sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mentiricídio


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Alberto Sardenberg

Os países da Zona do Euro, mais a Inglaterra, sendo democracias — e boas democracias — entraram num intenso debate para encontrar um programa de saída da crise, aquela de 2008/09. A coisa ficou ainda mais complicada porque, ao problema do momento, somaram-se as dificuldades estruturais do modelo europeu — gasto público excessivo, inclusive com previdência, muitos impostos para pagar, exagerada presença do Estado a inibir o setor privado, custo alto de produzir por lá etc.

Não por acaso, o debate se prolongou. E as críticas tornaram-se constantes. Dizia-se: além de tudo, os europeus estão num impasse político que bloqueia as decisões.

Era verdade, mas foi o então primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, quem colocou o dilema mais claramente. Ele perdeu a paciência no debate e saiu-se com esta: “Ora, todo mundo aqui sabe o que precisa ser feito; o que ninguém sabe é como ganhar as eleições depois.”

O pacote de maldades — como aplicá-lo de modo que o eleitor perceba que aquilo é para o bem do povo e mantenha seu voto? —, eis a questão com a qual os líderes políticos se defrontam com frequência.

Não é fácil. Aplicar a seco as medidas de ajuste, com frequência, provoca uma grande resistência popular que, numa democracia, leva à derrota no Parlamento e nas eleições.

Aí não adiantou nada, nem para o governante nem para a população. O ajuste não só se interrompe pelo caminho, como fica amaldiçoado.

O medo de cair nessa situação leva ao imobilismo governante menos esclarecido e determinado. Ele trata de empurrar com a barriga, adiar medidas o máximo possível — e esse é o caminho certo para mergulhar numa crise cada vez pior.

Esse tipo de governo, de direita ou esquerda, cai numa sequência de improvisos: aumenta um imposto aqui, corta outro que suscitou mais protesto, eleva o preço da energia elétrica, segura a gasolina, corta investimento, aumenta gasto com salários, atrasa obras, concede mais benefícios, sobe juros para uns, diminui para outros e assim vai.

A política econômica perde eficiência, a insatisfação se generaliza.
Reconheceram? Pois é.

Também é comum uma outra tentativa: o candidato sabe o que precisa ser feito, não diz para não perder votos, mas trata de fazer depois de eleito.

Em geral, é um conselho de marqueteiros. Por exemplo: pessoal do entorno da presidente Dilma comentou que ela não vai fazer “sincericídio”. Com isso, se queria dizer que ela também sabe que o país precisa de ajustes, mas que não vai sair por aí anunciando “medidas impopulares’’. Mais que isso: sua estratégia será a de dizer que a oposição prepara essas maldades.

Se for assim, não vai dar certo. No curso desta campanha, Dilma também precisará dizer que não vai fazer aquilo que, dizem, consideraria necessário para depois. De certo modo, ela já está fazendo isso, ao deixar para depois das eleições medidas como aumento do preço da gasolina e do imposto da cerveja.

Ou seja, ela cai num “mentiricídio”. Não dá para ganhar a eleição assim e depois dizer que, bem, brasileiras e brasileiros, vamos precisar de algum sacrifício... Dizem que seria seu último mandato, o que a liberaria para as maldades. Não é assim: o governante não é só ele, é ele mais a sua turma, que vai continuar aí.

Tudo considerado, é mínima a chance de a presidente Dilma, ganhando, mudar o curso de sua política econômica.

E como a oposição lida com esse dilema? Fica para a próxima.

ITAQUE... WHAT?

Imagina um croata que veio ao Brasil ver a Copa. A seleção dele faz um jogo de honra, a estreia contra o Brasil, em São Paulo.

O ingresso oficial da Fifa informa que a partida será na “Arena de São Paulo”.
Não existe isso, diz o porteiro do hotel ou o taxista ou o voluntário da Fifa: “O jogo é no Itaquerão.”

Itaque... what?

Ele confia e pega o metrô indicado. A sinalização manda que ele desça na “Arena Corinthians’’.

Pelo menos já apareceu a palavra “Arena”, que consta do ingresso. Ele desce, começa a caminhar e topa com placas oficiais, da Fifa World Cup, indicando o “Itaquera Stadium”.

“Qual é o problema?”, diria o ministro do Esporte. No Iraque nem placa tem...


Carlos Alberto Sardenberg é Jornalista. Originalmente publicado em o Globo em 15 de maio de 2014.

4 comentários:

Loumari disse...

Na Europa se constata uma atitude totalmente deplorável na população. Estes vão votar, eligem o presidente, os deputados, e nem seis meses passam que vão já manifestar o seu descontentamento, e exigem a destituição do governo que eles mesmos elegeram. Pode-se mesmo edificar uma casa de um dia para o outro? Não dão nem sequer seis meses ao novo executivo o tempo de se apropriar dos dossiês, estudá-los, elaborar os novos planos, fundar novas bases para engajar novas reformas, que o povo já exige resultados, querem tudo e já, e por cima não aceitam nenhuma reforma. Por amor do céu, assim não. O povo europeu se tornou irresponsável, instável, psicologicamente bruto. E os fascistas aproveitam deste povo débil intelectualmente, e vai usá-lo como carta a ganhar. E vai ser assim. Este mesmo povo amanhã vai se morder os dedos. O dia em que eles vão despertarem na aldeia chamada se eu soubesse. Só que, uma vez na aldeia chamada se eu soubesse, já não haverá alternativa nenhuma. E BUNGA-BUNGA FINITO. É mesmo lamentável que um povo mude de opinião como mudam de cuecas. Só que, nao é mudar de cuecas que vai impedir o mau cheio, é o QU que deve ser lavado. Para que vejam, onde o ateísmo conduziu o espírito da gente! Estão já como cães errantes.

Martim Berto Fuchs disse...

" Era verdade, mas foi o então primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, quem colocou o dilema mais claramente. Ele perdeu a paciência no debate e saiu-se com esta: “Ora, todo mundo aqui sabe o que precisa ser feito; o que ninguém sabe é como ganhar as eleições depois.”

G E N I A L !!!

Augusto disse...

Vejo mascarados (Comunistas) queimando bandeiras brasileiras e não me conformo com a passividade das autoridades...
A verdade e que esses terroristas que queimam bandeira brasileira deveriam estar mofando na cadeia. Simples assim... DEPOIS DE LEVAR UMA BOA SURRA, E CLARO...

Anônimo disse...

Itaquerão coisa nenhuma.
Para o padrão FIFA tem que ser:
Chickens's Stadium.