sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Cordial ou Fidagal?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Se vivo fosse, o historiador Sergio Buarque de Holanda, autor da famosa frase dando conta de que o brasileiro é um povo cordial, provavelmente estaria hoje bastante frustrado e arrependido por tê-la um dia trombeteado. 

Diante do impressionante aumento no número de homicídios em todo o território nacional, da barbárie que nos choca ao ver um cidadão punido por justiceiros e amarrado a um poste com cabo de aço, da ação de vândalos ao incendiarem, pelos mais diversos motivos, cerca de três ônibus por dia nas grandes metrópoles, dos arrastões nas praias e restaurantes, da extrema violência da classe política ao atuar visando somente à manutenção do poder, deixando de lado o interesse público, da macro-corrupção e da micro, predadora, que, por exemplo, vê a verba destinada à merenda escolar parar nas mãos de gestores indigestos, da agressão ao trabalhador quando lhe são negados serviços essenciais, como saúde pública, segurança, educação básica para seus filhos e mobilidade urbana digna, o nosso nobre intelectual tentaria elucidar, talvez sem muito sucesso, o que tinha na cabeça ao criar o conceito de cordialidade e como adaptá-lo a essa sociedade de agora. 

Consta que numa atitude meio desesperada, tentou explicar, ainda à época da criação do mote, que não se tratava de atribuir ao brasileiro uma postura de doçura mas de qualificar um produto cultural que agia de acordo mais com o coração (daí o cordial) do que com a razão. 

A verdade porém é que o conceito que ficou incorporado para sempre foi o primeiro. 

Com isso, originou-se e vem-se agravando nesses tempos atuais dominados pelo PT, uma dicotomia desconfortável, reveladora de que todas as violências mencionadas, e mais algumas, estão a transformar o homem brasileiro num ser rancoroso, sem a mínima fé na autoridade e ansioso por transparência e honestidade. 

É de todo aconselhável, portanto, que as classes dirigentes parem de acreditar, como até hoje o fizeram, que as crises que ora estão a se agigantar, cheguem a bom termo somente por conta da pendor pacífico do povo. Urge que entendam que os tempos mudaram, que comecem a trabalhar no sentido de ouvir a verdadeira voz que vem das ruas e que assumam suas responsabilidades para com a sociedade no sentido de transformá-la em um grupo realmente cordial, qualquer que seja o sentido da palavra. 

Caso contrário é licito esperar-se a curto prazo o desenvolvimento de um clima fidagal de confrontos e impasses.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

3 comentários:

Anônimo disse...

Esse militar descobriu a pólvora! Vamos ver quanto tempo levará para usá-la. De conhecedores bananas, dos problemas que afligem o povo brasileiro, nós já temos o bastante. Aqui está um escrevendo essas linhas, agora. Mas vindo de um militar... é frustrante.

Antonio disse...

Frustante é vir de um idiota como vc. O país está uma bagunça. Da última vez foram os militares que consertaram ou não? Nosso país está alinhado com as piores ditaduras do mundo. E tem gente que ainda acha pouco. Pior é os militantes de partidos comunistas falarem em democracia. bando de fdp.

Anônimo disse...

Os militares não consertaram nada! Eles protelaram. E você além de não saber escrever, também não entendeu nada. O idiota é você!