quinta-feira, 15 de maio de 2014

Retrato do País


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

Domingo, dia de clássico do futebol carioca.

Maracanã quase pronto para sediar a final da Copa do Mundo.

O Flamengo, dono da maior torcida do país, numa iniciativa louvável, exibiu simpática demonstração contra o racismo que vem atormentando os espetáculos nas arenas mundo afora.

Para isso, resolveu homenagear a memória de alguns de seus notáveis craques negros do passado.

Assim, cada jogador do time exibiu nas costas de sua camisa o nome de um, entre aqueles mestres inesquecíveis.

Na verdade, foi emocionante ver em uniformes de jovens começando a carreira, nomes, por exemplo, como o do famoso goleador Índio, um dos responsáveis por minha conversão infantil à magia rubro-negra e do lendário zagueiro Domingos da Guia.

Por outro  lado, os apresentadores da partida lembraram o alvissareiro fato de os telespectadores estarem a assistir à cena rara, talvez inédita, de dois técnicos negros no comando de suas equipes da beira do gramado.

O Flamengo, numa tarde de pouco futebol, sofreu um revés, perdendo por dois a zero.
Fato normal do jogo, vida que segue.

O que não é do jogo, ou pelo menos do bom jogo, é a estarrecedora atitude da diretoria do clube rubro-negro, não por ter demitido seu técnico no dia seguinte, mas por tê-lo feito por baixo dos panos.

Pior e mais constrangedor, no entanto, foi o fato do Sr. Jaime de Almeida, com ligações quase carnais com o clube, praticamente nascido nas suas dependências, ter tomado conhecimento de sua dispensa pela imprensa.

Vê-se, pelo episódio, que talvez o grande problema do futebol tupiniquim não seja propriamente o racismo mas a falta de ética, de caráter, de respeito aos profissionais e de transparência de seus cartolas. Retrato do país?

Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sim, é o retrato do lado sujo do país, infelizmente predominante. Não sei não, mas acho que o Fla fez péssimo negócio e o Jaime é quem rirá por último.