sábado, 31 de maio de 2014

Carta Aberta ao Abílio Diniz


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por John Simão

Pois é, senhor Abílio Diniz, acabo de ler um belíssimo artigo, atribuído à sua pessoa e divulgado na Folha de São Paulo.

Qualquer ser humano, com um mínimo de bom senso, reconhece o valor de sua grandeza, capacidade e dedicação ao engrandecimento de seus negócios e, consequentemente, de nosso País.

Em determinados trechos o senhor faz colocações como: (sic)

 “.. vejo a bola rolando quadrada no País do futebol...”;

“É possível que mais gente saia às ruas do País para protestar contra o torneio do que para apoia-lo”;

“A intenção deste artigo não é desestimular ninguém a protestar”

“...o Estado Brasileiro deve urgentemente serviços mais eficientes e mais ética na gestão pública.”

E ainda, com brilhante visão comercial e realizadora, afirma que:

“Atrairemos mais recursos realizando uma copa ordeira, que revele um País dinâmico...”

“Mas a bola, afinal, vai rolar”.

“Está na hora de mostrar o nosso amor por este país - de começar cantando “sou brasileiro, com muito orgulho” e encerra-la com “we are the champions”“.

Quem se interessar pela leitura da publicação supra citada, na íntegra, é só acessar o link abaixo. Vale a pena, boa leitura, bons argumentos, colocações bem feitas, texto bem escrito.
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/05/1452343-abilio-diniz-o-brasil-e-a-copa.shtml

Senhor Diniz, reconheço que suas colocações são sensatas, equilibradas e, em curto prazo, porém, apenas em curto prazo, produtivas.

Mas, pensando em longo prazo, certamente um perfil que o colocou, e às suas corporações, no ponto em que chegaram, sabemos que, ao mentir ao mundo que estamos bem, estamos apenas colocando a sujeira debaixo do tapete. Sabemos também que “mentira tem perna curta”.

Concordo totalmente com o senhor quando afirma que “está na hora de mostrar o nosso amor por este país”.
Porém discordo, também totalmente, de que a forma de demonstrarmos este amor é fechar os olhos para a caótica situação brasileira, ignorarmos o sofrimento de nossa gente e festejarmos algum tipo de vitória, no campo de futebol.

Considero que incentivar a população a aproveitar o momento, já que vai mesmo haver copa, é algo como dizer a um filho: - "Júnior, você não deveria ter roubado este aparelho de som, mas já que roubou, vamos ouvir musica e promover uma festa".

De que valeria o "conselho"?

Em minha visão não temos o que festejar neste momento que o País vive uma corrupção sem precedentes na historia, mas sim o que lamentar.

Temos motivos de sobra para chorar, motivos inúmeros para nos manifestar contra tudo isto que estamos vendo, vivendo e sofrendo. Não para “correr inocentemente” atrás de uma bolinha lançada em gramado superfaturado.

Senhor Diniz, sabemos que a corrupção é a forma mais cruel de crime, uma vez que subtrai violentamente do pobre, para dar ao rico.

Corruptos e corruptores são verdadeiros Robin Hood às avessas.

A classe privilegiada, em que, felizmente, me incluo, porém não no seu nível de competência, capacidade, energia, produtividade, inteligência, e patrimônio, tem algum conforto.

Ela conta com equipe própria de segurança e proteção, tem acesso à educação de qualidade em escolas particulares e no exterior, desfruta de transporte digno tais como veículos blindados com motoristas ou, no seu caso, helicóptero, possui moradia digna e cuida de sua saúde em hospitais de primeiro mundo. (Einstein, Sírio, ou mesmo no hemisfério norte).

Acontece, senhor Diniz, que isto ocorre porque nós, empresários, temos como nos defender dos impostos, absurdos, uma vez que os incrementamos no preço final de nossos produtos.

No entanto, os assalariados, trabalhadores de carteiras assinadas, que se matam no calor de suas moradas sem lajes, que madrugam para esperar por um ônibus mal cuidado, que se espremem nas filas, que vêm suas esposas e filhas assediadas, desrespeitadas e espremidas neste imundo transporte público, que deixam seus filhos em casa sem segurança e sem escola, que assistem à  morte de seus pais abandonados nos corredores dos hospitais públicos sem nada poder fazer,  estes sim, são aqueles que, na verdade, pagam com seus sofrimento toda esta conta de um governo absurdamente caro.

Pois todos nós pagamos impostos quando compramos e pegamos nossos produtos nas prateleiras.

Toda a população paga igualmente, todo o imposto está inserido ali.

Ou a empresa iria à falência, claro!

Alguém tem que pagar a conta, e é a maioria que paga ao comprar uma lata de óleo e pagar duas, uma para o próprio consumo e outra para o governo, mas que vai para os governantes.

Tenho pena de ver centenas de mães que, nos caixas de supermercados, são obrigadas a negar um saquinho de gomas às suas crianças porque não lhes sobram recursos para mais esta compra.

Tenho pena de toda este gente humilde que, sem o saber, desperdiça metade de seus insuficientes salários na forma de tributo a ser dilapidado por uma gentalha que se farta.

Esta gente sofrida, senhor Diniz, merece nossa compaixão e nosso respeito. Não nossas mentiras ao mundo através de uma comemoração pífia, vazia, sem sentido e sem significado real.

