharia divisionária concentra fogos sobre o Monte Castelo. Começava o anoitecer, noite de inverno europeu chega num repente. A posição inimiga, sob um dilúvio de fogo, logo será assaltada por uma infantaria au riverde ensandecida.

Como tantos, o bravo Tenente Godofredo, completamente esgotado, se manteve na liderança de seus homens durante todo o ataque. Com ele, sempre, seu irmão em armas, o Tenente Paiva. Às 17:45H, com o assalto já em fase final, a artilharia alonga fogos permitindo aos infantes fazer a limpeza final do butim de guerra e o preparo para um eventual contra-ataque.

Quando da reorganização, os dois oficiais estão juntos num abrigo confraternizando. É quando um mensageiro vem avisar o Tenente Paiva. O comandante do batalhão queria ter com ele. Os amigos se despedem. Posteriormente, mais à retaguarda, este se depara com soldados observando uma mortalha ensanguentada. Curioso ele indaga sobre aquele corpo. A tristeza calou fundo, ali estava seu amigo. Um obus inimigo explodira no abrigo que ambos ocupavam, vitimando Godofredo. 21 de fevereiro de 1945!

Quantos brasileiros sabem desta data? Ah! Mas 12 de junho de 2014, desta ninguém esquecerá! Povo sabido este nosso!


Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior, na reserva. 

2 comentários:

TCIVON disse...

Enquanto existirem homens compromissados com o Brasil, como o Senhor, esses heróis não serão esquecidos.

Mari C. disse...

Boa tarde, Coronel!
Me chamo Marieta Carvalho e sou neta do soldado Antonio Francisco Carvalho, que lutou no pelotão do comandante Godofredo Cerqueira Leite. Tenho uma boa quantidade de fotos da época, e posso escanear e lhe enviar caso o senhor se interesse.