Desculpe-me a sinceridade, empresário Abílio Diniz, mas o senhor está sendo simplório e, sem que talvez o sinta, até mesmo malvado.

Em honra a esta gente humilde e em respeito à minha dignidade eu me recuso terminantemente a "aproveitar esta oportunidade" para mentir ao mundo e tirar proveito próprio de toda esta indecência.

Eu estou de luto porque estão matando minha gente e meu País.

Vou seguir sua recomendação e cantar sim, “sou brasileiro, com muito orgulho com muito amor”.

Com o orgulho de saber que não estarei contribuindo para fechar os olhos de nossa gente distraindo-os com futilidade.

E com o amor que me leva a respeitar os meus compatriotas que vejo extorquidos impiedosamente por governantes cruéis e desonestos.

O senhor é um empresário de sucesso e respeito. Homem influente. Por favor, peço-lhe que reflita, visando agir não apenas como um grande empresário, bom anfitrião e ótimo negociador, mas que procure servir a seu país nesta hora, como parte integrante da maioria.

Procure tirar um pouquinho os olhos de seu conforto e se apiede dos injustiçados, afinal, somos todos iguais e irmãos no amor.

Os estrangeiros irão entender nossa indignação, talvez parar de rir de nossa gente e quem sabe, até mesmo, passar nos respeitar como Nação.

Não tenho a honra de possuir seu contato direto, porém espero que esta mensagem lhe chegue, o faça refletir e a agir com a retidão que lhe é peculiar e que o momento exige.

A bola está quadrada sim, Sr. Diniz.

Não irei chuta-la...

Não vai rolar!

Sinceramente;


John Simão é Brasileiro, engenheiro e empresário em São Paulo, SP.

8 comentários:

Afonso Mota disse...

Simples assim e nada complexo. Saudações e sucesso Brasil.

Anônimo disse...

Cleonice I Ferreira disse: Salvo engano,acredito que foi o Sr,Abílio Diniz vítima de um sequestro muito traumático ha muitos anos.Ter segurança no meu entendimento é poder andar sem medo,sem guarda-costas. Quando o país chega nessa anomia ,ninguém está salvo de nada ,é tudo ilusão e sofrimento.Que Deus ilumine a todos.

Anônimo disse...

Que ótimo texto! Adorei! Fora PT!

Anônimo disse...

Abilio Diniz, certa vez, eu vi chegar a S. J. dos Campos em um belíssimo helicóptero Agusta. Sobrevoava meu bairro à procura de um de seus supermercados(hoje fechado)onde pudesse pousar no estacionamento (seria isso permitido na época?. Pousou e eu tive oportunidade de vê-lo de perto, ou melhor, quase de perto. Pouso no pequeno estacionamento do supermercado. Já o aguardavam uns cinco ou seis seguranças, que tinham chegado antes em dois carros Ômegas, daqueles importados da Austrália. O helicóptero foi logo protegido por aquelas fitas amarelas e ficou sob as vistas de seus dois pilotos. O homem saiu em um dos Ômegas, com seguranças, seguido pelo outro veículo. Acho que viera inspecionar suas lojas, na cidade. Todo aparato deixou transparecer como o homem era poderoso. E é esse sujeito que vem falar um monte de besteiras? Estava quebrando o Pão de Açúcar, tentou passar a perna nos franceses do Casino, no caso Pão de Açúcar/Carrefour, se deu mal, foi defenestrado do grupo e, agora, segundo se noticiou, vendeu toda a sua participação no Pão de Açúcar e já está aprontando na BRF, onde os poderosos grupos de pensão estatais que dominam a Perdigão e BRF o colocaram como presidente. Resultado? A BRF teve o seu menor lucro. É um homem vaidoso, narcisista, arrogante e prepotente. É tão bonzinho que um de seus irmãos não quis negócios com ele. Fosse um empresário que realmente pregasse tudo o que defende nesse artigo ridículo, estaria colocando seu prestigio para realmente mudar todo esse descalabro que é a política desse país.

Anônimo disse...

Muito bem! Finalmente um empresário que pensa além de seu umbigo. Ser brasileiro é a arte da paciência. E a paciência está acabando...

Luiz Carlos Borges disse...

Isso sempre foi assim e sempre será enquanto continuarmos elegendo sarneis, barbalhos, arrudas, entre outros nomes, pois só vai mudar a sigla mandatária a ideologia será a mesma pois os olhos estarão voltados para baixo ou seja para seus bolsos.isso vem do império passou pela República se arrastou pela ditadura e agoniza na democracia, é de lamentar mas uma coisa é liquida e certa se não trabalharmos não comemos de resto o brasil definitivamente não tem jeito.

Luiz Carlos Borges disse...

Isso sempre foi assim e sempre será enquanto continuarmos elegendo sarneis, barbalhos, arrudas, entre outros nomes, pois só vai mudar a sigla mandatária a ideologia será a mesma pois os olhos estarão voltados para baixo ou seja para seus bolsos.isso vem do império passou pela República se arrastou pela ditadura e agoniza na democracia, é de lamentar mas uma coisa é liquida e certa se não trabalharmos não comemos de resto o brasil definitivamente não tem jeito.

Luiz Carlos Borges disse...

E assim caminha a humanidade.